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	<title>Ivan R B Orso, Author at Endoscopia Terapeutica</title>
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	<description>O Jornal Endoscopia Terapêutica tem como objetivo compartilhar experiências da prática diária, além de prover atualizações e discussões sobre endoscopia digestiva.</description>
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	<title>Ivan R B Orso, Author at Endoscopia Terapeutica</title>
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		<title>Quando interromper vigilância endoscópica em idosos? Recomendações da AGA para Barrett, rastreamento colorretal e pólipos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Ivan R B Orso]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 08 Sep 2026 07:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos Comentados]]></category>
		<category><![CDATA[Assuntos Gerais]]></category>
		<category><![CDATA[barrett]]></category>
		<category><![CDATA[Câncer colorretal]]></category>
		<category><![CDATA[colonoscopia]]></category>
		<category><![CDATA[pólipos colorretais]]></category>
		<category><![CDATA[rastreamento]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A população idosa está crescendo rapidamente, e isso torna cada vez mais comum a&#8230;</p>
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<p class="wp-block-paragraph">A população idosa está crescendo rapidamente, e isso torna cada vez mais comum a discussão sobre quando continuar ou interromper programas de rastreamento e vigilância endoscópica. A <a href="https://www.cghjournal.org/article/S1542-3565(26)00441-6/fulltext">atualização da AGA</a> aborda justamente esse ponto: como decidir, em adultos mais velhos, se ainda há benefício real em manter vigilância de condições pré-malignas do esôfago, do cólon e do reto.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O documento de 2026 é uma revisão de especialistas, baseada em literatura publicada e opinião de painel, sem revisão sistemática formal. Por isso, as recomendações apresentam-se como “Best Practice Advice”, sem graduação formal de qualidade de evidência ou força de recomendação.</p>



<h2 id="h-nao-avaliar-apenas-a-idade" class="wp-block-heading"><br><strong>Não avaliar apenas a idade</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">A AGA reforça que a decisão de manter vigilância <strong>não deve ser baseada apenas na idade cronológica</strong>. Comorbidades, fragilidade, funcionalidade, expectativa de vida, histórico prévio de rastreamento, riscos do procedimento e preferência do paciente devem entrar na avaliação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">De forma geral, muitas diretrizes recomendam rastreamento rotineiro até os 75 anos, decisão individualizada entre 75 e 85 anos e interrupção após 85 anos. No entanto, o próprio texto destaca que <strong>se deve interpretar essa faixa etária junto com o estado clínic</strong>o. Um paciente de 70 anos frágil pode ter menor expectativa de vida do que um paciente de 85 anos funcionalmente preservado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outro conceito importante é o tempo para benefício. Para que o rastreamento de câncer gere benefício de sobrevida, geralmente é necessária uma expectativa de vida em torno de <strong>10 anos</strong>. Se o paciente tiver expectativa de vida limitada ou não tolerar tratamento oncológico, cirúrgico ou endoscópico, o benefício da vigilância tende a ser muito baixo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ferramentas prognósticas, calculadoras de expectativa de vida, instrumentos de avaliação de fragilidade e recursos de decisão compartilhada podem ajudar a estruturar essa conversa. As recomendações citam, por exemplo, o índice Lee–Schonberg, que estima mortalidade em 4 a 14 anos com base em idade, função, fragilidade e comorbidades.</p>



<h2 id="h-esofago-de-barrett-manter-qualidade-quando-realizar-a-vigilancia" class="wp-block-heading"><br><strong>Esôfago de Barrett: manter qualidade quando realizar a vigilância</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Na vigilância endoscópica do esôfago de Barrett, o objetivo é detectar displasia e adenocarcinoma em estágio inicial e tratável. Quando indicada, a endoscopia deve seguir boas práticas de imagem, aquisição tecidual e intervalos recomendados.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A decisão de continuar vigilância em pacientes mais velhos deve ser <strong>compartilhada</strong>, considerando comorbidades, expectativa de vida, riscos do exame, benefícios esperados e preferências do paciente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Um ponto relevante para essa conversa é que o risco absoluto de progressão no Barrett não displásico é baixo. A maioria dos pacientes com Barrett nunca desenvolverá adenocarcinoma. O Barrett sem displasia corresponde a cerca de 90% da população com Barrett e apresenta risco anual de progressão estimado em torno de 0,1% a 0,3%.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Com o envelhecimento, <strong>o benefício potencial da vigilância diminui</strong>, principalmente quando aumentam as comorbidades e cai a expectativa de vida. Além disso, eventos adversos cardiopulmonares da endoscopia alta são mais comuns em pacientes com 65 anos ou mais e naqueles com doenças associadas, como coronariopatia, hipertensão, diabetes e obesidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As recomendações também citam a análise de custo-efetividade sugerindo que a idade ideal para a última vigilância no Barrett não displásico varia conforme sexo e comorbidades: de 69 anos em mulheres com comorbidades graves até 81 anos em homens sem comorbidades. A diretriz AGA de 2025 recomenda iniciar a conversa sobre interrupção da vigilância aos 75 anos em homens saudáveis. Já a ESGE sugere última vigilância aos 75 anos, com exceções individualizadas até 80 anos.</p>



<h2 id="h-ferramentas-de-predicao-no-barrett" class="wp-block-heading"><br><strong>Ferramentas de predição no Barrett</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">A AGA comenta que <strong>ferramentas de predição de progressão</strong> podem ajudar a contextualizar o risco de displasia ou adenocarcinoma dentro da expectativa de vida individual. Desenvolveu-se o PIB score, por exemplo, para estimar progressão para displasia de alto grau ou adenocarcinoma após o diagnóstico inicial de Barrett. Ainda assim, a diretriz AGA de 2025 não endossou seu uso rotineiro.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Modelos com aprendizado de máquina aplicados ao prontuário eletrônico parecem promissores, mas ainda precisam de validação externa. Biomarcadores moleculares, como alterações de p53, podem apoiar diagnóstico de displasia e avaliação de atipias, mas não são suficientes para prognosticar risco de câncer no Barrett não displásico.</p>



<h2 id="h-quando-parar-a-vigilancia-endoscopica-do-barrett" class="wp-block-heading"><br><strong>Quando parar a vigilância endoscópica do Barrett</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Uma recomendação prática é: se o paciente não tolerar terapia endoscópica, cirurgia ou tratamento oncológico para adenocarcinoma de esôfago, deve-se interromper a vigilância do Barrett, <strong>independentemente da idade</strong>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Isso também se aplica a pacientes com sobrevida estimada menor que 5 anos ou múltiplas comorbidades importantes. Nesses cenários, encontrar displasia ou câncer precoce não necessariamente se traduziria em tratamento viável ou melhora de desfechos.</p>



<h2 id="h-rastreamento-de-cancer-colorretal-apos-75-anos" class="wp-block-heading"><br><strong>Rastreamento de câncer colorretal após 75 anos</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Para o câncer colorretal, a decisão de continuar rastreamento após os 75 anos deve ser <strong>individualizada</strong>. Devem ser avaliados benefício potencial, histórico de rastreamento, comorbidades e riscos do procedimento.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O rastreamento tem baixo rendimento em muitos idosos. Entre pacientes de 76 a 85 anos submetidos a rastreamento, a maioria apresenta colonoscopia normal ou achados sem grande relevância, como adenomas não avançados. A taxa de diagnóstico de câncer colorretal nessa população foi descrita entre 0,2% e 0,5%.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por outro lado, os riscos da colonoscopia aumentam com a idade. Em idosos, os eventos adversos estimados variam de 14 a 28 por 1000 procedimentos, cerca de 1,7 vezes maior do que em pacientes com menos de 60 anos. Eventos não gastrointestinais, como arritmia, pneumonia aspirativa, infarto e AVC, podem superar eventos gastrointestinais, como sangramento e perfuração.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os danos da colonoscopia de rastreamento, estimados em cerca de 26 por 1000, podem superar o benefício de detectar câncer colorretal, estimado em 2 a 3 por 1000, reforçando a necessidade de selecionar cuidadosamente os pacientes acima de 75 anos.</p>



<h2 id="h-testes-nao-invasivos-em-idosos" class="wp-block-heading"><br><strong>Testes não invasivos em idosos</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Testes não invasivos podem ser uma estratégia mais segura em adultos mais velhos, pois ajudam a selecionar quem realmente deveria seguir para colonoscopia. O <strong>FIT</strong> é citado como uma opção potencialmente preferível em idosos quando o objetivo é reduzir falsos-positivos e evitar colonoscopias desnecessárias.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ainda assim, há uma condição importante: o paciente precisa estar apto e disposto a realizar colonoscopia caso o teste seja positivo. Caso contrário, o rastreamento não invasivo perde finalidade prática.</p>



<h2 id="h-vigilancia-endoscopica-pos-polipectomia-apos-75-anos" class="wp-block-heading"><br><strong>Vigilância endoscópica pós-polipectomia após 75 anos</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Assim como ocorre na vigilância endoscópica em idosos com Barrett, a vigilância de pólipos colorretais em indivíduos acima de 75 anos também deve ser individualizada. A decisão deve considerar histórico dos pólipos, comorbidades, riscos do procedimento e benefício esperado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Pacientes com adenomas de baixo risco, definidos como 1 a 2 adenomas pequenos, menores que 1 cm, sem componente viloso ou displasia de alto grau, têm risco de câncer colorretal em 5 anos em torno de 0,5%. Esse risco é semelhante ao de pacientes sem adenomas e menor que o da população geral.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mesmo em pacientes com histórico de adenomas avançados, a decisão precisa <strong>considerar a expectativa de vida</strong>. A sequência adenoma-carcinoma costuma ser longa, e muitos achados de alto risco podem não ter tempo de evoluir para câncer clinicamente relevante durante a vida restante do paciente. Além disso, a mortalidade por outras causas em adultos mais velhos supera bastante a mortalidade por câncer colorretal.</p>



<h2 id="h-documentacao-e-decisao-compartilhada" class="wp-block-heading"><br><strong>Documentação e decisão compartilhada</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">A AGA recomenda que, em pacientes acima de 75 anos, a tomada de decisão para colonoscopia seja claramente documentada no prontuário. Isso deve incluir indicação, riscos, benefícios, comorbidades, preferências do paciente e possibilidade real de tratamento caso um câncer seja diagnosticado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O texto sugere reduzir a prática de colonoscopia em regime de <em>open access</em> em adultos com mais de 75 anos, favorecendo <strong>consulta presencial ou por telemedicina antes do procedimento</strong>. Essa etapa permite revisar indicação, expectativa de benefício e riscos antes que o paciente seja encaminhado diretamente para preparo e exame.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A <strong>comunicação</strong> entre gastroenterologista, médico assistente e paciente é parte central do processo. Muitos idosos querem participar da decisão e confiam no médico de atenção primária, com apoio do especialista quando necessário.</p>



<h2 id="h-conclusao" class="wp-block-heading"><br><strong>Conclusão</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">A principal contribuição desta atualização é trazer a discussão sobre interrupção de rastreamento e vigilância endoscópica para a prática clínica. Em adultos mais velhos, a indicação de nova endoscopia ou colonoscopia deve considerar não apenas a condição pré-maligna, mas também a chance de benefício dentro da expectativa de vida, o risco do procedimento e a viabilidade de tratamento caso algo relevante seja encontrado.</p>



<p class="has-pale-ocean-gradient-background has-background wp-block-paragraph">Interromper vigilância pode ser uma decisão adequada quando os riscos superam os benefícios ou quando o paciente não tiver condições de seguir tratamento. Essa decisão deve ser individualizada, discutida com o paciente e registrada com clareza.</p>



<div style="height:68px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<p class="wp-block-paragraph"><em>Se quiser se aprofundar sobre a vigilância endoscópica do esôfago do Barrett, <a href="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/assuntosgerais/esofago-de-barrett-e-vigilancia-endoscopica-o-que-as-diretrizes-recomendam-e-o-que-o-boss-trial-revela/">acesse</a>!</em></p>



<h2 id="h-referencia" class="wp-block-heading"><br><strong>Referência</strong></h2>



<ol class="wp-block-list">
<li>Calderwood AH, Yoshida CM, Das KM, Falk GW. <em>AGA Clinical Practice Update on Surveillance of Metaplastic and Premalignant Conditions of the Esophagus and Colorectum in Older Adults: Expert Review</em>. Clinical Gastroenterology and Hepatology. 2026.</li>
</ol>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<h2 id="h-como-citar-este-artigo" class="wp-block-heading"><strong>Como citar este artigo</strong></h2>



<p class="has-very-light-gray-to-cyan-bluish-gray-gradient-background has-background wp-block-paragraph">Orso IRB. Quando interromper vigilância endoscópica em idosos? Recomendações da AGA para Barrett, rastreamento colorretal e pólipos Endoscopia Terapeutica 2026 Vol II. Disponível em: <a href="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/?p=21857" target="_blank" rel="noreferrer noopener">https://endoscopiaterapeutica.net/pt/uncategorized/quando-interromper-vigilancia-endoscopica-em-idosos-recomendacoes-da-aga-para-barrett-rastreamento-colorretal-e-polipos/</a></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
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		<item>
		<title>Divertículo invertido do cólon: como diferenciar esse achado de um pólipo durante a colonoscopia?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Ivan R B Orso]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 01 Sep 2026 07:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Assuntos Gerais]]></category>
		<category><![CDATA[colonoscopia]]></category>
		<category><![CDATA[diverticulo]]></category>
		<category><![CDATA[divertículo invertido]]></category>
		<category><![CDATA[pólipo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Durante uma colonoscopia, uma pequena estrutura polipoide localizada em um segmento com diverticulose pode&#8230;</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full is-resized"><a href="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/?attachment_id=21853"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="642" height="215" src="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/08/Diverticulo-Invertido.png" alt="Divertículo invertido" class="wp-image-21853" style="width:642px;height:auto" srcset="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/08/Diverticulo-Invertido.png 642w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/08/Diverticulo-Invertido-300x100.png 300w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/08/Diverticulo-Invertido-585x196.png 585w" sizes="(max-width: 642px) 100vw, 642px" /></a></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph">Durante uma colonoscopia, uma pequena estrutura polipoide localizada em um segmento com diverticulose pode parecer um achado simples. Entretanto, antes de posicionar a alça ou realizar uma biópsia, é importante considerar um diagnóstico pouco frequente, mas potencialmente perigoso: o divertículo colônico invertido.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nesse achado, o fundo do divertículo se invagina em direção à luz do cólon e passa a apresentar uma configuração semelhante à de um pólipo. Embora seja incomum, o divertículo invertido tem relevância prática porque sua ressecção inadvertida pode produzir <strong>lesão transmural e perfuração colônica.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O desafio está justamente em reconhecê-lo antes de qualquer intervenção.</p>



<h2 id="h-por-que-o-diverticulo-fica-invertido" class="wp-block-heading"><br><strong>Por que o divertículo fica invertido?</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Os divertículos colônicos habituais correspondem à herniação da mucosa e da submucosa através de <strong>pontos de fragilidade da camada muscular</strong>. Em determinadas circunstâncias, essa estrutura pode se invaginar para dentro da luz intestinal.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O mecanismo exato não está completamente definido. Alterações da pressão intraluminal, movimentos de contração e aspiração durante o exame, além da própria manipulação endoscópica, podem contribuir para a inversão.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quando isso acontece, o divertículo deixa de ser visualizado como uma abertura na parede e passa a assumir uma aparência elevada, séssil ou até pseudopediculada.</p>



<h2 id="h-como-e-o-aspecto-endoscopico" class="wp-block-heading"><br><strong>Como é o aspecto endoscópico?</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">O divertículo invertido geralmente aparece como uma estrutura arredondada ou alongada, recoberta por mucosa de aspecto semelhante à mucosa colônica adjacente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">É mais frequentemente identificado no sigmoide, especialmente em áreas com múltiplos divertículos. No entanto, pode ocorrer em outros segmentos do cólon e, ocasionalmente, apresentar tamanho ou configuração pouco habituais. Há relatos de divertículos invertidos maiores e pediculados, simulando adenomas convencionais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Entre os achados que devem chamar a atenção estão:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>mucosa superficial aparentemente normal;</li>



<li>coloração semelhante à da mucosa ao redor;</li>



<li>superfície lisa e regular;</li>



<li>consistência macia;</li>



<li>depressão ou umbilicação central;</li>



<li>pregas convergindo para o centro da estrutura;</li>



<li>mudança de formato durante a insuflação, aspiração ou irrigação;</li>



<li>presença de outros divertículos no mesmo segmento.</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Nenhuma dessas características, isoladamente, confirma o diagnóstico</strong>. A identificação depende da combinação entre o aspecto da lesão, sua localização e seu comportamento durante manobras endoscópicas delicadas.</p>



<h2 id="h-mucosa-normal-na-lesao-e-altamente-suspeit-a" class="wp-block-heading"><br><strong>Mucosa normal na lesão é altamente suspeit</strong>a</h2>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><a href="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/?attachment_id=21849"><img decoding="async" width="530" height="385" src="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/08/Figura-1-diverticulo-invertido.jpg" alt="divertículo invertido" class="wp-image-21849" srcset="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/08/Figura-1-diverticulo-invertido.jpg?v=1787860819 530w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/08/Figura-1-diverticulo-invertido-300x218.jpg?v=1787860819 300w" sizes="(max-width: 530px) 100vw, 530px" /></a></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph">Um dos principais elementos para diferenciar o divertículo invertido de um pólipo epitelial é a <strong>aparência de sua superfície</strong>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A mucosa que recobre o divertículo geralmente mantém padrão semelhante ao da mucosa adjacente. Não costuma apresentar a granulação, a lobulação ou as alterações vasculares e glandulares esperadas em um adenoma.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na avaliação com NBI ou outra modalidade de cromoscopia virtual, é possível observar padrão vascular e de superfície regular, sem critérios convincentes de neoplasia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Essa característica requer <strong>interpretação cautelosa</strong>. Lesões hiperplásicas, algumas lesões serrilhadas e tumores subepiteliais também podem apresentar superfície pouco alterada. Portanto, a ausência de padrão adenomatoide aumenta a suspeita, mas não é suficiente para definir o diagnóstico.</p>



<h2 id="h-depressao-central-e-pregas-radiadas" class="wp-block-heading"><br><strong>Depressão central e pregas radiadas</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">A presença de uma pequena depressão no centro da lesão é um achado particularmente sugestivo. Ao redor dessa depressão, observam-se pregas mucosas que convergem radialmente para o centro.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quando a estrutura é delicadamente comprimida com a ponta fechada de uma pinça, essas pregas podem se tornar mais evidentes. Esse comportamento é conhecido como <strong>radiating pillow sign</strong>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O sinal consiste na formação ou acentuação de uma depressão central acompanhada por pregas radiadas após pressão suave sobre a lesão. Ele reflete a deformabilidade da parede diverticular invertida e constitui uma das pistas mais úteis durante o exame.</p>



<h2 id="h-sinal-do-travesseiro" class="wp-block-heading"><br><strong>Sinal do travesseiro</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">O divertículo invertido pode se deformar facilmente quando tocado com a ponta fechada da pinça.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A estrutura pode afundar, achatar-se ou formar uma depressão, retornando à configuração inicial após a retirada da pressão. Esse comportamento lembra o <strong>sinal do travesseiro</strong> observado nos lipomas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No divertículo invertido, porém, a deformação pode estar associada à formação das pregas radiadas ou até à reversão completa da estrutura para sua posição habitual.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A manobra deve ser feita com muito cuidado. O objetivo é apenas observar o comportamento da lesão, sem agarrá-la, tracioná-la ou introduzir a pinça em seu interior.</p>



<h2 id="h-deformacao-com-o-jato-de-agua" class="wp-block-heading"><br><strong>Deformação com o jato de água</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">O direcionamento de um jato de água sobre a estrutura pode ajudar na diferenciação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No chamado <strong>water-jet deformation sign</strong>, a pressão da água provoca alteração significativa do formato da lesão. Ela pode achatar-se, desenvolver uma depressão central ou até desaparecer, deixando evidente uma abertura diverticular.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Um pólipo epitelial verdadeiro geralmente mantém sua arquitetura após a irrigação, mesmo que possa apresentar algum grau de mobilidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A resposta ao jato de água não deve ser avaliada isoladamente, mas ganha valor quando associada à superfície normal, às pregas radiadas e à localização em um segmento com diverticulose.</p>



<h2 id="h-mudanca-com-insuflacao-e-aspiracao" class="wp-block-heading"><br><strong>Mudança com insuflação e aspiração</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">O divertículo invertido é uma estrutura dinâmica. Sua aparência pode mudar de acordo com o <strong>grau de distensão do cólon.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A insuflação pode <strong>achatar ou reverter</strong> a lesão. A aspiração, por outro lado, pode <strong>favorecer sua protrusão</strong> novamente para o interior da luz.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Essa variação durante o exame é uma diferença relevante em relação aos pólipos epiteliais, que tendem a conservar melhor sua forma, seu volume e sua implantação, apesar das mudanças na distensão luminal.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em alguns casos, a insuflação é suficiente para fazer a estrutura desaparecer, revelando o orifício diverticular. Quando isso ocorre, o diagnóstico torna-se, portanto, muito provável.</p>



<h2 id="h-mobilidade-e-reversibilidade" class="wp-block-heading"><br><strong>Mobilidade e reversibilidade</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Outro achado possível é a <strong>mobilidade acentuada</strong> da estrutura. Com um toque leve da pinça fechada, o divertículo invertido pode deslocar-se ou mudar de posição mais facilmente do que um pólipo implantado na mucosa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A reversão completa, seja pela insuflação, irrigação ou toque delicado, é uma das evidências mais fortes do diagnóstico. Após a reversão, surge no local uma abertura diverticular convencional.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Desse modo, é importante diferenciar manipulação diagnóstica delicada de tração. Agarrar ou puxar a estrutura pode provocar trauma da parede e não deve ser realizado.</p>



<h2 id="h-aurora-rings" class="wp-block-heading"><br><strong>Aurora rings</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Os chamados <strong>Aurora rings</strong> são anéis concêntricos, mais claros ou esbranquiçados, observados ao redor da base da lesão.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><a href="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/?attachment_id=21850"><img decoding="async" width="536" height="367" src="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/08/Figura-2-diverticulo-invertido.jpg" alt="" class="wp-image-21850" srcset="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/08/Figura-2-diverticulo-invertido.jpg?v=1787862085 536w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/08/Figura-2-diverticulo-invertido-300x205.jpg?v=1787862085 300w" sizes="(max-width: 536px) 100vw, 536px" /></a></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph">Eles podem ser identificados em luz branca e, em alguns casos, tornam-se mais evidentes com NBI. A descrição original propôs esse achado como uma forma de diferenciar o divertículo invertido de pólipos verdadeiros.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Apesar de serem uma pista útil, os Aurora rings não são patognomônicos. Esse aspecto também já foi documentado ao redor de um lipoma colônico. Assim, sua presença deve ser analisada em conjunto com a deformabilidade, a depressão central e a reversibilidade da lesão.</p>



<h2 id="h-diverticulo-invertido-ou-polipo" class="wp-block-heading"><br><strong>Divertículo invertido ou pólipo?</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph"><br>Na prática, alguns elementos ajudam a orientar o diagnóstico diferencial.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><a href="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/?attachment_id=21851"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="591" src="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/08/figura-3-artigo-diverticulo-invertido-1024x591.png" alt="" class="wp-image-21851" srcset="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/08/figura-3-artigo-diverticulo-invertido-1024x591.png 1024w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/08/figura-3-artigo-diverticulo-invertido-300x173.png 300w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/08/figura-3-artigo-diverticulo-invertido-768x443.png 768w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/08/figura-3-artigo-diverticulo-invertido-1170x675.png 1170w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/08/figura-3-artigo-diverticulo-invertido-585x337.png 585w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/08/figura-3-artigo-diverticulo-invertido.png 1491w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph"><br>A presença de uma estrutura polipoide em meio a vários divertículos deve aumentar imediatamente o nível de suspeição.</p>



<h2 id="h-e-a-injecao-submucosa" class="wp-block-heading"><br><strong>E a injeção submucosa?</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">A injeção submucosa de solução salina já foi estudada como recurso diagnóstico. Em divertículos invertidos, a injeção pode produzir <strong>achatamento da lesão e acentuação da depressão central</strong>, em vez da elevação homogênea esperada em alguns pólipos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Apesar desses relatos, a injeção não deve ser considerada um teste definitivo. O comportamento pode variar, e a própria punção representa uma intervenção sobre uma estrutura cuja anatomia ainda não foi esclarecida.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na maior parte das situações, a avaliação cuidadosa com luz branca, cromoscopia virtual, insuflação, irrigação e toque suave é suficiente para sustentar a conduta conservadora.</p>



<h2 id="h-qual-deve-ser-a-conduta-diante-da-suspeita" class="wp-block-heading"><br><strong>Qual deve ser a conduta diante da suspeita?</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Ao encontrar uma lesão polipoide com características compatíveis com divertículo invertido, a primeira medida é <strong>interromper qualquer intenção de biópsia ou ressecção</strong>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Uma abordagem prática pode seguir esta sequência:</p>



<ol class="wp-block-list">
<li>Avaliar cuidadosamente a superfície em luz branca.</li>



<li>Utilizar NBI ou outra cromoscopia virtual.</li>



<li>Procurar padrão epitelial e vascular não neoplásico.</li>



<li>Observar a existência de depressão central e pregas radiadas.</li>



<li>Modificar delicadamente o grau de insuflação.</li>



<li>Aplicar jato de água e observar a deformação.</li>



<li>Tocar a lesão suavemente com a pinça fechada.</li>



<li>Verificar a presença de outros divertículos no mesmo segmento.</li>



<li>Documentar a lesão com fotografias ou vídeo.</li>



<li>Evitar biópsia, polipectomia ou uso de corrente elétrica enquanto o diagnóstico permanecer incerto.</li>
</ol>



<p class="wp-block-paragraph">Quando a hipótese de divertículo invertido continua plausível, a decisão mais segura é não ressecar.</p>



<h2 id="h-por-que-a-polipectomia-e-perigosa" class="wp-block-heading"><br><strong>Por que a polipectomia é perigosa?</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Ao contrário de um pólipo mucoso, o divertículo invertido contém componentes da parede colônica invaginados para o interior da luz.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A passagem de uma alça ao redor da estrutura e a aplicação de corrente podem produzir <strong>ressecção transmural, comunicação com a cavidade peritoneal e perfuração</strong>. Mesmo uma biópsia pode ser perigosa, especialmente quando realizada no centro da lesão ou com pinças de maior capacidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A perfuração pode ser reconhecida imediatamente, mas também pode apresentar diagnóstico tardio. Por isso, o melhor tratamento dessa complicação continua sendo sua prevenção.</p>



<h2 id="h-conclusao" class="wp-block-heading"><br><strong>Conclusão</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">O divertículo invertido deve entrar no diagnóstico diferencial sempre que uma estrutura polipoide for encontrada em um segmento com diverticulose, especialmente no cólon sigmoide.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A combinação mais sugestiva inclui:</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>mucosa de aparência normal, depressão central, pregas radiadas, acentuada deformabilidade e mudança de configuração com irrigação ou insuflação.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Os Aurora rings podem reforçar a suspeita, mas não devem ser considerados específicos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Portanto, diante de uma lesão duvidosa, é preferível <strong>interromper a ressecção, documentar adequadamente e reavaliar o diagnóstico</strong>. O risco de postergar a retirada de um pequeno pólipo indeterminado é, em geral, muito menor do que o risco de realizar inadvertidamente uma polipectomia transmural.</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="has-pale-ocean-gradient-background has-background wp-block-paragraph">Para saber mais sobre o diagnóstico diferencial entre pólipos e divertículos invertidos, acesse este <a href="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/pilula/diagnostico-diferencial-entre-polipos-e-diverticulos-vertidos/">resumo em vídeo</a>.</p>



<h2 id="h-referencias" class="wp-block-heading"><br><strong>Referências</strong></h2>



<ol class="wp-block-list">
<li>Triadafilopoulos G. Inverted colonic diverticulum. N Engl J Med. 1999;341(20):1508. doi:10.1056/NEJM199911113412005.</li>



<li>Cappell MS. The water jet deformation sign: a novel provocative colonoscopic maneuver to help diagnose an inverted colonic diverticulum. South Med J. 2009;102(3):295-298.</li>



<li>Share MD, Avila A, Dry SM, Share EJ. Aurora rings: a novel endoscopic finding to distinguish inverted colonic diverticula from colon polyps. Gastrointest Endosc. 2013;77(2):308-312.</li>



<li>Adioui T, Seddik H. Inverted colonic diverticulum. Ann Gastroenterol. 2014;27(4):411.</li>



<li>Lee J, Kim Y. A clinical trial of submucosal saline injection in inverted colonic diverticula. Chin Med J. 2021;134(12):1511-1512. doi:10.1097/CM9.0000000000001485.</li>
</ol>



<h2 id="h-como-citar-este-artigo" class="wp-block-heading"><strong>Como citar este artigo</strong></h2>



<p class="has-very-light-gray-to-cyan-bluish-gray-gradient-background has-background wp-block-paragraph">Orso IRB. Divertículo invertido do cólon: como diferenciar esse achado de um pólipo durante a colonoscopia? Endoscopia Terapeutica 2026 Vol II. Disponível em: <a href="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/?p=21847" target="_blank" rel="noreferrer noopener">https://endoscopiaterapeutica.net/pt/assuntosgerais/diverticulo-invertido-do-colon-como-diferenciar-esse-achado-de-um-polipo-durante-a-colonoscopia/</a></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
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		<item>
		<title>Hemorragia digestiva alta não varicosa: um guia prático do atendimento inicial à alta hospitalar -Update 2026</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Ivan R B Orso]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 14 Jul 2026 07:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Assuntos Gerais]]></category>
		<category><![CDATA[endoscopia]]></category>
		<category><![CDATA[hda]]></category>
		<category><![CDATA[ulcera]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A hemorragia digestiva alta (HDA) não varicosa é uma daquelas situações em que a&#8230;</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">A hemorragia digestiva alta (HDA) não varicosa é uma daquelas situações em que a endoscopia assume papel central, mas não trabalha sozinha. O sucesso do atendimento não depende apenas de encontrar a lesão e aplicar uma terapia hemostática. Ele começa muito antes da passagem do aparelho e termina bem depois da sala de endoscopia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Entre a chegada do paciente ao pronto atendimento e a alta hospitalar, existe uma sequência de decisões que precisa ser organizada: reconhecer gravidade, ressuscitar, estratificar risco, preparar o exame, escolher a técnica hemostática adequada, prevenir ressangramento e garantir que a causa do sangramento seja tratada.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A <a href="https://www.thieme-connect.com/products/ejournals/abstract/10.1055/a-2863-8314">atualização da ESGE</a> sobre sangramento por úlcera péptica reforça justamente essa ideia: deve-se enxergar o manejo da hemorragia digestiva alta não varicosa como uma <strong>linha de cuidado</strong>. A endoscopia é o ponto decisivo, mas não é o único.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A seguir, propomos um guia prático e fluido para conduzir esses pacientes, da entrada no hospital até a alta.</p>



<h2 id="h-1-primeiro-contato-reconhecer-gravidade-antes-de-pensar-no-endoscopio" class="wp-block-heading"><br><strong>1. Primeiro contato: reconhecer gravidade antes de pensar no endoscópio</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph" id="h-1-primeiro-contato-reconhecer-gravidade-antes-de-pensar-no-endoscopio">O paciente com HDA pode chegar com hematêmese, vômitos em borra de café, melena, síncope, hipotensão, taquicardia ou anemia aguda. A primeira tarefa é simples de dizer, mas essencial na prática: <strong>avaliar se ele está hemodinamicamente estável.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Antes de discutir horário de endoscopia, é preciso olhar para perfusão, pressão arterial, frequência cardíaca, nível de consciência, diurese, comorbidades e uso de anticoagulantes ou antiagregantes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Pacientes instáveis precisam de acesso venoso adequado, reposição volêmica com cristaloides, monitorização, tipagem sanguínea, reserva de hemocomponentes e correção das prioridades clínicas. A endoscopia em paciente mal ressuscitado pode ser tecnicamente ruim, mais insegura e menos efetiva.</p>



<p class="wp-block-paragraph" id="h-1-primeiro-contato-reconhecer-gravidade-antes-de-pensar-no-endoscopio">A mensagem prática é: <strong>a urgência não deve atropelar a ressuscitação.</strong></p>



<h2 id="h-2-exames-iniciais-e-informacoes-que-mudam-conduta" class="wp-block-heading"><br><strong>2. Exames iniciais e informações que mudam conduta</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Logo na admissão, obtêm-se algumas informações de forma objetiva. Hemograma, ureia, creatinina, eletrólitos, coagulograma, função hepática quando indicado, tipagem sanguínea e prova cruzada ajudam a compor o risco e preparar a intervenção.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas há uma anamnese curta que pode ser tão importante quanto o laboratório:</p>



<p class="wp-block-paragraph">O paciente usa AAS? Usa dupla antiagregação? Está anticoagulado com varfarina ou DOAC? Tem doença cardiovascular importante? Tem antecedente de úlcera? Usa anti-inflamatório? Já teve H. pylori? Há sinais de hepatopatia ou possibilidade de sangramento varicoso?</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em HDA, pequenos detalhes mudam grandes decisões. Um paciente usando anticoagulante com sangramento ativo grave não é o mesmo paciente jovem, sem comorbidades, com melena autolimitada e estabilidade clínica.</p>



<h2 id="h-3-estrategia-transfusional-menos-pode-ser-melhor" class="wp-block-heading"><br><strong>3. Estratégia transfusional: menos pode ser melhor</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">A recomendação atual continua favorecendo uma <strong>estratégia restritiva de transfusão</strong> na maioria dos pacientes hemodinamicamente estáveis. Em geral, considera-se transfusão quando a hemoglobina está <strong>abaixo de 7 g/dL</strong>, com alvo pós-transfusional em torno de<strong> 7 a 9 g/dL</strong>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em pacientes com <strong>doença cardiovascular aguda ou crônica relevante</strong>, o limiar pode ser mais liberal, com transfusão considerada em hemoglobina <strong>≤ 8 g/dL</strong> e <strong>alvo mais alto</strong>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Esse ponto é importante porque a transfusão não deve ser automática. Ela precisa ser contextualizada. Interpreta-se o valor da hemoglobina junto com instabilidade, sangramento em atividade, idade, cardiopatia e sintomas de hipoperfusão.</p>



<h2 id="h-4-estratificacao-de-risco-quem-pode-ir-embora-e-quem-precisa-ficar" class="wp-block-heading"><br><strong>4. Estratificação de risco: quem pode ir embora e quem precisa ficar?</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Após a estabilização inicial, a estratificação de risco ajuda a organizar o fluxo. <strong>O Glasgow-Blatchford Score</strong> continua como o escore recomendado para avaliação pré-endoscópica.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Pacientes com <strong>GBS ≤ 1</strong> são considerados de muito baixo risco e podem ser manejados ambulatorialmente, desde que exista segurança para isso: estabilidade clínica, boa compreensão das orientações, possibilidade de retorno se houver piora e acesso a acompanhamento/endoscopia ambulatorial.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na prática, o GBS não substitui o julgamento clínico. Ele ajuda a evitar internações desnecessárias, mas não deve ser usado de forma cega. O paciente precisa “fazer sentido” para alta.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><a href="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/?attachment_id=21633"><img loading="lazy" decoding="async" width="725" height="1024" src="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/07/GBS-725x1024.png" alt="Estratificação de risco para guiar o manejo da hemorragia digestiva alta não varicosa (Glasgow-Blatchford Score)" class="wp-image-21633" srcset="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/07/GBS-725x1024.png 725w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/07/GBS-212x300.png 212w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/07/GBS-768x1085.png 768w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/07/GBS-585x827.png 585w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/07/GBS.png 1055w" sizes="(max-width: 725px) 100vw, 725px" /></a></figure>
</div>


<h2 id="h-5-medicacoes-antes-da-endoscopia-preparar-o-campo-sem-atrasar-o-exame" class="wp-block-heading"><br><strong>5. Medicações antes da endoscopia: preparar o campo, sem atrasar o exame</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">O uso de <strong>IBP em alta dose</strong> antes da endoscopia pode ser considerado em pacientes com HDA. Ele pode reduzir a presença de estigmas de alto risco e a necessidade de terapia endoscópica em alguns cenários. Mas o ponto central permanece: <strong>IBP não deve atrasar uma endoscopia indicada.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Nos pacientes com suspeita de grande quantidade de sangue ou coágulos no estômago, especialmente em hematêmese ativa ou recente, a <strong>eritromicina intravenosa</strong> segue como procinético preferencial antes do exame. Ela pode melhorar a visualização, reduzir a necessidade de segunda endoscopia e facilitar a terapia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Uma novidade prática da atualização é a possibilidade de considerar <strong>metoclopramida intravenosa</strong> quando a eritromicina não estiver disponível, em casos selecionados de sangramento clinicamente severo ou em atividade. Não é uma substituição perfeita, e a recomendação é mais fraca, mas pode ser útil em muitos serviços.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O objetivo é simples: entrar com melhor visualização, reduzir tempo perdido lavando coágulos e aumentar a chance de uma hemostasia bem feita na primeira tentativa.</p>



<h2 id="h-6-via-aerea-intubar-nao-e-rotina" class="wp-block-heading"><br><strong>6. Via aérea: intubar não é rotina</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">A <strong>intubação orotraqueal profilática</strong> antes da endoscopia <strong>não deve ser feita de rotina</strong> em todos os pacientes com HDA.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Deve-se reservar tal procedimento para cenários específicos: hematêmese ativa importante, rebaixamento do nível de consciência, agitação, encefalopatia ou incapacidade de proteger a via aérea. Em outras palavras, a indicação é clínica, não automática.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O excesso de intubação pode trazer complicações respiratórias, pneumonia, aspiração e prolongamento de internação. O ideal é individualizar.</p>



<h2 id="h-7-quando-fazer-a-endoscopia" class="wp-block-heading"><br><strong>7. Quando fazer a endoscopia?</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">A endoscopia digestiva alta deve ser realizada precocemente, <strong>em até 24 horas</strong> da apresentação, após ressuscitação adequada.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Esse é um dos pontos mais relevantes da atualização: <strong>endoscopia emergente, em até 6 horas, ou urgente, em até 12 horas, não deve ser rotina </strong>em pacientes estáveis. Deve-se reservar o procedimento para pacientes que permanecem instáveis apesar da ressuscitação adequada.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na prática, isso muda a mentalidade do atendimento. O objetivo não é simplesmente “fazer de madrugada a qualquer custo”. O objetivo é fazer uma endoscopia segura, bem indicada, com equipe treinada, dispositivos disponíveis e paciente em condição de ser tratado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Endoscopia precoce, sim. Correria desorganizada, não.</p>



<h2 id="h-8-dentro-da-sala-a-classificacao-de-forrest-continua-decidindo-a-conduta" class="wp-block-heading"><br><strong>8. Dentro da sala: a classificação de Forrest continua decidindo a conduta</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Quando a causa é uma úlcera péptica, a <strong>classificação de Forrest</strong> continua sendo a linguagem central entre diagnóstico, risco e tratamento.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Úlceras <strong>Forrest Ia e Ib</strong>, com sangramento ativo em jato ou babação, devem receber hemostasia endoscópica. Úlceras <strong>Forrest IIa</strong>, com vaso visível não sangrante, também <strong>devem ser tratadas</strong>. Essas são lesões de <strong>alto risco</strong> para sangramento persistente ou recorrente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Úlceras <strong>Forrest IIc</strong>, com mancha plana pigmentada, e <strong>Forrest III</strong>, com base limpa, não precisam de hemostasia endoscópica. Nesses casos, o foco deve ser <strong>tratamento clínico</strong>, investigação etiológica e programação segura de alta, quando possível.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O <strong>Forrest IIb</strong>, com coágulo aderido, merece uma atenção especial.</p>



<h2 id="h-9-forrest-iib-remover-o-coagulo-mas-so-se-houver-preparo-para-o-que-vem-depois" class="wp-block-heading"><br><strong>9. Forrest IIb: remover o coágulo, mas só se houver preparo para o que vem depois</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">A abordagem do coágulo aderido ficou mais ativa. A recomendação atual sugere <strong>remover o coágulo e tratar a lesão subjacente</strong> quando indicado, desde que o endoscopista tenha competência técnica para isso.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Esse detalhe é essencial. Remover um coágulo pode revelar um vaso visível ou sangramento ativo. Portanto, não é uma manobra inocente. Antes de mexer, é preciso ter plano: campo adequado, acessório disponível, equipe pronta, método de hemostasia escolhido e possibilidade de resgate.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Uma estratégia prática é injetar <strong>adrenalina diluída</strong> ao redor ou abaixo do coágulo para reduzir o risco de sangramento abrupto durante a remoção. Mas isso <strong>não substitui terapia definitiva</strong>. Se aparecer Forrest Ia, Ib ou IIa, o tratamento deve seguir o algoritmo da lesão de alto risco.</p>



<h2 id="h-10-escolha-da-hemostasia-adrenalina-ajuda-mas-nao-resolve-sozinha" class="wp-block-heading"><br><strong>10. Escolha da hemostasia: adrenalina ajuda, mas não resolve sozinha</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">A adrenalina diluída continua tendo papel importante para controle temporário do sangramento, melhora do campo e facilitação da terapia. Mas ela <strong>não deve ser usada como monoterapia definitiva</strong>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nas úlceras com sangramento ativo, a <strong>terapia combinada</strong> permanece como padrão: adrenalina associada a uma segunda modalidade, seja mecânica ou térmica.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para Forrest IIa, podem ser usados métodos térmicos de contato ou não contato, terapia mecânica com clips, OTS clip ou injeção de agente esclerosante, isoladamente ou em combinação com adrenalina.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O ponto prático é que a escolha depende da lesão. Úlcera fibrosada, base dura, localização posterior de bulbo, grande vaso, dificuldade de aproximação tangencial e instabilidade do campo podem favorecer estratégias diferentes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O bom tratamento não é apenas “ter o acessório”. É saber escolher o acessório para aquela úlcera.</p>



<h2 id="h-11-ots-clip-de-resgate-para-protagonista-em-casos-selecionados" class="wp-block-heading"><br><strong>11. OTS clip: de resgate para protagonista em casos selecionados</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">O <strong>OTS clip</strong> ganhou espaço no guideline. Ele pode ser considerado como <strong>monoterapia alternativa de primeira linha</strong> em úlceras Forrest Ia e Ib, e também como alternativa em Forrest IIa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além disso, passa a ter papel importante no <strong>ressangramento</strong>, especialmente se não tiver sido usado na primeira endoscopia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na prática, isso não significa abandonar clips convencionais ou terapia térmica. Significa reconhecer que o OTS clip é uma ferramenta cada vez mais relevante em úlceras de alto risco, especialmente quando se busca fechamento mais robusto, captura de maior quantidade de tecido e hemostasia mais durável.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por outro lado, sua aplicação exige treinamento. Em lesões difíceis, o momento de decidir pelo OTS clip costuma ser antes de várias tentativas frustradas, quando o campo ainda está controlável e a anatomia pode ser bem posicionada.</p>



<h2 id="h-12-agentes-hemostaticos-topicos-bons-aliados-mas-nao-primeira-escolha-isolada" class="wp-block-heading"><br><strong>12. Agentes hemostáticos tópicos: bons aliados, mas não primeira escolha isolada</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Os agentes hemostáticos tópicos têm papel útil, especialmente em sangramentos difíceis, campos ruins, sangramento difuso ou como ponte para uma terapia mais definitiva.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No entanto, <strong>não devem ser usados como monoterapia inicial</strong> em úlceras de alto risco quando há possibilidade de tratamento definitivo com método mecânico ou térmico.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A lógica é simples: muitos agentes tópicos controlam bem o sangramento imediato, mas a durabilidade pode ser limitada. Por isso, funcionam melhor como resgate, ponte ou complemento em casos selecionados.</p>



<h2 id="h-13-e-se-a-hemostasia-falhar" class="wp-block-heading"><br><strong>13. E se a hemostasia falhar?</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Sangramento persistente</strong> é aquele que continua ativo apesar da tentativa de hemostasia endoscópica padrão.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nesse cenário, é hora de escalar com estratégia. OTS clip deve ser considerado se ainda não tiver sido usado. Agentes hemostáticos tópicos podem ser úteis como resgate ou ponte. A pinça hemostática com soft coagulation também pode ser opção em mãos experientes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Se a hemostasia endoscópica falhar apesar das modalidades disponíveis, a próxima etapa deve ser a <strong>embolização angiográfica transcateter (TAE)</strong>. A cirurgia fica reservada para quando a TAE não está disponível ou falha.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Esse é um ponto que precisa estar organizado institucionalmente. O endoscopista deve saber, antes do caso difícil acontecer, como acionar radiologia intervencionista e cirurgia.</p>



<h2 id="h-14-apos-a-endoscopia-o-cuidado-nao-termina-com-o-parou-de-sangrar" class="wp-block-heading"><br><strong>14. Após a endoscopia: o cuidado não termina com o “parou de sangrar”</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Depois da hemostasia, começa uma segunda fase do atendimento. O paciente precisa de vigilância clínica, controle seriado de hemoglobina conforme o contexto, observação de sinais de ressangramento e manutenção de terapia antissecretora.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O <strong>IBP em alta dose por 72 horas</strong> permanece como padrão nos pacientes submetidos à hemostasia endoscópica e nos casos de Forrest IIb não tratados endoscopicamente. Pode ser feito com bolus IV seguido de infusão contínua, bolus IV intermitente em alta dose ou formulação oral em alta dose, dependendo do contexto e da disponibilidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A <strong>endoscopia de second look não é recomendada de rotina</strong>. Deve ser reservada para situações específicas, conforme evolução clínica.</p>



<h2 id="h-15-ressangramento-repetir-endoscopia-mas-com-plano-de-resgate" class="wp-block-heading"><br><strong>15. Ressangramento: repetir endoscopia, mas com plano de resgate</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Se houver evidência clínica de ressangramento — nova hematêmese, instabilidade após estabilização, queda significativa de hemoglobina, melena persistente com repercussão ou hematoquezia em contexto compatível — a conduta inicial deve ser <strong>repetir a endoscopia.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Nessa segunda tentativa, o OTS clip deve ser considerado, especialmente se não foi utilizado anteriormente. Caso a nova tentativa endoscópica falhe, o caminho recomendado é <strong>TAE</strong>. A cirurgia entra quando a TAE não está disponível ou não resolve.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O ressangramento é um momento em que vale revisar a estratégia: a primeira terapia foi durável? A úlcera era grande? Havia vaso calibroso? A localização era de alto risco? O paciente estava anticoagulado? Existe indicação de discutir TAE profilática ou precoce?</p>



<h2 id="h-16-tae-profilatica-pensar-antes-do-ressangramento-em-pacientes-de-alto-risco" class="wp-block-heading"><br><strong>16. TAE profilática: pensar antes do ressangramento em pacientes de alto risco</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Uma novidade interessante é considerar <strong>TAE profilática</strong> em casos selecionados de alto risco, mesmo após hemostasia endoscópica aparentemente bem-sucedida.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Isso pode ser discutido em pacientes com instabilidade hemodinâmica na apresentação, úlcera grande, especialmente maior que 2 cm, localização em parede posterior do duodeno, vaso de grande calibre ou quando a hemostasia obtida parece pouco durável.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Não é uma recomendação para todos. Mas em centros com radiologia intervencionista disponível, pode ser uma estratégia importante para reduzir ressangramento em pacientes nos quais uma nova perda sanguínea teria alto impacto clínico.</p>



<h2 id="h-17-h-pylori-testar-tratar-e-confirmar-erradicacao" class="wp-block-heading"><br><strong>17. <em>H. pylori</em>: testar, tratar e confirmar erradicação</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Todo paciente com sangramento ulceroso deve ser <strong>investigado para <em>H. pylori</em></strong> na endoscopia inicial. Se positivo, o tratamento deve ser instituído.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Se <strong>negativo</strong> durante o episódio agudo, o <strong>teste deve ser repetido posteriormente</strong>, porque sangramento ativo e uso de IBP podem gerar falso-negativo. E mais: a <strong>erradicação deve ser documentada.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Esse é um ponto simples, mas decisivo. O paciente não pode sair apenas com “úlcera tratada”. Ele precisa sair com um plano para evitar recorrência.</p>



<h2 id="h-18-antitromboticos-equilibrio-entre-sangrar-e-trombosar" class="wp-block-heading"><br><strong>18. Antitrombóticos: equilíbrio entre sangrar e trombosar</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">O manejo de antiagregantes e anticoagulantes deve ser <strong>individualizado</strong>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em pacientes usando AAS para prevenção primária, a suspensão temporária costuma ser adequada, com reavaliação da real indicação. Em prevenção secundária, o AAS idealmente não deve ser interrompido; se for suspenso, deve ser reiniciado precocemente, em geral dentro de poucos dias.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na dupla antiagregação, costuma-se manter o AAS, suspender temporariamente o segundo agente e envolver a cardiologia, especialmente em pacientes com stent recente ou alto risco cardiovascular.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nos anticoagulados, a decisão de reversão depende da gravidade do sangramento, instabilidade e risco trombótico. Após controle do sangramento, a anticoagulação deve ser retomada assim que clinicamente indicada, baseada no risco tromboembólico.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Esse é um dos momentos em que a decisão compartilhada com cardiologia, hematologia ou clínica médica pode evitar tanto o ressangramento quanto eventos trombóticos graves.</p>



<h2 id="h-19-ferro-dieta-e-recuperacao-preparar-uma-alta-de-verdade" class="wp-block-heading"><br><strong>19. Ferro, dieta e recuperação: preparar uma alta de verdade</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">A atualização também chama atenção para aspectos que muitas vezes ficam em segundo plano.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Pacientes com anemia ou deficiência de ferro devem <strong>iniciar reposição de ferro antes da alta hospitalar.</strong> Controlar o sangramento não significa que o paciente se recuperou. A anemia pós-HDA impacta fadiga, qualidade de vida e retorno às atividades.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A <strong>nutrição oral precoce, dentro de 24 horas </strong>após hemostasia endoscópica durável, pode ser iniciada em pacientes estáveis. O jejum prolongado não deve ser automático quando a hemostasia foi segura.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Essas medidas parecem simples, mas aproximam o atendimento de uma linha de cuidado completa: tratar o sangramento, tratar a causa e permitir recuperação clínica.</p>



<h2 id="h-20-alta-hospitalar-quando-o-paciente-esta-pronto" class="wp-block-heading"><br><strong>20. Alta hospitalar: quando o paciente está pronto?</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">A alta deve ser considerada quando o paciente está hemodinamicamente estável, sem sinais de ressangramento, com hemoglobina estável ou em recuperação, tolerando dieta, com plano definido para IBP, <em>H. pylori</em>, ferro quando indicado e manejo dos antitrombóticos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Também é importante garantir orientações claras: retornar se houver hematêmese, melena volumosa, síncope, tontura importante, dor persistente ou sinais de instabilidade. O seguimento ambulatorial deve estar programado, principalmente nos pacientes com úlcera gástrica, necessidade de confirmação de cicatrização, investigação de etiologia ou confirmação de erradicação do <em>H. pylori</em>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Uma boa alta é aquela em que o paciente não apenas deixa o hospital, mas sai com um plano.</p>



<h2 id="h-um-fluxo-pratico-para-lembrar" class="wp-block-heading"><br><strong>Um fluxo prático para lembrar</strong></h2>



<p class="has-pale-ocean-gradient-background has-background wp-block-paragraph" style="font-style:italic;font-weight:100">Na entrada, estabilize.<br>Depois, estratifique.<br>Antes da endoscopia, prepare o campo.<br>Na endoscopia, classifique por Forrest e trate os estigmas de alto risco.<br>Se falhar, escale com OTS clip, terapia tópica de resgate, TAE ou cirurgia.<br>Depois da hemostasia, mantenha IBP em alta dose, investigue<em> H. pylori,</em> ajuste antitrombóticos, reponha ferro quando indicado e realimente precocemente quando seguro.<br>Na alta, garanta seguimento e prevenção de recorrência.</p>



<h2 id="h-conclusao" class="wp-block-heading"><br><strong>Conclusão</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">O cuidado do paciente com HDA não varicosa é uma corrida contra o sangramento, mas não deve ser uma corrida desorganizada. A atualização da ESGE reforça que a melhor abordagem combina tempo adequado, julgamento clínico, técnica endoscópica e cuidado pós-procedimento.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para o endoscopista, talvez a grande mensagem seja esta: a hemostasia bem-sucedida não começa no momento do clip e não termina quando o sangramento para. Ela começa na triagem, passa pela ressuscitação, depende de uma endoscopia bem planejada e só se completa quando o paciente recebe alta com a causa tratada e o risco de recorrência reduzido.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Esse é o verdadeiro manejo da hemorragia digestiva alta não varicosa: <strong>não apenas controlar o sangramento, mas conduzir o paciente com segurança do pronto atendimento à recuperação.</strong></p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><a href="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/?attachment_id=21688"><img loading="lazy" decoding="async" width="713" height="1024" src="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/07/Infografico-HDA-nao-varicosa-713x1024.png" alt="" class="wp-image-21688" srcset="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/07/Infografico-HDA-nao-varicosa-713x1024.png 713w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/07/Infografico-HDA-nao-varicosa-209x300.png 209w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/07/Infografico-HDA-nao-varicosa-768x1104.png 768w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/07/Infografico-HDA-nao-varicosa-585x841.png 585w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/07/Infografico-HDA-nao-varicosa.png 1046w" sizes="(max-width: 713px) 100vw, 713px" /></a></figure>
</div>


<h2 id="h-referencia" class="wp-block-heading"><br><strong>Referência</strong></h2>



<ol class="wp-block-list">
<li>Gralnek IM, Morris J, Laursen SB, Camus M, Tziatzios G, Debels LK, Nigam GB, et al. Endoscopic diagnosis and management of peptic ulcer bleeding: European Society of Gastrointestinal Endoscopy (ESGE) Guideline – Update 2026. Endoscopy. 2026.</li>
</ol>



<h2 id="h-como-citar-este-artigo" class="wp-block-heading"><strong>Como citar este artigo</strong></h2>



<p class="has-very-light-gray-to-cyan-bluish-gray-gradient-background has-background wp-block-paragraph">Orso IRB. Hemorragia digestiva alta não varicosa: um guia prático do atendimento inicial à alta hospitalar -Update 2026 Endoscopia Terapeutica 2026 Vol II. Disponível em:<a href="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/?p=21624" target="_blank" rel="noreferrer noopener">https://endoscopiaterapeutica.net/pt/assuntosgerais/hemorragia-digestiva-alta-nao-varicosa-um-guia-pratico-do-atendimento-inicial-a-alta-hospitalar-update-2026/</a></p>
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		<title>Hemorragia digestiva alta não varicosa: o que muda no novo guideline da ESGE?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Ivan R B Orso]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 23 Jun 2026 07:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos Comentados]]></category>
		<category><![CDATA[Assuntos Gerais]]></category>
		<category><![CDATA[endoscopia]]></category>
		<category><![CDATA[hda]]></category>
		<category><![CDATA[hemorragia digestiva]]></category>
		<category><![CDATA[sangramento]]></category>
		<category><![CDATA[ulcera]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A hemorragia digestiva alta (HDA) não varicosa continua sendo uma das situações mais frequentes&#8230;</p>
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<figure class="aligncenter size-full"><a href="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/?attachment_id=21529"><img loading="lazy" decoding="async" width="739" height="383" src="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/06/Hemorragia-digestiva-alta-nao-varicosa.jpg" alt="hemorragia digestiva alta não varicosa " class="wp-image-21529" srcset="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/06/Hemorragia-digestiva-alta-nao-varicosa.jpg?v=1782137185 739w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/06/Hemorragia-digestiva-alta-nao-varicosa-300x155.jpg?v=1782137185 300w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/06/Hemorragia-digestiva-alta-nao-varicosa-585x303.jpg?v=1782137185 585w" sizes="(max-width: 739px) 100vw, 739px" /></a></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph">A hemorragia digestiva alta (HDA) não varicosa continua sendo uma das situações mais frequentes e desafiadoras na rotina do endoscopista. Apesar de todo avanço em terapia endoscópica, ainda exige uma sequência muito bem coordenada de decisões: reconhecer gravidade, ressuscitar adequadamente, indicar a endoscopia no momento certo, escolher a melhor estratégia hemostática e, depois disso, evitar ressangramento e complicações.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A ESGE publicou uma <a href="https://doi.org/10.1055/a-2863-8314">nova atualização do seu guideline</a> sobre diagnóstico e manejo endoscópico do sangramento por úlcera péptica. Embora o tema esteja dentro do grande guarda-chuva da hemorragia digestiva alta não varicosa, é importante lembrar que este documento se concentra especificamente na hemorragia ulcerosa. Outras causas, como lesão de Dieulafoy, Mallory-Weiss, neoplasias, angiectasias e lesões erosivas, não são o foco principal desta atualização.</p>



<p class="wp-block-paragraph">De forma geral, o novo guideline não muda os pilares clássicos do tratamento. Continuamos falando de ressuscitação hemodinâmica precoce, estratégia transfusional restritiva, estratificação de risco, endoscopia em até 24 horas, classificação de Forrest, hemostasia endoscópica conforme o estigma de sangramento e uso de inibidor de bomba de prótons em alta dose após a hemostasia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A diferença é que o algoritmo ficou mais refinado. O guideline reforça algumas condutas, oferece novas alternativas para outras, e enfatiza alguns pontos do cuidado pós-endoscópico.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-antes-da-endoscopia-menos-pressa-mais-estabilizacao"><br><strong>Antes da endoscopia: menos pressa, mais estabilização</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Uma das mensagens mais importantes da atualização é sobre o tempo da endoscopia. A recomendação continua sendo realizar endoscopia digestiva alta precoce, em até 24 horas após a apresentação do paciente, desde que ele tenha sido adequadamente ressuscitado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O ponto novo é que a ESGE passa a ser mais clara contra a endoscopia emergente, em até 6 horas, ou urgente, em até 12 horas, como rotina para todos os pacientes. Essa conduta só deve ser considerada quando o paciente permanece hemodinamicamente instável apesar da ressuscitação adequada.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na prática, isso muda um pouco a lógica do plantão. O objetivo não é simplesmente “fazer o exame o mais rápido possível” em qualquer cenário. O mais importante é organizar uma endoscopia segura, com o paciente estabilizado, equipe preparada e recursos terapêuticos disponíveis. Para pacientes estáveis, correr para uma endoscopia ultra-precoce não demonstrou benefício consistente em mortalidade ou ressangramento quando comparado à endoscopia em até 24 horas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A estratificação de risco com o Glasgow-Blatchford Score permanece recomendada. Pacientes com GBS ≤ 1 são considerados de muito baixo risco e podem ser manejados ambulatorialmente, desde que exista seguimento adequado e possibilidade de retorno, se houver recorrência dos sintomas e bom entendimento do plano clínico.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outra novidade é a posição sobre cápsulas endoscópicas ou cápsulas detectoras de sangue no contexto da HDA. Apesar de serem tecnologias interessantes e promissoras para triagem, a ESGE não recomenda seu uso rotineiro na suspeita de sangramento digestivo alto. Ainda faltam dados robustos de desfechos clínicos relevantes para incorporá-las como rotina.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-procineticos-eritromicina-segue-preferida-mas-ha-alternativa"><br><strong>Procinéticos: eritromicina segue preferida, mas há alternativa</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">A eritromicina intravenosa antes da endoscopia continua recomendada em pacientes selecionados, especialmente quando há sangramento clinicamente importante, hematêmese persistente ou suspeita de grande quantidade de sangue e coágulos no estômago.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A novidade prática é que, quando a eritromicina IV não estiver disponível, a metoclopramida IV pode ser considerada em pacientes selecionados. A recomendação é condicional e baseada em evidência de baixa qualidade, mas tem valor prático, principalmente em serviços onde a eritromicina não está facilmente acessível.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ainda assim, é importante lembrar que metoclopramida não é isenta de eventos adversos. Seu uso deve ser individualizado, considerando risco de reações extrapiramidais, arritmias, interações medicamentosas e o contexto clínico do paciente.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-ibp-antes-da-endoscopia-deve-usar-mas-nao-deve-atrasar-o-exame"><br><strong>IBP antes da endoscopia: deve usar, mas não deve atrasar o exame</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">O uso de inibidor de bomba de prótons (IBP) em alta dose antes da endoscopia continua sendo uma possibilidade. A recomendação atual é considerar IBP IV em pacientes com HDA, mas sem atrasar a endoscopia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Esse ponto é importante porque o benefício do IBP pré-endoscópico parece estar mais relacionado à redução da necessidade de terapia endoscópica em alguns cenários do que a desfechos duros, como mortalidade ou cirurgia. Portanto, não deve haver atraso de um exame indicado apenas para completar a administração do IBP.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-na-endoscopia-forrest-continua-sendo-o-centro-do-algoritmo"><br><strong>Na endoscopia: Forrest continua sendo o centro do algoritmo</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">A <span style="text-decoration: underline;"><a href="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/classificacao/classificacoes-forrest/">classificação de Forrest</a></span> permanece fundamental para orientar a conduta. Úlceras Forrest Ia e Ib, com sangramento ativo, e Forrest IIa, com vaso visível não sangrante, continuam sendo consideradas lesões de alto risco e devem receber tratamento endoscópico.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Já as úlceras Forrest IIc, com mancha plana pigmentada, e Forrest III, com base limpa, não devem receber hemostasia endoscópica. Esses pacientes geralmente têm baixo risco de eventos adversos e, em cenários selecionados, podem ter alta mais precoce.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A grande discussão fica no meio do caminho: o Forrest IIb, ou seja, o coágulo aderido.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-coagulo-aderido-a-conduta-ficou-mais-ativa-mas-exige-habilidade"><br><strong>Coágulo aderido: a conduta ficou mais ativa, mas exige habilidade</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">No guideline anterior, a recomendação era considerar a remoção do coágulo aderido e tratar o estigma subjacente se ele fosse identificado. Na atualização, a ESGE sugere que pacientes com úlcera Forrest IIb sejam submetidos a tratamento endoscópico, com remoção do coágulo e hemostasia subsequente quando indicada.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas há uma ressalva essencial: isso deve ser feito apenas se o endoscopista tiver competência técnica para remover o coágulo com segurança e manejar uma eventual conversão para uma lesão de maior risco, como sangramento ativo ou vaso visível.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Esse detalhe é muito importante. Remover um coágulo aderido pode revelar uma lesão Forrest Ia, Ib ou IIa. Portanto, não é uma manobra “diagnóstica” simples. É uma decisão terapêutica que exige preparo, dispositivos adequados, equipe treinada e plano de resgate.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na prática, o guideline empurra o manejo do Forrest IIb para uma postura mais intervencionista, mas sem banalizar a técnica.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-ots-clip-ganha-mais-espaco"><br><strong>OTS clip ganha mais espaço</strong></h2>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><a href="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/?attachment_id=21530"><img loading="lazy" decoding="async" width="300" height="192" src="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/06/OTSC.png" alt="" class="wp-image-21530"/></a><figcaption class="wp-element-caption"><br>OTSC</figcaption></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph">Uma das mudanças mais relevantes do novo documento é a valorização dos clips over-the-scope, ou OTS clips.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para úlceras Forrest Ia e Ib, a terapia combinada com adrenalina diluída mais uma segunda modalidade — térmica ou mecânica — continua sendo a recomendação clássica. No entanto, o OTS clip passa a ser aceito como alternativa de monoterapia de primeira linha em lesões de alto risco.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para o Forrest IIa, o guideline também reconhece o OTS clip como alternativa de monoterapia. Além disso, ele ganha papel claro no ressangramento, especialmente se não tiver sido usado na primeira endoscopia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Isso não significa que todo sangramento ulceroso deva ser tratado inicialmente com OTS. A própria diretriz reconhece que muitas dessas recomendações ainda têm qualidade de evidência baixa ou muito baixa, e que a disponibilidade do dispositivo, a experiência do endoscopista e as características da úlcera precisam ser consideradas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas a mensagem é clara: o OTS clip deixou de ser apenas uma ferramenta de resgate excepcional e passou a fazer parte do algoritmo terapêutico moderno.</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph">Se deseja se aprofundar no uso do OTS clip, confira este <span style="text-decoration: underline;"><a href="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/artigoscomentados/artigo-comentado-over-the-scope-clip-as-first-line-treatment-of-peptic-ulcer-bleeding-a-multicenter-randomized-controlled-trial-top-study/">artigo comentado</a>.</span></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-adrenalina-isolada-continua-proibida-como-tratamento-definitivo"><br><strong>Adrenalina isolada continua proibida como tratamento definitivo</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Esse ponto não mudou, mas vale reforçar: adrenalina não deve ser usada como monoterapia endoscópica.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ela pode ajudar a reduzir temporariamente o sangramento, melhorar o campo visual e facilitar a aplicação de uma terapia definitiva. Mas deve ser combinada com outro método, como clip, terapia térmica ou outro recurso hemostático apropriado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A adrenalina compra tempo. Ela não deve ser o tratamento final.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-pinca-hemostatica-e-agentes-topicos-onde-entram"><br><strong>Pinça hemostática e agentes tópicos: onde entram?</strong></h2>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><a href="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/?attachment_id=21531"><img loading="lazy" decoding="async" width="362" height="147" src="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/06/Pinca-hemostatica.png" alt="" class="wp-image-21531" srcset="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/06/Pinca-hemostatica.png 362w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/06/Pinca-hemostatica-300x122.png 300w" sizes="(max-width: 362px) 100vw, 362px" /></a></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph">A pinça hemostática com <em>soft coagulation</em> aparece com mais destaque na nova atualização. Ela pode ser considerada como monoterapia em úlceras com estigmas de alto risco, incluindo Forrest Ia, Ib e IIa. A recomendação ainda é condicional e com evidência de muito baixa qualidade, mas reflete uma tendência de ampliar o arsenal terapêutico, especialmente em mãos experientes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Já os agentes hemostáticos tópicos, como pós ou sprays hemostáticos, não devem ser usados como monoterapia de primeira linha em úlceras de alto risco. Eles podem controlar o sangramento imediato, mas o problema é a durabilidade da hemostasia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Seu papel mais adequado parece ser como terapia de resgate, ponte ou estratégia temporizadora em sangramentos difíceis, principalmente quando a terapia convencional falha ou quando é necessário ganhar tempo para uma intervenção definitiva.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-sangramento-persistente-e-ressangramento-escalar-a-terapia"><br><strong>Sangramento persistente e ressangramento: escalar a terapia</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Quando há sangramento persistente, ou seja, sangramento ativo que não cessa apesar da hemostasia endoscópica padrão, a ESGE sugere considerar OTS clip ou agente hemostático tópico como terapia de resgate.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Se todas as modalidades endoscópicas falharem, o próximo passo deve ser a embolização angiográfica transcateter, a TAE. A cirurgia fica reservada para situações em que a TAE não está disponível ou não foi bem-sucedida.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No ressangramento após hemostasia inicial bem-sucedida, a recomendação continua sendo repetir a endoscopia e tratar novamente se houver indicação. A novidade é que o uso de OTS clip deve ser considerado nessa segunda tentativa, especialmente se ainda não tiver sido utilizado.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-tae-profilatica-uma-nova-possibilidade-para-casos-selecionados"><br><strong>TAE profilática: uma nova possibilidade para casos selecionados</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Uma recomendação nova e bastante interessante é a possibilidade de considerar TAE (embolização angiográfica transcateter) profilática em pacientes de alto risco após hemostasia endoscópica.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os exemplos citados incluem pacientes com instabilidade hemodinâmica na apresentação, úlcera na parede posterior do duodeno, úlcera grande, especialmente maior que 2 cm, ou situações em que a hemostasia endoscópica é considerada pouco durável.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Essa não é uma recomendação para todos. A qualidade da evidência ainda é muito baixa. Mas, em centros com radiologia intervencionista disponível, ela abre uma discussão importante para casos em que o risco de ressangramento é alto e a consequência de uma nova hemorragia pode ser grave.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-ibp-apos-hemostasia-o-padrao-permanece"><br><strong>IBP após hemostasia: o padrão permanece</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Após hemostasia endoscópica, o IBP em alta dose continua sendo recomendado. A opção clássica é bolus intravenoso seguido de infusão contínua por 72 horas, mas regimes alternativos com bolus IV intermitente ou formulação oral em alta dose também podem ser considerados.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A atualização também avaliou os <em>potassium-competitive acid blockers</em> (PCAB), como o vonoprazan. Apesar de estudos recentes sugerirem eficácia comparável aos IBPs em alguns cenários, a ESGE não chegou a consenso para recomendar ou desaconselhar seu uso rotineiro após hemostasia endoscópica.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por enquanto, o IBP segue como padrão.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-h-pylori-continua-sendo-obrigatorio"><br><strong><em>H. pylori</em> continua sendo obrigatório</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">A investigação de <em>H. pylori</em> deve ser feita na endoscopia inicial em pacientes com sangramento ulceroso. Se positivo, o tratamento deve ser iniciado. Se negativo no contexto agudo, o teste deve ser repetido posteriormente, porque há risco de falso-negativo durante o sangramento ou sob uso de IBP.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além disso, a erradicação deve ser documentada. Esse é um ponto simples, mas muitas vezes negligenciado. Controlar o sangramento é apenas a primeira etapa; tratar a causa da úlcera é essencial para reduzir recorrência.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-cuidado-pos-endoscopico-ferro-dieta-e-anticoagulacao-entram-no-radar"><br><strong>Cuidado pós-endoscópico: ferro, dieta e anticoagulação entram no radar</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Uma das partes mais interessantes do novo guideline é a valorização do cuidado depois da hemostasia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A ESGE sugere iniciar terapia com ferro antes da alta hospitalar em pacientes com anemia e/ou deficiência de ferro. Isso é muito coerente com a prática clínica: muitos pacientes saem do hospital sem sangramento ativo, mas com anemia persistente, fadiga e recuperação lenta.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outro ponto novo é a recomendação de nutrição oral precoce, dentro de 24 horas após hemostasia endoscópica durável. A ideia de manter jejum prolongado vem perdendo espaço. Em pacientes estáveis e com hemostasia segura, realimentar precocemente parece ser uma conduta segura.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quanto aos anticoagulantes, o novo guideline recomenda retomá-los assim que clinicamente indicado, de acordo com o risco tromboembólico. Essa decisão deve equilibrar o risco de ressangramento com o risco de trombose, AVC, embolia ou eventos cardiovasculares. Em pacientes de alto risco, a discussão com cardiologia ou hematologia pode ser fundamental.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-em-resumo-o-que-realmente-muda"><br><strong>Em resumo: o que realmente muda?</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">O novo guideline não reinventa o tratamento da hemorragia ulcerosa, mas ajusta pontos importantes da prática.</p>



<p class="has-pale-ocean-gradient-background has-background wp-block-paragraph">A <strong>endoscopia em até 24 horas</strong> segue como o padrão, mas a endoscopia emergente ou urgente deixa de ser rotina em pacientes estáveis. <strong>OTS clip</strong> ganha espaço como <strong>alternativa de primeira linha</strong>, opção no Forrest IIa, recurso importante no ressangramento e ferramenta de resgate. O <strong>Forrest IIb</strong> passa a ser abordado de forma mais ativa, com <strong>remoção do coágulo e tratamento</strong> da lesão subjacente quando houver <strong>competência técnica</strong>. A <strong>metoclopramida</strong> surge como <strong>alternativa</strong> quando a eritromicina IV não estiver disponível. <strong>Agentes hemostáticos</strong> tópicos ficam melhor posicionados como <strong>resgate, não como monoterapia inicial</strong>. E o <strong>cuidado pós-endoscópico</strong> passa a incluir, de forma mais explícita, ferro, nutrição precoce, retomada racional de anticoagulação e possibilidade de TAE profilática em casos selecionados.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Talvez a principal mensagem seja esta: o sucesso no manejo da hemorragia ulcerosa não depende apenas de chegar rápido com o endoscópio. Depende de estabilizar bem, escolher a terapia certa, reconhecer o risco de ressangramento e organizar o cuidado depois da hemostasia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">É uma atualização que valoriza não só a técnica, mas também o julgamento clínico, a experiência do endoscopista e a estrutura do serviço.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><a href="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/?attachment_id=21538"><img loading="lazy" decoding="async" width="682" height="1024" src="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/06/Hemorragia-digestiva-alta-nao-varicosa-guia-682x1024.png" alt="hemorragia digestiva alta não varicosa: fluxograma" class="wp-image-21538" srcset="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/06/Hemorragia-digestiva-alta-nao-varicosa-guia-682x1024.png 682w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/06/Hemorragia-digestiva-alta-nao-varicosa-guia-200x300.png 200w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/06/Hemorragia-digestiva-alta-nao-varicosa-guia-768x1152.png 768w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/06/Hemorragia-digestiva-alta-nao-varicosa-guia-585x878.png 585w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/06/Hemorragia-digestiva-alta-nao-varicosa-guia.png 853w" sizes="(max-width: 682px) 100vw, 682px" /></a></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph"></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-referencia"><strong>Referência</strong></h2>



<ol class="wp-block-list">
<li>Gralnek IM, Morris J, Laursen SB, Camus M, Tziatzios G, Debels LK, et al. Endoscopic diagnosis and management of peptic ulcer bleeding: European Society of Gastrointestinal Endoscopy (ESGE) Guideline – Update 2026. Endoscopy. 2026.</li>
</ol>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-como-citar-este-artigo"><strong>Como citar este artigo</strong></h2>



<p class="has-very-light-gray-to-cyan-bluish-gray-gradient-background has-background wp-block-paragraph">Orso IRB. Hemorragia digestiva alta não varicosa: o que muda no novo guideline da ESGE? Endoscopia Terapeutica 2026 Vol I. Disponível em: <a href="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/?p=21528" target="_blank" rel="noreferrer noopener">https://endoscopiaterapeutica.net/pt/assuntosgerais/hemorragia-digestiva-alta-nao-varicosa-o-que-muda-no-novo-guideline-da-esge/</a></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
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		<title>Será que UNDERWATER pode ser o futuro das ressecções de lesões de cólon?</title>
		<link>https://endoscopiaterapeutica.net/pt/assuntosgerais/sera-que-mucosectomia-underwater-uemr-pode-ser-o-futuro-das-resseccoes-de-lesoes-de-colon/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Ivan R B Orso]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 24 Mar 2026 07:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Assuntos Gerais]]></category>
		<category><![CDATA[EMR]]></category>
		<category><![CDATA[mucosectomia]]></category>
		<category><![CDATA[PÓLIPOS]]></category>
		<category><![CDATA[UEMR]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O padrão atual para remoção de pólipos médios (10–20 mm) é Mucosectomia Convencional (EMR),&#8230;</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">O padrão atual para remoção de pólipos médios (10–20 mm) é Mucosectomia Convencional (EMR), que depende da injeção de solução salina para elevar a lesão. Porém, esse padrão-ouro tem uma falha importante: frequentemente não remove os tumores em bloco, levando a ressecções fragmentadas e taxas de recorrência entre 15% e 23,5%.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O segredo está na física. Ao injetar fluido sob o pólipo, criamos tensão na mucosa, o que dificulta ao endoscopista capturar profundamente a lesão com a alça. Recentemente, uma técnica vem revolucionando o campo: a Ressecção Endoscópica da Mucosa Subaquática, também conhecida como Mucosectomia Underwater (UEMR). Esta técnica elimina a injeção e preenche o cólon com água, permitindo que a flutuabilidade natural faça o trabalho.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><br><strong>Não é necessário injetar para alcançar profundidade</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">O achado mais surpreendente dos estudos clínicos recentes é que não é preciso um “colchão” salino para cortar com segurança e profundidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em um estudo clínico randomizado, a UEMR atingiu profundidade média de 1.688,9 μm, numericamente maior que os 1.432,3 μm obtidos pelo método com injeção. Embora o resultado tenha mostrado apenas <em>não inferioridade estatística</em> (P=0,18), ele desmonta o mito de que a injeção é essencial para segurança.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O segredo é um fenômeno chamado redução gravitacional. Ao encher o cólon com água em vez de ar, a flutuabilidade faz a lesão “boiar” para longe da muscular própria, permitindo que a alça capture tecido submucoso adequado sem risco de envolvimento muscular ou perfuração.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><a href="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/?attachment_id=21094"><img loading="lazy" decoding="async" width="461" height="421" src="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/03/FIGURA-1-ECOENDOSCOPIA.jpg?v=1773164600" alt="Mucosectomia underwater evidenciando flutuação da mucosa e submucosa" class="wp-image-21094" srcset="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/03/FIGURA-1-ECOENDOSCOPIA.jpg?v=1773164600 461w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/03/FIGURA-1-ECOENDOSCOPIA-300x274.jpg?v=1773164600 300w" sizes="(max-width: 461px) 100vw, 461px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><br>Figura 1: Ecoendoscopia evidenciado a mucosa e submucosa ‘flutuando” enquanto a camada muscular se mantém estável. Na UEMR, as lesões flutuam na água por redução gravitacional, permitindo ressecção segura sem envolver a camada muscular.</figcaption></figure>
</div>


<h2 class="wp-block-heading"><br><strong>UEMR e o cólon direito</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">O cólon direito, especialmente o ceco e o cólon ascendente são áreas de desafio para o endoscopista: paredes finas, curvas difíceis e maior dificuldade técnica. Mesmo assim, na UEMR, os resultados foram superiores: 1.822,4 μm de profundidade contra 1.096,5 μm com EMR (P=0,01).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A UEMR se destaca no cólon direito porque:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>as paredes finas tornam perigoso uma ressecção profunda com injeção,</li>



<li>a água evita a tensão excessiva da insuflação com ar,</li>



<li>há melhor manobrabilidade em ângulos difíceis.</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph">Com água, a pressão intraluminal diminui e a parede não fica esticada, permitindo que o tumor protrua mais naturalmente e seja capturado com segurança.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><br><strong>Tratando pólipos planos</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Pólipos superficiais (“flat”) são desafiadores porque costumam estar presos por fibrose submucosa, que impede a elevação com a injeção. A UEMR resolve isso: a flutuabilidade transforma a lesão plana em uma lesão polipoide, permitindo profundidades significativamente maiores (1.238,7 μm vs. 731,6 μm; P&lt;0,01).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Debaixo d’água, a força de flutuação supera a fibrose e libera a base da lesão, facilitando a captura pela alça.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/?attachment_id=21095"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="301" src="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/03/Figura-2.-Mucosectomia-underwater-1024x301.jpg?v=1773164764" alt="Mucosectomia underwater para lesão plana do cólon sem injeção submucosa" class="wp-image-21095" srcset="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/03/Figura-2.-Mucosectomia-underwater-1024x301.jpg?v=1773164764 1024w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/03/Figura-2.-Mucosectomia-underwater-300x88.jpg?v=1773164764 300w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/03/Figura-2.-Mucosectomia-underwater-768x226.jpg?v=1773164764 768w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/03/Figura-2.-Mucosectomia-underwater-1170x344.jpg?v=1773164764 1170w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/03/Figura-2.-Mucosectomia-underwater-585x172.jpg?v=1773164764 585w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/03/Figura-2.-Mucosectomia-underwater.jpg?v=1773164764 1441w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><br>Figura 2. Mucosectomia underwater. Lesão plana de reto. Infusão de água seguida de captura da lesão com alça, sem injeção.</figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<h2 class="wp-block-heading"><br><strong>O grande equalizador dos endoscopistas</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">A descoberta mais impactante: a UEMR reduz a dependência da experiência do operador.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Endoscopistas com &lt;10 anos de prática obtiveram profundidades maiores com UEMR (1.786,6 μm) do que com EMR (1.192,4 μm). Isso ocorre porque a injeção aumenta a tensão mucosa, tornando o alvo mais difícil. Já na UEMR, a lesão flutua, tornando o procedimento mais intuitivo e uniforme entre diferentes níveis de habilidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">E tudo isso sem aumentar o tempo de procedimento (7,2 min vs. 6,5 min; P=0,34).</p>



<h2 class="wp-block-heading"><br><strong>Conclusão: será que estamos em frente à um novo padrão-ouro?</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Os dados mostram que a UEMR é:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>não inferior em profundidade total,</li>



<li>superior no cólon direito,</li>



<li>superior para lesões planas,</li>



<li>mais estável para operadores menos experientes.</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph">Enquanto aguardamos estudos internacionais maiores, o que já está claro é que estamos entrando em uma nova era no tratamento endoscópico das lesões do cólon, onde a ferramenta mais importante pode não ser uma agulha, mas sim os princípios básicos da física dos fluidos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Veja mais sobre o tema:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li><a href="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/assuntosgerais/mucosectomia-por-imersao-underwater-com-auxilio-de-cap-um-alternativa-para-casos-dificeis/">Mucosectomia underwater com auxílio de cap</a></li>



<li><a href="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/video/resseccao-de-lst-extensa-de-colon-ascendente-pela-tecnica-underwater-uemr/">Ressecção de lesão extensa de cólon direito por UEMR</a></li>



<li><a href="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/video/2694/">Mucosectomia underwater de lesão de reto</a></li>
</ul>



<h2 class="wp-block-heading"><br><strong>Referência</strong></h2>



<ol class="wp-block-list">
<li>Tamaru Y, Miyakawa A, Shimura H, et al. Resection depth of underwater versus conventional endoscopic mucosal resection for intermediate-sized tumors.&nbsp;<em>Am J Gastroenterol&nbsp;</em>2026 Jan 9.</li>
</ol>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Como citar este artigo</strong></h2>



<p class="has-very-light-gray-to-cyan-bluish-gray-gradient-background has-background wp-block-paragraph">Orso IRB. Será que UNDERWATER pode ser o futuro das ressecções de lesões de cólon? Endoscopia Terapêutica 2026 Vol I. Disponível em:&nbsp;<a href="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/?p=21093" target="_blank" rel="noreferrer noopener">https://endoscopiaterapeutica.net/pt/assuntosgerais/sera-que-underwater-pode-ser-o-futuro-das-resseccoes-de-lesoes-de-colon/</a></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
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			</item>
		<item>
		<title>Doença Digestiva Relacionada ao IgG4: do diagnóstico ao tratamento</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Ivan R B Orso]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 27 Jan 2026 07:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Assuntos Gerais]]></category>
		<category><![CDATA[eus]]></category>
		<category><![CDATA[IGG4]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A doença digestiva relacionada ao IgG4 (DR-IgG4) é uma condição fibroinflamatória sistêmica, crônica e&#8230;</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">A doença digestiva relacionada ao IgG4 (DR-IgG4) é uma condição fibroinflamatória sistêmica, crônica e imunomediada, que pode afetar virtualmente qualquer órgão. Sua capacidade de mimetizar malignidades, especialmente no pâncreas e nas vias biliares, representa um desafio diagnóstico significativo na prática clínica.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><br><strong>Diagnóstico</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">O diagnóstico da DR-IgG4 não depende de um único teste definitivo. Pelo contrário, exige uma abordagem abrangente e criteriosa que integra achados clínicos, sorológicos, de imagem e histológicos, além da avaliação da resposta à terapia com glicocorticoides (<a href="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/casosclinicos/colangite-por-igg4-como-diagnostico-diferencial-do-colangiocarcinoma-hilar/">Para ver um exemplo clínico detalhado de diagnóstico diferencial de <strong>colangite por IgG4 versus colangiocarcinoma hilar</strong>, leia este relato de caso</a>). Esta abordagem multifacetada é crucial para evitar diagnósticos equivocados, sendo o mais grave a confusão com adenocarcinoma de pâncreas ou colangiocarcinoma, o que pode levar a tratamentos inadequados e potencialmente danosos.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><br><strong>Biomarcadores Séricos</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">A análise de marcadores séricos é um dos primeiros passos na investigação, mas seus resultados devem ser interpretados com cautela.</p>



<p class="wp-block-paragraph">•&nbsp;<strong>Níveis Séricos de IgG4</strong><strong>:</strong>&nbsp;Embora a dosagem de IgG4 seja um exame fundamental na suspeita da doença, ela, isoladamente, carece de sensibilidade e especificidade. Muitos pacientes com a doença podem ter níveis normais, enquanto outras condições inflamatórias podem apresentar elevações. Contudo, níveis muito elevados — especificamente acima de quatro vezes o limite superior da normalidade — aumentam consideravelmente o valor diagnóstico e a especificidade do teste.</p>



<p class="wp-block-paragraph">•&nbsp;<strong>Antígeno CA19-9</strong><strong>:</strong>&nbsp;Este marcador tumoral é frequentemente utilizado na investigação de malignidades pancreatobiliares. No contexto da DR-IgG4, sua precisão é limitada, especialmente na presença de colangite obstrutiva, que pode causar elevações acentuadas. Apesar disso, por ser um teste barato e de fácil execução, pode ser usado para &nbsp;diagnóstico diferencial com o adenocarcinoma de pâncreas, mas nunca como um marcador isolado para confirmar ou excluir malignidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Portanto, a abordagem sorológica é mais útil para levantar suspeitas e compor o quadro diagnóstico do que para confirmar ou excluir a doença de forma isolada, reforçando a necessidade de correlação com imagem e histologia.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><br><strong>Achados Clássicos de Imagem e Histologia</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">A Pancreatite Autoimune (PAI) tipo 1 é a manifestação pancreática da DR-IgG4 e possui características de imagem e histológicas bem definidas que são pilares para o diagnóstico.</p>



<p class="wp-block-paragraph">•&nbsp;<strong>Critérios de Imagem (TC/RM):</strong>&nbsp;A tomografia computadorizada (TC) e a ressonância magnética (RM) revelam achados clássicos que levantam a suspeita de PAI:</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;◦&nbsp;Aumento difuso ou focal do pâncreas, com perda do padrão lobulado, conferindo um&nbsp;<strong>aspecto de &#8220;salsicha&#8221;</strong>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;◦&nbsp;Presença de um&nbsp;<strong>halo peripancreático</strong>&nbsp;de baixo sinal em T1 na RM, representando edema e fibrose.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;◦&nbsp;Estreitamento do ducto pancreático principal, caracteristicamente&nbsp;<strong>sem dilatação significativa a montante</strong>&nbsp;— um achado chave que o diferencia de obstruções malignas, que tipicamente causam dilatação ductal acentuada.</p>



<p class="wp-block-paragraph">•&nbsp;<strong>Achados Histológicos Fundamentais</strong><strong>:</strong>&nbsp;A confirmação histológica é frequentemente necessária, e a PAI tipo 1 é definida por quatro características chave:</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;◦&nbsp;Infiltrado&nbsp;<strong>linfoplasmocitário denso</strong>, frequentemente acompanhado por eosinófilos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;◦&nbsp;<strong>Fibrose estoriforme</strong>, com um padrão clássico em &#8220;roda de carroça&#8221;.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;◦&nbsp;<strong>Flebilite obliterante</strong>, que é a inflamação e oclusão de vênulas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;◦&nbsp;Aumento expressivo de&nbsp;<strong>plasmócitos IgG4 positivos</strong>. A contagem deve ser superior a 50 células por campo de grande aumento (HPF) em espécimes cirúrgicos e &gt;10 células/HPF em amostras de biópsia (média de contagens em três focos de maior densidade [400x]), com uma razão IgG4/IgG superior a 40%.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><br><strong>O Papel da Endoscopia</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Para o gastroenterologista, a endoscopia, particularmente a ecoendoscopia (EUS), desempenha um papel indispensável. A EUS permite uma avaliação detalhada do parênquima pancreático, identificando achados sugestivos como o aumento hipoecoico difuso. Sua função mais crítica, no entanto, é a aquisição de tecido por punção ecoguiada, que é essencial para obter o diagnóstico histológico e, principalmente, para diferenciar a PAI de um carcinoma pancreático.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nos pacientes ictéricos a CPRE também pode ser útil tratando as estenoses com a colocação de próteses biliares e identificando os padrões suspeitos da colangiopatia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A complexidade do diagnóstico é um reflexo direto da natureza sistêmica e multifacetada desta doença.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><a href="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/?attachment_id=20996"><img loading="lazy" decoding="async" width="562" height="281" src="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/01/tratamento-de-estenoses.png" alt="" class="wp-image-20996" srcset="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/01/tratamento-de-estenoses.png 562w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/01/tratamento-de-estenoses-300x150.png 300w" sizes="(max-width: 562px) 100vw, 562px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><br>Tratamento das estenoses e paliação da icterícia por CPRE com passagem de prótese biliares.<br>Fonte da imagem: Mendoça EQ. Colangite por IgG4 como diagnóstico diferencial do colangiocarcinoma hilar. Endoscopia Terapeutica 2023, Vol 1. Disponível em:&nbsp;https://endoscopiaterapeutica.net/pt/colangite-por-igg4-como-diagnostico-diferencial-do-colangiocarcinoma-hilar/</figcaption></figure>
</div>


<h2 class="wp-block-heading"><br><strong>Manifestações Clínicas</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">É fundamental reconhecer a DR-IgG4 como uma doença sistêmica. Embora o pâncreas e as vias biliares sejam os sítios mais comuns de manifestação digestiva, o envolvimento de outros órgãos é frequente e deve ser ativamente investigado em todos os pacientes com suspeita diagnóstica, pois isso reforça o diagnóstico e impacta o manejo terapêutico.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><br><strong>Pâncreas (Pancreatite Autoimune Tipo 1)</strong></h3>



<p class="wp-block-paragraph">O prognóstico e os desfechos a longo prazo da PAI tipo 1 são marcados por uma excelente resposta inicial ao tratamento e a cronicidade da condição.</p>



<p class="wp-block-paragraph">•&nbsp;<strong>Resposta ao Tratamento:</strong>&nbsp;A PAI tipo 1 tipicamente apresenta uma resposta excelente e rápida à terapia inicial com glicocorticoides.</p>



<p class="wp-block-paragraph">•&nbsp;<strong>Taxa de Recidiva:</strong>&nbsp;Apesar da boa resposta inicial, as taxas de recidiva da doença são altas, variando de&nbsp;<strong>7% a 55%</strong>&nbsp;nos estudos europeus, o que frequentemente exige terapia de manutenção.</p>



<p class="wp-block-paragraph">•&nbsp;<strong>Sequelas a Longo Prazo:</strong>&nbsp;Com o tempo, é comum o desenvolvimento de&nbsp;<strong>insuficiência pancreática exócrina e endócrina</strong>, o que demanda um acompanhamento vitalício para manejo nutricional e controle glicêmico.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><br><strong>Fígado e Vias Biliares (Colangite Relacionada ao IgG4)</strong></h3>



<p class="wp-block-paragraph">A Colangiopatia Relacionada ao IgG4 (IRC) é a manifestação hepatobiliar mais comum da doença, frequentemente associada à PAI tipo 1, mas podendo ocorrer de forma isolada.</p>



<p class="wp-block-paragraph">•&nbsp;<strong>Apresentação Clínica:</strong>&nbsp;Os pacientes geralmente se apresentam com icterícia (tipicamente indolor), prurido e desconforto abdominal.</p>



<p class="wp-block-paragraph">•&nbsp;<strong>Perfil Bioquímico:</strong>&nbsp;O padrão laboratorial é colestático, com elevação de fosfatase alcalina, gama-GT e bilirrubinas. É importante notar que o&nbsp;<strong>CA 19-9 pode estar acentuadamente elevado</strong>. Essa elevação, combinada com estenoses biliares na imagem, é um dos principais fatores que mimetizam o colangiocarcinoma, tornando a diferenciação histológica imperativa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">•&nbsp;<strong>Achados Colangiográficos:</strong>&nbsp;A classificação de Nakazawa, baseada em achados de colangiografia, descreve quatro padrões de estenoses biliares. O&nbsp;<strong>Tipo 1 (estenose do colédoco distal)</strong>&nbsp;é o mais comum, ocorrendo em 64% dos casos.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><a href="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/?attachment_id=21000"><img loading="lazy" decoding="async" width="676" height="495" src="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/01/Classificacao-colangiografica-de-Nakazawa.png" alt="" class="wp-image-21000" srcset="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/01/Classificacao-colangiografica-de-Nakazawa.png 676w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/01/Classificacao-colangiografica-de-Nakazawa-300x220.png 300w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/01/Classificacao-colangiografica-de-Nakazawa-585x428.png 585w" sizes="(max-width: 676px) 100vw, 676px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><br><br>Classificação colangiografica de Nakazawa e a sua frequência.<br>Fonte da imagem: Classification and characteristics of IgG4-associated cholangitis and how to differentiate it from hepatobiliary malignancies — mimicry in hepatobiliary endoscopy. Endoscopy-campus.com.</figcaption></figure>
</div>


<h3 class="wp-block-heading"><br><strong>Envolvimento Sistêmico</strong></h3>



<p class="wp-block-paragraph">A DR-IgG4 é, por definição, uma condição sistêmica, com o envolvimento de múltiplos órgãos ocorrendo em até&nbsp;<strong>75% dos pacientes</strong>. A investigação de outras manifestações é mandatória. Além do trato pancreato-hepatobiliar, os órgãos mais frequentemente acometidos incluem:</p>



<p class="wp-block-paragraph">•&nbsp;<strong>Glândulas salivares e lacrimais</strong>&nbsp;(Doença de Mikulicz)</p>



<p class="wp-block-paragraph">•&nbsp;<strong>Retroperitônio</strong>&nbsp;(Fibrose retroperitoneal)</p>



<p class="wp-block-paragraph">•&nbsp;<strong>Rins</strong>&nbsp;(Nefrite túbulo-intersticial)</p>



<p class="wp-block-paragraph">•&nbsp;<strong>Pulmões</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">•&nbsp;<strong>Aorta</strong>&nbsp;(Aortite)</p>



<p class="wp-block-paragraph">Esta ampla gama de apresentações clínicas converge para o principal desafio diagnóstico: a distinção entre esta doença inflamatória e o câncer.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><br><strong>O Dilema Diagnóstico: DR-IgG4 vs. Câncer</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">A diferenciação entre DR-IgG4 e malignidades — como o câncer de pâncreas, o colangiocarcinoma ou o linfoma — é um dos maiores e mais críticos desafios na gastroenterologia. Um diagnóstico preciso é de importância estratégica fundamental: ele evita cirurgias de grande porte desnecessárias em pacientes com uma doença benigna e tratável e, inversamente, previne o atraso no início de um tratamento oncológico em pacientes com câncer.</p>



<p class="wp-block-paragraph">•&nbsp;<strong>Clínica e Laboratório:</strong>&nbsp;Os sintomas são frequentemente sobreponíveis. Perda de peso, icterícia e dor abdominal são comuns a ambas as condições. Não existe um exame de sangue específico que possa, de forma isolada, diferenciar confiavelmente as duas doenças.</p>



<p class="wp-block-paragraph">•&nbsp;<strong>Radiologia:</strong>&nbsp;Embora alguns achados combinados em TC e RM possam auxiliar, a diferenciação radiológica de uma massa focal de PAI de um adenocarcinoma pancreático permanece extremamente desafiadora.</p>



<p class="wp-block-paragraph">•&nbsp;<strong>Histologia em Biópsias:</strong>&nbsp;Em amostras pequenas obtidas por biópsia, a diferenciação é particularmente difícil. O&nbsp;<strong>risco de erro amostral</strong>&nbsp;é significativo, e a presença de inflamação inespecífica com células IgG4 positivas pode ocorrer tanto na DR-IgG4 quanto em tecidos peritumorais de malignidades.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na prática clínica, diante da impossibilidade de excluir malignidade com segurança, um pequeno número de ressecções pancreáticas por suspeita de câncer acaba sendo inevitável.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><br><strong>Tratamento Sistêmico</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Os objetivos do tratamento da DR-IgG4 são claros: suprimir a atividade inflamatória, retardar a progressão da fibrose e prevenir complicações e a falência de órgãos a longo prazo.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><br><strong>Terapia de Indução de Remissão</strong></h3>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;<strong>Indicações:</strong>&nbsp;A decisão de iniciar o tratamento deve ponderar a presença de sintomas e o risco de dano orgânico irreversível. A terapia é indicada para pacientes sintomáticos (com dor, icterícia obstrutiva) e para assintomáticos que apresentam risco de desenvolver falência orgânica devido ao processo fibroinflamatório.</p>



<p class="wp-block-paragraph">•&nbsp;<strong>Droga de Escolha:</strong>&nbsp;Os&nbsp;<strong>glicocorticoides</strong>&nbsp;são a pedra angular da terapia de indução.</p>



<p class="wp-block-paragraph">•&nbsp;<strong>Esquema Posológico:</strong>&nbsp;O tratamento deve ser iniciado com prednisona oral em uma dose baseada no peso, de&nbsp;<strong>0,6-0,8 mg/kg/dia</strong>&nbsp;(tipicamente 30-40 mg/dia), mantida por um mês para induzir a remissão.</p>



<p class="wp-block-paragraph">•&nbsp;<strong>Avaliação da Resposta:</strong>&nbsp;A resposta ao tratamento deve ser reavaliada em 2 a 4 semanas, utilizando marcadores clínicos (melhora dos sintomas), bioquímicos (queda de bilirrubinas e enzimas hepáticas) e morfológicos (melhora nos exames de imagem).</p>



<p class="wp-block-paragraph">•&nbsp;<strong>Desmame:</strong>&nbsp;Após a indução, a dose de corticoide deve ser reduzida gradualmente ao longo de 3 a 6 meses.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><br><strong>Manejo da Recidiva e Terapia de Manutenção</strong></h3>



<p class="wp-block-paragraph">A alta taxa de recidiva exige uma estratégia clara para o manejo a longo prazo, especialmente em pacientes que apresentam retorno da atividade da doença durante ou após o desmame dos corticoides.</p>



<p class="wp-block-paragraph">•&nbsp;<strong>Quando Considerar:</strong>&nbsp;A terapia de manutenção ou de segunda linha deve ser considerada se não houver melhora, se a doença recidivar durante os primeiros 3 meses de tratamento, ou em pacientes com alto risco de recidiva (ex: doença multiorgânica).</p>



<p class="wp-block-paragraph">•&nbsp;<strong>Opções de Segunda Linha:</strong>&nbsp;Vários agentes imunossupressores podem ser utilizados como poupadores de corticoides ou para tratar recidivas:</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;◦&nbsp;<strong>Rituximabe:</strong>&nbsp;Este anticorpo monoclonal anti-CD20 deve ser considerado em pacientes resistentes ou intolerantes aos glicocorticoides, ou naqueles que falharam com outros imunossupressores.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;◦&nbsp;<strong>Outros Imunossupressores:</strong>&nbsp;Agentes como as tiopurinas (azatioprina), micofenolato de mofetila e metotrexato são opções válidas como terapia poupadora de corticoides para manter a remissão.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><br><strong>Conclusão</strong></h2>



<p class="has-vivid-green-cyan-background-color has-background wp-block-paragraph"><strong>Pense de Forma Sistêmica:</strong>&nbsp;Lembre-se sempre que a DR-IgG4 é uma doença multiorgânica. A presença de uma manifestação (ex: PAI) deve levar à busca ativa por envolvimento em outros órgãos.</p>



<p class="has-vivid-green-cyan-background-color has-background wp-block-paragraph">•&nbsp;<strong>Diagnóstico é difícil:</strong>&nbsp;Nenhum teste isolado confirma o diagnóstico. A certeza diagnóstica vem da combinação criteriosa de dados clínicos, laboratoriais, de imagem e histológicos.</p>



<p class="has-vivid-green-cyan-background-color has-background wp-block-paragraph">•&nbsp;<strong>A EUS com Biópsia é fundamental:</strong>&nbsp;A ecoendoscopia com punção por agulha é a ferramenta mais poderosa para diferenciar a PAI tipo 1 focal do câncer de pâncreas, uma etapa indispensável no diagnóstico.</p>



<p class="has-vivid-green-cyan-background-color has-background wp-block-paragraph">•&nbsp;<strong>Resposta Rápida aos Corticoides:</strong>&nbsp;Uma resposta clínica e laboratorial dramática à corticoterapia em 2-4 semanas é uma característica marcante da doença e apoia fortemente o diagnóstico.</p>



<p class="has-vivid-green-cyan-background-color has-background wp-block-paragraph">•&nbsp;<strong>Vigie o Risco de Malignidade:</strong>&nbsp;A DR-IgG4 pode estar associada a um risco aumentado de desenvolvimento de câncer. A vigilância é recomendada para todos os pacientes.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><br><strong>Referências</strong></h2>



<ol class="wp-block-list">
<li>Löhr JM, Beuers U, Vujasinovic M, Alvaro D, Frøkjær JB, Buttgereit F, Capurso G, Culver EL, de-Madaria E, Della-Torre E, Detlefsen S, Dominguez-Muñoz E, Czubkowski P, Ewald N, Frulloni L, Gubergrits N, Duman DG, Hackert T, Iglesias-Garcia J, Kartalis N, Laghi A, Lammert F, Lindgren F, Okhlobystin A, Oracz G, Parniczky A, Mucelli RMP, Rebours V, Rosendahl J, Schleinitz N, Schneider A, van Bommel EF, Verbeke CS, Vullierme MP, Witt H; UEG guideline working group. European Guideline on IgG4-related digestive disease &#8211; UEG and SGF evidence-based recommendations. United European Gastroenterol J. 2020 Jul;8(6):637-666. doi: 10.1177/2050640620934911. Epub 2020 Jun 18. PMID: 32552502; PMCID: PMC7437085.</li>
</ol>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Como citar este artigo</strong></h2>



<p class="has-very-light-gray-to-cyan-bluish-gray-gradient-background has-background wp-block-paragraph">Orso IRB. Doença Digestiva Relacionada ao IgG4: do diagnóstico ao tratamento. Endoscopia Terapêutica 2026 Vol I. Disponível em: <a href="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/?p=20994" target="_blank" rel="noreferrer noopener">https://endoscopiaterapeutica.net/pt/assuntosgerais/doenca-digestiva-relacionada-ao-igg4-do-diagnostico-ao-tratamento/</a></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
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		<title>A Crioprevenção com Água Gelada: Uma Nova Ferramenta para Prevenir a Pancreatite Pós-CPRE</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Ivan R B Orso&#160;e&#160;Bruno Martins]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 26 Aug 2025 06:35:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Assuntos Gerais]]></category>
		<category><![CDATA[CPRE]]></category>
		<category><![CDATA[crioprevenção]]></category>
		<category><![CDATA[pancreatite]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A pancreatite pós-CPRE (PPE) é, sem dúvidas, uma das complicações mais frequentes e preocupantes&#8230;</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">A pancreatite pós-CPRE (PPE) é, sem dúvidas, uma das complicações mais frequentes e preocupantes após a colangiopancreatografia retrógrada endoscópica (CPRE). Além do seu impacto na recuperação dos pacientes, a gravidade de casos mais avançados exige atenção redobrada às estratégias preventivas. Nesse contexto, um recente estudo multicêntrico realizado no Japão trouxe uma alternativa inovadora: o resfriamento com água gelada, chamado de crioprevenção.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><br><strong>O Problema: Pancreatite Pós-CPRE</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph"><br>Apesar das taxas gerais de PPE rondarem 10% em pacientes sem qualquer profilaxia, o problema pode alcançar consequências fatais em quadros graves. Métodos tradicionalmente adotados para a profilaxia, como anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) retais, têm limitações específicas no Japão, principalmente devido a restrições do sistema de saúde sobre dosagens aprovadas e contraindicações em populações vulneráveis, como pacientes idosos.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><br><strong>A Crioprevenção: Uma Abordagem Simples e Eficaz</strong></h2>



<figure class="wp-block-image size-full"><a href="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/?attachment_id=20549"><img loading="lazy" decoding="async" width="1016" height="640" src="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2025/08/IRRIGACAO-COM-AGUA-GELADA.png" alt="" class="wp-image-20549" srcset="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2025/08/IRRIGACAO-COM-AGUA-GELADA.png 1016w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2025/08/IRRIGACAO-COM-AGUA-GELADA-300x189.png 300w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2025/08/IRRIGACAO-COM-AGUA-GELADA-768x484.png 768w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2025/08/IRRIGACAO-COM-AGUA-GELADA-585x369.png 585w" sizes="(max-width: 1016px) 100vw, 1016px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><br>Adaptado de Azuma et al. 2025</figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">O estudo, divulgado na <em>Am J Gastroenterol</em>, propôs um método simples e acessível: a irrigação da papila com 250 mL de água gelada ao final da CPRE. Esta técnica reduziu em <strong>52,4% o risco relativo de PPC</strong>, com a taxa caindo de 6,8% (grupo controle) para 3,2% (grupo de crioprevenção). A segurança do método foi evidente, sem eventos adversos relacionados diretamente à intervenção.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os pesquisadores apontaram que o resfriamento atua reduzindo o edema papilar, possivelmente por meio de vasoconstrição e controle da permeabilidade vascular, fatores-chave no desenvolvimento de PPE. O efeito foi ainda mais pronunciado em pacientes de alto risco, como aqueles submetidos a esfincterotomia endoscópica e canulação difícil.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><br><strong>Por Que Essa Técnica É Relevante?</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Além dos resultados eficazes, algumas características tornam a crioprevenção uma alternativa promissora:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong>Simplicidade</strong>: A técnica utiliza apenas água gelada administrada com uma seringa, sem a necessidade de equipamentos ou medicamentos especializados.</li>



<li><strong>Custo-baixo</strong>: Não há custos adicionais associados à compra de fármacos.</li>



<li><strong>Adequação a Populações de Risco</strong>: Particularmente útil para idosos ou pacientes contraindicados ao uso de AINEs.</li>



<li><strong>Segurança</strong>: Nenhum evento adverso significativo foi atribuído à crioprevenção.</li>
</ul>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Limitações do Estudo</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Apesar dos resultados entusiasmantes, algumas limitações foram apontadas:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Não foi incluído um grupo controle que utilizasse irrigação com água em temperatura ambiente, impedindo a avaliação do efeito absoluto do resfriamento em relação à irrigação simples.</li>



<li>A ausência de AINEs como comparador limita a aplicabilidade global dos achados.</li>



<li>O volume de água gelada (250 mL) foi uma escolha arbitrária, sugerindo que estudos futuros possam investigar volumes ou durações diferentes para otimização dos resultados.</li>



<li>Por ser um estudo single-blind, a falta de cegamento total pode introduzir algum viés no protocolo.</li>
</ul>



<h2 class="wp-block-heading"><br><strong>Conclusão</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">A técnica de crioprevenção representa um marco no manejo profilático da PPE, oferecendo uma estratégia <strong>segura, eficiente e econômica</strong> para reduzir essa grave complicação. Especialmente em contextos como o Japão, onde o uso de AINEs é limitado, ou em populações de alto risco, o resfriamento local pode representar uma virada de chave no cuidado pós-CPRE.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Embora ainda existam pontos a serem avaliados em estudos futuros, como a sinergia com AINEs ou outros métodos profiláticos, a crioprevenção já se apresenta como uma ferramenta acessível para a prática clínica global. Afinal, a simplicidade, quando bem fundamentada, pode ser a mais poderosa das inovações.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><br><strong>Referência</strong></h2>



<ol class="wp-block-list">
<li>Azuma S, Kobayashi Y, Harada R, Yane K, Sawada K, Tsujimoto A, et al. Local post-procedure cryoprevention significantly reduces the incidence of post-ERCP pancreatitis: a multicenter randomized clinical trial. Am J Gastroenterol. 2025;00:1–9. Published online 2025 Jul 10. doi:10.14309/ajg.000000000000000</li>
</ol>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Como citar este artigo</strong></h2>



<p class="has-very-light-gray-to-cyan-bluish-gray-gradient-background has-background wp-block-paragraph">Orso IRB, Martins BC. A Crioprevenção com Água Gelada: Uma Nova Ferramenta para Prevenir a Pancreatite Pós-CPRE Endoscopia Terapeutica 2025 Vol II. Disponível em: <a href="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/?p=20548" target="_blank" rel="noreferrer noopener">https://endoscopiaterapeutica.net/pt/assuntosgerais/a-crioprevencao-com-agua-gelada-uma-nova-ferramenta-para-prevenir-a-pancreatite-pos-cpre/</a></p>
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		<title>Doença de Whipple: O que o Endoscopista Precisa Saber</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Ivan R B Orso]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 03 Jun 2025 06:30:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Assuntos Gerais]]></category>
		<category><![CDATA[endoscopia]]></category>
		<category><![CDATA[whipple]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A doença de Whipple é uma condição infecciosa sistêmica rara causada pela bactéria Tropheryma&#8230;</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><a href="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/?attachment_id=19958"><img loading="lazy" decoding="async" width="498" height="459" src="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2025/04/doenca-de-Whipple.jpg" alt="" class="wp-image-19958" srcset="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2025/04/doenca-de-Whipple.jpg?v=1744926138 498w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2025/04/doenca-de-Whipple-300x277.jpg?v=1744926138 300w" sizes="(max-width: 498px) 100vw, 498px" /></a></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph"><br>A doença de Whipple é uma condição infecciosa sistêmica rara causada pela bactéria <em>Tropheryma whipplei</em>, que acomete principalmente homens brancos, entre 40 e 60 anos. Como pode simular diversas patologias e afetar vários órgãos, inclusive sem sintomas gastrointestinais, é essencial que o endoscopista esteja atento a esse diagnóstico diferencial.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Um pouco de história&#8230;</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Descrita pela primeira vez em 1907, a doença foi inicialmente chamada de &#8220;lipodistrofia intestinal&#8221; devido ao acúmulo de gordura nos linfáticos intestinais. A etiologia infecciosa foi confirmada em 1991 com a identificação do <em>T. whipplei</em> via técnicas moleculares.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Epidemiologia:</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Apesar de ser rara (cerca de 30 casos/ano), o <em>T. whipplei</em> é está presente no ambiente, especialmente em esgoto e solo. É mais comumente detectado em trabalhadores da área rural e de pouco saneamento. A doença clássica é rara mesmo entre os portadores assintomáticos da bactéria.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Manifestações clínicas</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">A apresentação clássica envolve quatro sintomas principais:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong>Artralgias migratórias</strong> (geralmente anos antes dos sintomas digestivos)</li>



<li><strong>Diarreia crônica</strong></li>



<li><strong>Dor abdominal</strong></li>



<li><strong>Perda de peso</strong></li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph">Podem ocorrer manifestações isoladas no sistema nervoso central ou em válvulas cardíacas. A doença também pode ser desmascarada por uso de imunossupressores, muitas vezes prescritos para doenças reumatológicas presumidas.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Papel do Endoscopista no Diagnóstico</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">A endoscopia digestiva alta com <strong>biópsias do intestino delgado (jejuno/proximal do duodeno)</strong> é essencial.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Achados Endoscópicos Mais Comuns:</strong></h2>



<ol class="wp-block-list">
<li><strong>Mucosa esbranquiçada ou amarelada</strong>
<ul class="wp-block-list">
<li>Aspecto de placas ou granulações finas na mucosa do duodeno ou jejuno.</li>
</ul>
</li>



<li><strong>Edema da mucosa</strong>
<ul class="wp-block-list">
<li>A mucosa pode parecer espessada, pálida ou opaca, com perda das pregas normais.</li>
</ul>
</li>



<li><strong>Linfangiectasia intestinal</strong>
<ul class="wp-block-list">
<li>Dilatação dos vasos linfáticos pode dar aspecto leitoso ou de mucosa brilhante e friável.</li>
</ul>
</li>



<li><strong>Nódulos milimétricos</strong>
<ul class="wp-block-list">
<li>Pequenos nódulos na mucosa, principalmente no duodeno, conferem um aspecto de &#8220;mucosa em pedra de calçamento&#8221;.</li>
</ul>
</li>



<li><strong>Aspecto de mucosa atrófica ou ulcerada</strong>
<ul class="wp-block-list">
<li>Em casos mais avançados, pode haver áreas de erosão, atrofia ou até úlceras superficiais.</li>
</ul>
</li>
</ol>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><a href="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/?attachment_id=19959"><img loading="lazy" decoding="async" width="366" height="338" src="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2025/04/Doenca-de-Whipple-2.jpg" alt="" class="wp-image-19959" srcset="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2025/04/Doenca-de-Whipple-2.jpg?v=1744927551 366w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2025/04/Doenca-de-Whipple-2-300x277.jpg?v=1744927551 300w" sizes="(max-width: 366px) 100vw, 366px" /></a><figcaption class="wp-element-caption">Achados endoscópicos em um paciente com Doença de Whipple: pontos esbranquiçados com irregularidade de pregas duodenais e erosões. Na cromoscopia com NBI e magnificação se nota vilosidades engurgitadas com dilatação dos linfáticos.</figcaption></figure>
</div>


<h2 class="wp-block-heading"><strong>Investigação</strong></h2>



<ul class="wp-block-list">
<li>Histologia com coloração PAS positiva em macrófagos da lâmina própria</li>



<li>PCR para T. whipplei</li>



<li>Imuno-histoquímica</li>
</ul>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><a href="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/?attachment_id=19960"><img loading="lazy" decoding="async" width="442" height="336" src="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2025/04/Doenca-de-Whipple-macrofagos-intensamente-PAS-positivos.jpg" alt="" class="wp-image-19960" srcset="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2025/04/Doenca-de-Whipple-macrofagos-intensamente-PAS-positivos.jpg?v=1744928317 442w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2025/04/Doenca-de-Whipple-macrofagos-intensamente-PAS-positivos-300x228.jpg?v=1744928317 300w" sizes="(max-width: 442px) 100vw, 442px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><br>Doença de Whipple: macrófagos intensamente PAS-positivos ocupando a lâmina própria da mucosa. As células caliciformes também estão positivamente coradas. A borda em escova dos enterócitos aparece marcada (como uma linha roxa intensa). Fonte: Bures et al. Gastroenterology Research and Practice 2013.</figcaption></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph">Se a suspeita for alta, mas a endoscopia não for diagnóstica, é indicado investigar outros sítios acometidos (líquor, linfonodos, valvas, líquido sinovial).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Importante: mesmo pacientes com apresentação extraintestinal devem realizar endoscopia, já que a participação intestinal subclínica é comum.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Tratamento</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">A doença era fatal antes da era dos antibióticos. Hoje, o tratamento é efetivo e dividido em duas fases:</p>



<ol class="wp-block-list">
<li><strong>Fase inicial (parenteral):</strong>
<ul class="wp-block-list">
<li>Ceftriaxona 2g IV 1x/dia ou</li>



<li>Penicilina G 2-4 MU IV 4/4h</li>



<li>Duração: 2 semanas (4 semanas se acometimento do SNC ou endocardite)</li>
</ul>
</li>



<li><strong>Fase de manutenção (oral por 1 ano):</strong>
<ul class="wp-block-list">
<li>TMP-SMX (160/800 mg) 2x/dia</li>
</ul>
</li>
</ol>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Importante:</strong> O T. whipplei é resistente a fluoroquinolonas e a atividade do TMP-SMX é atribuída apenas ao sulfametoxazol.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><br><strong>Considerações finais para o endoscopista</strong></h2>



<ul class="wp-block-list">
<li>Suspeite da doença em pacientes com síndrome diarreica crônica, perda de peso e artralgias, especialmente se do sexo masculino e com exposição a solo ou esgoto.</li>



<li>A biópsia de intestino delgado é a chave diagnóstica.</li>



<li>O endoscopista pode ser o primeiro a levantar a hipótese diagnóstica.</li>
</ul>



<p class="has-pale-ocean-gradient-background has-background wp-block-paragraph">Mesmo rara, a doença de Whipple é potencialmente fatal se não tratada, mas curável com antibioticoterapia adequada. Estar atento à possibilidade diagnóstica é essencial.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Referências</strong></h2>



<ol class="wp-block-list">
<li>Günther U, Moos V, Offenmüller G, et al. Gastrointestinal diagnosis of classical Whipple disease: clinical, endoscopic, and histopathologic features in 191 patients. Medicine (Baltimore) 2015; 94:e714.</li>



<li>Lagier JC, Fenollar F, Lepidi H, et al. Treatment of classic Whipple&#8217;s disease: from in vitro results to clinical outcome. J Antimicrob Chemother 2014; 69:219.</li>



<li>Apstein MD, Schneider T. Whipple’s disease. Uptodate. 2024.</li>
</ol>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Como citar este artigo</strong></h2>



<p class="has-very-light-gray-to-cyan-bluish-gray-gradient-background has-background wp-block-paragraph">Orso IRB. Doença de Whipple: O que o Endoscopista Precisa Saber Endoscopia Terapeutica 2025 Vol I. Disponível em: <a href="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/?p=19957" target="_blank" rel="noreferrer noopener">https://endoscopiaterapeutica.net/pt/assuntosgerais/doenca-de-whipple-o-que-o-endoscopista-precisa-saber/</a></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
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		<title>Você sabe a melhor forma de identificar e manejar os pacientes com risco aumentado de coledocolitíase?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Ivan R B Orso]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 11 Oct 2022 07:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Assuntos Gerais]]></category>
		<category><![CDATA[calculo]]></category>
		<category><![CDATA[coledocolitiase]]></category>
		<category><![CDATA[CPRE]]></category>
		<category><![CDATA[papilotomia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A incidência de colelitíase sintomática entre os americanos adultos é em torno de 10%.&#8230;</p>
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<figure class="wp-block-image size-large is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2022/10/coledocolitiase-1024x567.png" alt="" class="wp-image-13798" width="627" height="346" srcset="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2022/10/coledocolitiase-1024x567.png 1024w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2022/10/coledocolitiase-300x166.png 300w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2022/10/coledocolitiase-768x425.png 768w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2022/10/coledocolitiase-180x100.png 180w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2022/10/coledocolitiase-585x324.png 585w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2022/10/coledocolitiase.png 1115w" sizes="(max-width: 627px) 100vw, 627px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph">A incidência de colelitíase sintomática entre os americanos adultos é em torno de 10%. No Brasil &nbsp;estudos retrospectivos mostram uma incidência de até 9,3%.&nbsp;&nbsp; Entre estes pacientes, 10-20% podem apresentar coledocolitíase concomitante.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A CPRE transformou o tratamento dos cálculos na via biliar principal de uma operação de grande porte em um procedimento minimamente invasivo.   Porém, apresenta uma incidência não desprezível de efeitos adversos (5-15%) como pancreatite, sangramento e perfuração.  Assim é importante selecionar de forma correta os pacientes que serão submetidos ao procedimento para evitar a realização de exames desnecessários.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A ESGE recomenda que os pacientes com colelitíase sintomática em programação de colecistectomia devem realizar a dosagem de enzimas hepáticas e ultrassom de abdome. Estes exames servem como triagem para avaliar o risco de coledocolitíase concomitante e determinar os pacientes que se beneficiariam &nbsp;de uma investigação adicional.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Agora, como devemos utilizar os resultados desta triagem?</p>



<h3 class="wp-block-heading">Preditores do Risco de Coledocolitíase</h3>



<p class="wp-block-paragraph">Em 2010 a ASGE publicou uma lista de preditores para avaliar o risco de coledocolitíase. Baseado nestes critérios os pacientes eram divididos em risco alto, intermediário e baixo risco.&nbsp; Para os de alto risco a recomendação era ir direto para a CPRE. Os de risco intermediário deveriam investigar melhor através da realização de colangiorressonância ou ecoendoscoscopia antes da decisão terapêutica.&nbsp; Os de baixo risco poderiam ir para colecistectomia direto.&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="618" height="565" src="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2022/10/Tabela-1-criterios-ASGE-2010-1.png" alt="" class="wp-image-13804" srcset="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2022/10/Tabela-1-criterios-ASGE-2010-1.png 618w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2022/10/Tabela-1-criterios-ASGE-2010-1-300x274.png 300w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2022/10/Tabela-1-criterios-ASGE-2010-1-585x535.png 585w" sizes="(max-width: 618px) 100vw, 618px" /><figcaption>Tabela 1. Preditores clínicos publicados em 2010 pela ASGE.&nbsp; Adaptado de Maple et al 2010.&nbsp; <strong>Atenção, estes critérios foram revisados.&nbsp;</strong></figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph">Porém, &nbsp;estudos posteriores utilizando estes critérios demonstraram que&nbsp; a acurácia variava de 70 a 80%, levando a até 30% de CPRE desnecessárias.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Devido a isso, tanto a associação Americana (ASGE) quanto a europeia (ESGE) revisaram estes preditores em seus guidelines mais recentes.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Os novos critérios estão resumidos na tabela abaixo:</strong></p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="545" height="329" src="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2022/10/Novos-criterios-coledocolitiase-asge-e-esge.jpg" alt="" class="wp-image-13800" srcset="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2022/10/Novos-criterios-coledocolitiase-asge-e-esge.jpg?v=1665436003 545w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2022/10/Novos-criterios-coledocolitiase-asge-e-esge-300x181.jpg?v=1665436003 300w" sizes="(max-width: 545px) 100vw, 545px" /><figcaption>Tabela 2 Preditores de coledocolitíase publicados pela ASGE e ESGE. Adaptado de Buxbaum et al 2019 e  Manes et al 2019.</figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph">Os pacientes com quadro de colangite ou cálculo visualizado no ultrassom de abdome ou em tomografia/RNM são considerados como de alto risco.&nbsp;&nbsp; A ASGE inclui um critério a mais, que é a presença de Bilirrubina total maior do que 4 mg/dl associada à dilatação da via biliar como critério de alto risco.&nbsp;&nbsp; Estes pacientes podem ser submetidos a CPRE direto, antes da colecistectomia e sem a necessidade de investigação adicional.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os pacientes com alteração de enzimas hepáticas (TGO, TGP, FA, GGT) ou com dilatação da via biliar no ultrassom (&gt;6 mm com vesícula in situ) são considerados de risco intermediário. Novamente a ASGE tem um critério a mais que é a idade maior do que 55 anos.&nbsp; O racional para este critério é que pacientes com mais de 55 anos tem uma maior incidência de coledocolitíase não associada à alteração de enzimas hepáticas.&nbsp;&nbsp; Os dois guidelines sugerem que os pacientes com critérios intermediários sejam submetidos à colangiorressonância ou ecoendoscopia para avaliar a presença de coledocolitíase antes da colecistectomia.&nbsp; Na impossibilidade de realizar estes exames, a colangiografia intraoperatória é indicada como alternativa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Já os pacientes que não apresentam nenhum destes critérios são considerados como de baixo risco e podem realizar a colecistectomia direto, com ou sem colangiografia intraoperatória.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nos critérios de 2010 a pancreatite aguda era um critério de risco intermediário.&nbsp; Porém, estudos confirmaram que a incidência de coledocolitíase residual após um episódio de pancreatite leve varia de apenas 10 a 30%.&nbsp; Devido a isso ela deixou de ser critério de risco.&nbsp; Os pacientes após a resolução da pancreatite aguda devem ser avaliados de acordo com os critérios acima. Se não apresentares critérios de alto ou médio risco podem ir para a colecistectomia direto.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>E qual dos critérios eu devo seguir? ASGE ou ESGE?</strong></h3>



<p class="wp-block-paragraph">Um estudo incluindo 1042 pacientes comparou os critérios da ASGE e da ESGE para a avaliação da presença de coledocolitíase.&nbsp; Os resultados mostraram que os dois critérios são válidos e muito bons, com especificidade de 96,87% para os da ASGE e 98,24% para os da ESGE.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Comparando os dois critérios, o da ESGE é ligeiramente mais específico, com os critérios da ASGE apresentando um número discretamente maior de pacientes falso positivos.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Conclusão</strong></h3>



<p class="wp-block-paragraph">Apesar da CPRE ser uma técnica minimamente invasiva, ela não é isenta de complicações!</p>



<p class="wp-block-paragraph">Devido a isso, a avaliação da probabilidade pré-teste em pacientes com suspeita de coledocolitíase é essencial para diferenciar os pacientes que irão se beneficiar de uma avaliação mais aprofundada dos que poderão ir direto para a CPRE.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Referências</h3>



<p class="wp-block-paragraph">Manes G, Paspatis G, Aabakken L et al. Endoscopic management of common bile duct stones: European Society of Gastrointestinal Endoscopy (ESGE) guideline. Endoscopy 2019; 51: 472–491</p>



<p class="wp-block-paragraph">Maple JT, Ben-Menachem T. ASGE Standards of Practice Committee. et al. The role of endoscopy in the evaluation of suspected choledocholithiasis. Gastrointest Endosc 2010; 71: 1–9</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
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		<title>Como você está fazendo a fotodocumentação do seu laudo endoscópico?  Será que pode melhorar?  Revisão e discussão da escassa literatura sobre o assunto.</title>
		<link>https://endoscopiaterapeutica.net/pt/artigoscomentados/como-voce-esta-fazendo-a-fotodocumentacao-do-seu-laudo-endoscopico-sera-que-pode-melhorar-revisao-e-discussao-da-escassa-literatura-sobre-o-assunto/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Ivan R B Orso]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 02 Aug 2022 06:05:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos Comentados]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A captura eletrônica de imagens facilitou bastante o registro dos exames endoscópicos sem aumentar&#8230;</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">A captura eletrônica de imagens facilitou bastante o registro dos exames endoscópicos sem aumentar o custo do procedimento.&nbsp; Registrar &nbsp;uma ou 100 fotos não influencia quase nada no custo do exame, mas pode influenciar bastante na qualidade do laudo e na decisão terapêutica do paciente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Apesar da endoscopia digestiva &nbsp;alta ser o procedimento mais realizado no trato gastrointestinal, o número de imagens e locais a serem registrados&nbsp; no esôfago, estômago e duodeno não são padronizados e variam bastante no mundo todo. Não existe nenhum guideline amplamente aceito e utilizado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Neste&nbsp; artigo vamos abordar as recomendações existentes até agora e tentar organizar um pouco as informações para você poder melhorar a sua prática.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Dicas para uma foto de qualidade</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Uma boa foto começa com um bom preparo.   Não adianta tirar várias imagens durante o exame se as fotos não forem nítidas e não permitirem uma boa avaliação da mucosa.   Imagens de qualidade devem ser livres de saliva, bolhas e resíduos.  </p>



<p class="wp-block-paragraph">Lembrar-se de sempre &nbsp;utilizar o botão <em>freeze </em>antes de capturar a imagem para confirmar se está nítida antes da captura definitiva!</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para preparar o estômago e se livrar do muco e das bolhas, os japoneses costumam utilizar &nbsp;&nbsp;Pronase, que é um potente mucolítico.&nbsp; Como não temos Pronase disponível em nosso mercado uma opção é a combinação de&nbsp; 100-200 mg de simeticona associada à 500-600 mg de N-acetilcisteína diluídos em 100 ml de água e administrados 20 minutos antes do exame.&nbsp; Esta medida&nbsp; melhora significativamente a visibilidade da mucosa do trato digestivo alto quando comparado com apenas água<sup>1</sup>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outra dica importante é a insuflação.&nbsp; As imagens devem ser capturadas com o órgão com distensão moderada, facilitando a visualização de lesões<sup>2</sup>.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>O que existe na literatura sobre a documentação fotográfica do exame normal?</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">A sociedade europeia (ESGE) publicou em 2001 &nbsp;um artigo sugerindo princípios gerais para o registro de imagens do exame normal.&nbsp;&nbsp; As imagens deveriam mostrar os principais pontos anatômicos, documentar a extensão do exame e indicar a qualidade do preparo e a visibilidade da mucosa<sup>2</sup>.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para isso recomendaram a captura de 8 imagens para registro do exame normal: esôfago superior, transição esofagogástrica, cárdia e fundo, corpo, incisura, antro, bulbo e segunda porção duodenal (figura 1).</p>



<figure class="wp-block-image size-large is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2022/08/OITO-FOTOS-RECOMENDADAS-PELA-ESGE-2001-1024x176.png" alt="" class="wp-image-12993" width="780" height="134" srcset="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2022/08/OITO-FOTOS-RECOMENDADAS-PELA-ESGE-2001-1024x176.png 1024w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2022/08/OITO-FOTOS-RECOMENDADAS-PELA-ESGE-2001-300x52.png 300w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2022/08/OITO-FOTOS-RECOMENDADAS-PELA-ESGE-2001-768x132.png 768w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2022/08/OITO-FOTOS-RECOMENDADAS-PELA-ESGE-2001-1170x201.png 1170w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2022/08/OITO-FOTOS-RECOMENDADAS-PELA-ESGE-2001-585x101.png 585w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2022/08/OITO-FOTOS-RECOMENDADAS-PELA-ESGE-2001.png 1228w" sizes="(max-width: 780px) 100vw, 780px" /><figcaption>Figura 1: Oito imagens sugeridas pela ESGE no artigo de 2001</figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Em 2016, uma nova publicação da ESGE recomendou aumentar &nbsp;o número de imagens a serem capturadas para registrar o exame normal de oito para pelo menos dez.&nbsp;&nbsp; As imagens recomendadas incluem um fato do duodeno, papila maior, antro, incisura, corpo, retrovisão do fundo, cárdia,&nbsp; transição esofagogástrica e esôfago distal e proximal.&nbsp; Também recomendam incluir imagens de todos os achados anormais mencionados no laudo<sup>3</sup>.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O professor &nbsp;Yao em 2013 publicou um método chamado de Systematic&nbsp; Screening of the Stomach (SSS)<sup>4</sup>. &nbsp;Este método recomenda a captura&nbsp; de 22 imagens e é utilizado &nbsp;para documentar &nbsp;exclusivamente o estômago, não incluindo o esôfago, transição esofagogástrica e duodeno. O mesmo artigo contém ainda recomendações para uso de cromoscopia e magnificação de imagem na avaliação gástrica.&nbsp; Apesar disso, alguns centros de referência no Japão recomendam um número ainda maior de imagens, no mínimo 40 para uma avaliação adequada do estômago<sup>1</sup>.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O SSS deve ser iniciado quando se chega ao antro gástrico.&nbsp;&nbsp; São capturadas imagens dos quatro quadrantes do antro, corpo médio e corpo alto.&nbsp; Depois em retrovisão se captura imagnes dos quatro quadrantes do fundo e cárdia, e 3 quadrantes&nbsp; do corpo médio e incisura (figura 2) <sup>4</sup>.&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="606" src="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2022/08/SSS-1024x606.png" alt="" class="wp-image-12994" srcset="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2022/08/SSS-1024x606.png 1024w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2022/08/SSS-300x178.png 300w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2022/08/SSS-768x455.png 768w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2022/08/SSS-585x346.png 585w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2022/08/SSS.png 1137w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption>Figura 2:&nbsp; Systematic&nbsp; Screening of the Stomach (SSS) proposto pelo professor Yao.</figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Recentemente, em 2020, a World Endoscopy Organization publicou na Digestive &nbsp;Endoscopy uma nova recomendação de avaliação sistematizada e &nbsp;documentação fotográfica incluindo 28 imagens para o exame normal (figura 3 e tabela 1).&nbsp;&nbsp; No caso de achados alterados esse número de imagens pode ser aumentado.&nbsp; Esta recomendação é bem mais ampla do que as anteriores e inclui todos os&nbsp; segmentos do trato digestivo alto além de incluir uma imagem da laringe<sup>1</sup>.</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="595" height="717" src="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2022/08/Tabela-1-Avaliacao-sistematizada-do-estomago-WEO.png" alt="" class="wp-image-12995" srcset="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2022/08/Tabela-1-Avaliacao-sistematizada-do-estomago-WEO.png 595w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2022/08/Tabela-1-Avaliacao-sistematizada-do-estomago-WEO-249x300.png 249w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2022/08/Tabela-1-Avaliacao-sistematizada-do-estomago-WEO-585x705.png 585w" sizes="(max-width: 595px) 100vw, 595px" /><figcaption>Tabela 1: Localização e codificação da avaliação e captura de imagens sistematizada recomendada pela WEO.&nbsp;</figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Apesar de não existirem dados conclusivos comprovando que a fotodocumentação de todas as áreas anatômicas irá melhorar o diagnóstico e resultado clínico dos pacientes,&nbsp; as vantagens de um registro completo não podem ser minimizadas.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O exame sistematizado pode reduzir o risco de não visualizar lesões, protege o endoscopista no ponto de vista legal, confirma o exame completo e muitas vezes reduz a necessidade de repetir o exame por dúvidas no laudo já que os achados descritos podem ser confirmados nas imagens.&nbsp; &nbsp;</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="512" src="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2022/08/28-fotos-recomendadas-pela-weo-1024x512.png" alt="" class="wp-image-12996" srcset="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2022/08/28-fotos-recomendadas-pela-weo-1024x512.png 1024w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2022/08/28-fotos-recomendadas-pela-weo-300x150.png 300w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2022/08/28-fotos-recomendadas-pela-weo-768x384.png 768w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2022/08/28-fotos-recomendadas-pela-weo-1536x768.png 1536w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2022/08/28-fotos-recomendadas-pela-weo-1170x585.png 1170w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2022/08/28-fotos-recomendadas-pela-weo-585x292.png 585w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2022/08/28-fotos-recomendadas-pela-weo.png 1639w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption>Figura 3: Vinte e oito imagens recomendadas pela WEO.</figcaption></figure>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Documentação de achados patológicos</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">O registro das alterações é muito importante para a decisão terapêutica. &nbsp;O objetivo da&nbsp; imagem é demonstrar &nbsp;&nbsp;lesões&nbsp; focais identificadas ou áreas representativas de patologias difusas para adequada localização, caracterização,&nbsp; comparação com exames prévios ou futuros e guiar a&nbsp; decisão terapêutica<sup>3,5</sup>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quando um procedimento terapêutico&nbsp; é realizado se deve registrar imagens de antes do procedimento, durante e também do resultado&nbsp; final (figura 4).</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="278" src="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2022/08/registrando-terapeutica-alca-fria-1024x278.jpg?v=1659393934" alt="" class="wp-image-12997" srcset="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2022/08/registrando-terapeutica-alca-fria-1024x278.jpg?v=1659393934 1024w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2022/08/registrando-terapeutica-alca-fria-300x81.jpg?v=1659393934 300w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2022/08/registrando-terapeutica-alca-fria-768x209.jpg?v=1659393934 768w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2022/08/registrando-terapeutica-alca-fria-1536x417.jpg?v=1659393934 1536w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2022/08/registrando-terapeutica-alca-fria-1170x318.jpg?v=1659393934 1170w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2022/08/registrando-terapeutica-alca-fria-585x159.jpg?v=1659393934 585w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2022/08/registrando-terapeutica-alca-fria.jpg?v=1659393934 1705w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption>Figura 4: Exemplo de registro de terapêutica. Polipectomia com alça fria. Da esquerda para a direita, imagem do pólipo pré ressecção, imagem registrando o posicionamento da alça e imagem registrando o leito de ressecção sem sangramento e sem lesões residuais.</figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Nas lesões focais é importante incluir na imagem a lesão e sua relação com áreas anatômicas próximas permitindo uma adequada orientação da sua localização.&nbsp; Uma imagem com uma pinça aberta próxima da lesão facilita a estimativa do tamanho.&nbsp; Quando necessário, imagens adicionais devem demonstrar a lesão toda e também áreas específicas que sejam relevantes&nbsp; como sua base, borda, pedículo, etc.&nbsp;&nbsp; Quando disponível e indicado imagens de cromoscopia e magnificação detalhando a regularidade da superfície e capilares podem adicionar informações relevantes<sup>3,5</sup>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nas patologias difusas imagens que demonstrem a extensão e severidade da patologia e também as áreas de transição devem ser capturadas<sup>3</sup>.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Como colocar isso na nossa prática?</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Um bom registro fotográfico é fundamental para fortalecer nosso laudo, registrar os achados descritos além de passar uma impressão de qualidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os sistemas de captura atuais permitem o armazenamento de um grande número de&nbsp; imagens sem aumento do custo.&nbsp; Esse registro facilita a revisão do laudo sempre que necessário.&nbsp;&nbsp; Uma rotina de captura de imagens também garante que iremos avaliar todos os segmentos de forma sistematizada, reduzindo o risco de esquecermos alguma área sem avaliação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;O que pode&nbsp; variar bastante&nbsp; é o número de imagens que iremos colocar no nosso laudo.&nbsp; A impressão de várias folhas de fotos&nbsp; pode sim impactar no custo do exame.&nbsp; Além disso, alguns sistemas de laudo permitem um número pré-definido de imagens para impressão.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A sugestão é que os sistemas sejam configurados para permitir a inclusão de um número maior de imagens.&nbsp;&nbsp; Esse é um futuro que não teremos como escapar. &nbsp;&nbsp;A alternativa&nbsp; para evitar a impressão de uma grande quantidade de material é a disponibilização dos laudos de forma digital ou online.&nbsp; Esta opção &nbsp;reduz os custos com impressão,&nbsp; o paciente tem acesso sempre que precisar&nbsp; além &nbsp;de ser ecológica.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O objetivo dessa revisão é estimular a discussão e demonstrar o que existe hoje publicado sobre a fotodocumentação do exame endoscópico. &nbsp;&nbsp;Reforçamos que não existe nenhum guideline amplamente utilizado e o número de imagens capturados e incluídos no laudo varia bastante entre os endoscopistas.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Como está a sua prática? Quantas fotos você costuma colocar no laudo?&nbsp; Compartilhe conosco a sua opinião e experiência!</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Referências</strong></h2>



<ol type="1" class="has-normal-font-size wp-block-list"><li>Emura, F., Sharma, P., Arantes, V., Cerisoli, C., Parra-Blanco, A., Sumiyama, K., Araya, R., Sobrino, S., Chiu, P., Matsuda, K., Gonzalez, R., Fujishiro, M. and Tajiri, H. (2020), Principles and practice to facilitate complete photodocumentation of the upper gastrointestinal tract: World Endoscopy Organization position statement. Digestive Endoscopy, 32: 168-179.&nbsp;<a href="https://doi.org/10.1111/den.13530">https://doi.org/10.1111/den.13530</a></li></ol>



<ul class="has-normal-font-size wp-block-list"><li>Rey JF, Lambert R. ESGE recommendations for quality control in gastrointestinal endoscopy: guidelines for image documentation in upper and lower GI endoscopy. <em>Endoscopy </em>2001; <strong>33</strong>: 901–3.</li></ul>



<ul class="has-normal-font-size wp-block-list"><li>Bisschops R, Areia M, Coron E et al. Performance measures for upper gastrointestinal endoscopy: a European Society of Gastrointestinal Endoscopy (ESGE) Quality Improvement Initiative. Endoscopy 2016; 48: 843–64.</li></ul>



<ul class="has-normal-font-size wp-block-list"><li>Yao K. The endoscopic diagnosis of early gastric cancer. Ann. Gastroenterol. 2013; 26: 11–22.</li></ul>



<ul class="has-normal-font-size wp-block-list"><li>Aabakken, L., Barkun, A.N., Cotton, P.B., Fedorov, E., Fujino, M.A., Ivanova, E., Kudo, S.-e., Kuznetzov, K., de Lange, T., Matsuda, K., Moine, O., Rembacken, B., Rey, J.-F., Romagnuolo, J., Rösch, T., Sawhney, M., Yao, K. and Waye, J.D. (2014), Standardized endoscopic reporting. J Gastroenterol Hepatol, 29: 234-240.&nbsp;<a href="https://doi.org/10.1111/jgh.12489">https://doi.org/10.1111/jgh.12489</a></li></ul>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
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