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	<title>Endoscopia Terapeutica</title>
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	<description>O Jornal Endoscopia Terapêutica tem como objetivo compartilhar experiências da prática diária, além de prover atualizações e discussões sobre endoscopia digestiva.</description>
	<lastBuildDate>Wed, 10 Jun 2026 01:14:44 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Endoscopia Terapeutica</title>
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	<item>
		<title>Nem toda erosão em íleo terminal é ileíte: quando pensar em linfoma</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Joel Fernandez de Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 09 Jun 2026 07:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Assuntos Gerais]]></category>
		<category><![CDATA[colonoscopia]]></category>
		<category><![CDATA[intestino delgado]]></category>
		<category><![CDATA[linfoma]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O íleo terminal é uma região em que o endoscopista costuma pensar primeiro em&#8230;</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>O íleo terminal é uma região em que o endoscopista costuma pensar primeiro em doença inflamatória intestinal, infecção, enteropatia por anti-inflamatórios ou ileíte inespecífica. Isso faz sentido. No entanto, o problema é que, ocasionalmente, o linfoma intestinal aparece incluído nesse cenário e pode ter apresentação surpreendentemente discreta. O trato gastrointestinal é o sítio extranodal mais frequente dos linfomas, embora o linfoma gastrointestinal represente apenas pequena fração das neoplasias digestivas. Ainda assim, o intestino delgado e a região íleo-cecal têm importância prática porque concentram tecido linfoide associado à mucosa e podem abrigar formas B e T com apresentação endoscópica muito variável.<sup>1,2,3</sup></p>



<p>Do ponto de vista fisiopatológico, a doença é heterogênea. Predominam os linfomas B, especialmente o linfoma difuso de grandes células B (DLBCLd) e o linfoma MALT. Já os linfomas T intestinais são menos comuns, porém costumam ser mais agressivos. O MALT se relaciona, em alguns contextos, a estímulo antigênico crônico; no estômago, a associação com <em>H. pylori</em> é clássica, ao passo que no intestino delgado a biologia não é bem definida.<sup>1,2,3,7,8</sup></p>



<p></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-tipos-de-linfomas-intestinais-2"><strong>Tipos de Linfomas Intestinais<sup>2</sup><br></strong></h2>



<h3 class="wp-block-heading" id="h-a-linfoma-difuso-de-grandes-celulas-b-dlbcl">a) Linfoma difuso de grandes células B (DLBCL)</h3>



<ul class="wp-block-list">
<li>Tipo mais comum de linfoma do intestino delgado.</li>



<li>Mais frequente no íleo terminal.</li>



<li>Predomina em homens ao redor dos 50 anos.</li>
</ul>



<h3 class="wp-block-heading" id="h-b-linfoma-malt-intestinal-zona-marginal">b) Linfoma MALT intestinal (zona marginal)</h3>



<ul class="wp-block-list">
<li>Linfoma de células B associado ao tecido linfoide da mucosa.</li>



<li>Frequentemente causa má absorção e desnutrição.</li>



<li>Representa cerca de 5% dos casos.</li>



<li>Prognóstico pior que o MALT gástrico.</li>
</ul>



<h3 class="wp-block-heading" id="h-c-linfoma-folicular"><br>c) Linfoma folicular</h3>



<ul class="wp-block-list">
<li>Geralmente localizado no duodeno (segunda porção).</li>



<li>Curso clínico indolente.</li>



<li>Frequentemente restrito ao trato gastrointestinal.</li>



<li>Alta taxa de remissão após tratamento.</li>
</ul>



<h3 class="wp-block-heading" id="h-d-linfoma-de-celulas-do-manto"><br>d) Linfoma de células do manto</h3>



<ul class="wp-block-list">
<li>Tipo raro de linfoma gastrointestinal.</li>



<li>Sobrevida média de 3–5 anos.</li>



<li>Pode acometer extensamente o tubo digestivo.</li>
</ul>



<h3 class="wp-block-heading" id="h-e-linfoma-t-associado-a-enteropatia-eatl"><br>e) Linfoma T associado à enteropatia (EATL)</h3>



<ul class="wp-block-list">
<li>Fortemente associado à doença celíaca refratária.</li>



<li>Mais comum no jejuno.</li>



<li>Muito agressivo.</li>



<li>Prognóstico ruim, com baixa sobrevida.</li>
</ul>



<h3 class="wp-block-heading" id="h-f-linfoma-intestinal-epiteliotropico-monomorfico-meitl"><br>f) Linfoma intestinal epiteliotrópico monomórfico (MEITL)</h3>



<ul class="wp-block-list">
<li>Não associado à doença celíaca.</li>



<li>Mais comum em homens e na população asiática.</li>



<li>Atinge principalmente o jejuno.</li>



<li>Extremamente agressivo, com alta mortalidade.</li>
</ul>



<h3 class="wp-block-heading" id="h-g-doenca-linfoproliferativa-indolente-de-celulas-t-do-trato-gastrointestinal"><br>g) Doença linfoproliferativa indolente de células T do trato gastrointestinal</h3>



<ul class="wp-block-list">
<li>Variante rara e de crescimento lento.</li>



<li>Acomete principalmente intestino delgado e cólon.</li>



<li>Mucosa nodular, hiperemiada e lesões polipoides.</li>



<li>Baixa morbidade.</li>
</ul>



<h3 class="wp-block-heading" id="h-h-linfoma-intestinal-de-celulas-t-nao-especificado-nos"><br>h) Linfoma intestinal de células T não especificado (NOS)</h3>



<ul class="wp-block-list">
<li>Diagnóstico utilizado quando não se encaixa nos demais subtipos.</li>



<li>Mais comum na Ásia.</li>



<li>Comportamento agressivo.</li>



<li>Disseminação extraintestinal frequente.</li>
</ul>



<p><br>Apesar do tema complexo, a mensagem é simples: nem todo íleo terminal com erosões superficiais é banal. Em alguns casos, esse pode ser o primeiro achado endoscópico de um linfoma. Esse ponto é particularmente importante porque a apresentação endoscópica do linfoma intestinal é muito mais diversa do que a maioria de nós tende a lembrar no dia a dia.<sup>4,5,6,8</sup></p>



<figure class="wp-block-image size-full"><a href="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/assuntosgerais/linfoma-intestinal-erosoes-ileo-terminal/attachment/imagem-1-linfoma-de-zona-marginal/"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="1448" height="1086" src="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/06/Imagem-1-linfoma-de-zona-marginal.png" alt="Linfoma intestinal- MALT em íleo terminal" class="wp-image-21477" srcset="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/06/Imagem-1-linfoma-de-zona-marginal.png 1448w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/06/Imagem-1-linfoma-de-zona-marginal-300x225.png 300w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/06/Imagem-1-linfoma-de-zona-marginal-1024x768.png 1024w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/06/Imagem-1-linfoma-de-zona-marginal-768x576.png 768w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/06/Imagem-1-linfoma-de-zona-marginal-1170x878.png 1170w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/06/Imagem-1-linfoma-de-zona-marginal-585x439.png 585w" sizes="(max-width: 1448px) 100vw, 1448px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><br>Imagem 1: linfoma de zona marginal (MALT) em íleo terminal. A: imagem a luz branca. B: imagem a cromoscopia óptica.</figcaption></figure>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/?attachment_id=21439"><img decoding="async" width="1024" height="455" src="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/06/imunohistoquimica-e-resultado-anatomopatolOgico-1024x455.jpg" alt="Linfoma de íleo terminal comprovado pela imunohistoquímica e anatomopatológico" class="wp-image-21439" srcset="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/06/imunohistoquimica-e-resultado-anatomopatolOgico-1024x455.jpg?v=1780714459 1024w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/06/imunohistoquimica-e-resultado-anatomopatolOgico-300x133.jpg?v=1780714459 300w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/06/imunohistoquimica-e-resultado-anatomopatolOgico-768x341.jpg?v=1780714459 768w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/06/imunohistoquimica-e-resultado-anatomopatolOgico-585x260.jpg?v=1780714459 585w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/06/imunohistoquimica-e-resultado-anatomopatolOgico.jpg?v=1780714459 1142w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><br>Imagem 2: imunohistoquímica e resultado anatomopatológico do caso acima.</figcaption></figure>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/assuntosgerais/linfoma-intestinal-erosoes-ileo-terminal/attachment/imagem-3-linfoma-folicular-em-duodeno/"><img decoding="async" width="1024" height="576" src="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/06/Imagem-3-Linfoma-folicular-em-duodeno-1024x576.png" alt="" class="wp-image-21479" srcset="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/06/Imagem-3-Linfoma-folicular-em-duodeno-1024x576.png 1024w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/06/Imagem-3-Linfoma-folicular-em-duodeno-300x169.png 300w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/06/Imagem-3-Linfoma-folicular-em-duodeno-768x432.png 768w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/06/Imagem-3-Linfoma-folicular-em-duodeno-1170x659.png 1170w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/06/Imagem-3-Linfoma-folicular-em-duodeno-585x329.png 585w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/06/Imagem-3-Linfoma-folicular-em-duodeno.png 1352w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a><figcaption class="wp-element-caption">Imagem 3. Linfoma folicular em duodeno. A: Imagem a luz branca. B: imagem a cromoscopia óptica. C: imagem após imunoterapia com diminuição de nodularidade porém sem remissão importante da doença. Cortesia da Dra Crislei Casamali.</figcaption></figure>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/assuntosgerais/linfoma-intestinal-erosoes-ileo-terminal/attachment/imagem-4-linfoma-de-celulas-de-manto-em-ceco/"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="682" src="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/06/Imagem-4-linfoma-de-celulas-de-manto-em-ceco-1024x682.png" alt="" class="wp-image-21480" srcset="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/06/Imagem-4-linfoma-de-celulas-de-manto-em-ceco-1024x682.png 1024w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/06/Imagem-4-linfoma-de-celulas-de-manto-em-ceco-300x200.png 300w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/06/Imagem-4-linfoma-de-celulas-de-manto-em-ceco-768x512.png 768w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/06/Imagem-4-linfoma-de-celulas-de-manto-em-ceco-1170x780.png 1170w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/06/Imagem-4-linfoma-de-celulas-de-manto-em-ceco-585x390.png 585w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/06/Imagem-4-linfoma-de-celulas-de-manto-em-ceco-263x175.png 263w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/06/Imagem-4-linfoma-de-celulas-de-manto-em-ceco.png 1352w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a><figcaption class="wp-element-caption">Imagem 4. linfoma de células de manto em ceco. A: imagem a luz branca. B: imagem a cromoscopia óptica. Cortesia de Dr Júlio César Caliman Berger.</figcaption></figure>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/assuntosgerais/linfoma-intestinal-erosoes-ileo-terminal/attachment/imagem-5-linfoma-difuso-de-grandes-celulas/"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="512" src="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/06/Imagem-5-Linfoma-difuso-de-grandes-celulas-1024x512.png" alt="" class="wp-image-21481" srcset="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/06/Imagem-5-Linfoma-difuso-de-grandes-celulas-1024x512.png 1024w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/06/Imagem-5-Linfoma-difuso-de-grandes-celulas-300x150.png 300w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/06/Imagem-5-Linfoma-difuso-de-grandes-celulas-768x384.png 768w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/06/Imagem-5-Linfoma-difuso-de-grandes-celulas-1170x585.png 1170w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/06/Imagem-5-Linfoma-difuso-de-grandes-celulas-585x293.png 585w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/06/Imagem-5-Linfoma-difuso-de-grandes-celulas.png 1350w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a><figcaption class="wp-element-caption">Imagem 5. Linfoma difuso de grandes células B em ceco. A: lesão inicial com biópsia inconclusiva. B lesão em exame após dois anos. C: aspecto após tratamento. Cortesia de Dr Júlio César Caliman Berger.</figcaption></figure>



<p><br></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-que-o-endoscopista-deve-procurar"><strong>O que o endoscopista deve procurar</strong></h2>



<p>A primeira regra é não procurar apenas massa. O linfoma pode aparecer como lesão superficial, ulcerada, vegetante, infiltrativa, polipoide ou como combinação desses padrões. Em estudos multicêntricos e em séries focadas no intestino delgado, os padrões superficial e ulcerado foram muito frequentes no conjunto dos linfomas gastrointestinais, enquanto lesões vegetantes ou protrusas com ulceração chamaram mais atenção para histologias agressivas. No intestino delgado, o DLBCL se associou mais a acometimento ileal, espessamento de parede e úlceras profundas.<sup>5,6</sup></p>



<p>Na prática, vale descrever melhor.<strong> Assim, em vez de concluir apenas “ileíte erosiva”, é mais útil descrever a profundidade das úlceras, regularidade das bordas, presença de friabilidade, nodularidade esbranquiçada, espessamento de pregas e eventual estreitamento luminal.</strong> A correlação com a clínica também muda o peso do achado: anemia, emagrecimento, febre, sintomas B, alteração radiológica do íleo terminal, elevação de LDH ou evolução rápida devem aumentar o grau de suspeita.<sup>1,4,5,6</sup></p>



<p>Outro cuidado é lembrar que o linfoma gastrointestinal pode se assemelhar a diversas condições como Crohn, tuberculose intestinal, enteropatia por anti-inflamatórios, infecções e até adenocarcinoma. Portanto, quando a lesão parece desproporcional à hipótese clínica habitual, quando a biópsia inicial aponta apenas inflamação inespecífica apesar de um aspecto atípico, ou quando a tomografia mostra espessamento parietal importante, vale reabrir a hipótese de linfoma.<sup>4</sup></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-padroes-endoscopicos-por-subtipo"><br><strong>Padrões endoscópicos por subtipo</strong></h2>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong>DLBCL:</strong> pensar diante de úlcera profunda ou irregular, lesão ulcerada, vegetante ou ulceroinfiltrativa. Espessamento parietal e dilatação focal na tomografia reforçam a suspeita.<sup>5,6</sup></li>



<li><strong>MALT:</strong> apresentação muito variável. Pode ser superficial, erosiva, ulcerada ou discretamente polipoide. O ponto mais importante para o endoscopista é que o MALT de íleo terminal pode ter aparência pouco capciosa, com lesões superficiais lembrando inflamação benigna.<sup>8</sup></li>



<li><strong>Linfoma folicular:</strong> costuma mostrar nodularidade esbranquiçada e lesões polipoides ou nodulares brancas. É um padrão visual bastante útil quando as lesões são múltiplas.<sup>7</sup></li>



<li><strong>Linfoma de manto:</strong> o padrão clássico é a múltipla polipose linfomatosa. Assim, quando esse aspecto aparece, essa hipótese deve ser aventada de forma precoce.<sup>7</sup></li>



<li><strong>T-cell, EATL e MEITL:</strong> o alerta deve ser alto diante de padrão ulcerativo ou ulceroinfiltrativo, mucosa edemaciada, granular, com aspecto em mosaico, ulcerações circunferenciais, bem como estenoses ou mesmo perfuração.<sup>2,4,7</sup></li>
</ul>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-como-biopsiar-para-nao-perder-o-diagnostico"><br><strong>Como biopsiar para não perder o diagnóstico</strong></h2>



<p>Aqui mora a parte mais prática. Em série recente de linfoma primário do intestino delgado avaliado por enteroscopia por duplo balão, parte importante dos casos não teve diagnóstico específico na biópsia endoscópica inicial e só foi confirmada depois, muitas vezes com material cirúrgico. Isso é coerente com o mundo real: amostra superficial demais, coleta fora da área representativa, lesão predominantemente submucosa e mucosa de superfície relativamente preservada pode gerar falso negativo.<sup>6</sup></p>



<p>Por isso, quando a suspeita existe, a orientação deve ser objetiva: colher <strong>múltiplos fragmentos</strong>, em <strong>diferentes pontos</strong> e com <strong>profundidade adequada</strong> sempre que houver segurança técnica. Não existe um número mínimo de fragmentos universalmente aceito; no entanto, o que se repete nas séries disponíveis é a necessidade de amostragem generosa, priorizando áreas mais alteradas e, quando possível, incluindo bordas e centro de ulcerações.<sup>4,6</sup></p>



<p>A comunicação com a patologia também faz diferença. Em vez de um pedido genérico, vale escrever algo como: <strong>“suspeita de doença linfoproliferativa/linfoma intestinal; correlacionar com imuno-histoquímica”</strong>. O painel final depende da morfologia, mas, em muitos cenários, entram marcadores como CD20, CD3, CD5, CD10, CD23, BCL2, BCL6, cyclin D1 e Ki-67, com ampliação conforme a hipótese de subtipo. Uma biópsia negativa não encerra o caso se o contexto clínico, endoscópico ou radiológico continua suspeito.<sup>1,4,6 e 7</sup></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-tratamento"><br><strong>Tratamento</strong></h2>



<p>O papel da endoscopia no linfoma de íleo terminal é principalmente diagnóstico, de mapeamento e, em situações selecionadas, de suporte. Não há papel estabelecido para tratamento endoscópico curativo de rotina no linfoma ileal. As situações em que a endoscopia terapêutica pode aparecer incluem dilatação por balão em estenoses selecionadas e controle temporário de sangramento tumoral. Fora do cenário típico do íleo terminal, existem relatos isolados de ressecção endoscópica em MALT extranodal muito localizado, mas essa experiência não deve ser automaticamente extrapolada para o íleo.<sup>2,7</sup></p>



<p>Do ponto de vista sistêmico, o que mais importa para a definição terapêutica é o subtipo histológico e o estadiamento da doença. Em casos mais indolentes como o MALT e o folicular, muitas vezes é optada a estratégia de “watch and wait”, visto que muitos apresentam remissão espontânea ou doença estável. Outra opção utilizada nos linfomas foliculares localizados é o tratamento com rituximab em monoterapia.<sup>2</sup></p>



<p>Nos linfomas B agressivos CD20+, o regime clássico é o R-CHOP (rituximabe, ciclofosfamida, doxorrubicina, vincristina e prednisona). Tomografia e PET-CT costumam fazer parte do estadiamento e da avaliação de resposta. A cirurgia entra principalmente diante de perfuração, obstrução, intussuscepção, sangramento importante ou dúvida diagnóstica persistente. A radioterapia pode ser empregada em casos selecionados de doença localizada, porém seu papel é limitado nos linfomas intestinais devido a mobilidade do intestino. Nos linfomas T intestinais, a doença tende a ser mais agressiva e exige integração precoce com a hematologia.<sup>1,2,9</sup></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-pontos-chave"><br><strong>Pontos-chave</strong></h2>



<ul class="wp-block-list">
<li>Linfoma de íleo terminal pode se apresentar com erosões ou ulcerações discretas; portanto, lesão sutil não exclui neoplasia linfoproliferativa.<sup>4,8</sup></li>



<li>DLBCL pede atenção para úlcera profunda, lesão ulcerada extensa, espessamento parietal e dilatação aneurismática.<sup>5,6</sup></li>



<li>Folicular e manto frequentemente entregam melhores pistas visuais: nodularidade branca/polipoide e múltipla polipose linfomatosa.<sup>7</sup></li>



<li>Em suspeita real, colher múltiplas biópsias profundas e informar explicitamente a hipótese de linfoma à patologia.<sup>4,6</sup></li>



<li>O tratamento principal é definido pela histologia e pela hematologia; a endoscopia tem importância no diagnóstico correto.<sup>1,2,9</sup></li>
</ul>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-referencias"><br><strong>Referências</strong></h2>



<ol class="wp-block-list">
<li>PANNEERSELVAM, K.; GOYAL, S.; THOMAS, A. S. <em>Ileo-colonic lymphoma: presentation, diagnosis, and management</em>. Current Opinion in Gastroenterology, 2021.</li>



<li>OKA, P.; SIDHU, R. <em>Small bowel lymphoma: clinical update and challenges for the gastroenterologist</em>. Current Opinion in Gastroenterology, 2022.</li>



<li>GHIMIRE, P.; WU, G. Y.; ZHU, L. <em>Primary gastrointestinal lymphoma</em>. World Journal of Gastroenterology, 2011.</li>



<li>SHIRWAIKAR THOMAS, A.; SCHWARTZ, M.; QUIGLEY, E. M. M. <em>Gastrointestinal lymphoma: the new mimic</em>. BMJ Open Gastroenterology, 2019.</li>



<li>TRAN, Q. T. et al. <em>Endoscopic and histopathological characteristics of gastrointestinal lymphoma: a multicentric study</em>. Diagnostics, 2023.</li>



<li>LI, L. et al. <em>Characterization of primary small intestinal lymphoma: a retrospective study based on double-balloon endoscopy</em>. BMC Gastroenterology, 2024.</li>



<li>VETRO, C. et al. <em>Rare gastrointestinal lymphomas: the endoscopic investigation</em>. World Journal of Gastrointestinal Endoscopy, 2015.</li>



<li>HUANG, Y. et al. <em>Mucosal healing of ileum-mucosa-associated lymphoid tissue lymphoma after Helicobacter pylori eradication: a case report and literature review</em>. Frontiers in Oncology, 2025.</li>



<li>NATIONAL CANCER INSTITUTE. <em>Aggressive B-cell lymphoma treatment (PDQ®) – health professional version</em>. 2026.</li>
</ol>



<p></p>



<p class="has-pale-ocean-gradient-background has-background"><strong>Quer saber mais sobre o tema?</strong><br><a href="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/quiz/quiz-11/">Quiz!</a><br><a href="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/assuntosgerais/manejo-do-linfoma-malt/">Manejo do linfoma MALT</a><br><a href="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/pilula/como-e-feito-o-diagnostico-do-linfoma-gastrico/">Como é feito o diagnóstico do linfoma gástrico?</a><br><a href="https://journals.lww.com/co-gastroenterology/abstract/2022/05000/small_bowel_lymphoma__clinical_update_and.13.aspx">Linfoma de intestino delgado: atualização clínica e desafios para o gastroenterologista</a></p>



<p></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-como-citar-este-artigo"><strong>Como citar este artigo</strong></h2>



<p class="has-very-light-gray-to-cyan-bluish-gray-gradient-background has-background">Oliveira JF. Nem toda erosão em íleo terminal é ileíte: quando pensar em linfoma Endoscopia Terapeutica 2026 Vol I. Disponível em: <a href="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/?p=21436" target="_blank" rel="noreferrer noopener">https://endoscopiaterapeutica.net/pt/assuntosgerais/nem-toda-erosao-em-ileo-terminal-e-ileite-quando-pensar-em-linfoma/</a></p>



<p></p>
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		<title>Quiz</title>
		<link>https://endoscopiaterapeutica.net/pt/quiz/extravasamento-biliar-pos-colecistectomia-cpre/</link>
					<comments>https://endoscopiaterapeutica.net/pt/quiz/extravasamento-biliar-pos-colecistectomia-cpre/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Mateus Pereira Funari]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 02 Jun 2026 07:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Quiz]]></category>
		<category><![CDATA[CPRE]]></category>
		<category><![CDATA[Fístula biliar]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Mulher de 56 anos submetida a colecistectomia laparoscópica em serviço externo, apresentando dor abdominal&#8230;</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Mulher de 56 anos submetida a colecistectomia laparoscópica em serviço externo, apresentando dor abdominal intensa no 5<sup>o</sup> dia pós-operatório.</p>



<p>Solicitada ecoendoscopia para avaliar coledocolitíase, que identificou líquido livre abdominal, com via biliar de calibre normal e sem cálculos.</p>



<p>Indicada abordagem cirúrgica em conjunto com CPRE.</p>



<p>Na laparoscopia, evidenciou-se coleperitônio, com extravasamento de bile oriundo de ponto no leito vesicular. Após rafia cirúrgica da área descrita, não foi mais evidenciado extravasamento de bile durante a cirurgia.</p>



<p>Realizada CPRE intra-operatória com o achado das imagens abaixo.</p>



<figure class="wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex">
<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/?attachment_id=21349"><img loading="lazy" decoding="async" width="1001" height="1024" data-id="21349" src="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/05/quiz-cpre-1.jpg" alt="Extravasamento biliar pós-colecistectomia. " class="wp-image-21349" srcset="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/05/quiz-cpre-1.jpg?v=1778510012 1001w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/05/quiz-cpre-1-293x300.jpg?v=1778510012 293w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/05/quiz-cpre-1-768x786.jpg?v=1778510012 768w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/05/quiz-cpre-1-585x598.jpg?v=1778510012 585w" sizes="(max-width: 1001px) 100vw, 1001px" /></a></figure>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/?attachment_id=21348"><img loading="lazy" decoding="async" width="999" height="1024" data-id="21348" src="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/05/quiz-cpre-2.jpg" alt="" class="wp-image-21348" srcset="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/05/quiz-cpre-2.jpg?v=1778510009 999w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/05/quiz-cpre-2-293x300.jpg?v=1778510009 293w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/05/quiz-cpre-2-768x787.jpg?v=1778510009 768w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/05/quiz-cpre-2-585x600.jpg?v=1778510009 585w" sizes="(max-width: 999px) 100vw, 999px" /></a></figure>
</figure>







<p class="has-pale-ocean-gradient-background has-background">Quer aprofundar sua prática no manejo endoscópico das complicações biliares pós-colecistectomia? Confira o caso clínico &#8220;<a href="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/casosclinicos/tratamento-minimamente-invasivo-de-lesao-iatrogenica-da-via-biliar-pos-colecistectomia/">Tratamento minimamente invasivo de lesão iatrogênica da via biliar pós-colecistectomia</a>&#8221; e a discussão sobre a estratégia endoscópica ideal, respaldada por esta <a href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/30759468/">revisão sistemática e metanálise (Vlaemynck et al., 2019)</a>.</p>



<p></p>
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		<title>Ablação por Radiofrequência Guiada por EUS em Lesões Pancreáticas: Indicações e Evidências na Prática Clínica</title>
		<link>https://endoscopiaterapeutica.net/pt/assuntosgerais/eus-rfa-lesoes-pancreaticas/</link>
					<comments>https://endoscopiaterapeutica.net/pt/assuntosgerais/eus-rfa-lesoes-pancreaticas/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Paula Fortuci Resende Botelho]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 19 May 2026 07:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Assuntos Gerais]]></category>
		<category><![CDATA[câncer pâncreas]]></category>
		<category><![CDATA[cisto pancreático]]></category>
		<category><![CDATA[ecoendoscopia]]></category>
		<category><![CDATA[eus]]></category>
		<category><![CDATA[EUS-RFA]]></category>
		<category><![CDATA[insulinoma]]></category>
		<category><![CDATA[lesão de pâncreas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A ablação por radiofrequência guiada por ultrassonografia endoscópica (EUS-RFA) tem se consolidado como uma&#8230;</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>A ablação por radiofrequência guiada por ultrassonografia endoscópica (EUS-RFA) tem se consolidado como uma alternativa minimamente invasiva no manejo de lesões pancreáticas selecionadas. A técnica combina a alta precisão da ecoendoscopia com o efeito térmico da radiofrequência, permitindo necrose tecidual controlada com preservação do parênquima adjacente.</p>



<div style="height:31px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-que-e-a-eus-rfa"><strong>O que é a EUS-RFA?</strong></h2>



<p>A EUS-RFA consiste na introdução de uma sonda de radiofrequência acoplada a uma agulha guiada por ultrassom endoscópico, possibilitando a aplicação direta de energia térmica na lesão-alvo. </p>



<p><strong>Principais características:</strong></p>



<p>•Abordagem minimamente invasiva<br>•Alta precisão locorregional<br>•Potencial preservação da função pancreática</p>



<div style="height:31px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-mecanismo-de-acao-da-radioablacao"><strong>Mecanismo de ação da radioablação</strong></h2>



<p>O efeito terapêutico da EUS-RFA baseia-se em: </p>



<p>•Geração de calor por corrente de radiofrequência<br>•Aumento da temperatura tecidual<br>•Coagulação proteica e necrose celular<br>•Indução de resposta inflamatória local<br>•Possível efeito imunomodulador sistêmico</p>



<p>Estudos sugerem que a ablação pode modular a resposta imune tumoral, aspecto de interesse crescente em oncologia pancreática.</p>



<div style="height:31px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-indicacoes-clinicas-da-eus-rfa"><strong>Indicações Clínicas da EUS-RFA</strong></h2>



<p>A aplicação clínica da EUS-RFA concentra-se em três cenários principais:</p>



<h3 class="wp-block-heading" id="h-tumores-neuroendocrinos-pancreaticos-pannets"><strong>Tumores Neuroendócrinos Pancreáticos (PanNETs)</strong></h3>



<p>A principal indicação atual envolve PanNETs bem diferenciados: </p>



<p><strong>Critérios mais aceitos:</strong> </p>



<p>•Lesões ≤ 2 cm<br>•Grau 1 (Classificação histopatológica da <em>World Health Organization</em>&#8211; <em>WHO</em>)<br>•Pacientes com alto risco cirúrgico ou que desejam evitar ressecção<br>•Tumores funcionantes, especialmente insulinomas</p>



<p>A EUS-RFA tem se mostrado particularmente eficaz em insulinomas, com potencial de se tornar alternativa padrão à cirurgia em casos selecionados.</p>



<p><b><strong>Evidências clínicas </strong></b><em style="">(Barthet et al., 2019</em> e 2021):</p>



<p>•Taxa de resposta completa: 85–100%<br>•Baixa recorrência<br>•Perfil de segurança favorável</p>



<div style="height:31px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<h3 class="wp-block-heading" id="h-lesoes-cisticas-pancreaticas-pcls"><strong>Lesões Císticas Pancreáticas (PCLs)</strong></h3>



<p>A EUS-RFA surge como alternativa minimante invasiva em casos selecionados, especialmente em pacientes com contraindicação cirúrgica, alto risco operatório ou recusa de tratamento cirúrgico.<br>Atualmente sua aplicação permanece em evolução e preferencialmente discutida em contexto multidisciplinar.</p>



<p><strong>Possíveis cenários descritos na literatura:</strong></p>



<p>•IPMN de ramos secundários com critérios preocupantes (<em>Worrisome features</em>)<br>•Lesões císticas ≥ 3 cm<br>•Parede espessada ou nódulo mural<br>•Pacientes inoperáveis ou com alto risco cirúrgico</p>



<p><strong>Resultados clínicos </strong>(<em>Barthet et al., 2019</em>):</p>



<p>•Resolução completa em até 65% em 12 meses<br>•Redução &gt;50% do volume cístico em 71% dos casos<br>•Complicações maiores &lt;10%</p>



<div style="height:31px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<h3 class="wp-block-heading" id="h-adenocarcinoma-ductal-pancreatico-pdca"><strong>Adenocarcinoma Ductal Pancreático (PDCA)</strong></h3>



<p>Embora ainda em caráter investigacional, a EUS-RFA vem sendo estuda como estratégia complementar no manejo do adenocarcinoma ductal pancreático.</p>



<p><strong>Possíveis cenários de aplicações:</strong></p>



<p>•Doença localmente avançada irressecável<br>•Pacientes não candidatos à cirurgia<br>•Terapia combinada com quimioterapia e/ou radioterapia<br>•Controle paliativo de sintomas<br>•Redução tumoral com potencial conversão para ressecabilidade em casos selecionados</p>



<p>Os dados disponíveis sugerem segurança aceitável, com eventos adversos predominantemente leves, entretanto ainda não está estabelecido como terapia padrão, sendo necessário mais estudos prospectivos e ensaios clínicos randomizados para melhor definição de impacto em sobrevida, controle local e qualidade de vida.</p>



<div style="height:31px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-seguranca-e-complicacoes"><strong>Segurança e Complicações</strong></h2>



<p>A EUS-RFA apresenta perfil de segurança favorável quando realizada por equipes experientes.</p>



<p><strong>Complicações mais frequentes:</strong></p>



<p>•Dor abdominal transitória<br>•Pancreatite leve<br>•Estenose ductal (rara)</p>



<h3 class="wp-block-heading" id="h-estrategias-para-reducao-de-complicacoes-barthet-et-al-2019"><strong>Estratégias para redução de complicações <em>(Barthet et al., 2019</em></strong><em><strong>)</strong></em></h3>



<p>•Controle rigoroso da temperatura do eletrodo<br>•Uso de sistemas de resfriamento interno<br>•Anti-inflamatórios por via retal<br>•Antibióticos profiláticos em lesões císticas <br>•Distância segura do ducto pancreático principal (idealmente > 2mm) <br></p>



<div style="height:31px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><a href="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/?attachment_id=21381"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="682" src="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/05/mecanismo-de-acao-da-eus-1024x682.jpeg" alt="Representação esquemática do mecanismo de ação da EUS-RFA pancreática" class="wp-image-21381" srcset="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/05/mecanismo-de-acao-da-eus-1024x682.jpeg?v=1778799761 1024w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/05/mecanismo-de-acao-da-eus-300x200.jpeg?v=1778799761 300w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/05/mecanismo-de-acao-da-eus-768x512.jpeg?v=1778799761 768w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/05/mecanismo-de-acao-da-eus-1170x780.jpeg?v=1778799761 1170w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/05/mecanismo-de-acao-da-eus-585x390.jpeg?v=1778799761 585w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/05/mecanismo-de-acao-da-eus-263x175.jpeg?v=1778799761 263w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/05/mecanismo-de-acao-da-eus.jpeg?v=1778799761 1280w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a></figure>
</div>


<div style="height:31px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-perspectivas-futuras"><strong>Perspectivas Futuras</strong></h2>



<p>EUS-RFA está em rápida evolução e tende a ampliar seu papel no manejo minimamente invasivo das lesões pancreáticas selecionadas, especialmente em PanNETs pequenos, lesões císticas mucinosas e, potencialmente, no adenocarcinoma pancreático localmente avançado em estratégias multimodais.</p>



<div style="height:31px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-conclusao"><strong>Conclusão</strong></h2>



<p>A EUS-RFA representa uma estratégia terapêutica minimamente invasiva promissora.<br>Apesar dos resultados encorajadores e do perfil de segurança favorável, sua incorporação definitiva na prática clínica ainda depende de maior padronização técnica, definição dos critérios ideais de indicação, além de estudos prospectivos e ensaios clínicos randomizados com seguimento a longo prazo.<br>Com o avanço das evidências e refinamento técnico, a tendência é de maior incorporação na prática clínica especializada.</p>



<div style="height:31px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-referencias"><strong>Referências</strong></h2>



<ol class="wp-block-list">
<li>Karaisz FG, Elkelany OO, Davies B, et al. Review on EUS-guided radiofrequency ablation of pancreatic lesions. Diagnostics. 2023.</li>



<li>Giardino A, Innamorati G, Ugel S, et al. Immunomodulation after radiofrequency ablation of locally advanced pancreatic cancer. Pancreatology. 2017;17:962–966.</li>



<li>Jarosova J, Macinga P, Krupickova L, et al. Impact of endoluminal radiofrequency ablation on immunity in pancreatic cancer and cholangiocarcinoma. Biomedicines. 2022;10:1331.</li>



<li>Larghi A, Rizzatti G, Rimbaş M, et al. Endoscopic ultrasound-guided radiofrequency ablation for pancreatic neuroendocrine neoplasms. Endosc Ultrasound. 2019.</li>



<li>Barthet M, Giovannini M, Lesavre N, et al. EUS-guided RFA for pancreatic neuroendocrine tumors and cystic neoplasms. Endoscopy. 2019.</li>



<li>Barthet M, Giovannini M, Gasmi M, et al. Long-term outcomes after EUS-RFA. Endosc Int Open. 2021</li>



<li>Oh D, Seo DW, Song T, et al. Clinical outcomes of EUS-RFA for unresectable pancreatic cancer. Endosc Ultrasound. 2022.</li>
</ol>



<p></p>



<p class="has-pale-ocean-gradient-background has-background">Quer saber mais sobre as evidências atuais, indicações e resultados da EUS-RFA em tumores neuroendócrinos pancreáticos? <a href="https://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1111/den.14681">Confira esta metanálise recente sobre o tema.</a></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-como-citar-este-artigo"><strong>Como citar este artigo</strong></h2>



<p class="has-very-light-gray-to-cyan-bluish-gray-gradient-background has-background">Botelho PFR. Ablação por Radiofrequência Guiada por EUS em Lesões Pancreáticas: Indicações e Evidências na Prática Clínica. Endoscopia Terapeutica 2026 Vol I. Disponível em: <a href="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/?p=21380" target="_blank" rel="noreferrer noopener">https://endoscopiaterapeutica.net/pt/assuntosgerais/ablacao-por-radiofrequencia-guiada-por-eus-em-lesoes-pancreaticas-indicacoes-e-evidencias-na-pratica-clinica/</a></p>



<p></p>



<p></p>
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		<item>
		<title>Quiz! Coleção necrótica peripancreática</title>
		<link>https://endoscopiaterapeutica.net/pt/quiz/colecao-necrotica-peripancreatica-caso-clinico/</link>
					<comments>https://endoscopiaterapeutica.net/pt/quiz/colecao-necrotica-peripancreatica-caso-clinico/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Fernanda Prado Logiudice]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 12 May 2026 07:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Quiz]]></category>
		<category><![CDATA[ecoendoscopia]]></category>
		<category><![CDATA[eus]]></category>
		<category><![CDATA[LAMS]]></category>
		<category><![CDATA[won]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Colaboração na realização do caso: Tiago Vilela, Fabio Mancini, Christiano Sakai, Fernanda Prado Logiudice&#8230;</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-pale-ocean-gradient-background has-background"><strong>Colaboração na realização do caso:</strong> Tiago Vilela, Fabio Mancini, Christiano Sakai, Fernanda Prado Logiudice</p>



<p><br>Paciente feminina, 69 anos, realizou ecoendoscopia para avaliação de lesão pancreática com diagnóstico de uma lesão sólida hipoecoica em transição de corpo para colo pancreático medindo até 17 mm.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><a href="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/?attachment_id=21338"><img loading="lazy" decoding="async" width="556" height="371" src="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/05/quiz.jpg" alt="" class="wp-image-21338" srcset="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/05/quiz.jpg?v=1778507615 556w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/05/quiz-300x200.jpg?v=1778507615 300w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/05/quiz-263x175.jpg?v=1778507615 263w" sizes="(max-width: 556px) 100vw, 556px" /></a></figure>
</div>


<p><strong>Laudo anatomopatológico:</strong></p>



<p>CAM5.2: positivo</p>



<p>Cromogranina: positivo</p>



<p>Sinaptofisina: positivo</p>



<p>INSM1: positivo</p>



<p>Beta-catenina: negativo nas células neoplásicas para padrão aberrante nuclear</p>



<p>E-caderina: mantido nas células neoplásicas</p>



<p>Ki67: positivo em 1,3% das células neoplasicas</p>



<p><strong>Conclusão:</strong></p>



<p>• Tumor neuroendócrino bem diferenciado pancreático</p>



<p>Foi submetida à pancreatectomia.</p>



<p>Duas semanas após a alta, evolui com dor abdominal e febre.</p>



<p>A tomografia de abdome evidenciou coleção com múltiplos focos gasosos em seu interior e área de provável esteatonecrose, ocupando as lojas pancreática e esplênica, em íntima relação com o remanescente pancreático, medindo até 17 cm e com volume estimado em 658 mL.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><a href="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/?attachment_id=21339"><img loading="lazy" decoding="async" width="665" height="434" src="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/05/quiz-2.jpg" alt="Coleção Necrótica Peripancreática" class="wp-image-21339" srcset="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/05/quiz-2.jpg?v=1778507709 665w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/05/quiz-2-300x196.jpg?v=1778507709 300w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/05/quiz-2-585x382.jpg?v=1778507709 585w" sizes="(max-width: 665px) 100vw, 665px" /></a></figure>
</div>


<p><br></p>



<p class="has-pale-ocean-gradient-background has-background">Quer saber mais sobre o tratamento e manejo das coleções pancreáticas? Confira a recente metanálise publicada na <em><a href="https://www.thieme-connect.com/products/ejournals/abstract/10.1055/a-2169-0362">Endoscopy</a></em> e <a href="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/assuntosgerais/manejo-pos-drenagem-ecoguiada-de-colecoes-peripancreaticas/">nosso conteúdo</a> completo sobre o tema!</p>



<p></p>
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		<title>Escore de Lewis: entenda os fundamentos e seu uso na doença inflamatória intestinal</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Hélcio Pedrosa Brito]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 28 Apr 2026 07:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Assuntos Gerais]]></category>
		<category><![CDATA[capsula]]></category>
		<category><![CDATA[capsula endoscópica]]></category>
		<category><![CDATA[DII]]></category>
		<category><![CDATA[doença de crohn]]></category>
		<category><![CDATA[doença inflamatória intestinal]]></category>
		<category><![CDATA[intestino delgado]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A utilização da cápsula endoscópica (CE) consolidou-se como uma ferramenta indispensável no manejo da&#8230;</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><br>A utilização da <strong>cápsula endoscópica (CE)</strong> consolidou-se como uma ferramenta indispensável no manejo da <strong>Doença de Crohn (DC)</strong> permitindo a visualização direta do <strong>intestino delgado</strong>, frequentemente inacessível por métodos endoscópicos. No diagnóstico, a CE é superior aos exames radiológicos na detecção de lesões mucosas <strong>superficiais e precoces</strong>, com indicação principalmente quando há forte suspeita clínica da patologia e exames tradicionais são normais ou inconclusivos. No tratamento e seguimento, a aplicação do Escore de Lewis na Doença de Crohn permite mapear a <strong>extensão total da inflamação</strong>, estratificar o <strong>prognóstico</strong> e monitorar a <strong>eficácia da terapia</strong> através da verificação da <strong>cicatrização da mucosa</strong>.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-escore-de-lewis-definicao-e-validacao"><br><strong>O Escore de Lewis: Definição e Validação</strong></h2>



<p>O <strong>Escore de Lewis (LS)</strong> é um sistema de pontuação quantitativo e cumulativo desenvolvido para transformar achados visuais subjetivos da CE em dados numéricos objetivos, padronizando o diagnóstico e acompanhamento da DC. Avalia a gravidade e a distribuição de três parâmetros principais: <strong>edema de vilosidades</strong>, <strong>ulceração</strong> e <strong>estenose.</strong></p>



<p>O escore enfrentou um longo processo de validação, com estudos confirmando sua utilidade clínica. A literatura indica que o LS pode apresentar uma correlação mais estreita com biomarcadores, como a <strong>calprotectina fecal</strong>, do que o <a href="https://www.thieme-connect.com/products/ejournals/abstract/10.1055/s-0031-1291385" type="link" id="https://www.thieme-connect.com/products/ejournals/abstract/10.1055/s-0031-1291385">CECDAI</a>. Sua aplicação principal é na Doença de Crohn do intestino delgado, embora também utiliza-se na avaliação de sangramento gastrointestinal obscuro e outras enteropatias, pois se buscam possíveis lesões que podem causar o quadro clínico investigado.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-indicacoes-e-limitacoes"><br><strong>Indicações e Limitações</strong></h2>



<p>As principais indicações do LS incluem a avaliação da <strong>atividade inflamatória inicial </strong>em pacientes com suspeita de DC e o monitoramento da <strong>resposta terapêutica</strong> em casos estabelecidos. Uma pontuação maior que <strong>135</strong> tem demonstrado alta eficácia na confirmação do diagnóstico de Crohn durante o seguimento clínico.</p>



<p>Entre as limitações, destacam-se: </p>



<ol class="wp-block-list">
<li><strong>Achados endoscópicos</strong> <strong>inespecíficos</strong>. O escore gradua a atividade inflamatória, mas não determina a etiologia. Assim, lesões causadas por AINEs, infecções, doença de Behçet ou isquemia podem gerar pontuações elevadas indistinguíveis da DC.</li>



<li>Dificuldade em mensurar o <strong>tamanho das lesões.</strong></li>



<li>Dificuldade em mensurar a <strong>quantidade de lesões</strong>, já que a CE pode registrar uma lesão várias vezes. </li>



<li>Necessidade de <strong>treinamento médico rigoroso</strong> para garantir a precisão do cálculo.</li>
</ol>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-uso-e-calculo-do-escore-de-lewis"><br><strong>Uso e Cálculo do Escore de Lewis</strong></h2>



<p></p>



<h3 class="wp-block-heading" id="h-divisao-do-intestino-delgado-em-tercis">Divisão do intestino delgado em tercis</h3>



<p>Para utilizar o LS, o sistema divide automaticamente o <em><strong>tempo de trânsito da cápsula no intestino delgado</strong></em> em três partes iguais, denominadas <strong>tercis</strong>. Observe que a divisão é pelo <em>tempo de trânsito </em>e não pela anatomia, pois não se pode determinar com certeza a localização de um achado neste exame. Se a cápsula não entrar no cólon (exame incompleto), o sistema calculará o tempo de trânsito pelo intestino delgado até a última imagem obtida.</p>



<p></p>



<h3 class="wp-block-heading" id="h-avaliacao-das-caracteristicas-mucosas">Avaliação das características mucosas</h3>



<p>Em cada tercil, avaliam-se as seguintes características:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Parâmetros de Mucosa
<ul class="wp-block-list">
<li><span style="text-decoration: underline;">Aparência das vilosidades</span> é classificada como edema quando a largura da vilosidade é igual ou maior que a sua altura, observada em uma mucosa distinta e separada de uma úlcera, em vez de contígua a uma ruptura mucosa.</li>



<li><span style="text-decoration: underline;">Úlceras</span> foram definidas como rupturas mucosas com bases brancas ou amarelas, circundadas por colares vermelhos ou rosados. O tamanho da úlcera, baseado na maior úlcera visualizada em cada tercil, foi determinado pela lesão inteira, incluindo o seu colar circundante, medido de acordo com a porcentagem da imagem da cápsula ocupada pela lesão ulcerada. O número de lesões foi definido como única, poucas (duas a sete lesões) ou múltiplas (oito ou mais lesões).</li>
</ul>
</li>



<li>Estenose
<ul class="wp-block-list">
<li>A <span style="text-decoration: underline;">avaliação da estenose</span> é global para todo o estudo e considera:
<ul class="wp-block-list">
<li>Número de estenoses</li>



<li>Presença de ulceração</li>



<li>Capacidade de transposição pela cápsula</li>
</ul>
</li>
</ul>
</li>
</ul>



<p></p>



<h3 class="wp-block-heading" id="h-definicao-da-extensao-do-acometimento">Definição da extensão do acometimento</h3>



<p>Define-se o envolvimento do segmento do intestino delgado com base na porcentagem do tercil específico que apresenta alteração mucosa:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li><span style="text-decoration: underline;">Segmento curto</span>: acometimento &lt; 10% do tercil</li>



<li><span style="text-decoration: underline;">Segmento longo</span>: acometimento entre 11–50%</li>



<li><span style="text-decoration: underline;">Segmento total</span>: acometimento > 50%.</li>
</ul>



<h3 class="wp-block-heading" id="h-calculo-do-escore">Cálculo do escore</h3>



<p>O escore total é a soma do escore do tercil mais gravemente afetado com o score de estenose. Como a soma das pontuações de cada tercil em um caso de doença leve poderia resultar em um número total maior do que o de um único tercil com doença grave, optou-se por calcular o escore baseando-se no tercil mais grave somado à pontuação de estenose.</p>



<p><a></a> Assim, um escore total foi criado da seguinte forma: escore do tercil máximo {[(parâmetro de vilosidade x extensão x descritor) + (parâmetro de úlcera x extensão x tamanho)] para o tercil 1 <strong>ou</strong> [(parâmetro de vilosidade x extensão x descritor) + (parâmetro de úlcera x extensão x tamanho)] para o tercil 2 <strong>ou</strong> [(parâmetro de vilosidade x extensão x descritor) + (parâmetro de úlcera x extensão x tamanho)] para o tercil 3} + (número de estenoses x ulcerada x transposta).</p>



<h3 class="wp-block-heading" id="h-classificacao-da-atividade-inflamatoria">Classificação da atividade inflamatória</h3>



<p>A pontuação final estratifica a inflamação em três níveis:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong>LS &lt; 135:</strong> normal ou inflamação insignificante</li>



<li><strong>LS 135-790:</strong> doença leve</li>



<li><strong>LS > 790:</strong> doença moderada a grave</li>
</ul>



<p>Para facilitar, atualmente softwares integrados e aplicativos automatizam essa divisão e o cálculo final.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-parametros-do-escore-de-lewis"><br><strong>Parâmetros do Escore de Lewis</strong></h2>



<figure id="escore-lewis-tabela" class="wp-block-table is-style-stripes"><div class="pcrstb-wrap"><table class="has-pale-ocean-gradient-background has-background has-fixed-layout"><thead><tr><th><strong>Parâmetros</strong></th><th><strong>Número</strong></th><th><strong>Extensão Longitudinal</strong></th><th><strong>Descritores</strong></th></tr></thead><tbody><tr><td><strong>Primeiro tercil</strong></td><td></td><td></td><td></td></tr><tr><td>Aparência das vilosidades</td><td>Normal = <strong>0</strong></td><td>Segmento curto = <strong>8</strong></td><td>Única = <strong>1</strong></td></tr><tr><td></td><td>Edematosa = <strong>1</strong></td><td>Segmento longo = <strong>12</strong></td><td>Em manchas = <strong>14</strong></td></tr><tr><td></td><td></td><td>Todo o tercil = <strong>20</strong></td><td>Difusa = <strong>17</strong></td></tr><tr><td>Úlcera</td><td>Nenhuma = <strong>0</strong></td><td>Segmento curto = <strong>5</strong></td><td>&lt; 1/4 = <strong>9</strong></td></tr><tr><td></td><td>Única = <strong>3</strong></td><td>Segmento longo = <strong>10</strong></td><td>1/4 &#8211; 1/2 = <strong>12</strong></td></tr><tr><td></td><td>Poucas = <strong>5</strong></td><td>Todo o tercil = <strong>15</strong></td><td>&gt; 1/2 = <strong>18</strong></td></tr><tr><td></td><td>Múltiplas = <strong>10</strong></td><td></td><td></td></tr><tr><td><strong>Segundo tercil</strong></td><td></td><td></td><td></td></tr><tr><td>Aparência das vilosidades</td><td>Normal = <strong>0</strong></td><td>Segmento curto = <strong>8</strong></td><td>Única = <strong>1</strong></td></tr><tr><td></td><td>Edematosa = <strong>1</strong></td><td>Segmento longo = <strong>12</strong></td><td>Em manchas = <strong>14</strong></td></tr><tr><td></td><td></td><td>Todo o tercil = <strong>20</strong></td><td>Difusa = <strong>17</strong></td></tr><tr><td>Úlcera</td><td>Nenhuma = <strong>0</strong></td><td>Segmento curto = <strong>5</strong></td><td>&lt; 1/4 = <strong>9</strong></td></tr><tr><td></td><td>Única = <strong>3</strong></td><td>Segmento longo = <strong>10</strong></td><td>1/4 &#8211; 1/2 = <strong>12</strong></td></tr><tr><td></td><td>Poucas = <strong>5</strong></td><td>Todo o tercil = <strong>15</strong></td><td>&gt; 1/2 = <strong>18</strong></td></tr><tr><td></td><td>Múltiplas = <strong>10</strong></td><td></td><td></td></tr><tr><td><strong>Terceiro tercil</strong></td><td></td><td></td><td></td></tr><tr><td>Aparência das vilosidades</td><td>Normal = <strong>0</strong></td><td>Segmento curto = <strong>8</strong></td><td>Única = <strong>1</strong></td></tr><tr><td></td><td>Edematosa = <strong>1</strong></td><td>Segmento longo = <strong>12</strong></td><td>Em manchas = <strong>14</strong></td></tr><tr><td></td><td></td><td>Todo o tercil = <strong>20</strong></td><td>Difusa = <strong>17</strong></td></tr><tr><td>Úlcera</td><td>Nenhuma = <strong>0</strong></td><td>Segmento curto = <strong>5</strong></td><td>&lt; 1/4 = <strong>9</strong></td></tr><tr><td></td><td>Única = <strong>3</strong></td><td>Segmento longo = <strong>10</strong></td><td>1/4 &#8211; 1/2 = <strong>12</strong></td></tr><tr><td></td><td>Poucas = <strong>5</strong></td><td>Todo o tercil = <strong>15</strong></td><td>&gt; 1/2 = <strong>18</strong></td></tr><tr><td></td><td>Múltiplas = <strong>10</strong></td><td></td><td></td></tr><tr><td><strong>Estenose – avaliação global</strong></td><td></td><td></td><td></td></tr><tr><td>Estenose</td><td>Nenhuma = <strong>0</strong></td><td>Ulcerada = <strong>24</strong></td><td>Transpassa = <strong>7</strong></td></tr><tr><td></td><td>Única = <strong>14</strong></td><td>Não ulcerada = <strong>2</strong></td><td>Não transpassa = <strong>10</strong></td></tr><tr><td></td><td>Múltiplas = <strong>20</strong></td><td></td><td></td></tr></tbody></table></div><figcaption class="wp-element-caption">Tabela: Parâmetros e pontuação do Escore de Lewis na Doença de Crohn.</figcaption></figure>



<p>E você, já sabia quais eram os fundamentos do Escore de Lewis? Escreva abaixo qual a sua experiência com o uso deste escore. Espero que possa ser útil no acompanhamento de seus pacientes.</p>



<p>Até a próxima!</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-referencias"><br><strong>Referências</strong></h2>



<p>1. Yablecovitch D, Lahat A, Neuman S, Levhar N, Avidan B, Ben-Horin S, Eliakim R, Kopylov U. The Lewis score or the capsule endoscopy Crohn&#8217;s disease activity index: which one is better for the assessment of small bowel inflammation in established Crohn&#8217;s disease? Ther Adv Gastroenterol. 2018 Jan 14;11:1756283X17747780. doi: 10.1177/1756283X17747780. PMID: 29399042; PMCID: PMC5788095.</p>



<p>2. Cotter J, Dias de Castro F, Magalhães J, Moreira MJ, Rosa B. Validation of the Lewis score for the evaluation of small-bowel Crohn&#8217;s disease activity. Endoscopy. 2015 Apr;47(4):330-5. doi: 10.1055/s-0034-1390894. Epub 2014 Nov 20. PMID: 25412092.</p>



<p>3. Gralnek IM, Defranchis R, Seidman E, Leighton JA, Legnani P, Lewis BS. Development of a capsule endoscopy scoring index for small bowel mucosal inflammatory change. Aliment Pharmacol Ther. 2008 Jan 15;27(2):146-54. doi: 10.1111/j.1365-2036.2007.03556.x. Epub 2007 Oct 23. PMID: 17956598.</p>



<p>4. Koulaouzidis A, Douglas S, Plevris JN. Lewis score correlates more closely with fecal calprotectin than Capsule Endoscopy Crohn’s Disease Activity Index. Dig Dis Sci 2012; 57: 987–993</p>



<p>5. Rosa B, Moreira MJ, Rebelo A et al. Lewis Score: a useful clinical tool for patients with suspected Crohn’s Disease submitted to capsule endoscopy. J Crohns Colitis 2012; 6: 692–697</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-como-citar-este-artigo"><strong>Como citar este artigo</strong></h2>



<p class="has-very-light-gray-to-cyan-bluish-gray-gradient-background has-background">Brito HP. Escore de Lewis: entenda os fundamentos e seu uso na doença inflamatória intestinal. Endoscopia Terapeutica 2026 Vol I. Disponível em:<a href="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/?p=21296" target="_blank" rel="noreferrer noopener"> https://endoscopiaterapeutica.net/pt/assuntosgerais/escore-de-lewis-entenda-os-fundamentos-e-seu-uso-na-doenca-inflamatoria-intestinal/</a></p>



<p></p>



<p>Aproveite para aprofundar seus conhecimentos sobre o <a href="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/classificacao/cdeis-crohns-disease-index-of-severity/" type="link" id="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/classificacao/cdeis-crohns-disease-index-of-severity/">índice CDEIS </a>e a padronização de escores na Doença de Crohn.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Ressequei uma lesão colorretal&#8230; e agora?</title>
		<link>https://endoscopiaterapeutica.net/pt/assuntosgerais/resseccao-endoscopica-colorretal-curativa/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Renata Nobre&nbsp;e&nbsp;Evelyn Sayuri Simabuguro Chinem]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 21 Apr 2026 07:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Assuntos Gerais]]></category>
		<category><![CDATA[Câncer colorretal]]></category>
		<category><![CDATA[colonoscopia]]></category>
		<category><![CDATA[ESD]]></category>
		<category><![CDATA[ressecção completa]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Após a ressecção endoscópica de uma lesão colorretal, vem o momento mais crítico da&#8230;</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Após a ressecção endoscópica de uma lesão colorretal, vem o momento mais crítico da tomada de decisão:</p>



<p><strong>Foi curativo… ou ainda não terminamos o tratamento?</strong></p>



<p>Responder essa pergunta depende de vários fatores.<br>E é justamente aqui que começam as maiores dúvidas na prática clínica.</p>



<p>Neste texto, vamos abordar de forma direta e objetiva os principais pontos que você precisa avaliar para definir se a sua ressecção foi realmente curativa.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-que-define-uma-margem-vertical-negativa"><br><strong>O que define uma margem vertical negativa?</strong></h2>



<p>Segundo o guideline de 2022 da ESGE<sup>1</sup>:</p>



<p><strong>Idealmente ≥ 1 mm de margem livre.</strong></p>



<p>Mas atenção:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Não existem evidências suficientes na literatura para determinar que uma margem com extensão &lt; 1mm seja positiva, mas margens inferiores a esse tamanho podem aumentar o risco de recidiva local.</li>



<li>Se a distância entre a lesão e a margem vertical for inferior a 1 mm mas livre de tumor, isso não acarreta em uma mudança de tratamento, sendo recomendado apenas seguimento, que deve ser mais rigoroso</li>
</ul>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-resseccao-em-monobloco-com-margens-negativas-r0-e-sinonimo-de-cura"><br><strong>Ressecção em monobloco com margens negativas (R0) é sinônimo de cura?</strong></h2>



<p>NÃO necessariamente!</p>



<p>Ter margens livres (R0) é essencial, mas está longe de ser suficiente. Outros critérios devem ser avaliados em conjunto. A decisão real depende de uma análise histopatológica mais profunda, que vai estimar o risco de metástase linfonodal.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-se-nao-basta-ser-r0-o-que-mais-importa"><br><strong>Se não basta ser R0&#8230; o que mais importa?</strong></h2>



<p>Segundo as diretrizes japonesas (JSCCR)<sup>2</sup>, a ressecção só é considerada curativa quando TODOS os critérios abaixo estão presentes:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Margens livres</li>



<li>Adenocarcinoma bem ou moderadamente diferenciado (tubular ou papilífero)</li>



<li>Invasão submucosa &lt; 1000 μm (T1a)</li>



<li>Ausência de invasão linfática ou vascular</li>



<li>Tumor budding baixo (BD1): 0–4 buds</li>
</ul>



<p>Se tudo isso estiver presente:</p>



<p><strong>O risco de metástase linfonodal é muito baixo → nenhum tratamento adicional é necessário</strong></p>



<p>Já o guideline da ESGE<sup>1</sup> propõe uma abordagem baseada em estratificação de risco:</p>



<p><strong>Muito baixo risco (&lt; 0,5%)</strong></p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Ressecção en bloc R0</li>



<li>Displasia ou lesão pT1a (submucosa superficial)</li>



<li>Diferenciada</li>



<li>Sem invasão linfovascular</li>
</ul>



<p><strong>Baixo risco (&lt; 2%)</strong></p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Ressecção en bloc R0</li>



<li>T1b superficial (Sm1)</li>



<li>Diferenciada</li>



<li>Sem invasão linfovascular</li>
</ul>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-tumor-budding-o-que-e-e-por-que-isso-importa-tanto"><br><strong><em>Tumor budding</em>&#8230; o que é e por que isso importa tanto?</strong></h2>



<p>O tumor budding corresponde a células tumorais isoladas ou pequenos agrupamentos (até 4 células) localizados na frente invasiva do tumor<sup>4</sup>.</p>



<p>Em outras palavras: <strong>é um marcador de agressividade tumoral.</strong></p>



<p>E é exatamente por isso que ele importa tanto: <strong>identifica tumores biologicamente mais agressivos, mesmo quando outros critérios parecem favoráveis.</strong></p>



<p>Na prática:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>BD1 → baixo risco</li>



<li>BD2/BD3 → maior risco de metástase → considerar tratamento adicional</li>
</ul>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-profundidade-de-invasao-submucosa-ainda-e-um-criterio-isolado-absoluto"><br><strong>A profundidade de invasão submucosa ainda é um critério isolado absoluto?</strong></h2>



<p>Cada vez menos.</p>



<p>Evidências recentes mostram que:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>A invasão ≥ 1000 μm isoladamente pode superestimar o risco</li>



<li>Quando isolada, o risco de metástase linfonodal é baixo</li>



<li>Não se mantém como fator independente em análises ajustadas</li>
</ul>



<p>Uma meta-análise publicada por&nbsp;Zwager e colaboradores<sup>3</sup>, que incluiu&nbsp;67 estudos com mais de 21 mil pacientes, mostrou que:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>A taxa global de metástase linfonodal em câncer colorretal T1 foi&nbsp;<strong>11,2%</strong>.</li>



<li>Embora a invasão submucosa profunda esteja associada a maior risco em análise univariada,&nbsp;<strong>não se mostrou um fator independente significativo quando ajustada para outros fatores histológicos</strong>.</li>



<li>Quando presente&nbsp;<strong>como único fator de risco</strong>, a taxa absoluta de metástase linfonodal foi de aproximadamente&nbsp;<strong>2,6%</strong>.</li>
</ul>



<p>Ou seja:</p>



<p><strong>Não devemos tomar decisões baseadas em um único critério.</strong></p>



<p>Essa abordagem mais individualizada tem ganhado espaço no manejo contemporâneo do câncer colorretal precoce.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-mas-e-entao-quando-devo-indicar-tratamento-adicional-apos-resseccao-endoscopica"><br><strong>Mas e então&#8230; quando devo indicar tratamento adicional após ressecção endoscópica?</strong></h2>



<p>Quando o risco de metástase linfonodal deixa de ser desprezível.</p>



<p>Os principais sinais de alerta são:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Margem vertical positiva</li>



<li>Invasão submucosa ≥ 1000 μm (T1b)</li>



<li>Invasão linfática ou vascular</li>



<li>Histologia desfavorável:
<ul class="wp-block-list">
<li>Pouco diferenciado</li>



<li>Mucinoso</li>



<li>Células em anel de sinete</li>
</ul>
</li>



<li>Tumor budding alto (BD2 ou BD3)</li>
</ul>



<p>A presença de qualquer um desses fatores aumenta a probabilidade de disseminação linfonodal e, portanto, pode justificar tratamento cirúrgico adicional.</p>



<p>No entanto, a decisão final não deve ser baseada apenas na histologia. As diretrizes ressaltam que&nbsp;fatores do paciente também devem ser considerados, como idade, comorbidades, condição funcional e impacto potencial da cirurgia na qualidade de vida.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-mensagem-final"><br><strong>Mensagem final</strong></h2>



<p>A definição de ressecção endoscópica curativa no câncer colorretal precoce deve ser baseada em uma avaliação integrada dos fatores histopatológicos de risco para metástase linfonodal e fatores relacionados ao paciente.</p>



<p>Margens negativas e profundidade de invasão submucosa, embora fundamentais, não devem ser interpretadas isoladamente.</p>



<p>A estratificação adequada do risco requer a análise conjunta de múltiplos parâmetros, incluindo:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>grau de diferenciação tumoral</li>



<li>presença de invasão linfovascular</li>



<li>tumor budding</li>



<li>padrão de ressecção (en bloc vs piecemeal)</li>
</ul>



<p>Essa abordagem multidimensional permite uma estimativa mais precisa do risco oncológico e orienta de forma mais segura a decisão entre seguimento endoscópico e tratamento cirúrgico adicional.</p>



<p>Portanto, a conduta deve ser individualizada, considerando não apenas os achados histológicos, mas também as características clínicas do paciente e o impacto potencial das diferentes estratégias terapêuticas.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-referencias"><strong>Referências</strong></h2>



<ol class="wp-block-list">
<li>Endoscopic submucosal dissection for superficial gastrointestinal lesions: European Society of Gastrointestinal Endoscopy (ESGE) Guideline – Update 2022. Endoscopy, 2022. Pimentel-Nunes Pedro et al.</li>



<li>Japanese Society for Cancer of the Colon and Rectum (JSCCR) guidelines 2024 for the treatment of colorectal cancer.</li>



<li>Deep Submucosal Invasion Is Not an Independent Risk Factor for Lymph Node Metastasis in T1 Colorectal Cancer: A Meta-Analysis. Gastroenterology, 2022. Liselotte W Zwager et al.</li>



<li><a href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/32601463" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Tumour Budding and Its Clinical Implications in Gastrointestinal Cancers.</a> British Journal of Cancer. 2020.&nbsp;Zlobec I, Berger MD, Lugli A.</li>
</ol>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-como-citar-este-artigo"><strong>Como citar este artigo</strong></h2>



<p class="has-very-light-gray-to-cyan-bluish-gray-gradient-background has-background">Nobre R, Chinem ESS. Ressequei uma lesão colorretal&#8230; e agora? Endoscopia Terapeutica 2026 Vol I. Disponível em: <a href="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/?p=21178" target="_blank" rel="noreferrer noopener">https://endoscopiaterapeutica.net/pt/assuntosgerais/ressequei-uma-lesao-colorretal-e-agora/</a></p>



<p></p>



<p>Quer aprofundar a discussão sobre ressecção endoscópica colorretal? <a href="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/assuntosgerais/resseccoes-de-colon-com-invasao-acima-de-1000-micras-sm1-acometimento-linfovascular-pouco-diferenciadas-e-budding-de-alto-risco-tem-sempre-indicacao-cirurgica/" type="link" id="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/assuntosgerais/resseccoes-de-colon-com-invasao-acima-de-1000-micras-sm1-acometimento-linfovascular-pouco-diferenciadas-e-budding-de-alto-risco-tem-sempre-indicacao-cirurgica/">Acesse</a>!</p>
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		<item>
		<title>Antibioticoprofilaxia em pacientes com obstrução biliar submetidos à CPRE</title>
		<link>https://endoscopiaterapeutica.net/pt/artigoscomentados/antibioticoprofilaxia-cpre/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Igor Mendonça Proença]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 14 Apr 2026 07:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos Comentados]]></category>
		<category><![CDATA[Assuntos Gerais]]></category>
		<category><![CDATA[antibioticoprofilaxia]]></category>
		<category><![CDATA[CPRE]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://endoscopiaterapeutica.net/pt/?p=21169</guid>

					<description><![CDATA[<p>Introdução O uso de antibióticos profiláticos de rotina em pacientes submetidos à Colangiopancreatografia Retrógrada&#8230;</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<h2 class="wp-block-heading" id="h-introducao"><strong>Introdução</strong></h2>



<p>O uso de <strong>antibióticos profiláticos</strong> de rotina em pacientes submetidos à <strong>Colangiopancreatografia Retrógrada Endoscópica (CPRE)</strong> não é recomendado pelas principais sociedade de endoscopia do mundo, incluindo a <em>American Society for Gastrointestinal Endoscopy</em> (ASGE) e <em>European Society of Gastrointestinal Endoscopy</em> (ESGE) (1,2). Embora exista consenso de que a antibioticoprofilaxia peri-procedimento reduz a incidência de bacteremia pós-CPRE, seu impacto na prevenção de colangite e sepse ainda permanece controverso. Análises de subgrupos de diferentes trabalhos identificaram populações que poderiam se beneficiar do uso profilático de antibióticos antes da CPRE – pacientes com <strong>alto risco de drenagem biliar difícil/incompleta</strong>, <strong>imunocomprometidos</strong> e submetidos à <strong>colangioscopia</strong> &#8211; limitando a indicação do uso de antibioticoprofilaxia apenas para esses grupos (1,2).</p>



<p>Uma metanálise publicada em 2022, com 10 ensaios clínicos randomizados (ECR) comparando o uso de antibioticoprofilaxia em pacientes submetidos à CPRE eletiva, incluiu 1757 pacientes e demonstrou redução da bacteremia no grupo antibiótico, porém não houve diferença em relação à colangite ou sepse (3).</p>



<p>Uma importante crítica em relação aos estudos utilizados para embasar as recomendações é a falta de seleção adequada de pacientes. Trabalhos mais antigos sugeriram possível benefício da antibioticoprofilaxia em pacientes com obstrução biliar (4,5). Nesse contexto, um grupo sul-coreano conduziu um ECR comparando o uso de antibioticoprofilaxia em pacientes com obstrução biliar submetidos à CPRE (6).</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-metodos"><strong>Métodos</strong></h2>



<h3 class="wp-block-heading" id="h-desenho-do-estudo">Desenho do estudo</h3>



<p>Ensaio clínico randomizado 1:1, duplo-cego, realizado em centro terciário único.</p>



<p></p>



<h3 class="wp-block-heading" id="h-selecao-de-pacientes">Seleção de pacientes</h3>



<p>Critérios de inclusão: adultos com obstrução biliar documentada por exame de imagem (tomografia ou ressonância magnética) submetidos à CPRE.</p>



<p>Critérios de exclusão: evidência de infecção (leucócitos &gt; 11.000 e/ou febre T&gt;= 38oC), uso de antibióticos nas últimas 72 horas, gravidez e alergia ao antibiótico.</p>



<h3 class="wp-block-heading" id="h-grupos-do-estudo">Grupos do estudo</h3>



<ul class="wp-block-list">
<li><span style="text-decoration: underline;">Intervenção </span>(antibiótico): Cefoxitina 1g IV em 10ml de SF0,9% 30min antes da CPRE.</li>



<li><span style="text-decoration: underline;">Controle</span> (placebo): 10ml de SF0,9% 30 min antes da CPRE. A escolha do antibiótico foi baseada no perfil microbiológico local, em conjunto com a equipe de infectologia do hospital.</li>
</ul>



<p></p>



<h3 class="wp-block-heading" id="h-desfechos">Desfechos</h3>



<ul class="wp-block-list">
<li><span style="text-decoration: underline;">Primário</span>: incidência de <strong>complicação infecciosa pós-CPRE</strong> (bacteremia, colangite e colecistite).</li>



<li><span style="text-decoration: underline;">Secundário</span>: incidência de cada complicação infecciosa específica, demais complicações pós-CPRE (pancreatite e sangramento).</li>
</ul>



<p></p>



<h3 class="wp-block-heading" id="h-calculo-amostral">Cálculo amostral</h3>



<p>400 pacientes (considerando 10% de perda).</p>



<div style="height:26px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-resultados"><strong>Resultados</strong></h2>



<h3 class="wp-block-heading" id="h-populacao"><br>População</h3>



<ul class="wp-block-list">
<li>378 pacientes randomizados entre 2017–2021</li>



<li>189 em cada grupo</li>



<li>Análise final: 176 (antibiótico) vs. 173 (placebo)</li>
</ul>



<h3 class="wp-block-heading" id="h-desfecho-primario"><br>Desfecho primário</h3>



<p id="h-desfecho-primario">Houve <strong>redução significativa de complicações infecciosas</strong> no grupo antibiótico.</p>



<ul class="wp-block-list">
<li><span style="text-decoration: underline;">Antibiótico</span>: 2,8% (5/176)</li>



<li><span style="text-decoration: underline;">Placebo</span>: 9,8% (17/173)</li>



<li><span style="text-decoration: underline;">Risco Relativo (RR)</span>: 0,29; IC 95%, 0,11–0,74; <em>p=0.0073</em></li>
</ul>



<h3 class="wp-block-heading" id="h-desfechos-secundarios"><br>Desfechos secundários</h3>



<p><strong>Bacteremia</strong>: sem diferença estatisticamente significativa.</p>



<ul class="wp-block-list">
<li><span style="text-decoration: underline;">Antibiótico</span>: 2,3% (4/176)</li>



<li><span style="text-decoration: underline;">Placebo</span>: 6,4% (11/173)</li>



<li><span style="text-decoration: underline;">RR</span>: 0,36; 95% CI, 0,12–1,04; <em>p=0,0599</em><br></li>



<li>Dos 15 pacientes com bacteremia, <strong>10 evoluíram com sepse</strong>.</li>
</ul>



<p><strong>Colangite:</strong> houve redução significativa.</p>



<ul class="wp-block-list">
<li><span style="text-decoration: underline;">Antibiótico</span>: 1,7% (3/176)</li>



<li><span style="text-decoration: underline;">Placebo</span>: 6,4% (11/173)</li>



<li><span style="text-decoration: underline;">RR</span>: 0,27; 95% CI, 0.08–0.87; <em>p=0,0267</em></li>
</ul>



<p><strong>Colecistite</strong>: ocorreu em apenas 1 paciente do grupo placebo.</p>



<p><strong>Demais complicações (sangramento, pancreatite): </strong>sem diferença entre os grupos.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/?attachment_id=21170"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="317" src="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/04/tabela-1-desfecho-primario-1024x317.png" alt="Desfechos da antibioticoprofilaxia na CPRE" class="wp-image-21170" srcset="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/04/tabela-1-desfecho-primario-1024x317.png 1024w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/04/tabela-1-desfecho-primario-300x93.png 300w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/04/tabela-1-desfecho-primario-768x238.png 768w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/04/tabela-1-desfecho-primario-585x181.png 585w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/04/tabela-1-desfecho-primario.png 1139w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><br>Tabela 1: desfechos primários e secundários (<a href="https://journals.lww.com/ajg/fulltext/2024/01000/randomized_trial_of_prophylactic_antibiotics_for.26.aspx" type="link" id="https://journals.lww.com/ajg/fulltext/2024/01000/randomized_trial_of_prophylactic_antibiotics_for.26.aspx">original do artigo</a>)</figcaption></figure>



<h3 class="wp-block-heading" id="h-analise-de-subgrupos"><br>Análise de subgrupos</h3>



<h4 class="wp-block-heading" id="h-etiologia-maligna-vs-benigna"><strong>Etiologia maligna vs. benigna</strong></h4>



<p>Houve maior incidência de complicações no grupo placebo em ambas as etiologias.<br>Entretanto, a diferença foi significativa apenas para colangite na etiologia benigna, com incidência de 3,1% no grupo antibiótico vs. 10,2% no grupo placebo (<em>p=0,0421</em>)</p>



<h4 class="wp-block-heading" id="h-drenagem-biliar-completa"><strong>Drenagem biliar completa</strong></h4>



<p>Mesmo nos casos em que houve drenagem biliar completa, observou-se benefício do antibiótico profilático:</p>



<p><span style="text-decoration: underline;">Complicações infecciosas:</span> antibiótico 3,1% vs. placebo 10,6% (<em>p=0,0077</em>)<br><span style="text-decoration: underline;">Colangite:</span><strong> </strong>antibiótico 1,9% vs. placebo 6,9% (<em>p=0,0279</em>)</p>



<p><br>Fatores de risco relacionados ao procedimento, como <strong>CPRE prévia</strong>, <strong>retirada de cálculos</strong> e <strong>dilatação balonada</strong>, apresentaram tendência a maior risco de complicações infecciosas pós-CPRE no grupo placebo; contudo, não houve significância estatística (Figura 2).</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><a href="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/?attachment_id=21171"><img loading="lazy" decoding="async" width="731" height="439" src="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/04/tabela-2.png" alt="" class="wp-image-21171" srcset="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/04/tabela-2.png 731w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/04/tabela-2-300x180.png 300w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/04/tabela-2-585x351.png 585w" sizes="(max-width: 731px) 100vw, 731px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><br>Figura 2: risco relativo de complicação infecciosa pós-CPRE no grupo placebo, de acordo com procedimentos realizados (<a href="https://journals.lww.com/ajg/fulltext/2024/01000/randomized_trial_of_prophylactic_antibiotics_for.26.aspx" type="link" id="https://journals.lww.com/ajg/fulltext/2024/01000/randomized_trial_of_prophylactic_antibiotics_for.26.aspx">original do artigo</a>).</figcaption></figure>
</div>


<h2 class="wp-block-heading" id="h-discussao"><strong>Discussão</strong></h2>



<p>Este ECR duplo-cego robusto demonstrou que o uso de <strong>antibiótico profilático pré-CPRE</strong>, em pacientes com obstrução biliar sem infecção manifesta, <strong>reduz a incidência de complicações infecciosas pós-procedimento</strong>, incluindo colangite, <strong>mesmo em pacientes nos quais houve drenagem biliar completa. </strong></p>



<p>Esses achados contrastam com as recomendações atuais dos guidelines das principais sociedades de endoscopia do mundo (ASGE e ESGE), e podem representar uma possível <strong>mudança de paradigma</strong>.</p>



<p>Embora a colangite tenha apresentado redução significativa, esse achado deve ser interpretado com cautela, pois se trata de desfecho secundário, o que significa que o estudo não foi dimensionado especificamente para avaliá-lo. Ainda assim, a magnitude do efeito observada sugere um possível benefício clínico real, que idealmente deve ser confirmado em estudos com cálculo amostral direcionado para esse desfecho.</p>



<p>Apesar dos benefícios demonstrados, os autores colocam que é importante estudar o impacto do aumento do uso de antibióticos profiláticos no perfil de resistência das bactérias, sendo importante uma avaliação conjunta com o serviço de infectologia de cada hospital para a escolha do antibiótico ideal.</p>



<p>É importante ressaltar que o estudo <strong>não recomenda antibioticoprofilaxia de rotina para toda CPRE</strong>, mas sim apenas em pacientes com <strong>obstrução biliar manifesta. </strong></p>



<p>Por fim, os autores sugerem que o benefício da antibioticoprofilaxia pode ser maior em pacientes com <strong>CPRE prévia</strong> e quando há maior manipulação da via biliar – como quando há <strong>dilatação balonada e retirada de cálculos.</strong></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-conclusao"><strong>Conclusão</strong></h2>



<p>O estudo traz evidência robusta de que a antibioticoprofilaxia em pacientes com obstrução biliar submetidos à CPRE reduz complicações infecciosas, incluindo a colangite — mesmo em casos de drenagem completa.</p>



<p>Diante desses achados, é possível que as diretrizes passem por reavaliação nos próximos anos à luz de toda a literatura disponível. Enquanto isso, na prática clínica, vale considerar o uso de antibioticoprofilaxia em pacientes selecionados com obstrução biliar e indicação de CPRE, individualizando a decisão caso a caso.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-referencias"><strong>Referências</strong></h2>



<ol class="wp-block-list">
<li>ASGE Standards of Practice Committee, Khashab MA, Chithadi KV, et al. Antibiotic prophylaxis for GI endoscopy.&nbsp;<em>Gastrointest Endosc</em>. 2015;81(1):81-89. doi:10.1016/j.gie.2014.08.008</li>



<li>ASGE Standards of Practice Committee, Khashab MA, Chithadi KV, et al. Antibiotic prophylaxis for GI endoscopy.&nbsp;<em>Gastrointest Endosc</em>. 2015;81(1):81-89. doi:10.1016/j.gie.2014.08.008</li>



<li>Merchan MFS, de Moura DTH, de Oliveira GHP, et al. Antibiotic prophylaxis to prevent complications in endoscopic retrograde cholangiopancreatography: A systematic review and meta-analysis of randomized controlled trials.&nbsp;<em>World J Gastrointest Endosc</em>. 2022;14(11):718-730. doi:10.4253/wjge.v14.i11.718</li>



<li>Niederau C, Pohlmann U, L¨ubke H, et al. Prophylactic antibiotic treatment in therapeutic or complicated diagnostic ERCP: Results of a randomized controlled clinical study. Gastrointest Endosc 1994;40(5):533–7.</li>



<li>van den Hazel SJ, Speelman P, Dankert J, et al. Piperacillin to prevent cholangitis after endoscopic retrograde cholangiopancreatography. A randomized, controlled trial. Ann Intern Med 1996;125(6):442–7.</li>



<li>Leem G, Sung MJ, Park JH, et al. Randomized Trial of Prophylactic Antibiotics for Endoscopic Retrograde Cholangiopancreatography in Patients With Biliary Obstruction.&nbsp;<em>Am J Gastroenterol</em>. 2024;119(1):183-190. doi:10.14309/ajg.0000000000002495</li>
</ol>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-como-citar-este-artigo"><strong>Como citar este artigo</strong></h2>



<p class="has-very-light-gray-to-cyan-bluish-gray-gradient-background has-background">Proença IM. Antibioticoprofilaxia em pacientes com obstrução biliar submetidos à CPRE. Endoscopia Terapeutica, 2026 Vol I. Disponível em: <a href="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/?p=21169" target="_blank" rel="noreferrer noopener">https://endoscopiaterapeutica.net/pt/assuntosgerais/antibioticoprofilaxia-em-pacientes-com-obstrucao-biliar-submetidos-a-cpre/</a></p>



<p>Para saber mais sobre as clássicas indicações de antibioticoprofilaxia na CPRE, confira este material: <a href="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/quiz/quiz-profilaxia-antibiotica-em-cpre/?utm_source=chatgpt.com"><strong>Profilaxia antibiótica em CPRE</strong>.</a></p>
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			</item>
		<item>
		<title>Endoscopic ultrasound-guided gallbladder versus bile duct drainage for first-line therapy of malignant biliary obstruction: international multicenter trial</title>
		<link>https://endoscopiaterapeutica.net/pt/artigoscomentados/drenagem-ecoguiada-obstrucao-biliar-maligna/</link>
					<comments>https://endoscopiaterapeutica.net/pt/artigoscomentados/drenagem-ecoguiada-obstrucao-biliar-maligna/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Mateus Pereira Funari]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 07 Apr 2026 07:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos Comentados]]></category>
		<category><![CDATA[CPRE]]></category>
		<category><![CDATA[eus]]></category>
		<category><![CDATA[EUS-CDS]]></category>
		<category><![CDATA[EUS-GBD]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Publicado na Endoscopy em janeiro 2026 Autores: Benedetto Mangiavillano, Daryl Ramai, Alessandro Fugazza, Gianluca&#8230;</p>
<p>The post <a href="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/artigoscomentados/drenagem-ecoguiada-obstrucao-biliar-maligna/">Endoscopic ultrasound-guided gallbladder versus bile duct drainage for first-line therapy of malignant biliary obstruction: international multicenter trial</a> appeared first on <a href="https://endoscopiaterapeutica.net/pt">Endoscopia Terapeutica</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Publicado na <a href="https://www.thieme-connect.com/products/ejournals/abstract/10.1055/a-2650-5492" type="link" id="https://www.thieme-connect.com/products/ejournals/abstract/10.1055/a-2650-5492">Endoscopy em janeiro 2026</a></p>



<p>Autores: Benedetto Mangiavillano, Daryl Ramai, Alessandro Fugazza, Gianluca Franchellucci, Marco Spadaccini, Carmelo Barbera, Paolo Giorgio Arcidiacono, Germana De Nucci, Belén Martínez-Moreno, Roberto Di Mitri, Francesco Di Matteo, Alberto Larghi, Carlos Robles Medranda, Andrea Anderloni, Luca De Luca, Anthony Y. B. Teoh, Jorge Vargas-Madrigal, Edoardo Forti, Michiel Bronswijk, Helga Bertani, Sundeep Lakhtakia , Khanh Do-Cong Pham, Stefano Francesco Crinò, Alessandro Repici, Antonio Facciorusso, Biliary Therapeutic EUS Study Group.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-introducao"><br><strong>Introdução</strong></h2>



<p id="h-introducao-o-principal-metodo-de-drenagem-biliar-para-obstrucoes-malignas-distais-e-a-cpre-nos-casos-de-impossibilidade-falha-a-coledocoduodenostomia-ecoguiada-eus-choledoduodenostomy-cds-surge-como-uma-das-principais-opcoes-porem-pode-ser-desafiadora-devido-fatores-anatomicos-como-coledoco-lt-12-mm-posicao-do-coledoco-distante-do-probe-alem-da-possibilidade-de-disfuncao-do-stent-a-longo-prazo-1-3-considerando-um-ducto-cistico-patente-a-drenagem-ecoguiada-da-vesicula-eus-gallblader-drainage-gbd-e-uma-alternativa-interessante-pela-tecnica-em-geral-mais-facil-alvo-vesicula-de-maiores-proporcoes-uma-vez-que-os-resultados-sao-bons-100-de-sucesso-tecnico-e-10-8-de-eventos-adversos-em-um-estudo-os-autores-optaram-por-investigar-estas-opcoes-como-primeira-linha-na-paliacao-endoscopica-da-obstrucao-maligna-distal-4-5">O principal método de drenagem biliar para obstruções malignas distais é a <strong>CPRE</strong>. Nos casos de <strong>impossibilidade/falha</strong>, a coledocoduodenostomia ecoguiada <strong>(EUS-choledoduodenostomy &#8211; CDS)</strong> surge como uma das principais opções, porém pode ser desafiadora devido fatores anatômicos, como <strong>colédoco &lt; 12 mm</strong>, posição do <strong>colédoco distante do probe</strong>, além da possibilidade de <strong>disfunção do stent </strong>a longo prazo (1 &#8211; 3). Considerando um <strong>ducto cístico patente</strong>, a drenagem ecoguiada da vesícula <strong>(EUS-gallblader drainage &#8211; GBD)</strong> é uma alternativa interessante, pela técnica em geral <strong>mais fácil</strong> (alvo/vesícula de maiores proporções). Uma vez que os resultados são bons (100% de sucesso técnico e 10,8% de eventos adversos em um estudo), os autores optaram por investigar estas opções como <strong>primeira linha </strong>na paliação endoscópica da <strong>obstrução maligna distal</strong> (4, 5).</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-metodos"><br><strong>Métodos</strong></h2>



<p>Trata-se de um <strong>estudo retrospectivo multicêntrico</strong> que incluiu casos de <strong>EUS-CDS e GBD</strong> como tratamento de <strong>primeira linha </strong>para drenagem biliar (sem tentativa de drenagem por CPRE). Foram incluídos pacientes com <strong>ducto cístico patente</strong> (avaliação prévia por RNM e/ou TC e durante a ecoendoscopia terapêutica), ambos métodos factíveis no procedimento inicial, <strong>colédoco > 12 mm</strong> e não candidatos a cirurgia.</p>



<p>O desfecho primário foi o <strong>sucesso clínico</strong>, definido como <strong>> 15% de queda de bilirrubina em 24h</strong> e <strong>> 50% em 14 dias</strong>. Desfechos secundários: <strong>sucesso técnico</strong> (drenagem de bile após o procedimento), <strong>eventos adversos</strong> e <strong>sobrevida</strong>.</p>



<figure class="wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-2 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex">
<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/?attachment_id=21127"><img loading="lazy" decoding="async" width="929" height="860" data-id="21127" src="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/03/FIGURA-1-ARTIGO-COMENTADO.jpg" alt="" class="wp-image-21127" srcset="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/03/FIGURA-1-ARTIGO-COMENTADO.jpg?v=1774656412 929w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/03/FIGURA-1-ARTIGO-COMENTADO-300x278.jpg?v=1774656412 300w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/03/FIGURA-1-ARTIGO-COMENTADO-768x711.jpg?v=1774656412 768w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/03/FIGURA-1-ARTIGO-COMENTADO-585x542.jpg?v=1774656412 585w" sizes="(max-width: 929px) 100vw, 929px" /></a></figure>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/?attachment_id=21126"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="868" data-id="21126" src="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/03/FIGURA-2-ARTIGO-COMENTADO-1024x868.jpg?v=1774656409" alt="" class="wp-image-21126" srcset="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/03/FIGURA-2-ARTIGO-COMENTADO-1024x868.jpg?v=1774656409 1024w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/03/FIGURA-2-ARTIGO-COMENTADO-300x254.jpg?v=1774656409 300w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/03/FIGURA-2-ARTIGO-COMENTADO-768x651.jpg?v=1774656409 768w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/03/FIGURA-2-ARTIGO-COMENTADO-585x496.jpg?v=1774656409 585w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/03/FIGURA-2-ARTIGO-COMENTADO.jpg?v=1774656409 1069w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a></figure>
</figure>



<p></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-resultados"><br><strong>Resultados</strong></h2>



<p>Após a análise retrospectiva de <strong>291 pacientes</strong>, <strong>77 em cada grupo</strong> (total de 154 pacientes) foram incluídos. <strong>Não houve diferença </strong>nas características de base dos pacientes.</p>



<p>A hot AXIOS foi utilizada em 87% dos casos de EUS-GBD e 92% das CDS. Nos demais casos, a hot Spaxus foi o stent empregado.</p>



<p>A mediana de <strong>sobrevida</strong> em ambos os grupos foi de<strong> 5 meses.</strong> Os dados sobre recorrência de obstrução biliar só estavam disponíveis em 95 pacientes (48 EUS-CDS e 47 GBD). <strong>Não houve diferença</strong> entre os grupos para <strong>recorrência</strong> (CDS 10/48 = 21% e GBD 8/47 = 17%), <strong>sucesso técnico</strong> e <strong>clínico</strong> e <strong>eventos adversos</strong> (tabela 1).</p>



<figure class="wp-block-table is-style-stripes"><div class="pcrstb-wrap"><table class="has-very-light-gray-to-cyan-bluish-gray-gradient-background has-background has-fixed-layout"><thead><tr><th><strong>Desfechos, n (%) [95 %CI]</strong></th><th><strong>EUS-GBD (n = 77)</strong></th><th><strong>EUS-CDS (n = 77)</strong></th><th><strong>P</strong></th></tr></thead><tbody><tr><td><strong>Sucesso técnico</strong></td><td>74 (96) [89–99]</td><td>76 (99) [92–99]</td><td>0.36</td></tr><tr><td><strong>Sucesso clínico</strong></td><td>66 (86) [75–92]</td><td>71 (92) [83–97]</td><td>0.17</td></tr><tr><td><strong>Eventos adversos</strong></td><td>11 (14) [7–24]</td><td>11 (14) [7–24]</td><td>&gt; 0.99</td></tr><tr><td><strong>Sangramento</strong></td><td>2 (3) [0.3–9]</td><td>2 (3) [0.3–9]</td><td>&gt; 0.99</td></tr><tr><td><strong>Perfuração</strong></td><td>1 (1) [0.1–7]</td><td>0 (0) [0–0.4]</td><td>0.54</td></tr><tr><td><strong>Oclusão do stent</strong></td><td>3 (4) [0.8–10]</td><td>2 (3) [0.3–9]</td><td>0.61</td></tr><tr><td><strong>Migração do stent</strong></td><td>1 (1) [0.1–7]</td><td>0 (0) [0–0.4]</td><td>0.54</td></tr><tr><td><strong>Falha na liberação do stent</strong></td><td>0 (0) [0–0.4]</td><td>4 (5) [1–12]</td><td>0.12</td></tr><tr><td><strong>Pancreatite aguda</strong></td><td>3 (4) [0.8–10]</td><td>0 (0) [0–0.4]</td><td>0.09</td></tr><tr><td><strong>Colangite</strong></td><td>1 (1) [0.1–7]</td><td>3 (4) [0.8–10]</td><td>0.29</td></tr><tr><td><strong>Eventos adversos graves</strong></td><td>6 (8) [2–16]</td><td>6 (8) [2–16]</td><td>&gt; 0.99</td></tr></tbody></table></div><figcaption class="wp-element-caption"><br>Tabela 1 (adaptada de Mangiavillano <em>et al.</em>) &#8211; sumário dos resultados nos dois grupos</figcaption></figure>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-discussao"><br><strong>Discussão</strong></h2>



<h3 class="wp-block-heading" id="h-implicacoes-clinicas"><strong>Implicações clínicas</strong></h3>



<p>Os guidelines atuais recomendam a drenagem ecoguiada ao invés da percutânea para falha da CPRE em casos de obstrução biliar distal maligna (1, 6). A EUS-CDS pode ser tecnicamente desafiadora ou até inviável por uma dilatação biliar discreta e/ou distância do probe para o colédoco. Assim, a EUS-GBD apresenta-se como opção factível quando o ducto cístico é patente e não há histórico de colecistectomia.</p>



<h3 class="wp-block-heading" id="h-eus-gbd-versus-eus-cds-como-primeira-linha"><strong>EUS-GBD versus EUS-CDS como primeira linha</strong></h3>



<p>Trabalhos prévios demonstraram resultados similares entre os métodos após falha da CPRE, porém este é o <strong>primeiro estudo </strong>colocando estas opções como <strong>primeira linha na drenagem </strong>das vias biliares.</p>



<p>Os resultados para os entusiastas das drenagens ecoguiadas são muito positivos: <strong>96% de sucesso técnico</strong>, <strong>86% de sucesso clínico</strong> e <strong>11% de eventos adversos</strong>, todos <strong>sem diferença estatística </strong>quando comparados a EUS-CDS. Vale lembrar que estudos prévios já nos fornecem evidência para empregar a EUS-CDS no tratamento da estenose biliar maligna distal mesmo sem tentar realizar a CPRE (7). Quando comparada à CDS, a <strong>GBD</strong> apresenta a vantagem de ser <strong>tecnicamente mais fácil</strong>, podendo ainda, ser factível com maior frequência.</p>



<p>Outro ponto que deve ser sempre mantido em mente para a GBD é a necessidade de uma <strong>boa avaliação da patência do ducto cístico </strong>tanto por exame de imagem seccional prévio (RNM e/ou TC) e na ecoendoscopia terapêutica.</p>



<h3 class="wp-block-heading" id="h-como-escolher-a-abordagem"><strong>Como escolher a abordagem</strong></h3>



<p>A literatura atual, portanto, nos permite considerar <strong>três opções de primeira linha</strong> na obstrução biliar maligna distal: (1) CPRE, (2) EUS-CDS e (3) EUS GBD.</p>



<p>Considerando a otimização de recursos e o sentido de priorizar abordagens “mais fisiológicas”, faz sentido manter a CPRE como opção inicial. Talvez os bons resultados das opções ecoguiadas apresentem essa opção diante de preditores de dificuldade e/ou maior incidência de eventos adversos na CPRE. Ainda não existem guidelines ou fluxogramas baseados em evidências para indicar qual contexto favorece um tipo dessas 3 abordagens em relação aos demais. Faz sentido considerar fatores do paciente como <strong>patência do ducto cístico</strong>, <strong>invasão tumoral do duodeno</strong>, <strong>morfologia da papila</strong> e outros <strong>fatores anatômicos</strong> que possam dificultar a CPRE, além da <strong>expertise local</strong> para as drenagens ecoguiadas. Outra coisa a se considerar, almejando o sucesso endoscópico técnico em quase todos os casos, é <strong>iniciar a CPRE </strong>com a possibilidade de uma <strong>baixo limiar de conversão</strong> para uma <strong>drenagem ecoguiada</strong> no mesmo tempo anestésico.</p>



<h3 class="wp-block-heading" id="h-perspectivas-futuras"><strong>Perspectivas futuras</strong></h3>



<p>Fica evidente o avanço da ecoendoscopia terapêutica com bons resultados na drenagem biliar. Os próximos passos, que devem ser elucidados com novos estudos, envolvem compreender melhor o tipo de situação clínica em que cada opção se aplica.</p>



<p></p>



<p><a href="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/assuntosgerais/drenagem-biliar-ecoguiada-resumo-e-consideracoes-sobre-o-guideline-americano-asge-de-2024/" type="link" id="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/assuntosgerais/drenagem-biliar-ecoguiada-resumo-e-consideracoes-sobre-o-guideline-americano-asge-de-2024/">Quer saber mais sobre <strong>drenagem biliar ecoguiada</strong>? Acesse o link.</a></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-referencias"><br><strong>Referências</strong></h2>



<ol class="wp-block-list">
<li>van der Merwe SW, van Wanrooij RLJ, Bronswijk M, Everett S, Lakhtakia S, Rimbas M, Hucl T, Kunda R, Badaoui A, Law R, Arcidiacono PG, Larghi A, Giovannini M, Khashab MA, Binmoeller KF, Barthet M, Perez-Miranda M, van Hooft JE. Therapeutic endoscopic ultrasound: European Society of Gastrointestinal Endoscopy (ESGE) Guideline. Endoscopy. 2022;54(2):185-205. doi:10.1055/a-1717-1391. </li>



<li>Bang JY, Varadarajulu S. Lumen-apposing metal stents for endoscopic ultrasonography-guided interventions. Dig Endosc. 2019;31(6):619-626. doi:10.1111/den.13428. </li>



<li>Chen YI, Long C, Sahai AV, Napoleon B, Donatelli G, Kunda R, Martel M, Chan SM, Arcidiacono PG, Lam E, Kongkam P, Forbes N, Larghi A, Mosko JD, Van der Merwe S, Gan SI, Jacques J, Kenshil S, Ratanachu-Ek T, Miller C, Saxena P, Desilets E, Sandha G, Alrifae Y, Teoh AYB; ELEMENT and DRA-MBO working groups. Stent misdeployment and factors associated with failure in endoscopic ultrasound-guided choledochoduodenostomy: analysis of the combined datasets from two randomized trials. Endoscopy. 2025;57(4):330-338. doi:10.1055/a-2463-1601. </li>



<li>Issa D, Irani S, Law R, Shah S, Bhalla S, Mahadev S, Hajifathalian K, Sampath K, Mukewar S, Carr-Locke DL, Khashab MA, Sharaiha RZ. Endoscopic ultrasound-guided gallbladder drainage as a rescue therapy for unresectable malignant biliary obstruction: a multicenter experience. Endoscopy. 2021;53(8):827-831. doi:10.1055/a-1259-0349. </li>



<li>Mangiavillano B, Moon JH, Facciorusso A, et al. Endoscopic ultrasound-guided gallbladder drainage as a first approach for jaundice palliation in unresectable malignant distal biliary obstruction: prospective study. Dig Endosc. 2024;36:351-358. </li>



<li>Marya NB, Pawa S; American Society for Gastrointestinal Endoscopy Standards of Practice Committee, et al. American Society for Gastrointestinal Endoscopy guideline on the role of therapeutic EUS in the management of biliary tract disorders: methodology and review of evidence. Gastrointest Endosc. 2024;100:e79-e135. </li>



<li>Khoury T, Sbeit W, Fumex F, et al. Endoscopic ultrasound- versus ERCP-guided primary drainage of inoperable malignant distal biliary obstruction: systematic review and meta-analysis of randomized controlled trials. Endoscopy. 2024;56(12):955-963. doi:10.1055/a-2340-0697.</li>
</ol>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-como-citar-este-artigo"><strong>Como citar este artigo</strong></h2>



<p class="has-very-light-gray-to-cyan-bluish-gray-gradient-background has-background">Funari MP. Endoscopic ultrasound-guided gallbladder versus bile duct drainage for first-line therapy of malignant biliary obstruction: international multicenter trial Endoscopia Terapeutica 2026 Vol I. Disponível em: <a href="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/?p=21124" target="_blank" rel="noreferrer noopener">https://endoscopiaterapeutica.net/pt/artigoscomentados/endoscopic-ultrasound-guided-gallbladder-versus-bile-duct-drainage-for-first-line-therapy-of-malignant-biliary-obstruction-international-multicenter-trial/</a></p>



<p></p>
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		<title>Quiz</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Angelo So Taa Kum]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 31 Mar 2026 07:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Casos Clínicos]]></category>
		<category><![CDATA[Quiz]]></category>
		<category><![CDATA[Diarreia]]></category>
		<category><![CDATA[duodeno]]></category>
		<category><![CDATA[endoscopia]]></category>
		<category><![CDATA[quiz]]></category>
		<category><![CDATA[whipple]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Paciente do sexo feminino, 47 anos, com história de artralgia migratória intermitente há 1&#8230;</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><br>Paciente do sexo feminino, 47 anos, com história de artralgia migratória intermitente há 1 ano, queixa-se de diarreia crônica, dor abdominal e perda de peso não intencional há 3 meses. Na investigação, a Endoscopia Digestiva Alta evidenciou mucosa duodenal com áreas de vilosidades edemaciadas e presença de múltiplas placas esbranquiçadas elevadas. A avaliação histopatológica das biópsias duodenais demonstrou expansão da lâmina própria por macrófagos espumosos positivos para a coloração de Ácido Periódico de Schiff (PAS) e resistentes à diástase. A coloração de Ziehl-Neelsen resultou negativa.</p>



<figure class="wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-3 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex">
<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/?attachment_id=21119"><img loading="lazy" decoding="async" width="640" height="480" data-id="21119" src="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/03/FIGURA-1-QUIZ.jpg" alt="" class="wp-image-21119" srcset="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/03/FIGURA-1-QUIZ.jpg?v=1774654618 640w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/03/FIGURA-1-QUIZ-300x225.jpg?v=1774654618 300w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/03/FIGURA-1-QUIZ-585x439.jpg?v=1774654618 585w" sizes="(max-width: 640px) 100vw, 640px" /></a><figcaption class="wp-element-caption">1-Visão endoscópica à luz branca.</figcaption></figure>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/?attachment_id=21118"><img loading="lazy" decoding="async" width="640" height="480" data-id="21118" src="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/03/FIGURA-2-QUIZ.jpg" alt="" class="wp-image-21118" srcset="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/03/FIGURA-2-QUIZ.jpg?v=1774654618 640w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/03/FIGURA-2-QUIZ-300x225.jpg?v=1774654618 300w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/03/FIGURA-2-QUIZ-585x439.jpg?v=1774654618 585w" sizes="(max-width: 640px) 100vw, 640px" /></a><figcaption class="wp-element-caption">2-Visão endoscópica com NBI.</figcaption></figure>
</figure>





<p></p>
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		<title>Será que UNDERWATER pode ser o futuro das ressecções de lesões de cólon?</title>
		<link>https://endoscopiaterapeutica.net/pt/assuntosgerais/sera-que-mucosectomia-underwater-uemr-pode-ser-o-futuro-das-resseccoes-de-lesoes-de-colon/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Ivan R B Orso]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 24 Mar 2026 07:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Assuntos Gerais]]></category>
		<category><![CDATA[EMR]]></category>
		<category><![CDATA[mucosectomia]]></category>
		<category><![CDATA[PÓLIPOS]]></category>
		<category><![CDATA[UEMR]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O padrão atual para remoção de pólipos médios (10–20 mm) é Mucosectomia Convencional (EMR),&#8230;</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>O padrão atual para remoção de pólipos médios (10–20 mm) é Mucosectomia Convencional (EMR), que depende da injeção de solução salina para elevar a lesão. Porém, esse padrão-ouro tem uma falha importante: frequentemente não remove os tumores em bloco, levando a ressecções fragmentadas e taxas de recorrência entre 15% e 23,5%.</p>



<p>O segredo está na física. Ao injetar fluido sob o pólipo, criamos tensão na mucosa, o que dificulta ao endoscopista capturar profundamente a lesão com a alça. Recentemente, uma técnica vem revolucionando o campo: a Ressecção Endoscópica da Mucosa Subaquática, também conhecida como Mucosectomia Underwater (UEMR). Esta técnica elimina a injeção e preenche o cólon com água, permitindo que a flutuabilidade natural faça o trabalho.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><br><strong>Não é necessário injetar para alcançar profundidade</strong></h2>



<p>O achado mais surpreendente dos estudos clínicos recentes é que não é preciso um “colchão” salino para cortar com segurança e profundidade.</p>



<p>Em um estudo clínico randomizado, a UEMR atingiu profundidade média de 1.688,9 μm, numericamente maior que os 1.432,3 μm obtidos pelo método com injeção. Embora o resultado tenha mostrado apenas <em>não inferioridade estatística</em> (P=0,18), ele desmonta o mito de que a injeção é essencial para segurança.</p>



<p>O segredo é um fenômeno chamado redução gravitacional. Ao encher o cólon com água em vez de ar, a flutuabilidade faz a lesão “boiar” para longe da muscular própria, permitindo que a alça capture tecido submucoso adequado sem risco de envolvimento muscular ou perfuração.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><a href="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/?attachment_id=21094"><img loading="lazy" decoding="async" width="461" height="421" src="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/03/FIGURA-1-ECOENDOSCOPIA.jpg?v=1773164600" alt="Mucosectomia underwater evidenciando flutuação da mucosa e submucosa" class="wp-image-21094" srcset="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/03/FIGURA-1-ECOENDOSCOPIA.jpg?v=1773164600 461w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/03/FIGURA-1-ECOENDOSCOPIA-300x274.jpg?v=1773164600 300w" sizes="(max-width: 461px) 100vw, 461px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><br>Figura 1: Ecoendoscopia evidenciado a mucosa e submucosa ‘flutuando” enquanto a camada muscular se mantém estável. Na UEMR, as lesões flutuam na água por redução gravitacional, permitindo ressecção segura sem envolver a camada muscular.</figcaption></figure>
</div>


<h2 class="wp-block-heading"><br><strong>UEMR e o cólon direito</strong></h2>



<p>O cólon direito, especialmente o ceco e o cólon ascendente são áreas de desafio para o endoscopista: paredes finas, curvas difíceis e maior dificuldade técnica. Mesmo assim, na UEMR, os resultados foram superiores: 1.822,4 μm de profundidade contra 1.096,5 μm com EMR (P=0,01).</p>



<p>A UEMR se destaca no cólon direito porque:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>as paredes finas tornam perigoso uma ressecção profunda com injeção,</li>



<li>a água evita a tensão excessiva da insuflação com ar,</li>



<li>há melhor manobrabilidade em ângulos difíceis.</li>
</ul>



<p>Com água, a pressão intraluminal diminui e a parede não fica esticada, permitindo que o tumor protrua mais naturalmente e seja capturado com segurança.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><br><strong>Tratando pólipos planos</strong></h2>



<p>Pólipos superficiais (“flat”) são desafiadores porque costumam estar presos por fibrose submucosa, que impede a elevação com a injeção. A UEMR resolve isso: a flutuabilidade transforma a lesão plana em uma lesão polipoide, permitindo profundidades significativamente maiores (1.238,7 μm vs. 731,6 μm; P&lt;0,01).</p>



<p>Debaixo d’água, a força de flutuação supera a fibrose e libera a base da lesão, facilitando a captura pela alça.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/?attachment_id=21095"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="301" src="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/03/Figura-2.-Mucosectomia-underwater-1024x301.jpg?v=1773164764" alt="Mucosectomia underwater para lesão plana do cólon sem injeção submucosa" class="wp-image-21095" srcset="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/03/Figura-2.-Mucosectomia-underwater-1024x301.jpg?v=1773164764 1024w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/03/Figura-2.-Mucosectomia-underwater-300x88.jpg?v=1773164764 300w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/03/Figura-2.-Mucosectomia-underwater-768x226.jpg?v=1773164764 768w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/03/Figura-2.-Mucosectomia-underwater-1170x344.jpg?v=1773164764 1170w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/03/Figura-2.-Mucosectomia-underwater-585x172.jpg?v=1773164764 585w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/03/Figura-2.-Mucosectomia-underwater.jpg?v=1773164764 1441w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><br>Figura 2. Mucosectomia underwater. Lesão plana de reto. Infusão de água seguida de captura da lesão com alça, sem injeção.</figcaption></figure>



<p></p>



<h2 class="wp-block-heading"><br><strong>O grande equalizador dos endoscopistas</strong></h2>



<p>A descoberta mais impactante: a UEMR reduz a dependência da experiência do operador.</p>



<p>Endoscopistas com &lt;10 anos de prática obtiveram profundidades maiores com UEMR (1.786,6 μm) do que com EMR (1.192,4 μm). Isso ocorre porque a injeção aumenta a tensão mucosa, tornando o alvo mais difícil. Já na UEMR, a lesão flutua, tornando o procedimento mais intuitivo e uniforme entre diferentes níveis de habilidade.</p>



<p>E tudo isso sem aumentar o tempo de procedimento (7,2 min vs. 6,5 min; P=0,34).</p>



<h2 class="wp-block-heading"><br><strong>Conclusão: será que estamos em frente à um novo padrão-ouro?</strong></h2>



<p>Os dados mostram que a UEMR é:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>não inferior em profundidade total,</li>



<li>superior no cólon direito,</li>



<li>superior para lesões planas,</li>



<li>mais estável para operadores menos experientes.</li>
</ul>



<p>Enquanto aguardamos estudos internacionais maiores, o que já está claro é que estamos entrando em uma nova era no tratamento endoscópico das lesões do cólon, onde a ferramenta mais importante pode não ser uma agulha, mas sim os princípios básicos da física dos fluidos.</p>



<p>Veja mais sobre o tema:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li><a href="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/assuntosgerais/mucosectomia-por-imersao-underwater-com-auxilio-de-cap-um-alternativa-para-casos-dificeis/">Mucosectomia underwater com auxílio de cap</a></li>



<li><a href="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/video/resseccao-de-lst-extensa-de-colon-ascendente-pela-tecnica-underwater-uemr/">Ressecção de lesão extensa de cólon direito por UEMR</a></li>



<li><a href="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/video/2694/">Mucosectomia underwater de lesão de reto</a></li>
</ul>



<h2 class="wp-block-heading"><br><strong>Referência</strong></h2>



<ol class="wp-block-list">
<li>Tamaru Y, Miyakawa A, Shimura H, et al. Resection depth of underwater versus conventional endoscopic mucosal resection for intermediate-sized tumors.&nbsp;<em>Am J Gastroenterol&nbsp;</em>2026 Jan 9.</li>
</ol>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Como citar este artigo</strong></h2>



<p class="has-very-light-gray-to-cyan-bluish-gray-gradient-background has-background">Orso IRB. Será que UNDERWATER pode ser o futuro das ressecções de lesões de cólon? Endoscopia Terapêutica 2026 Vol I. Disponível em:&nbsp;<a href="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/?p=21093" target="_blank" rel="noreferrer noopener">https://endoscopiaterapeutica.net/pt/assuntosgerais/sera-que-underwater-pode-ser-o-futuro-das-resseccoes-de-lesoes-de-colon/</a></p>



<p></p>
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