Síndrome da Alça Aferente: Diagnóstico e Tratamento
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Autores: Ada Alexandrina Brom dos Santos Soares, Adrielma Athena Rodrigues Serrão Martins e Silva, Paulo Sakai, Carlos Kiyoshi Furuya Junior, Bruno da Costa Martins

Introdução

A síndrome da alça aferente (SAA) é uma complicação incomum decorrente de obstrução mecânica da alça aferente, com distensão secundária ao acúmulo de bile e secreções pancreatoentéricas (Figura 1). Sua incidência varia de 0,2% a 1%, sobretudo após reconstruções gastrojejunais à Billroth II ou em Y-de-Roux, bem como após duodenopancreatectomia.

Ilustração esquemática da Síndrome da Alça Aferente

Figura 1: Ilustração esquemática de reconstrução gastrojejunal à Billroth II, evidenciando obstrução próxima à anastomose (seta azul), com dilatação da alça aferente e acúmulo de conteúdo biliopancreático.

Etiologia

As etiologias benignas incluem causas intraluminais, intramurais e extrínsecas, destacando-se enterite por radiação, torção da alça aferente, aderências pós-operatórias, hérnia interna, volvo e intussuscepção. Entre as etiologias malignas, predominam carcinomatose peritoneal e recorrência tumoral locorregional.

Quadro clínico

A obstrução completa geralmente se manifesta de forma aguda, com dor epigástrica, frequentemente irradiada para a região interescapular, associada a vômitos não biliosos. Desse modo, o acúmulo de secreções promove aumento da pressão intraluminal, com possível evolução para pancreatite e colangite ascendente. Além disso, nos casos mais graves, pode ocorrer isquemia intestinal, seguida de perfuração e peritonite.

A obstrução parcial apresenta curso crônico, caracterizado por desconforto periumbilical pós-prandial. Ademais, a estase de secreções favorece o supercrescimento bacteriano, com evolução para desnutrição, deficiência de vitamina B12 e esteatorreia. Em contrapartida, a descompressão súbita da alça aferente resulta em vômitos biliosos em jato.

Diagnóstico

Nesse sentido, a tomografia computadorizada abdominal constitui o principal método diagnóstico da síndrome da alça aferente, permitindo confirmar a obstrução, definir sua etiologia e identificar complicações associadas. Os principais achados tomográficos incluem dilatação da alça aferente que atravessa a linha média entre a aorta e a artéria mesentérica superior; projeção das válvulas coniventes para o lúmen; espessamento da parede intestinal ou lesão obstrutiva na anastomose; dilatação do trato pancreatobiliar (Figura 2); linfadenopatia, ascite, realce peritoneal e lesões metastáticas.


Figura 2: Tomografia computadorizada demonstrando dilatação da via biliar e do ducto pancreático, associada a acentuada distensão do duodeno e jejuno proximal até próximo da anastomose gastroentérica.

Tratamento

A cirurgia permanece como o principal tratamento para a síndrome da alça aferente. Entretanto, avanços nas intervenções endoscópicas ampliaram as opções terapêuticas minimamente invasivas. As abordagens endoscópicas incluem dilatação com balão da área estenosada, drenagem do segmento obstruído com sonda nasogástrica, colocação de stents metálicos autoexpansíveis por enteroscopia e criação de anastomose entre o segmento dilatado e a luz gástrica ou jejunal por ecoendoscopia, com utilização de prótese metálica de aposição luminal (LAMS) (Figura 3). Vale ressaltar que estudos multicêntricos iniciais demonstram elevadas taxas de sucesso técnico e clínico dessa abordagem.


Figura 3: Tratamento ecoendoscópico da SAA com colocação de LAMS. A ilustração A apresenta o posicionamento do ecoendoscópio na alça eferente para punção. A imagem ecoendoscópica B demonstra a realização da enteroenteroanastomose por punção, com colocação da LAMS. A ilustração C esquematiza a prótese comunicando as duas alças. A imagem endoscópica D evidencia o adequado posicionamento da prótese, com boa drenagem do conteúdo biliopancreático.

Desse modo, apresentamos um vídeo do tratamento endoscópico da SAA com LAMS por meio de anastomose enteroentérica guiada por ecoendoscopia.

Para saber mais sobre os desfechos do tratamento ecoendoscópico da SAA, acesse a metanálise “EUS-guided transmural treatment of afferent loop syndrome: a systematic review and meta-analysis” (Frontiers in Gastroenterology, 2026)

Referências

  1. Grotewiel RK, Cindass R. Afferent loop syndrome. In: StatPearls [Internet]. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing; 2023.
  2. Termsinsuk P, Chantarojanasiri T, Pausawasdi N. Diagnosis and treatment of the afferent loop syndrome. Clin J Gastroenterol. 2020;13(5):660-668. doi:10.1007/s12328-020-01170-z.
  3. Wu CCH, Brindise E, Abiad RE, Khashab MA. The role of endoscopic management in afferent loop syndrome. Gut Liver. 2023;17(3):351-359. doi:10.5009/gnl220205.
  4. Matsubara S, Takahashi S, Takahara N, et al. Endoscopic ultrasound-guided gastrojejunostomy for malignant afferent loop syndrome using a fully covered metal stent: a multicenter experience. J Clin Med. 2023;12(10):3524. doi:10.3390/jcm12103524.

Como citar este artigo

Soares AABS, Silva AARSM, Sakai P, Junior CKF, Martins BC.Síndrome da alça aferente: revisão clínica e abordagem endoscópica. Endoscopia Terapeutica 2026 Vol II. Disponível em: https://endoscopiaterapeutica.net/pt/assuntosgerais/sindrome-da-alca-aferente-revisao-clinica-e-abordagem-endoscopica/

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Médica Endoscopista do Hospital Alemão Oswaldo Cruz e do São Luiz Rede D´Or.
Gastroenterologista pela Faculdade de Medicina de Botucatu -UNESP.

Endoscopia pelo Hospital Alemão Oswaldo Cruz.
Cirurgia Geral e Cirurgia do Aparelho Digestivo pelo Hospital Universitário João de Barros Barreto -Complexo Hospitalar UFPA -EBSERH.
Graduação em Medicina pela Universidade do Estado do Pará (UEPA).

Preceptor da Residência de Endoscopia do Hospital Alemão Oswaldo Cruz
Mestrado e Doutorado em Ciências Medicas pela Universidade de São Paulo

Professor Livre-Docente pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo
Médico Endoscopista do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (ICESP)
Médico Endoscopista do Hospital Alemão Oswaldo Cruz
Emerging Star pela WEO


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