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	<title>Endoscopia Terapeutica</title>
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	<description>O Jornal Endoscopia Terapêutica tem como objetivo compartilhar experiências da prática diária, além de prover atualizações e discussões sobre endoscopia digestiva.</description>
	<lastBuildDate>Tue, 30 Jun 2026 01:39:57 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Endoscopia Terapeutica</title>
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		<title>Perfuração iatrogênica durante a colonoscopia: manejo baseado em evidência</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Igor Mendonça Proença]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 30 Jun 2026 07:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Assuntos Gerais]]></category>
		<category><![CDATA[colonoscopia]]></category>
		<category><![CDATA[perfuração]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Introdução A perfuração iatrogênica na colonoscopia é uma das complicações mais temidas, e seu&#8230;</p>
<p>The post <a href="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/assuntosgerais/perfuracao-colonoscopia-manejo/">Perfuração iatrogênica durante a colonoscopia: manejo baseado em evidência</a> appeared first on <a href="https://endoscopiaterapeutica.net/pt">Endoscopia Terapeutica</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<h2 id="h-introducao" class="wp-block-heading"><br><strong>Introdução</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">A perfuração iatrogênica na colonoscopia é uma das complicações mais temidas, e seu manejo é, por vezes, desafiador. Embora rara — com incidência de <strong>0,016–0,2% nas colonoscopias diagnósticas e de 0,15–5% nos procedimentos terapêuticos</strong> —, está associada a mortalidade que pode chegar a 15–25% em séries históricas, ainda que centros de alta expertise reportem mortalidade global próxima a <strong>2,3%</strong> (1,2). A variação nesses números reflete, sobretudo, diferenças no tempo de reconhecimento, na disponibilidade de recursos e no tipo de perfuração.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Devemos considerar dois cenários clínicos fundamentalmente distintos: as chamadas <strong>perfurações intervencionais</strong> — aquelas ocorridas durante procedimentos terapêuticos como polipectomia, mucosectomia (EMR) ou dissecção endoscópica da submucosa (ESD) — e as <strong>perfurações não-intervencionais</strong> — causadas pelo aparelho durante a progressão ou manobras (alças, retrovisão). Cabe ressaltar, que essa distinção não é apenas classificatória: ela traz implicações diretas no prognóstico e na decisão terapêutica (2).</p>



<p class="wp-block-paragraph">O tema é tão relevante que já foi publicado há alguns anos artigo sobre o assunto neste portal (<a href="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/assuntosgerais/perfuracao-na-colonoscopia-cuidados-e-manejo/">Clique aqui para acessar o artigo</a>). Assim, o objetivo deste artigo é revisitar o tema, apresentando novos consensos e evidências para uma abordagem prática e baseada nas melhores recomendações disponíveis, com base no guideline da European Society of Gastrointestinal Endoscopy (ESGE) de 2020 (3), nas diretrizes da World Society of Emergency Surgery (WSES) de 2017 (4), em estudos observacionais recentes (2,5,6) e em uma meta-análise de 2026 (1). Dedicamos, ainda, uma seção ao papel da doença diverticular como fator de risco — tema de relevância prática crescente dado o envelhecimento da população e maior acesso à colonoscopia (7–11).</p>



<h2 id="h-tipos-de-perfuracao-na-colonoscopia-e-prognostico" class="wp-block-heading"><br><strong>Tipos de perfuração na colonoscopia e prognóstico</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Estudo multicêntrico alemão com 213 perfurações (2) demonstrou que <strong>68,4% foram intervencionais</strong> e <strong>31,6% não-intervencionais</strong>. Essa proporção tem importância clínica: as perfurações intervencionais foram manejadas endoscopicamente em <strong>71,7%</strong> dos casos, com sucesso clínico de <strong>86,5%</strong> e mortalidade de <strong>0,7%</strong>. Por outro lado, as não-intervencionais tiveram tentativa endoscópica em apenas <strong>38,2%</strong> dos casos, sucesso clínico de <strong>61,5%</strong> e mortalidade significativamente maior: <strong>5,9%</strong> (p=0,037) (2).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A explicação para os resultados é que perfurações não-intervencionais tendem a ser maiores e podem ter reconhecimento tardio com maior frequência — fatores que compõem um cenário muito menos favorável ao fechamento endoscópico e ao manejo não-cirúrgico.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Do ponto de vista anatômico, o sigmoide é o local mais frequente (57,1%) e a maioria das perfurações é intraperitoneal (81%) (5) — dado que tem implicação direta na decisão terapêutica.</p>



<h2 id="h-reconhecimento-da-perfuracao" class="wp-block-heading"><br><strong>Reconhecimento da perfuração</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">O reconhecimento intraprocedimento é o cenário mais favorável e deve ser ativamente buscado. A visualização direta da gordura peritoneal ou de estruturas extraluminais é diagnóstica. Quando há suspeita — seja por percepção de resistência incomum, pneumoperitônio progressivo ou piora clínica do paciente —, a busca ativa e avaliação imediata são mandatórias.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nos casos de suspeita ou diagnóstico pós-procedimento, a <strong>tomografia computadorizada (TC) de abdome</strong> é o exame de escolha, tanto pelo ESGE quanto pelo WSES (3,4). Ela permite caracterizar o tamanho e localização da perfuração, quantificar o ar e líquido livre e orientar a tomada de decisão. Vale destacar que a <strong>presença isolada de ar subdiafragmático não constitui indicação de cirurgia urgente</strong>, especialmente quando há estabilidade clínica e ausência de líquido livre difuso (4). Ar livre limitado após um procedimento terapêutico muitas vezes é esperado e não deve modificar a conduta como achado isolado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por fim, quando identificada perfuração durante a colonoscopia, a documentação é obrigatória: tamanho estimado da perfuração, localização, imagem endoscópica e tratamento aplicado (quando realizado) devem ser registrados (3).</p>



<h2 id="h-tratamento-endoscopico" class="wp-block-heading"><br><strong>Tratamento endoscópico</strong></h2>



<h3 id="h-indicacoes-para-o-manejo-endoscopico" class="wp-block-heading">Indicações para o manejo endoscópico</h3>



<p class="wp-block-paragraph">O fechamento endoscópico é a primeira opção quando as condições são favoráveis. As indicações ideais são (1,2,4,5):</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Reconhecimento imediato ou até 4 horas do procedimento</li>



<li>Tamanho da perfuração &lt; 2 cm — sendo tamanho &lt;0,5cm o único preditor independente de sucesso (2)</li>



<li>Preparo intestinal adequado</li>



<li>Ausência de peritonite generalizada</li>



<li>Estabilidade hemodinâmica</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph">Quando todas essas condições estão presentes — especialmente nas perfurações intervencionais reconhecidas imediatamente —, o fechamento endoscópico oferece taxa de sucesso técnico de <strong>76,1%</strong> e sucesso clínico de <strong>81,5–86,5%</strong> (1,2), com redução média de <strong>9,23 dias</strong> no tempo de internação hospitalar em relação ao tratamento cirúrgico (1).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ao reconhecer a perfuração intraprocedimento, a ESGE recomenda que a primeira medida seja trocar imediatamente para insuflação com CO2, o que que limita o volume de ar extraluminal e reduz o risco de pneumoperitônio progressivo e pneumotórax (4). Entretanto, ainda há muitos serviços na nossa realidade que não dispõem de CO2, o que limita a segurança e eficácia do tratamento endoscópico. Procede-se então o fechamento com os recursos disponíveis.</p>



<h3 id="h-dispositivos-disponiveis-para-o-fechamento" class="wp-block-heading">Dispositivos disponíveis para o fechamento</h3>



<p class="wp-block-paragraph">Os dispositivos disponíveis incluem clipes “through-the-scope” (TTS) convencionais, clipes TTS de nova geração &#8211; como DAT clip e Mantis – (figura 1), os clipes “over-the-scope” (OTSC) – OVESCO e PADLOCK – (figura 2) e sistemas de sutura endoscópica. A Terapia Endoscópica a Vácuo (TEV) pode ser utilizada como adjuvante após fechamento endoscópico total ou parcial; porém, as dificuldades e especificidades técnicas e de manejo da TEV transanal devem ser consideradas e não estão no escopo deste artigo. Assim, a escolha depende, além do tamanho e da localização da perfuração, da expertise e dos materiais disponíveis no serviço — fator crucial e determinante na nossa realidade do dia-a-dia.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><a href="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/?attachment_id=21566"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="371" height="252" src="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/06/clipes-through-the-scope.png" alt="dispositivos disponíveis para o manejo da perfuração na colonoscopia" class="wp-image-21566" srcset="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/06/clipes-through-the-scope.png 371w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/06/clipes-through-the-scope-300x204.png 300w" sizes="(max-width: 371px) 100vw, 371px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><br>Figura 1: clipes “through-the-scope” (TTS) de nova geração – Mantis e DAT clip</figcaption></figure>
</div>

<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><a href="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/?attachment_id=21567"><img decoding="async" width="521" height="233" src="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/06/over-the-scope-clip.png" alt="dispositivos disponíveis para o manejo da perfuração na colonoscopia" class="wp-image-21567" srcset="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/06/over-the-scope-clip.png 521w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/06/over-the-scope-clip-300x134.png 300w" sizes="(max-width: 521px) 100vw, 521px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><br>Figura 2: “over-the-scope clip” (OTSC) – OVESCO e PADLOCK</figcaption></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph">Além disso, quando há pneumoperitônio sob tensão, a descompressão com Jelco ou agulha de Veress pode aliviar a dor, melhorar a função respiratória e facilitar a aproximação das bordas para o fechamento endoscópico (4).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Como medidas adjuvantes, recomenda-se jejum absoluto inicial, com progressão gradual para dieta líquida assim que o paciente esteja assintomático e os marcadores inflamatórios normalizados. Durante o jejum, mantém-se hidratação venosa, considerando-se nutrição parenteral nos casos de jejum prolongado (maior que 3 a 7 dias). Por fim, completam o protocolo antibioticoterapia por 3 a 7 dias e monitorização clínica e laboratorial rigorosa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">É importante ressaltar que, mesmo após sucesso técnico e clínico inicial do fechamento endoscópico, a equipe deve monitorizar o paciente rigorosamente, pois o sucesso precoce não exclui a necessidade futura de cirurgia (4). Piora clínica nas horas seguintes, febre, leucocitose progressiva ou dor abdominal em aumento devem levar à reavaliação imediata.</p>



<h2 id="h-tratamento-conservador" class="wp-block-heading"><br><strong>Tratamento conservador</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">O tratamento conservador é descrito como uma opção válida em perfurações pequenas e bloqueadas, geralmente em pacientes com diagnóstico tardio, porém em boas condições clínicas, e com as seguintes características (4):</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Perfuração pequena, sem evidência de extravasamento ativo de conteúdo luminal</li>



<li>Dor localizada (não difusa)</li>



<li>Ar livre sem líquido livre difuso na TC</li>



<li>Estabilidade hemodinâmica</li>



<li>Ausência de febre</li>



<li>Preparo intestinal ótimo</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph">O protocolo inclui jejum absoluto, hidratação venosa e antibióticos de amplo espectro intravenosos, com monitorização clínica e laboratorial rigorosa a cada 3–6 horas. Dieta parenteral deve ser considerada se o tempo de jejum for muito prolongado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A taxa de sucesso do tratamento conservador varia amplamente na literatura — <strong>33–90%</strong> —, o que reflete a heterogeneidade na seleção dos casos (4). Ausência de melhora ou deterioração clínica em 24 horas devem ser consideradas falha e levar à cirurgia imediata.</p>



<h2 id="h-tratamento-cirurgico" class="wp-block-heading"><br><strong>Tratamento cirúrgico</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">As indicações cirúrgicas absolutas segundo a WSES são (4):</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Sinais e sintomas de peritonite</li>



<li>Perfuração extensa sem controle endoscópico</li>



<li>Instabilidade hemodinâmica</li>



<li>Doenças dos cólons concomitantes que requerem cirurgia</li>



<li>Pacientes transplantados ou imunossuprimidos</li>



<li>Falha do tratamento conservador ou endoscópico</li>



<li>Deterioração clínica</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph">A <strong>janela de 24 horas</strong> é determinante para o tipo de cirurgia necessária. Quando operados em ≤24 horas, o fechamento primário é possível em <strong>55%</strong> dos casos. Em contrapartida, quando a cirurgia ocorre após 24 horas, <strong>100% dos pacientes requerem ressecção intestinal</strong> (4,6). O atraso está associado ainda a maior taxa de complicações, internação mais prolongada e pior prognóstico geral.</p>



<h2 id="h-doenca-diverticular-como-fator-de-risco" class="wp-block-heading"><br><strong>Doença diverticular como fator de risco</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Com o envelhecimento da população submetida à colonoscopia, a doença diverticular tornou-se uma comorbidade cada vez mais frequente na prática diária. Ela influencia diretamente o risco de perfuração e deve ser considerada tanto no planejamento quanto na execução do procedimento.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A <strong>diverticulose</strong> — na ausência de inflamação aguda — pode aumentar o risco de perfuração mesmo em colonoscopia diagnóstica, por três mecanismos principais: fragilidade focal da parede cólica nas áreas de herniação mucosa, distorção anatômica com tortuosidade (especialmente no sigmoide) e maior susceptibilidade ao barotrauma durante a insuflação (3, 11). Além disso, o sigmoide — local de maior prevalência de diverticulose — coincide com a localização mais frequente de perfuração iatrogênica (57,1%) (5).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A <strong>diverticulite aguda</strong>, por sua vez, representa <strong>contraindicação absoluta</strong> para colonoscopia (7,8). A inflamação ativa enfraquece adicionalmente a parede já fragilizada pelos divertículos, eleva o risco de perfuração e pode converter uma diverticulite não complicada em complicada pela manipulação. Tecnicamente, o espasmo, o edema e a distorção anatômica decorrentes da inflamação tornam o procedimento mais difícil e doloroso. Quando há <strong>suspeita de diverticulite aguda, a colonoscopia não deve ser realizada</strong>, sendo a TC de abdome o exame de escolha nesse cenário (7).</p>



<h3 id="h-timing-apos-o-episodio-agudo" class="wp-block-heading"><em>Timing</em> após o episódio agudo</h3>



<p class="wp-block-paragraph">Após resolução do episódio agudo, a colonoscopia deve ser adiada por <strong>no mínimo 6–8 semanas</strong> — ou até a resolução completa dos sintomas, o que for mais longo (7,8). Esse intervalo permite resolução do edema, cicatrização da parede e normalização da motilidade dos cólons. Os dados de segurança confirmam esse racional: revisão sistemática com 404 pacientes operados nessa janela temporal reportou taxa de complicações de apenas 0,2% (IC 95%: 0,04–0,64%) (11). Há, entretanto, um subgrupo que merece atenção — os chamados pacientes com diverticulite persistente ou &#8220;smoldering&#8221;, com sintomas de baixo grau após o episódio agudo (5–10% dos casos): nesses pacientes, o adiamento adicional ou a realização de TC para confirmar resolução antes da colonoscopia é prudente (9). Apesar de indicada, a colonoscopia após episódio de diverticulite aguda deve ser realizada com parcimônia, em momento oportuno, para não levar a um risco importante de perfuração sem benefício que justifique.</p>



<h2 id="h-consideracoes-praticas-no-manejo-da-perfuracao" class="wp-block-heading"><br><strong>Considerações práticas no manejo da perfuração</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Dependência da estrutura e dos recursos disponíveis:</strong> o sucesso do fechamento endoscópico não depende apenas da habilidade técnica do endoscopista, mas também da disponibilidade de materiais — OTSC, clipes TTS de nova geração, sistema de sutura endoscópica. Sendo assim, em serviços sem acesso a esses recursos, perfurações tecnicamente manejáveis em centros de referência poderão requerer cirurgia. Cada serviço precisa conhecer suas próprias limitações e ter um protocolo escrito — como recomendado pela <a href="https://www.thieme-connect.com/products/ejournals/abstract/10.1055/a-1222-3191">ESGE</a> (3) — que contemple essa realidade, definindo claramente em que situações o endoscopista deve buscar suporte cirúrgico imediato.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Relação endoscopista–cirurgião</strong>: ponto-chave no desfecho clínico. Não há espaço para interferências ou atraso na comunicação: o cirurgião deve ser acionado precocemente em todos os casos de perfuração — como recomenda a <a href="https://link.springer.com/article/10.1186/s13017-018-0162-9">WSES</a> (4) —, mesmo quando o plano inicial é o manejo endoscópico ou conservador. A janela de 24 horas para cirurgia com fechamento primário é estreita, e qualquer atraso nessa comunicação pode transformar uma cirurgia com reparo direto em uma ressecção com ostomia.</p>



<h2 id="h-conclusao" class="wp-block-heading"><br><strong>Conclusão</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">A perfuração iatrogênica do cólon durante a colonoscopia é uma complicação rara, mas de consequências potencialmente graves. Seu manejo adequado depende de três elementos: <strong>reconhecimento precoce</strong>, <strong>tomada de decisão rápida</strong> e <strong>comunicação imediata com a equipe cirúrgica</strong>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O manejo endoscópico da perfuração na colonoscopia é eficaz quando as condições são favoráveis e os recursos disponíveis, com resultados equivalentes à cirurgia, menor morbidade e menor tempo de internação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A doença diverticular pode estar relacionada a um maior risco de perfuração: diverticulose extensa exige técnica cuidadosa, enquanto diverticulite aguda contraindica o exame. O timing correto após o episódio agudo — preferencialmente 8 semanas ou mais — é uma medida de segurança com respaldo clínico.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por fim, na prática clínica, a disponibilidade de acessórios endoscópicos e a qualidade da relação com a equipe cirúrgica são variáveis que cada serviço precisa conhecer e incorporar em seu protocolo institucional.</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<h2 id="h-referencias" class="wp-block-heading"><br><strong>Referências</strong></h2>



<ol class="wp-block-list">
<li>Mirza W, Khan ME, Iqbal H, et al. Endoscopic Versus Surgical Management for Iatrogenic Colonic Perforations: A GRADE-assessed Systematic Review and Meta-Analysis of Cohort Studies. Surg Endosc. 2026.</li>



<li>Steinbrück I, Pohl J, Grothaus J, et al. Characteristics and Endoscopic Treatment of Interventional and Non-Interventional Iatrogenic Colorectal Perforations in Centers With High Endoscopic Expertise: A Retrospective Multicenter Study. Surg Endosc. 2023.</li>



<li>Paspatis GA, Arvanitakis M, Dumonceau JM, et al. Diagnosis and Management of Iatrogenic Endoscopic Perforations: ESGE Position Statement – Update 2020. Endoscopy. 2020.</li>



<li>de&#8217;Angelis N, Di Saverio S, Chiara O, et al. 2017 WSES Guidelines for the Management of Iatrogenic Colonoscopy Perforation.World J Emerg Surg. 2018.</li>



<li>Çetinkaya G, Başkent A, Başkent MF, Bardakçi O, Küçük HF. Management of Iatrogenic Colonoscopic Perforations: A 5-Year Retrospective Analysis. Surg Laparosc Endosc Percutan Tech. 2026.</li>



<li>Lee SH, Kim JH, Moon Y, et al. Surgical Decision-Making in Colonoscopic Perforation: Predictors and Optimal Timing of Intervention in a 20-Year Single-Center Cohort. Dig Dis Sci. 2026.</li>



<li>Brown RF, Lopez K, Smith CB, Charles A. Diverticulitis. JAMA. 2025.</li>



<li>Peery AF, Shaukat A, Strate LL. AGA Clinical Practice Update on Medical Management of Colonic Diverticulitis: Expert Review. Gastroenterology. 2021.</li>



<li>Calderwood AH, Shaukat A. Colorectal Cancer Screening and Surveillance and Other Colon Conditions in the Older Adult.<br>Am J Gastroenterol. 2025.</li>



<li>Rex DK, Anderson JC, Butterly LF, et al. Quality Indicators for Colonoscopy. Am J Gastroenterol. 2024.</li>



<li>Balk EM, Adam GP, Cao W, Mehta S, Shah N. Evaluation and Management After Acute Left-Sided Colonic Diverticulitis: A Systematic Review. Ann Intern Med. 2022.</li>
</ol>



<h2 id="h-como-citar-este-artigo" class="wp-block-heading"><strong>Como citar este artigo</strong></h2>



<p class="has-very-light-gray-to-cyan-bluish-gray-gradient-background has-background wp-block-paragraph">Proença IM. Perfuração iatrogênica durante a colonoscopia: manejo baseado em evidência. Endoscopia Terapeutica 2026 Vol I. Disponível em:&nbsp;<a href="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/?p=21564" target="_blank" rel="noreferrer noopener">https://endoscopiaterapeutica.net/pt/assuntosgerais/perfuracao-iatrogenica-durante-a-colonoscopia-manejo-baseado-em-evidencia/</a></p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/author/ivan/"></a></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
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		<title>Hemorragia digestiva alta não varicosa: o que muda no novo guideline da ESGE?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Ivan R B Orso]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 23 Jun 2026 07:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos Comentados]]></category>
		<category><![CDATA[Assuntos Gerais]]></category>
		<category><![CDATA[endoscopia]]></category>
		<category><![CDATA[hda]]></category>
		<category><![CDATA[hemorragia digestiva]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A hemorragia digestiva alta (HDA) não varicosa continua sendo uma das situações mais frequentes&#8230;</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><a href="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/?attachment_id=21529"><img decoding="async" width="739" height="383" src="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/06/Hemorragia-digestiva-alta-nao-varicosa.jpg" alt="hemorragia digestiva alta não varicosa " class="wp-image-21529" srcset="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/06/Hemorragia-digestiva-alta-nao-varicosa.jpg?v=1782137185 739w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/06/Hemorragia-digestiva-alta-nao-varicosa-300x155.jpg?v=1782137185 300w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/06/Hemorragia-digestiva-alta-nao-varicosa-585x303.jpg?v=1782137185 585w" sizes="(max-width: 739px) 100vw, 739px" /></a></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph">A hemorragia digestiva alta (HDA) não varicosa continua sendo uma das situações mais frequentes e desafiadoras na rotina do endoscopista. Apesar de todo avanço em terapia endoscópica, ainda exige uma sequência muito bem coordenada de decisões: reconhecer gravidade, ressuscitar adequadamente, indicar a endoscopia no momento certo, escolher a melhor estratégia hemostática e, depois disso, evitar ressangramento e complicações.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A ESGE publicou uma <a href="https://doi.org/10.1055/a-2863-8314">nova atualização do seu guideline</a> sobre diagnóstico e manejo endoscópico do sangramento por úlcera péptica. Embora o tema esteja dentro do grande guarda-chuva da hemorragia digestiva alta não varicosa, é importante lembrar que este documento se concentra especificamente na hemorragia ulcerosa. Outras causas, como lesão de Dieulafoy, Mallory-Weiss, neoplasias, angiectasias e lesões erosivas, não são o foco principal desta atualização.</p>



<p class="wp-block-paragraph">De forma geral, o novo guideline não muda os pilares clássicos do tratamento. Continuamos falando de ressuscitação hemodinâmica precoce, estratégia transfusional restritiva, estratificação de risco, endoscopia em até 24 horas, classificação de Forrest, hemostasia endoscópica conforme o estigma de sangramento e uso de inibidor de bomba de prótons em alta dose após a hemostasia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A diferença é que o algoritmo ficou mais refinado. O guideline reforça algumas condutas, oferece novas alternativas para outras, e enfatiza alguns pontos do cuidado pós-endoscópico.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-antes-da-endoscopia-menos-pressa-mais-estabilizacao"><br><strong>Antes da endoscopia: menos pressa, mais estabilização</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Uma das mensagens mais importantes da atualização é sobre o tempo da endoscopia. A recomendação continua sendo realizar endoscopia digestiva alta precoce, em até 24 horas após a apresentação do paciente, desde que ele tenha sido adequadamente ressuscitado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O ponto novo é que a ESGE passa a ser mais clara contra a endoscopia emergente, em até 6 horas, ou urgente, em até 12 horas, como rotina para todos os pacientes. Essa conduta só deve ser considerada quando o paciente permanece hemodinamicamente instável apesar da ressuscitação adequada.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na prática, isso muda um pouco a lógica do plantão. O objetivo não é simplesmente “fazer o exame o mais rápido possível” em qualquer cenário. O mais importante é organizar uma endoscopia segura, com o paciente estabilizado, equipe preparada e recursos terapêuticos disponíveis. Para pacientes estáveis, correr para uma endoscopia ultra-precoce não demonstrou benefício consistente em mortalidade ou ressangramento quando comparado à endoscopia em até 24 horas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A estratificação de risco com o Glasgow-Blatchford Score permanece recomendada. Pacientes com GBS ≤ 1 são considerados de muito baixo risco e podem ser manejados ambulatorialmente, desde que exista seguimento adequado e possibilidade de retorno, se houver recorrência dos sintomas e bom entendimento do plano clínico.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outra novidade é a posição sobre cápsulas endoscópicas ou cápsulas detectoras de sangue no contexto da HDA. Apesar de serem tecnologias interessantes e promissoras para triagem, a ESGE não recomenda seu uso rotineiro na suspeita de sangramento digestivo alto. Ainda faltam dados robustos de desfechos clínicos relevantes para incorporá-las como rotina.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-procineticos-eritromicina-segue-preferida-mas-ha-alternativa"><br><strong>Procinéticos: eritromicina segue preferida, mas há alternativa</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">A eritromicina intravenosa antes da endoscopia continua recomendada em pacientes selecionados, especialmente quando há sangramento clinicamente importante, hematêmese persistente ou suspeita de grande quantidade de sangue e coágulos no estômago.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A novidade prática é que, quando a eritromicina IV não estiver disponível, a metoclopramida IV pode ser considerada em pacientes selecionados. A recomendação é condicional e baseada em evidência de baixa qualidade, mas tem valor prático, principalmente em serviços onde a eritromicina não está facilmente acessível.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ainda assim, é importante lembrar que metoclopramida não é isenta de eventos adversos. Seu uso deve ser individualizado, considerando risco de reações extrapiramidais, arritmias, interações medicamentosas e o contexto clínico do paciente.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-ibp-antes-da-endoscopia-deve-usar-mas-nao-deve-atrasar-o-exame"><br><strong>IBP antes da endoscopia: deve usar, mas não deve atrasar o exame</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">O uso de inibidor de bomba de prótons (IBP) em alta dose antes da endoscopia continua sendo uma possibilidade. A recomendação atual é considerar IBP IV em pacientes com HDA, mas sem atrasar a endoscopia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Esse ponto é importante porque o benefício do IBP pré-endoscópico parece estar mais relacionado à redução da necessidade de terapia endoscópica em alguns cenários do que a desfechos duros, como mortalidade ou cirurgia. Portanto, não deve haver atraso de um exame indicado apenas para completar a administração do IBP.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-na-endoscopia-forrest-continua-sendo-o-centro-do-algoritmo"><br><strong>Na endoscopia: Forrest continua sendo o centro do algoritmo</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">A <span style="text-decoration: underline;"><a href="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/classificacao/classificacoes-forrest/">classificação de Forrest</a></span> permanece fundamental para orientar a conduta. Úlceras Forrest Ia e Ib, com sangramento ativo, e Forrest IIa, com vaso visível não sangrante, continuam sendo consideradas lesões de alto risco e devem receber tratamento endoscópico.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Já as úlceras Forrest IIc, com mancha plana pigmentada, e Forrest III, com base limpa, não devem receber hemostasia endoscópica. Esses pacientes geralmente têm baixo risco de eventos adversos e, em cenários selecionados, podem ter alta mais precoce.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A grande discussão fica no meio do caminho: o Forrest IIb, ou seja, o coágulo aderido.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-coagulo-aderido-a-conduta-ficou-mais-ativa-mas-exige-habilidade"><br><strong>Coágulo aderido: a conduta ficou mais ativa, mas exige habilidade</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">No guideline anterior, a recomendação era considerar a remoção do coágulo aderido e tratar o estigma subjacente se ele fosse identificado. Na atualização, a ESGE sugere que pacientes com úlcera Forrest IIb sejam submetidos a tratamento endoscópico, com remoção do coágulo e hemostasia subsequente quando indicada.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas há uma ressalva essencial: isso deve ser feito apenas se o endoscopista tiver competência técnica para remover o coágulo com segurança e manejar uma eventual conversão para uma lesão de maior risco, como sangramento ativo ou vaso visível.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Esse detalhe é muito importante. Remover um coágulo aderido pode revelar uma lesão Forrest Ia, Ib ou IIa. Portanto, não é uma manobra “diagnóstica” simples. É uma decisão terapêutica que exige preparo, dispositivos adequados, equipe treinada e plano de resgate.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na prática, o guideline empurra o manejo do Forrest IIb para uma postura mais intervencionista, mas sem banalizar a técnica.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-ots-clip-ganha-mais-espaco"><br><strong>OTS clip ganha mais espaço</strong></h2>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><a href="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/?attachment_id=21530"><img loading="lazy" decoding="async" width="300" height="192" src="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/06/OTSC.png" alt="" class="wp-image-21530"/></a><figcaption class="wp-element-caption"><br>OTSC</figcaption></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph">Uma das mudanças mais relevantes do novo documento é a valorização dos clips over-the-scope, ou OTS clips.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para úlceras Forrest Ia e Ib, a terapia combinada com adrenalina diluída mais uma segunda modalidade — térmica ou mecânica — continua sendo a recomendação clássica. No entanto, o OTS clip passa a ser aceito como alternativa de monoterapia de primeira linha em lesões de alto risco.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para o Forrest IIa, o guideline também reconhece o OTS clip como alternativa de monoterapia. Além disso, ele ganha papel claro no ressangramento, especialmente se não tiver sido usado na primeira endoscopia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Isso não significa que todo sangramento ulceroso deva ser tratado inicialmente com OTS. A própria diretriz reconhece que muitas dessas recomendações ainda têm qualidade de evidência baixa ou muito baixa, e que a disponibilidade do dispositivo, a experiência do endoscopista e as características da úlcera precisam ser consideradas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas a mensagem é clara: o OTS clip deixou de ser apenas uma ferramenta de resgate excepcional e passou a fazer parte do algoritmo terapêutico moderno.</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph">Se deseja se aprofundar no uso do OTS clip, confira este <span style="text-decoration: underline;"><a href="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/artigoscomentados/artigo-comentado-over-the-scope-clip-as-first-line-treatment-of-peptic-ulcer-bleeding-a-multicenter-randomized-controlled-trial-top-study/">artigo comentado</a>.</span></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-adrenalina-isolada-continua-proibida-como-tratamento-definitivo"><br><strong>Adrenalina isolada continua proibida como tratamento definitivo</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Esse ponto não mudou, mas vale reforçar: adrenalina não deve ser usada como monoterapia endoscópica.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ela pode ajudar a reduzir temporariamente o sangramento, melhorar o campo visual e facilitar a aplicação de uma terapia definitiva. Mas deve ser combinada com outro método, como clip, terapia térmica ou outro recurso hemostático apropriado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A adrenalina compra tempo. Ela não deve ser o tratamento final.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-pinca-hemostatica-e-agentes-topicos-onde-entram"><br><strong>Pinça hemostática e agentes tópicos: onde entram?</strong></h2>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><a href="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/?attachment_id=21531"><img loading="lazy" decoding="async" width="362" height="147" src="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/06/Pinca-hemostatica.png" alt="" class="wp-image-21531" srcset="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/06/Pinca-hemostatica.png 362w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/06/Pinca-hemostatica-300x122.png 300w" sizes="(max-width: 362px) 100vw, 362px" /></a></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph">A pinça hemostática com <em>soft coagulation</em> aparece com mais destaque na nova atualização. Ela pode ser considerada como monoterapia em úlceras com estigmas de alto risco, incluindo Forrest Ia, Ib e IIa. A recomendação ainda é condicional e com evidência de muito baixa qualidade, mas reflete uma tendência de ampliar o arsenal terapêutico, especialmente em mãos experientes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Já os agentes hemostáticos tópicos, como pós ou sprays hemostáticos, não devem ser usados como monoterapia de primeira linha em úlceras de alto risco. Eles podem controlar o sangramento imediato, mas o problema é a durabilidade da hemostasia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Seu papel mais adequado parece ser como terapia de resgate, ponte ou estratégia temporizadora em sangramentos difíceis, principalmente quando a terapia convencional falha ou quando é necessário ganhar tempo para uma intervenção definitiva.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-sangramento-persistente-e-ressangramento-escalar-a-terapia"><br><strong>Sangramento persistente e ressangramento: escalar a terapia</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Quando há sangramento persistente, ou seja, sangramento ativo que não cessa apesar da hemostasia endoscópica padrão, a ESGE sugere considerar OTS clip ou agente hemostático tópico como terapia de resgate.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Se todas as modalidades endoscópicas falharem, o próximo passo deve ser a embolização angiográfica transcateter, a TAE. A cirurgia fica reservada para situações em que a TAE não está disponível ou não foi bem-sucedida.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No ressangramento após hemostasia inicial bem-sucedida, a recomendação continua sendo repetir a endoscopia e tratar novamente se houver indicação. A novidade é que o uso de OTS clip deve ser considerado nessa segunda tentativa, especialmente se ainda não tiver sido utilizado.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-tae-profilatica-uma-nova-possibilidade-para-casos-selecionados"><br><strong>TAE profilática: uma nova possibilidade para casos selecionados</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Uma recomendação nova e bastante interessante é a possibilidade de considerar TAE (embolização angiográfica transcateter) profilática em pacientes de alto risco após hemostasia endoscópica.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os exemplos citados incluem pacientes com instabilidade hemodinâmica na apresentação, úlcera na parede posterior do duodeno, úlcera grande, especialmente maior que 2 cm, ou situações em que a hemostasia endoscópica é considerada pouco durável.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Essa não é uma recomendação para todos. A qualidade da evidência ainda é muito baixa. Mas, em centros com radiologia intervencionista disponível, ela abre uma discussão importante para casos em que o risco de ressangramento é alto e a consequência de uma nova hemorragia pode ser grave.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-ibp-apos-hemostasia-o-padrao-permanece"><br><strong>IBP após hemostasia: o padrão permanece</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Após hemostasia endoscópica, o IBP em alta dose continua sendo recomendado. A opção clássica é bolus intravenoso seguido de infusão contínua por 72 horas, mas regimes alternativos com bolus IV intermitente ou formulação oral em alta dose também podem ser considerados.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A atualização também avaliou os <em>potassium-competitive acid blockers</em> (PCAB), como o vonoprazan. Apesar de estudos recentes sugerirem eficácia comparável aos IBPs em alguns cenários, a ESGE não chegou a consenso para recomendar ou desaconselhar seu uso rotineiro após hemostasia endoscópica.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por enquanto, o IBP segue como padrão.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-h-pylori-continua-sendo-obrigatorio"><br><strong><em>H. pylori</em> continua sendo obrigatório</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">A investigação de <em>H. pylori</em> deve ser feita na endoscopia inicial em pacientes com sangramento ulceroso. Se positivo, o tratamento deve ser iniciado. Se negativo no contexto agudo, o teste deve ser repetido posteriormente, porque há risco de falso-negativo durante o sangramento ou sob uso de IBP.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além disso, a erradicação deve ser documentada. Esse é um ponto simples, mas muitas vezes negligenciado. Controlar o sangramento é apenas a primeira etapa; tratar a causa da úlcera é essencial para reduzir recorrência.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-cuidado-pos-endoscopico-ferro-dieta-e-anticoagulacao-entram-no-radar"><br><strong>Cuidado pós-endoscópico: ferro, dieta e anticoagulação entram no radar</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Uma das partes mais interessantes do novo guideline é a valorização do cuidado depois da hemostasia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A ESGE sugere iniciar terapia com ferro antes da alta hospitalar em pacientes com anemia e/ou deficiência de ferro. Isso é muito coerente com a prática clínica: muitos pacientes saem do hospital sem sangramento ativo, mas com anemia persistente, fadiga e recuperação lenta.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outro ponto novo é a recomendação de nutrição oral precoce, dentro de 24 horas após hemostasia endoscópica durável. A ideia de manter jejum prolongado vem perdendo espaço. Em pacientes estáveis e com hemostasia segura, realimentar precocemente parece ser uma conduta segura.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quanto aos anticoagulantes, o novo guideline recomenda retomá-los assim que clinicamente indicado, de acordo com o risco tromboembólico. Essa decisão deve equilibrar o risco de ressangramento com o risco de trombose, AVC, embolia ou eventos cardiovasculares. Em pacientes de alto risco, a discussão com cardiologia ou hematologia pode ser fundamental.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-em-resumo-o-que-realmente-muda"><br><strong>Em resumo: o que realmente muda?</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">O novo guideline não reinventa o tratamento da hemorragia ulcerosa, mas ajusta pontos importantes da prática.</p>



<p class="has-pale-ocean-gradient-background has-background wp-block-paragraph">A <strong>endoscopia em até 24 horas</strong> segue como o padrão, mas a endoscopia emergente ou urgente deixa de ser rotina em pacientes estáveis. <strong>OTS clip</strong> ganha espaço como <strong>alternativa de primeira linha</strong>, opção no Forrest IIa, recurso importante no ressangramento e ferramenta de resgate. O <strong>Forrest IIb</strong> passa a ser abordado de forma mais ativa, com <strong>remoção do coágulo e tratamento</strong> da lesão subjacente quando houver <strong>competência técnica</strong>. A <strong>metoclopramida</strong> surge como <strong>alternativa</strong> quando a eritromicina IV não estiver disponível. <strong>Agentes hemostáticos</strong> tópicos ficam melhor posicionados como <strong>resgate, não como monoterapia inicial</strong>. E o <strong>cuidado pós-endoscópico</strong> passa a incluir, de forma mais explícita, ferro, nutrição precoce, retomada racional de anticoagulação e possibilidade de TAE profilática em casos selecionados.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Talvez a principal mensagem seja esta: o sucesso no manejo da hemorragia ulcerosa não depende apenas de chegar rápido com o endoscópio. Depende de estabilizar bem, escolher a terapia certa, reconhecer o risco de ressangramento e organizar o cuidado depois da hemostasia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">É uma atualização que valoriza não só a técnica, mas também o julgamento clínico, a experiência do endoscopista e a estrutura do serviço.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><a href="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/?attachment_id=21538"><img loading="lazy" decoding="async" width="682" height="1024" src="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/06/Hemorragia-digestiva-alta-nao-varicosa-guia-682x1024.png" alt="hemorragia digestiva alta não varicosa: fluxograma" class="wp-image-21538" srcset="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/06/Hemorragia-digestiva-alta-nao-varicosa-guia-682x1024.png 682w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/06/Hemorragia-digestiva-alta-nao-varicosa-guia-200x300.png 200w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/06/Hemorragia-digestiva-alta-nao-varicosa-guia-768x1152.png 768w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/06/Hemorragia-digestiva-alta-nao-varicosa-guia-585x878.png 585w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/06/Hemorragia-digestiva-alta-nao-varicosa-guia.png 853w" sizes="(max-width: 682px) 100vw, 682px" /></a></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph"></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-referencia"><strong>Referência</strong></h2>



<ol class="wp-block-list">
<li>Gralnek IM, Morris J, Laursen SB, Camus M, Tziatzios G, Debels LK, et al. Endoscopic diagnosis and management of peptic ulcer bleeding: European Society of Gastrointestinal Endoscopy (ESGE) Guideline – Update 2026. Endoscopy. 2026.</li>
</ol>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-como-citar-este-artigo"><strong>Como citar este artigo</strong></h2>



<p class="has-very-light-gray-to-cyan-bluish-gray-gradient-background has-background wp-block-paragraph">Orso IRB. Hemorragia digestiva alta não varicosa: o que muda no novo guideline da ESGE? Endoscopia Terapeutica 2026 Vol I. Disponível em: <a href="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/?p=21528" target="_blank" rel="noreferrer noopener">https://endoscopiaterapeutica.net/pt/assuntosgerais/hemorragia-digestiva-alta-nao-varicosa-o-que-muda-no-novo-guideline-da-esge/</a></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
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		<title>Quiz! Lesão de pâncreas!</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Luiza Bicudo]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 16 Jun 2026 07:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Quiz]]></category>
		<category><![CDATA[ecoendoscopia]]></category>
		<category><![CDATA[Frantz]]></category>
		<category><![CDATA[lesão cística pancreática]]></category>
		<category><![CDATA[lesão de pâncreas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Apresentação do caso: Paciente feminina, 35 anos, assintomática. Tomografia computadorizada de abdome realizada para&#8230;</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<h2 class="wp-block-heading" id="h-apresentacao-do-caso"><br><strong>Apresentação do caso:</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Paciente feminina, 35 anos, assintomática. Tomografia computadorizada de abdome realizada para avaliação de hérnia hiatal evidenciou lesão ovalada hipoatenuante em corpo/cauda do pâncreas medindo 3,2 x 2,2 cm, com calcificação central e vascularização intralesional, no contexto de pancreatite aguda corpo-caudal. Ducto pancreático e colédoco não dilatados.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><a href="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/?attachment_id=21503"><img loading="lazy" decoding="async" width="448" height="344" src="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/06/Quiz.jpeg" alt="Lesão sólido-cística do pâncreas" class="wp-image-21503" srcset="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/06/Quiz.jpeg?v=1781309940 448w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/06/Quiz-300x230.jpeg?v=1781309940 300w" sizes="(max-width: 448px) 100vw, 448px" /></a></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph">Solicitada ecoendoscopia com punção (EUS-FNB) para caracterização histológica.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Achados à ecoendoscopia: lesão heterogênea, bem delimitada, medindo 28,36 x 22,70 mm, com cisto intramural, e vascularização intralesional ao Doppler, localizada em corpo/cauda pancreáticos. Ausência de dilatação do ducto pancreático principal.</p>



<figure class="wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex">
<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/?attachment_id=21501" target="_blank" rel=" noreferrer noopener"><img loading="lazy" decoding="async" width="902" height="668" data-id="21501" src="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/06/Quiz-Pancreas.jpg" alt="" class="wp-image-21501" srcset="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/06/Quiz-Pancreas.jpg?v=1781308859 902w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/06/Quiz-Pancreas-300x222.jpg?v=1781308859 300w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/06/Quiz-Pancreas-768x569.jpg?v=1781308859 768w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/06/Quiz-Pancreas-585x433.jpg?v=1781308859 585w" sizes="(max-width: 902px) 100vw, 902px" /></a></figure>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/?attachment_id=21500"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="734" data-id="21500" src="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/06/Quiz-Pancreas-1-1024x734.jpg?v=1781308853" alt="" class="wp-image-21500" srcset="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/06/Quiz-Pancreas-1-1024x734.jpg?v=1781308853 1024w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/06/Quiz-Pancreas-1-300x215.jpg?v=1781308853 300w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/06/Quiz-Pancreas-1-768x551.jpg?v=1781308853 768w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/06/Quiz-Pancreas-1-585x420.jpg?v=1781308853 585w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/06/Quiz-Pancreas-1.jpg?v=1781308853 1146w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a></figure>
</figure>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="has-pale-ocean-gradient-background has-background wp-block-paragraph">Quer aprofundar seus conhecimentos sobre lesões pancreáticas? Veja a revisão de <a href="https://link.springer.com/article/10.1007/s10620-025-09320-4">Chatterjee et al. (Dig Dis Sci, 2025)</a>.</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
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		<title>Nem toda erosão em íleo terminal é ileíte: quando pensar em linfoma</title>
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					<comments>https://endoscopiaterapeutica.net/pt/assuntosgerais/linfoma-intestinal-erosoes-ileo-terminal/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Joel Fernandez de Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 09 Jun 2026 07:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Assuntos Gerais]]></category>
		<category><![CDATA[colonoscopia]]></category>
		<category><![CDATA[intestino delgado]]></category>
		<category><![CDATA[linfoma]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://endoscopiaterapeutica.net/pt/?p=21436</guid>

					<description><![CDATA[<p>O íleo terminal é uma região em que o endoscopista costuma pensar primeiro em&#8230;</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">O íleo terminal é uma região em que o endoscopista costuma pensar primeiro em doença inflamatória intestinal, infecção, enteropatia por anti-inflamatórios ou ileíte inespecífica. Isso faz sentido. No entanto, o problema é que, ocasionalmente, o linfoma intestinal aparece incluído nesse cenário e pode ter apresentação surpreendentemente discreta. O trato gastrointestinal é o sítio extranodal mais frequente dos linfomas, embora o linfoma gastrointestinal represente apenas pequena fração das neoplasias digestivas. Ainda assim, o intestino delgado e a região íleo-cecal têm importância prática porque concentram tecido linfoide associado à mucosa e podem abrigar formas B e T com apresentação endoscópica muito variável.<sup>1,2,3</sup></p>



<p class="wp-block-paragraph">Do ponto de vista fisiopatológico, a doença é heterogênea. Predominam os linfomas B, especialmente o linfoma difuso de grandes células B (DLBCLd) e o linfoma MALT. Já os linfomas T intestinais são menos comuns, porém costumam ser mais agressivos. O MALT se relaciona, em alguns contextos, a estímulo antigênico crônico; no estômago, a associação com <em>H. pylori</em> é clássica, ao passo que no intestino delgado a biologia não é bem definida.<sup>1,2,3,7,8</sup></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-tipos-de-linfomas-intestinais-2"><strong>Tipos de Linfomas Intestinais<sup>2</sup><br></strong></h2>



<h3 class="wp-block-heading" id="h-a-linfoma-difuso-de-grandes-celulas-b-dlbcl">a) Linfoma difuso de grandes células B (DLBCL)</h3>



<ul class="wp-block-list">
<li>Tipo mais comum de linfoma do intestino delgado.</li>



<li>Mais frequente no íleo terminal.</li>



<li>Predomina em homens ao redor dos 50 anos.</li>
</ul>



<h3 class="wp-block-heading" id="h-b-linfoma-malt-intestinal-zona-marginal">b) Linfoma MALT intestinal (zona marginal)</h3>



<ul class="wp-block-list">
<li>Linfoma de células B associado ao tecido linfoide da mucosa.</li>



<li>Frequentemente causa má absorção e desnutrição.</li>



<li>Representa cerca de 5% dos casos.</li>



<li>Prognóstico pior que o MALT gástrico.</li>
</ul>



<h3 class="wp-block-heading" id="h-c-linfoma-folicular"><br>c) Linfoma folicular</h3>



<ul class="wp-block-list">
<li>Geralmente localizado no duodeno (segunda porção).</li>



<li>Curso clínico indolente.</li>



<li>Frequentemente restrito ao trato gastrointestinal.</li>



<li>Alta taxa de remissão após tratamento.</li>
</ul>



<h3 class="wp-block-heading" id="h-d-linfoma-de-celulas-do-manto"><br>d) Linfoma de células do manto</h3>



<ul class="wp-block-list">
<li>Tipo raro de linfoma gastrointestinal.</li>



<li>Sobrevida média de 3–5 anos.</li>



<li>Pode acometer extensamente o tubo digestivo.</li>
</ul>



<h3 class="wp-block-heading" id="h-e-linfoma-t-associado-a-enteropatia-eatl"><br>e) Linfoma T associado à enteropatia (EATL)</h3>



<ul class="wp-block-list">
<li>Fortemente associado à doença celíaca refratária.</li>



<li>Mais comum no jejuno.</li>



<li>Muito agressivo.</li>



<li>Prognóstico ruim, com baixa sobrevida.</li>
</ul>



<h3 class="wp-block-heading" id="h-f-linfoma-intestinal-epiteliotropico-monomorfico-meitl"><br>f) Linfoma intestinal epiteliotrópico monomórfico (MEITL)</h3>



<ul class="wp-block-list">
<li>Não associado à doença celíaca.</li>



<li>Mais comum em homens e na população asiática.</li>



<li>Atinge principalmente o jejuno.</li>



<li>Extremamente agressivo, com alta mortalidade.</li>
</ul>



<h3 class="wp-block-heading" id="h-g-doenca-linfoproliferativa-indolente-de-celulas-t-do-trato-gastrointestinal"><br>g) Doença linfoproliferativa indolente de células T do trato gastrointestinal</h3>



<ul class="wp-block-list">
<li>Variante rara e de crescimento lento.</li>



<li>Acomete principalmente intestino delgado e cólon.</li>



<li>Mucosa nodular, hiperemiada e lesões polipoides.</li>



<li>Baixa morbidade.</li>
</ul>



<h3 class="wp-block-heading" id="h-h-linfoma-intestinal-de-celulas-t-nao-especificado-nos"><br>h) Linfoma intestinal de células T não especificado (NOS)</h3>



<ul class="wp-block-list">
<li>Diagnóstico utilizado quando não se encaixa nos demais subtipos.</li>



<li>Mais comum na Ásia.</li>



<li>Comportamento agressivo.</li>



<li>Disseminação extraintestinal frequente.</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph"><br>Apesar do tema complexo, a mensagem é simples: nem todo íleo terminal com erosões superficiais é banal. Em alguns casos, esse pode ser o primeiro achado endoscópico de um linfoma. Esse ponto é particularmente importante porque a apresentação endoscópica do linfoma intestinal é muito mais diversa do que a maioria de nós tende a lembrar no dia a dia.<sup>4,5,6,8</sup></p>



<figure class="wp-block-image size-full"><a href="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/assuntosgerais/linfoma-intestinal-erosoes-ileo-terminal/attachment/imagem-1-linfoma-de-zona-marginal/"><img loading="lazy" decoding="async" width="1448" height="1086" src="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/06/Imagem-1-linfoma-de-zona-marginal.png" alt="Linfoma intestinal- MALT em íleo terminal" class="wp-image-21477" srcset="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/06/Imagem-1-linfoma-de-zona-marginal.png 1448w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/06/Imagem-1-linfoma-de-zona-marginal-300x225.png 300w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/06/Imagem-1-linfoma-de-zona-marginal-1024x768.png 1024w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/06/Imagem-1-linfoma-de-zona-marginal-768x576.png 768w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/06/Imagem-1-linfoma-de-zona-marginal-1170x878.png 1170w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/06/Imagem-1-linfoma-de-zona-marginal-585x439.png 585w" sizes="(max-width: 1448px) 100vw, 1448px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><br>Imagem 1: linfoma de zona marginal (MALT) em íleo terminal. A: imagem a luz branca. B: imagem a cromoscopia óptica.</figcaption></figure>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/?attachment_id=21439"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="455" src="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/06/imunohistoquimica-e-resultado-anatomopatolOgico-1024x455.jpg" alt="Linfoma de íleo terminal comprovado pela imunohistoquímica e anatomopatológico" class="wp-image-21439" srcset="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/06/imunohistoquimica-e-resultado-anatomopatolOgico-1024x455.jpg?v=1780714459 1024w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/06/imunohistoquimica-e-resultado-anatomopatolOgico-300x133.jpg?v=1780714459 300w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/06/imunohistoquimica-e-resultado-anatomopatolOgico-768x341.jpg?v=1780714459 768w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/06/imunohistoquimica-e-resultado-anatomopatolOgico-585x260.jpg?v=1780714459 585w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/06/imunohistoquimica-e-resultado-anatomopatolOgico.jpg?v=1780714459 1142w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><br>Imagem 2: imunohistoquímica e resultado anatomopatológico do caso acima.</figcaption></figure>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/assuntosgerais/linfoma-intestinal-erosoes-ileo-terminal/attachment/imagem-3-linfoma-folicular-em-duodeno/"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="576" src="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/06/Imagem-3-Linfoma-folicular-em-duodeno-1024x576.png" alt="" class="wp-image-21479" srcset="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/06/Imagem-3-Linfoma-folicular-em-duodeno-1024x576.png 1024w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/06/Imagem-3-Linfoma-folicular-em-duodeno-300x169.png 300w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/06/Imagem-3-Linfoma-folicular-em-duodeno-768x432.png 768w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/06/Imagem-3-Linfoma-folicular-em-duodeno-1170x659.png 1170w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/06/Imagem-3-Linfoma-folicular-em-duodeno-585x329.png 585w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/06/Imagem-3-Linfoma-folicular-em-duodeno.png 1352w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a><figcaption class="wp-element-caption">Imagem 3. Linfoma folicular em duodeno. A: Imagem a luz branca. B: imagem a cromoscopia óptica. C: imagem após imunoterapia com diminuição de nodularidade porém sem remissão importante da doença. Cortesia da Dra Crislei Casamali.</figcaption></figure>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/assuntosgerais/linfoma-intestinal-erosoes-ileo-terminal/attachment/imagem-4-linfoma-de-celulas-de-manto-em-ceco/"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="682" src="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/06/Imagem-4-linfoma-de-celulas-de-manto-em-ceco-1024x682.png" alt="" class="wp-image-21480" srcset="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/06/Imagem-4-linfoma-de-celulas-de-manto-em-ceco-1024x682.png 1024w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/06/Imagem-4-linfoma-de-celulas-de-manto-em-ceco-300x200.png 300w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/06/Imagem-4-linfoma-de-celulas-de-manto-em-ceco-768x512.png 768w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/06/Imagem-4-linfoma-de-celulas-de-manto-em-ceco-1170x780.png 1170w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/06/Imagem-4-linfoma-de-celulas-de-manto-em-ceco-585x390.png 585w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/06/Imagem-4-linfoma-de-celulas-de-manto-em-ceco-263x175.png 263w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/06/Imagem-4-linfoma-de-celulas-de-manto-em-ceco.png 1352w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a><figcaption class="wp-element-caption">Imagem 4. linfoma de células de manto em ceco. A: imagem a luz branca. B: imagem a cromoscopia óptica. Cortesia de Dr Júlio César Caliman Berger.</figcaption></figure>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/assuntosgerais/linfoma-intestinal-erosoes-ileo-terminal/attachment/imagem-5-linfoma-difuso-de-grandes-celulas/"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="512" src="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/06/Imagem-5-Linfoma-difuso-de-grandes-celulas-1024x512.png" alt="" class="wp-image-21481" srcset="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/06/Imagem-5-Linfoma-difuso-de-grandes-celulas-1024x512.png 1024w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/06/Imagem-5-Linfoma-difuso-de-grandes-celulas-300x150.png 300w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/06/Imagem-5-Linfoma-difuso-de-grandes-celulas-768x384.png 768w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/06/Imagem-5-Linfoma-difuso-de-grandes-celulas-1170x585.png 1170w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/06/Imagem-5-Linfoma-difuso-de-grandes-celulas-585x293.png 585w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/06/Imagem-5-Linfoma-difuso-de-grandes-celulas.png 1350w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a><figcaption class="wp-element-caption">Imagem 5. Linfoma difuso de grandes células B em ceco. A: lesão inicial com biópsia inconclusiva. B lesão em exame após dois anos. C: aspecto após tratamento. Cortesia de Dr Júlio César Caliman Berger.</figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><br></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-que-o-endoscopista-deve-procurar"><strong>O que o endoscopista deve procurar</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">A primeira regra é não procurar apenas massa. O linfoma pode aparecer como lesão superficial, ulcerada, vegetante, infiltrativa, polipoide ou como combinação desses padrões. Em estudos multicêntricos e em séries focadas no intestino delgado, os padrões superficial e ulcerado foram muito frequentes no conjunto dos linfomas gastrointestinais, enquanto lesões vegetantes ou protrusas com ulceração chamaram mais atenção para histologias agressivas. No intestino delgado, o DLBCL se associou mais a acometimento ileal, espessamento de parede e úlceras profundas.<sup>5,6</sup></p>



<p class="wp-block-paragraph">Na prática, vale descrever melhor.<strong> Assim, em vez de concluir apenas “ileíte erosiva”, é mais útil descrever a profundidade das úlceras, regularidade das bordas, presença de friabilidade, nodularidade esbranquiçada, espessamento de pregas e eventual estreitamento luminal.</strong> A correlação com a clínica também muda o peso do achado: anemia, emagrecimento, febre, sintomas B, alteração radiológica do íleo terminal, elevação de LDH ou evolução rápida devem aumentar o grau de suspeita.<sup>1,4,5,6</sup></p>



<p class="wp-block-paragraph">Outro cuidado é lembrar que o linfoma gastrointestinal pode se assemelhar a diversas condições como Crohn, tuberculose intestinal, enteropatia por anti-inflamatórios, infecções e até adenocarcinoma. Portanto, quando a lesão parece desproporcional à hipótese clínica habitual, quando a biópsia inicial aponta apenas inflamação inespecífica apesar de um aspecto atípico, ou quando a tomografia mostra espessamento parietal importante, vale reabrir a hipótese de linfoma.<sup>4</sup></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-padroes-endoscopicos-por-subtipo"><br><strong>Padrões endoscópicos por subtipo</strong></h2>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong>DLBCL:</strong> pensar diante de úlcera profunda ou irregular, lesão ulcerada, vegetante ou ulceroinfiltrativa. Espessamento parietal e dilatação focal na tomografia reforçam a suspeita.<sup>5,6</sup></li>



<li><strong>MALT:</strong> apresentação muito variável. Pode ser superficial, erosiva, ulcerada ou discretamente polipoide. O ponto mais importante para o endoscopista é que o MALT de íleo terminal pode ter aparência pouco capciosa, com lesões superficiais lembrando inflamação benigna.<sup>8</sup></li>



<li><strong>Linfoma folicular:</strong> costuma mostrar nodularidade esbranquiçada e lesões polipoides ou nodulares brancas. É um padrão visual bastante útil quando as lesões são múltiplas.<sup>7</sup></li>



<li><strong>Linfoma de manto:</strong> o padrão clássico é a múltipla polipose linfomatosa. Assim, quando esse aspecto aparece, essa hipótese deve ser aventada de forma precoce.<sup>7</sup></li>



<li><strong>T-cell, EATL e MEITL:</strong> o alerta deve ser alto diante de padrão ulcerativo ou ulceroinfiltrativo, mucosa edemaciada, granular, com aspecto em mosaico, ulcerações circunferenciais, bem como estenoses ou mesmo perfuração.<sup>2,4,7</sup></li>
</ul>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-como-biopsiar-para-nao-perder-o-diagnostico"><br><strong>Como biopsiar para não perder o diagnóstico</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Aqui mora a parte mais prática. Em série recente de linfoma primário do intestino delgado avaliado por enteroscopia por duplo balão, parte importante dos casos não teve diagnóstico específico na biópsia endoscópica inicial e só foi confirmada depois, muitas vezes com material cirúrgico. Isso é coerente com o mundo real: amostra superficial demais, coleta fora da área representativa, lesão predominantemente submucosa e mucosa de superfície relativamente preservada pode gerar falso negativo.<sup>6</sup></p>



<p class="wp-block-paragraph">Por isso, quando a suspeita existe, a orientação deve ser objetiva: colher <strong>múltiplos fragmentos</strong>, em <strong>diferentes pontos</strong> e com <strong>profundidade adequada</strong> sempre que houver segurança técnica. Não existe um número mínimo de fragmentos universalmente aceito; no entanto, o que se repete nas séries disponíveis é a necessidade de amostragem generosa, priorizando áreas mais alteradas e, quando possível, incluindo bordas e centro de ulcerações.<sup>4,6</sup></p>



<p class="wp-block-paragraph">A comunicação com a patologia também faz diferença. Em vez de um pedido genérico, vale escrever algo como: <strong>“suspeita de doença linfoproliferativa/linfoma intestinal; correlacionar com imuno-histoquímica”</strong>. O painel final depende da morfologia, mas, em muitos cenários, entram marcadores como CD20, CD3, CD5, CD10, CD23, BCL2, BCL6, cyclin D1 e Ki-67, com ampliação conforme a hipótese de subtipo. Uma biópsia negativa não encerra o caso se o contexto clínico, endoscópico ou radiológico continua suspeito.<sup>1,4,6 e 7</sup></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-tratamento"><br><strong>Tratamento</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">O papel da endoscopia no linfoma de íleo terminal é principalmente diagnóstico, de mapeamento e, em situações selecionadas, de suporte. Não há papel estabelecido para tratamento endoscópico curativo de rotina no linfoma ileal. As situações em que a endoscopia terapêutica pode aparecer incluem dilatação por balão em estenoses selecionadas e controle temporário de sangramento tumoral. Fora do cenário típico do íleo terminal, existem relatos isolados de ressecção endoscópica em MALT extranodal muito localizado, mas essa experiência não deve ser automaticamente extrapolada para o íleo.<sup>2,7</sup></p>



<p class="wp-block-paragraph">Do ponto de vista sistêmico, o que mais importa para a definição terapêutica é o subtipo histológico e o estadiamento da doença. Em casos mais indolentes como o MALT e o folicular, muitas vezes é optada a estratégia de “watch and wait”, visto que muitos apresentam remissão espontânea ou doença estável. Outra opção utilizada nos linfomas foliculares localizados é o tratamento com rituximab em monoterapia.<sup>2</sup></p>



<p class="wp-block-paragraph">Nos linfomas B agressivos CD20+, o regime clássico é o R-CHOP (rituximabe, ciclofosfamida, doxorrubicina, vincristina e prednisona). Tomografia e PET-CT costumam fazer parte do estadiamento e da avaliação de resposta. A cirurgia entra principalmente diante de perfuração, obstrução, intussuscepção, sangramento importante ou dúvida diagnóstica persistente. A radioterapia pode ser empregada em casos selecionados de doença localizada, porém seu papel é limitado nos linfomas intestinais devido a mobilidade do intestino. Nos linfomas T intestinais, a doença tende a ser mais agressiva e exige integração precoce com a hematologia.<sup>1,2,9</sup></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-pontos-chave"><br><strong>Pontos-chave</strong></h2>



<ul class="wp-block-list">
<li>Linfoma de íleo terminal pode se apresentar com erosões ou ulcerações discretas; portanto, lesão sutil não exclui neoplasia linfoproliferativa.<sup>4,8</sup></li>



<li>DLBCL pede atenção para úlcera profunda, lesão ulcerada extensa, espessamento parietal e dilatação aneurismática.<sup>5,6</sup></li>



<li>Folicular e manto frequentemente entregam melhores pistas visuais: nodularidade branca/polipoide e múltipla polipose linfomatosa.<sup>7</sup></li>



<li>Em suspeita real, colher múltiplas biópsias profundas e informar explicitamente a hipótese de linfoma à patologia.<sup>4,6</sup></li>



<li>O tratamento principal é definido pela histologia e pela hematologia; a endoscopia tem importância no diagnóstico correto.<sup>1,2,9</sup></li>
</ul>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-referencias"><br><strong>Referências</strong></h2>



<ol class="wp-block-list">
<li>PANNEERSELVAM, K.; GOYAL, S.; THOMAS, A. S. <em>Ileo-colonic lymphoma: presentation, diagnosis, and management</em>. Current Opinion in Gastroenterology, 2021.</li>



<li>OKA, P.; SIDHU, R. <em>Small bowel lymphoma: clinical update and challenges for the gastroenterologist</em>. Current Opinion in Gastroenterology, 2022.</li>



<li>GHIMIRE, P.; WU, G. Y.; ZHU, L. <em>Primary gastrointestinal lymphoma</em>. World Journal of Gastroenterology, 2011.</li>



<li>SHIRWAIKAR THOMAS, A.; SCHWARTZ, M.; QUIGLEY, E. M. M. <em>Gastrointestinal lymphoma: the new mimic</em>. BMJ Open Gastroenterology, 2019.</li>



<li>TRAN, Q. T. et al. <em>Endoscopic and histopathological characteristics of gastrointestinal lymphoma: a multicentric study</em>. Diagnostics, 2023.</li>



<li>LI, L. et al. <em>Characterization of primary small intestinal lymphoma: a retrospective study based on double-balloon endoscopy</em>. BMC Gastroenterology, 2024.</li>



<li>VETRO, C. et al. <em>Rare gastrointestinal lymphomas: the endoscopic investigation</em>. World Journal of Gastrointestinal Endoscopy, 2015.</li>



<li>HUANG, Y. et al. <em>Mucosal healing of ileum-mucosa-associated lymphoid tissue lymphoma after Helicobacter pylori eradication: a case report and literature review</em>. Frontiers in Oncology, 2025.</li>



<li>NATIONAL CANCER INSTITUTE. <em>Aggressive B-cell lymphoma treatment (PDQ®) – health professional version</em>. 2026.</li>
</ol>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="has-pale-ocean-gradient-background has-background wp-block-paragraph"><strong>Quer saber mais sobre o tema?</strong><br><a href="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/quiz/quiz-11/">Quiz!</a><br><a href="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/assuntosgerais/manejo-do-linfoma-malt/">Manejo do linfoma MALT</a><br><a href="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/pilula/como-e-feito-o-diagnostico-do-linfoma-gastrico/">Como é feito o diagnóstico do linfoma gástrico?</a><br><a href="https://journals.lww.com/co-gastroenterology/abstract/2022/05000/small_bowel_lymphoma__clinical_update_and.13.aspx">Linfoma de intestino delgado: atualização clínica e desafios para o gastroenterologista</a></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-como-citar-este-artigo"><strong>Como citar este artigo</strong></h2>



<p class="has-very-light-gray-to-cyan-bluish-gray-gradient-background has-background wp-block-paragraph">Oliveira JF. Nem toda erosão em íleo terminal é ileíte: quando pensar em linfoma Endoscopia Terapeutica 2026 Vol I. Disponível em: <a href="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/?p=21436" target="_blank" rel="noreferrer noopener">https://endoscopiaterapeutica.net/pt/assuntosgerais/nem-toda-erosao-em-ileo-terminal-e-ileite-quando-pensar-em-linfoma/</a></p>



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		<title>Quiz</title>
		<link>https://endoscopiaterapeutica.net/pt/quiz/extravasamento-biliar-pos-colecistectomia-cpre/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Mateus Pereira Funari]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 02 Jun 2026 07:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Quiz]]></category>
		<category><![CDATA[CPRE]]></category>
		<category><![CDATA[Fístula biliar]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Mulher de 56 anos submetida a colecistectomia laparoscópica em serviço externo, apresentando dor abdominal&#8230;</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">Mulher de 56 anos submetida a colecistectomia laparoscópica em serviço externo, apresentando dor abdominal intensa no 5<sup>o</sup> dia pós-operatório.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Solicitada ecoendoscopia para avaliar coledocolitíase, que identificou líquido livre abdominal, com via biliar de calibre normal e sem cálculos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Indicada abordagem cirúrgica em conjunto com CPRE.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na laparoscopia, evidenciou-se coleperitônio, com extravasamento de bile oriundo de ponto no leito vesicular. Após rafia cirúrgica da área descrita, não foi mais evidenciado extravasamento de bile durante a cirurgia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Realizada CPRE intra-operatória com o achado das imagens abaixo.</p>



<figure class="wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-2 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex">
<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/?attachment_id=21349"><img loading="lazy" decoding="async" width="1001" height="1024" data-id="21349" src="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/05/quiz-cpre-1.jpg" alt="Extravasamento biliar pós-colecistectomia. " class="wp-image-21349" srcset="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/05/quiz-cpre-1.jpg?v=1778510012 1001w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/05/quiz-cpre-1-293x300.jpg?v=1778510012 293w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/05/quiz-cpre-1-768x786.jpg?v=1778510012 768w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/05/quiz-cpre-1-585x598.jpg?v=1778510012 585w" sizes="(max-width: 1001px) 100vw, 1001px" /></a></figure>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/?attachment_id=21348"><img loading="lazy" decoding="async" width="999" height="1024" data-id="21348" src="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/05/quiz-cpre-2.jpg" alt="" class="wp-image-21348" srcset="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/05/quiz-cpre-2.jpg?v=1778510009 999w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/05/quiz-cpre-2-293x300.jpg?v=1778510009 293w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/05/quiz-cpre-2-768x787.jpg?v=1778510009 768w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/05/quiz-cpre-2-585x600.jpg?v=1778510009 585w" sizes="(max-width: 999px) 100vw, 999px" /></a></figure>
</figure>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="has-pale-ocean-gradient-background has-background wp-block-paragraph">Quer aprofundar sua prática no manejo endoscópico das complicações biliares pós-colecistectomia? Confira o caso clínico &#8220;<a href="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/casosclinicos/tratamento-minimamente-invasivo-de-lesao-iatrogenica-da-via-biliar-pos-colecistectomia/">Tratamento minimamente invasivo de lesão iatrogênica da via biliar pós-colecistectomia</a>&#8221; e a discussão sobre a estratégia endoscópica ideal, respaldada por esta <a href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/30759468/">revisão sistemática e metanálise (Vlaemynck et al., 2019)</a>.</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
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		<item>
		<title>Ablação por Radiofrequência Guiada por EUS em Lesões Pancreáticas: Indicações e Evidências na Prática Clínica</title>
		<link>https://endoscopiaterapeutica.net/pt/assuntosgerais/eus-rfa-lesoes-pancreaticas/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Paula Fortuci Resende Botelho]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 19 May 2026 07:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Assuntos Gerais]]></category>
		<category><![CDATA[câncer pâncreas]]></category>
		<category><![CDATA[cisto pancreático]]></category>
		<category><![CDATA[ecoendoscopia]]></category>
		<category><![CDATA[eus]]></category>
		<category><![CDATA[EUS-RFA]]></category>
		<category><![CDATA[insulinoma]]></category>
		<category><![CDATA[lesão de pâncreas]]></category>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">A ablação por radiofrequência guiada por ultrassonografia endoscópica (EUS-RFA) tem se consolidado como uma alternativa minimamente invasiva no manejo de lesões pancreáticas selecionadas. A técnica combina a alta precisão da ecoendoscopia com o efeito térmico da radiofrequência, permitindo necrose tecidual controlada com preservação do parênquima adjacente.</p>



<div style="height:31px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-que-e-a-eus-rfa"><strong>O que é a EUS-RFA?</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">A EUS-RFA consiste na introdução de uma sonda de radiofrequência acoplada a uma agulha guiada por ultrassom endoscópico, possibilitando a aplicação direta de energia térmica na lesão-alvo. </p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Principais características:</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">•Abordagem minimamente invasiva<br>•Alta precisão locorregional<br>•Potencial preservação da função pancreática</p>



<div style="height:31px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-mecanismo-de-acao-da-radioablacao"><strong>Mecanismo de ação da radioablação</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">O efeito terapêutico da EUS-RFA baseia-se em: </p>



<p class="wp-block-paragraph">•Geração de calor por corrente de radiofrequência<br>•Aumento da temperatura tecidual<br>•Coagulação proteica e necrose celular<br>•Indução de resposta inflamatória local<br>•Possível efeito imunomodulador sistêmico</p>



<p class="wp-block-paragraph">Estudos sugerem que a ablação pode modular a resposta imune tumoral, aspecto de interesse crescente em oncologia pancreática.</p>



<div style="height:31px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-indicacoes-clinicas-da-eus-rfa"><strong>Indicações Clínicas da EUS-RFA</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">A aplicação clínica da EUS-RFA concentra-se em três cenários principais:</p>



<h3 class="wp-block-heading" id="h-tumores-neuroendocrinos-pancreaticos-pannets"><strong>Tumores Neuroendócrinos Pancreáticos (PanNETs)</strong></h3>



<p class="wp-block-paragraph">A principal indicação atual envolve PanNETs bem diferenciados: </p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Critérios mais aceitos:</strong> </p>



<p class="wp-block-paragraph">•Lesões ≤ 2 cm<br>•Grau 1 (Classificação histopatológica da <em>World Health Organization</em>&#8211; <em>WHO</em>)<br>•Pacientes com alto risco cirúrgico ou que desejam evitar ressecção<br>•Tumores funcionantes, especialmente insulinomas</p>



<p class="wp-block-paragraph">A EUS-RFA tem se mostrado particularmente eficaz em insulinomas, com potencial de se tornar alternativa padrão à cirurgia em casos selecionados.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><b><strong>Evidências clínicas </strong></b><em style="">(Barthet et al., 2019</em> e 2021):</p>



<p class="wp-block-paragraph">•Taxa de resposta completa: 85–100%<br>•Baixa recorrência<br>•Perfil de segurança favorável</p>



<div style="height:31px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<h3 class="wp-block-heading" id="h-lesoes-cisticas-pancreaticas-pcls"><strong>Lesões Císticas Pancreáticas (PCLs)</strong></h3>



<p class="wp-block-paragraph">A EUS-RFA surge como alternativa minimante invasiva em casos selecionados, especialmente em pacientes com contraindicação cirúrgica, alto risco operatório ou recusa de tratamento cirúrgico.<br>Atualmente sua aplicação permanece em evolução e preferencialmente discutida em contexto multidisciplinar.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Possíveis cenários descritos na literatura:</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">•IPMN de ramos secundários com critérios preocupantes (<em>Worrisome features</em>)<br>•Lesões císticas ≥ 3 cm<br>•Parede espessada ou nódulo mural<br>•Pacientes inoperáveis ou com alto risco cirúrgico</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Resultados clínicos </strong>(<em>Barthet et al., 2019</em>):</p>



<p class="wp-block-paragraph">•Resolução completa em até 65% em 12 meses<br>•Redução &gt;50% do volume cístico em 71% dos casos<br>•Complicações maiores &lt;10%</p>



<div style="height:31px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<h3 class="wp-block-heading" id="h-adenocarcinoma-ductal-pancreatico-pdca"><strong>Adenocarcinoma Ductal Pancreático (PDCA)</strong></h3>



<p class="wp-block-paragraph">Embora ainda em caráter investigacional, a EUS-RFA vem sendo estuda como estratégia complementar no manejo do adenocarcinoma ductal pancreático.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Possíveis cenários de aplicações:</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">•Doença localmente avançada irressecável<br>•Pacientes não candidatos à cirurgia<br>•Terapia combinada com quimioterapia e/ou radioterapia<br>•Controle paliativo de sintomas<br>•Redução tumoral com potencial conversão para ressecabilidade em casos selecionados</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os dados disponíveis sugerem segurança aceitável, com eventos adversos predominantemente leves, entretanto ainda não está estabelecido como terapia padrão, sendo necessário mais estudos prospectivos e ensaios clínicos randomizados para melhor definição de impacto em sobrevida, controle local e qualidade de vida.</p>



<div style="height:31px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-seguranca-e-complicacoes"><strong>Segurança e Complicações</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">A EUS-RFA apresenta perfil de segurança favorável quando realizada por equipes experientes.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Complicações mais frequentes:</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">•Dor abdominal transitória<br>•Pancreatite leve<br>•Estenose ductal (rara)</p>



<h3 class="wp-block-heading" id="h-estrategias-para-reducao-de-complicacoes-barthet-et-al-2019"><strong>Estratégias para redução de complicações <em>(Barthet et al., 2019</em></strong><em><strong>)</strong></em></h3>



<p class="wp-block-paragraph">•Controle rigoroso da temperatura do eletrodo<br>•Uso de sistemas de resfriamento interno<br>•Anti-inflamatórios por via retal<br>•Antibióticos profiláticos em lesões císticas <br>•Distância segura do ducto pancreático principal (idealmente > 2mm) <br></p>



<div style="height:31px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><a href="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/?attachment_id=21381"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="682" src="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/05/mecanismo-de-acao-da-eus-1024x682.jpeg" alt="Representação esquemática do mecanismo de ação da EUS-RFA pancreática" class="wp-image-21381" srcset="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/05/mecanismo-de-acao-da-eus-1024x682.jpeg?v=1778799761 1024w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/05/mecanismo-de-acao-da-eus-300x200.jpeg?v=1778799761 300w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/05/mecanismo-de-acao-da-eus-768x512.jpeg?v=1778799761 768w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/05/mecanismo-de-acao-da-eus-1170x780.jpeg?v=1778799761 1170w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/05/mecanismo-de-acao-da-eus-585x390.jpeg?v=1778799761 585w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/05/mecanismo-de-acao-da-eus-263x175.jpeg?v=1778799761 263w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/05/mecanismo-de-acao-da-eus.jpeg?v=1778799761 1280w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a></figure>
</div>


<div style="height:31px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-perspectivas-futuras"><strong>Perspectivas Futuras</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">EUS-RFA está em rápida evolução e tende a ampliar seu papel no manejo minimamente invasivo das lesões pancreáticas selecionadas, especialmente em PanNETs pequenos, lesões císticas mucinosas e, potencialmente, no adenocarcinoma pancreático localmente avançado em estratégias multimodais.</p>



<div style="height:31px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-conclusao"><strong>Conclusão</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">A EUS-RFA representa uma estratégia terapêutica minimamente invasiva promissora.<br>Apesar dos resultados encorajadores e do perfil de segurança favorável, sua incorporação definitiva na prática clínica ainda depende de maior padronização técnica, definição dos critérios ideais de indicação, além de estudos prospectivos e ensaios clínicos randomizados com seguimento a longo prazo.<br>Com o avanço das evidências e refinamento técnico, a tendência é de maior incorporação na prática clínica especializada.</p>



<div style="height:31px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-referencias"><strong>Referências</strong></h2>



<ol class="wp-block-list">
<li>Karaisz FG, Elkelany OO, Davies B, et al. Review on EUS-guided radiofrequency ablation of pancreatic lesions. Diagnostics. 2023.</li>



<li>Giardino A, Innamorati G, Ugel S, et al. Immunomodulation after radiofrequency ablation of locally advanced pancreatic cancer. Pancreatology. 2017;17:962–966.</li>



<li>Jarosova J, Macinga P, Krupickova L, et al. Impact of endoluminal radiofrequency ablation on immunity in pancreatic cancer and cholangiocarcinoma. Biomedicines. 2022;10:1331.</li>



<li>Larghi A, Rizzatti G, Rimbaş M, et al. Endoscopic ultrasound-guided radiofrequency ablation for pancreatic neuroendocrine neoplasms. Endosc Ultrasound. 2019.</li>



<li>Barthet M, Giovannini M, Lesavre N, et al. EUS-guided RFA for pancreatic neuroendocrine tumors and cystic neoplasms. Endoscopy. 2019.</li>



<li>Barthet M, Giovannini M, Gasmi M, et al. Long-term outcomes after EUS-RFA. Endosc Int Open. 2021</li>



<li>Oh D, Seo DW, Song T, et al. Clinical outcomes of EUS-RFA for unresectable pancreatic cancer. Endosc Ultrasound. 2022.</li>
</ol>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="has-pale-ocean-gradient-background has-background wp-block-paragraph">Quer saber mais sobre as evidências atuais, indicações e resultados da EUS-RFA em tumores neuroendócrinos pancreáticos? <a href="https://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1111/den.14681">Confira esta metanálise recente sobre o tema.</a></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-como-citar-este-artigo"><strong>Como citar este artigo</strong></h2>



<p class="has-very-light-gray-to-cyan-bluish-gray-gradient-background has-background wp-block-paragraph">Botelho PFR. Ablação por Radiofrequência Guiada por EUS em Lesões Pancreáticas: Indicações e Evidências na Prática Clínica. Endoscopia Terapeutica 2026 Vol I. Disponível em: <a href="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/?p=21380" target="_blank" rel="noreferrer noopener">https://endoscopiaterapeutica.net/pt/assuntosgerais/ablacao-por-radiofrequencia-guiada-por-eus-em-lesoes-pancreaticas-indicacoes-e-evidencias-na-pratica-clinica/</a></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
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		<title>Quiz! Coleção necrótica peripancreática</title>
		<link>https://endoscopiaterapeutica.net/pt/quiz/colecao-necrotica-peripancreatica-caso-clinico/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Fernanda Prado Logiudice]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 12 May 2026 07:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Quiz]]></category>
		<category><![CDATA[ecoendoscopia]]></category>
		<category><![CDATA[eus]]></category>
		<category><![CDATA[LAMS]]></category>
		<category><![CDATA[won]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Colaboração na realização do caso: Tiago Vilela, Fabio Mancini, Christiano Sakai, Fernanda Prado Logiudice&#8230;</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-pale-ocean-gradient-background has-background wp-block-paragraph"><strong>Colaboração na realização do caso:</strong> Tiago Vilela, Fabio Mancini, Christiano Sakai, Fernanda Prado Logiudice</p>



<p class="wp-block-paragraph"><br>Paciente feminina, 69 anos, realizou ecoendoscopia para avaliação de lesão pancreática com diagnóstico de uma lesão sólida hipoecoica em transição de corpo para colo pancreático medindo até 17 mm.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><a href="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/?attachment_id=21338"><img loading="lazy" decoding="async" width="556" height="371" src="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/05/quiz.jpg" alt="" class="wp-image-21338" srcset="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/05/quiz.jpg?v=1778507615 556w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/05/quiz-300x200.jpg?v=1778507615 300w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/05/quiz-263x175.jpg?v=1778507615 263w" sizes="(max-width: 556px) 100vw, 556px" /></a></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph"><strong>Laudo anatomopatológico:</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">CAM5.2: positivo</p>



<p class="wp-block-paragraph">Cromogranina: positivo</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sinaptofisina: positivo</p>



<p class="wp-block-paragraph">INSM1: positivo</p>



<p class="wp-block-paragraph">Beta-catenina: negativo nas células neoplásicas para padrão aberrante nuclear</p>



<p class="wp-block-paragraph">E-caderina: mantido nas células neoplásicas</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ki67: positivo em 1,3% das células neoplasicas</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Conclusão:</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">• Tumor neuroendócrino bem diferenciado pancreático</p>



<p class="wp-block-paragraph">Foi submetida à pancreatectomia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Duas semanas após a alta, evolui com dor abdominal e febre.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A tomografia de abdome evidenciou coleção com múltiplos focos gasosos em seu interior e área de provável esteatonecrose, ocupando as lojas pancreática e esplênica, em íntima relação com o remanescente pancreático, medindo até 17 cm e com volume estimado em 658 mL.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><a href="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/?attachment_id=21339"><img loading="lazy" decoding="async" width="665" height="434" src="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/05/quiz-2.jpg" alt="Coleção Necrótica Peripancreática" class="wp-image-21339" srcset="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/05/quiz-2.jpg?v=1778507709 665w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/05/quiz-2-300x196.jpg?v=1778507709 300w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/05/quiz-2-585x382.jpg?v=1778507709 585w" sizes="(max-width: 665px) 100vw, 665px" /></a></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph"><br></p>



<p class="has-pale-ocean-gradient-background has-background wp-block-paragraph">Quer saber mais sobre o tratamento e manejo das coleções pancreáticas? Confira a recente metanálise publicada na <em><a href="https://www.thieme-connect.com/products/ejournals/abstract/10.1055/a-2169-0362">Endoscopy</a></em> e <a href="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/assuntosgerais/manejo-pos-drenagem-ecoguiada-de-colecoes-peripancreaticas/">nosso conteúdo</a> completo sobre o tema!</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
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		<title>Escore de Lewis: entenda os fundamentos e seu uso na doença inflamatória intestinal</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Hélcio Pedrosa Brito]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 28 Apr 2026 07:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Assuntos Gerais]]></category>
		<category><![CDATA[capsula]]></category>
		<category><![CDATA[capsula endoscópica]]></category>
		<category><![CDATA[DII]]></category>
		<category><![CDATA[doença de crohn]]></category>
		<category><![CDATA[doença inflamatória intestinal]]></category>
		<category><![CDATA[intestino delgado]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A utilização da cápsula endoscópica (CE) consolidou-se como uma ferramenta indispensável no manejo da&#8230;</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><br>A utilização da <strong>cápsula endoscópica (CE)</strong> consolidou-se como uma ferramenta indispensável no manejo da <strong>Doença de Crohn (DC)</strong> permitindo a visualização direta do <strong>intestino delgado</strong>, frequentemente inacessível por métodos endoscópicos. No diagnóstico, a CE é superior aos exames radiológicos na detecção de lesões mucosas <strong>superficiais e precoces</strong>, com indicação principalmente quando há forte suspeita clínica da patologia e exames tradicionais são normais ou inconclusivos. No tratamento e seguimento, a aplicação do Escore de Lewis na Doença de Crohn permite mapear a <strong>extensão total da inflamação</strong>, estratificar o <strong>prognóstico</strong> e monitorar a <strong>eficácia da terapia</strong> através da verificação da <strong>cicatrização da mucosa</strong>.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-escore-de-lewis-definicao-e-validacao"><br><strong>O Escore de Lewis: Definição e Validação</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">O <strong>Escore de Lewis (LS)</strong> é um sistema de pontuação quantitativo e cumulativo desenvolvido para transformar achados visuais subjetivos da CE em dados numéricos objetivos, padronizando o diagnóstico e acompanhamento da DC. Avalia a gravidade e a distribuição de três parâmetros principais: <strong>edema de vilosidades</strong>, <strong>ulceração</strong> e <strong>estenose.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O escore enfrentou um longo processo de validação, com estudos confirmando sua utilidade clínica. A literatura indica que o LS pode apresentar uma correlação mais estreita com biomarcadores, como a <strong>calprotectina fecal</strong>, do que o <a href="https://www.thieme-connect.com/products/ejournals/abstract/10.1055/s-0031-1291385" type="link" id="https://www.thieme-connect.com/products/ejournals/abstract/10.1055/s-0031-1291385">CECDAI</a>. Sua aplicação principal é na Doença de Crohn do intestino delgado, embora também utiliza-se na avaliação de sangramento gastrointestinal obscuro e outras enteropatias, pois se buscam possíveis lesões que podem causar o quadro clínico investigado.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-indicacoes-e-limitacoes"><br><strong>Indicações e Limitações</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">As principais indicações do LS incluem a avaliação da <strong>atividade inflamatória inicial </strong>em pacientes com suspeita de DC e o monitoramento da <strong>resposta terapêutica</strong> em casos estabelecidos. Uma pontuação maior que <strong>135</strong> tem demonstrado alta eficácia na confirmação do diagnóstico de Crohn durante o seguimento clínico.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Entre as limitações, destacam-se: </p>



<ol class="wp-block-list">
<li><strong>Achados endoscópicos</strong> <strong>inespecíficos</strong>. O escore gradua a atividade inflamatória, mas não determina a etiologia. Assim, lesões causadas por AINEs, infecções, doença de Behçet ou isquemia podem gerar pontuações elevadas indistinguíveis da DC.</li>



<li>Dificuldade em mensurar o <strong>tamanho das lesões.</strong></li>



<li>Dificuldade em mensurar a <strong>quantidade de lesões</strong>, já que a CE pode registrar uma lesão várias vezes. </li>



<li>Necessidade de <strong>treinamento médico rigoroso</strong> para garantir a precisão do cálculo.</li>
</ol>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-uso-e-calculo-do-escore-de-lewis"><br><strong>Uso e Cálculo do Escore de Lewis</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<h3 class="wp-block-heading" id="h-divisao-do-intestino-delgado-em-tercis">Divisão do intestino delgado em tercis</h3>



<p class="wp-block-paragraph">Para utilizar o LS, o sistema divide automaticamente o <em><strong>tempo de trânsito da cápsula no intestino delgado</strong></em> em três partes iguais, denominadas <strong>tercis</strong>. Observe que a divisão é pelo <em>tempo de trânsito </em>e não pela anatomia, pois não se pode determinar com certeza a localização de um achado neste exame. Se a cápsula não entrar no cólon (exame incompleto), o sistema calculará o tempo de trânsito pelo intestino delgado até a última imagem obtida.</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<h3 class="wp-block-heading" id="h-avaliacao-das-caracteristicas-mucosas">Avaliação das características mucosas</h3>



<p class="wp-block-paragraph">Em cada tercil, avaliam-se as seguintes características:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Parâmetros de Mucosa
<ul class="wp-block-list">
<li><span style="text-decoration: underline;">Aparência das vilosidades</span> é classificada como edema quando a largura da vilosidade é igual ou maior que a sua altura, observada em uma mucosa distinta e separada de uma úlcera, em vez de contígua a uma ruptura mucosa.</li>



<li><span style="text-decoration: underline;">Úlceras</span> foram definidas como rupturas mucosas com bases brancas ou amarelas, circundadas por colares vermelhos ou rosados. O tamanho da úlcera, baseado na maior úlcera visualizada em cada tercil, foi determinado pela lesão inteira, incluindo o seu colar circundante, medido de acordo com a porcentagem da imagem da cápsula ocupada pela lesão ulcerada. O número de lesões foi definido como única, poucas (duas a sete lesões) ou múltiplas (oito ou mais lesões).</li>
</ul>
</li>



<li>Estenose
<ul class="wp-block-list">
<li>A <span style="text-decoration: underline;">avaliação da estenose</span> é global para todo o estudo e considera:
<ul class="wp-block-list">
<li>Número de estenoses</li>



<li>Presença de ulceração</li>



<li>Capacidade de transposição pela cápsula</li>
</ul>
</li>
</ul>
</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<h3 class="wp-block-heading" id="h-definicao-da-extensao-do-acometimento">Definição da extensão do acometimento</h3>



<p class="wp-block-paragraph">Define-se o envolvimento do segmento do intestino delgado com base na porcentagem do tercil específico que apresenta alteração mucosa:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li><span style="text-decoration: underline;">Segmento curto</span>: acometimento &lt; 10% do tercil</li>



<li><span style="text-decoration: underline;">Segmento longo</span>: acometimento entre 11–50%</li>



<li><span style="text-decoration: underline;">Segmento total</span>: acometimento > 50%.</li>
</ul>



<h3 class="wp-block-heading" id="h-calculo-do-escore">Cálculo do escore</h3>



<p class="wp-block-paragraph">O escore total é a soma do escore do tercil mais gravemente afetado com o score de estenose. Como a soma das pontuações de cada tercil em um caso de doença leve poderia resultar em um número total maior do que o de um único tercil com doença grave, optou-se por calcular o escore baseando-se no tercil mais grave somado à pontuação de estenose.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><a></a> Assim, um escore total foi criado da seguinte forma: escore do tercil máximo {[(parâmetro de vilosidade x extensão x descritor) + (parâmetro de úlcera x extensão x tamanho)] para o tercil 1 <strong>ou</strong> [(parâmetro de vilosidade x extensão x descritor) + (parâmetro de úlcera x extensão x tamanho)] para o tercil 2 <strong>ou</strong> [(parâmetro de vilosidade x extensão x descritor) + (parâmetro de úlcera x extensão x tamanho)] para o tercil 3} + (número de estenoses x ulcerada x transposta).</p>



<h3 class="wp-block-heading" id="h-classificacao-da-atividade-inflamatoria">Classificação da atividade inflamatória</h3>



<p class="wp-block-paragraph">A pontuação final estratifica a inflamação em três níveis:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong>LS &lt; 135:</strong> normal ou inflamação insignificante</li>



<li><strong>LS 135-790:</strong> doença leve</li>



<li><strong>LS > 790:</strong> doença moderada a grave</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph">Para facilitar, atualmente softwares integrados e aplicativos automatizam essa divisão e o cálculo final.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-parametros-do-escore-de-lewis"><br><strong>Parâmetros do Escore de Lewis</strong></h2>



<figure id="escore-lewis-tabela" class="wp-block-table is-style-stripes"><div class="pcrstb-wrap"><table class="has-pale-ocean-gradient-background has-background has-fixed-layout"><thead><tr><th><strong>Parâmetros</strong></th><th><strong>Número</strong></th><th><strong>Extensão Longitudinal</strong></th><th><strong>Descritores</strong></th></tr></thead><tbody><tr><td><strong>Primeiro tercil</strong></td><td></td><td></td><td></td></tr><tr><td>Aparência das vilosidades</td><td>Normal = <strong>0</strong></td><td>Segmento curto = <strong>8</strong></td><td>Única = <strong>1</strong></td></tr><tr><td></td><td>Edematosa = <strong>1</strong></td><td>Segmento longo = <strong>12</strong></td><td>Em manchas = <strong>14</strong></td></tr><tr><td></td><td></td><td>Todo o tercil = <strong>20</strong></td><td>Difusa = <strong>17</strong></td></tr><tr><td>Úlcera</td><td>Nenhuma = <strong>0</strong></td><td>Segmento curto = <strong>5</strong></td><td>&lt; 1/4 = <strong>9</strong></td></tr><tr><td></td><td>Única = <strong>3</strong></td><td>Segmento longo = <strong>10</strong></td><td>1/4 &#8211; 1/2 = <strong>12</strong></td></tr><tr><td></td><td>Poucas = <strong>5</strong></td><td>Todo o tercil = <strong>15</strong></td><td>&gt; 1/2 = <strong>18</strong></td></tr><tr><td></td><td>Múltiplas = <strong>10</strong></td><td></td><td></td></tr><tr><td><strong>Segundo tercil</strong></td><td></td><td></td><td></td></tr><tr><td>Aparência das vilosidades</td><td>Normal = <strong>0</strong></td><td>Segmento curto = <strong>8</strong></td><td>Única = <strong>1</strong></td></tr><tr><td></td><td>Edematosa = <strong>1</strong></td><td>Segmento longo = <strong>12</strong></td><td>Em manchas = <strong>14</strong></td></tr><tr><td></td><td></td><td>Todo o tercil = <strong>20</strong></td><td>Difusa = <strong>17</strong></td></tr><tr><td>Úlcera</td><td>Nenhuma = <strong>0</strong></td><td>Segmento curto = <strong>5</strong></td><td>&lt; 1/4 = <strong>9</strong></td></tr><tr><td></td><td>Única = <strong>3</strong></td><td>Segmento longo = <strong>10</strong></td><td>1/4 &#8211; 1/2 = <strong>12</strong></td></tr><tr><td></td><td>Poucas = <strong>5</strong></td><td>Todo o tercil = <strong>15</strong></td><td>&gt; 1/2 = <strong>18</strong></td></tr><tr><td></td><td>Múltiplas = <strong>10</strong></td><td></td><td></td></tr><tr><td><strong>Terceiro tercil</strong></td><td></td><td></td><td></td></tr><tr><td>Aparência das vilosidades</td><td>Normal = <strong>0</strong></td><td>Segmento curto = <strong>8</strong></td><td>Única = <strong>1</strong></td></tr><tr><td></td><td>Edematosa = <strong>1</strong></td><td>Segmento longo = <strong>12</strong></td><td>Em manchas = <strong>14</strong></td></tr><tr><td></td><td></td><td>Todo o tercil = <strong>20</strong></td><td>Difusa = <strong>17</strong></td></tr><tr><td>Úlcera</td><td>Nenhuma = <strong>0</strong></td><td>Segmento curto = <strong>5</strong></td><td>&lt; 1/4 = <strong>9</strong></td></tr><tr><td></td><td>Única = <strong>3</strong></td><td>Segmento longo = <strong>10</strong></td><td>1/4 &#8211; 1/2 = <strong>12</strong></td></tr><tr><td></td><td>Poucas = <strong>5</strong></td><td>Todo o tercil = <strong>15</strong></td><td>&gt; 1/2 = <strong>18</strong></td></tr><tr><td></td><td>Múltiplas = <strong>10</strong></td><td></td><td></td></tr><tr><td><strong>Estenose – avaliação global</strong></td><td></td><td></td><td></td></tr><tr><td>Estenose</td><td>Nenhuma = <strong>0</strong></td><td>Ulcerada = <strong>24</strong></td><td>Transpassa = <strong>7</strong></td></tr><tr><td></td><td>Única = <strong>14</strong></td><td>Não ulcerada = <strong>2</strong></td><td>Não transpassa = <strong>10</strong></td></tr><tr><td></td><td>Múltiplas = <strong>20</strong></td><td></td><td></td></tr></tbody></table></div><figcaption class="wp-element-caption">Tabela: Parâmetros e pontuação do Escore de Lewis na Doença de Crohn.</figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">E você, já sabia quais eram os fundamentos do Escore de Lewis? Escreva abaixo qual a sua experiência com o uso deste escore. Espero que possa ser útil no acompanhamento de seus pacientes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Até a próxima!</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-referencias"><br><strong>Referências</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">1. Yablecovitch D, Lahat A, Neuman S, Levhar N, Avidan B, Ben-Horin S, Eliakim R, Kopylov U. The Lewis score or the capsule endoscopy Crohn&#8217;s disease activity index: which one is better for the assessment of small bowel inflammation in established Crohn&#8217;s disease? Ther Adv Gastroenterol. 2018 Jan 14;11:1756283X17747780. doi: 10.1177/1756283X17747780. PMID: 29399042; PMCID: PMC5788095.</p>



<p class="wp-block-paragraph">2. Cotter J, Dias de Castro F, Magalhães J, Moreira MJ, Rosa B. Validation of the Lewis score for the evaluation of small-bowel Crohn&#8217;s disease activity. Endoscopy. 2015 Apr;47(4):330-5. doi: 10.1055/s-0034-1390894. Epub 2014 Nov 20. PMID: 25412092.</p>



<p class="wp-block-paragraph">3. Gralnek IM, Defranchis R, Seidman E, Leighton JA, Legnani P, Lewis BS. Development of a capsule endoscopy scoring index for small bowel mucosal inflammatory change. Aliment Pharmacol Ther. 2008 Jan 15;27(2):146-54. doi: 10.1111/j.1365-2036.2007.03556.x. Epub 2007 Oct 23. PMID: 17956598.</p>



<p class="wp-block-paragraph">4. Koulaouzidis A, Douglas S, Plevris JN. Lewis score correlates more closely with fecal calprotectin than Capsule Endoscopy Crohn’s Disease Activity Index. Dig Dis Sci 2012; 57: 987–993</p>



<p class="wp-block-paragraph">5. Rosa B, Moreira MJ, Rebelo A et al. Lewis Score: a useful clinical tool for patients with suspected Crohn’s Disease submitted to capsule endoscopy. J Crohns Colitis 2012; 6: 692–697</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-como-citar-este-artigo"><strong>Como citar este artigo</strong></h2>



<p class="has-very-light-gray-to-cyan-bluish-gray-gradient-background has-background wp-block-paragraph">Brito HP. Escore de Lewis: entenda os fundamentos e seu uso na doença inflamatória intestinal. Endoscopia Terapeutica 2026 Vol I. Disponível em:<a href="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/?p=21296" target="_blank" rel="noreferrer noopener"> https://endoscopiaterapeutica.net/pt/assuntosgerais/escore-de-lewis-entenda-os-fundamentos-e-seu-uso-na-doenca-inflamatoria-intestinal/</a></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph">Aproveite para aprofundar seus conhecimentos sobre o <a href="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/classificacao/cdeis-crohns-disease-index-of-severity/" type="link" id="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/classificacao/cdeis-crohns-disease-index-of-severity/">índice CDEIS </a>e a padronização de escores na Doença de Crohn.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Ressequei uma lesão colorretal&#8230; e agora?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Renata Nobre&nbsp;e&nbsp;Evelyn Sayuri Simabuguro Chinem]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 21 Apr 2026 07:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Assuntos Gerais]]></category>
		<category><![CDATA[Câncer colorretal]]></category>
		<category><![CDATA[colonoscopia]]></category>
		<category><![CDATA[ESD]]></category>
		<category><![CDATA[ressecção completa]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Após a ressecção endoscópica de uma lesão colorretal, vem o momento mais crítico da&#8230;</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">Após a ressecção endoscópica de uma lesão colorretal, vem o momento mais crítico da tomada de decisão:</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Foi curativo… ou ainda não terminamos o tratamento?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Responder essa pergunta depende de vários fatores.<br>E é justamente aqui que começam as maiores dúvidas na prática clínica.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Neste texto, vamos abordar de forma direta e objetiva os principais pontos que você precisa avaliar para definir se a sua ressecção foi realmente curativa.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-que-define-uma-margem-vertical-negativa"><br><strong>O que define uma margem vertical negativa?</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo o guideline de 2022 da ESGE<sup>1</sup>:</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Idealmente ≥ 1 mm de margem livre.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas atenção:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Não existem evidências suficientes na literatura para determinar que uma margem com extensão &lt; 1mm seja positiva, mas margens inferiores a esse tamanho podem aumentar o risco de recidiva local.</li>



<li>Se a distância entre a lesão e a margem vertical for inferior a 1 mm mas livre de tumor, isso não acarreta em uma mudança de tratamento, sendo recomendado apenas seguimento, que deve ser mais rigoroso</li>
</ul>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-resseccao-em-monobloco-com-margens-negativas-r0-e-sinonimo-de-cura"><br><strong>Ressecção em monobloco com margens negativas (R0) é sinônimo de cura?</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">NÃO necessariamente!</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ter margens livres (R0) é essencial, mas está longe de ser suficiente. Outros critérios devem ser avaliados em conjunto. A decisão real depende de uma análise histopatológica mais profunda, que vai estimar o risco de metástase linfonodal.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-se-nao-basta-ser-r0-o-que-mais-importa"><br><strong>Se não basta ser R0&#8230; o que mais importa?</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo as diretrizes japonesas (JSCCR)<sup>2</sup>, a ressecção só é considerada curativa quando TODOS os critérios abaixo estão presentes:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Margens livres</li>



<li>Adenocarcinoma bem ou moderadamente diferenciado (tubular ou papilífero)</li>



<li>Invasão submucosa &lt; 1000 μm (T1a)</li>



<li>Ausência de invasão linfática ou vascular</li>



<li>Tumor budding baixo (BD1): 0–4 buds</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph">Se tudo isso estiver presente:</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>O risco de metástase linfonodal é muito baixo → nenhum tratamento adicional é necessário</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Já o guideline da ESGE<sup>1</sup> propõe uma abordagem baseada em estratificação de risco:</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Muito baixo risco (&lt; 0,5%)</strong></p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Ressecção en bloc R0</li>



<li>Displasia ou lesão pT1a (submucosa superficial)</li>



<li>Diferenciada</li>



<li>Sem invasão linfovascular</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Baixo risco (&lt; 2%)</strong></p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Ressecção en bloc R0</li>



<li>T1b superficial (Sm1)</li>



<li>Diferenciada</li>



<li>Sem invasão linfovascular</li>
</ul>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-tumor-budding-o-que-e-e-por-que-isso-importa-tanto"><br><strong><em>Tumor budding</em>&#8230; o que é e por que isso importa tanto?</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">O tumor budding corresponde a células tumorais isoladas ou pequenos agrupamentos (até 4 células) localizados na frente invasiva do tumor<sup>4</sup>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em outras palavras: <strong>é um marcador de agressividade tumoral.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">E é exatamente por isso que ele importa tanto: <strong>identifica tumores biologicamente mais agressivos, mesmo quando outros critérios parecem favoráveis.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Na prática:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>BD1 → baixo risco</li>



<li>BD2/BD3 → maior risco de metástase → considerar tratamento adicional</li>
</ul>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-profundidade-de-invasao-submucosa-ainda-e-um-criterio-isolado-absoluto"><br><strong>A profundidade de invasão submucosa ainda é um critério isolado absoluto?</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Cada vez menos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Evidências recentes mostram que:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>A invasão ≥ 1000 μm isoladamente pode superestimar o risco</li>



<li>Quando isolada, o risco de metástase linfonodal é baixo</li>



<li>Não se mantém como fator independente em análises ajustadas</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph">Uma meta-análise publicada por&nbsp;Zwager e colaboradores<sup>3</sup>, que incluiu&nbsp;67 estudos com mais de 21 mil pacientes, mostrou que:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>A taxa global de metástase linfonodal em câncer colorretal T1 foi&nbsp;<strong>11,2%</strong>.</li>



<li>Embora a invasão submucosa profunda esteja associada a maior risco em análise univariada,&nbsp;<strong>não se mostrou um fator independente significativo quando ajustada para outros fatores histológicos</strong>.</li>



<li>Quando presente&nbsp;<strong>como único fator de risco</strong>, a taxa absoluta de metástase linfonodal foi de aproximadamente&nbsp;<strong>2,6%</strong>.</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph">Ou seja:</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Não devemos tomar decisões baseadas em um único critério.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Essa abordagem mais individualizada tem ganhado espaço no manejo contemporâneo do câncer colorretal precoce.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-mas-e-entao-quando-devo-indicar-tratamento-adicional-apos-resseccao-endoscopica"><br><strong>Mas e então&#8230; quando devo indicar tratamento adicional após ressecção endoscópica?</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Quando o risco de metástase linfonodal deixa de ser desprezível.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os principais sinais de alerta são:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Margem vertical positiva</li>



<li>Invasão submucosa ≥ 1000 μm (T1b)</li>



<li>Invasão linfática ou vascular</li>



<li>Histologia desfavorável:
<ul class="wp-block-list">
<li>Pouco diferenciado</li>



<li>Mucinoso</li>



<li>Células em anel de sinete</li>
</ul>
</li>



<li>Tumor budding alto (BD2 ou BD3)</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph">A presença de qualquer um desses fatores aumenta a probabilidade de disseminação linfonodal e, portanto, pode justificar tratamento cirúrgico adicional.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No entanto, a decisão final não deve ser baseada apenas na histologia. As diretrizes ressaltam que&nbsp;fatores do paciente também devem ser considerados, como idade, comorbidades, condição funcional e impacto potencial da cirurgia na qualidade de vida.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-mensagem-final"><br><strong>Mensagem final</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">A definição de ressecção endoscópica curativa no câncer colorretal precoce deve ser baseada em uma avaliação integrada dos fatores histopatológicos de risco para metástase linfonodal e fatores relacionados ao paciente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Margens negativas e profundidade de invasão submucosa, embora fundamentais, não devem ser interpretadas isoladamente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A estratificação adequada do risco requer a análise conjunta de múltiplos parâmetros, incluindo:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>grau de diferenciação tumoral</li>



<li>presença de invasão linfovascular</li>



<li>tumor budding</li>



<li>padrão de ressecção (en bloc vs piecemeal)</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph">Essa abordagem multidimensional permite uma estimativa mais precisa do risco oncológico e orienta de forma mais segura a decisão entre seguimento endoscópico e tratamento cirúrgico adicional.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Portanto, a conduta deve ser individualizada, considerando não apenas os achados histológicos, mas também as características clínicas do paciente e o impacto potencial das diferentes estratégias terapêuticas.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-referencias"><strong>Referências</strong></h2>



<ol class="wp-block-list">
<li>Endoscopic submucosal dissection for superficial gastrointestinal lesions: European Society of Gastrointestinal Endoscopy (ESGE) Guideline – Update 2022. Endoscopy, 2022. Pimentel-Nunes Pedro et al.</li>



<li>Japanese Society for Cancer of the Colon and Rectum (JSCCR) guidelines 2024 for the treatment of colorectal cancer.</li>



<li>Deep Submucosal Invasion Is Not an Independent Risk Factor for Lymph Node Metastasis in T1 Colorectal Cancer: A Meta-Analysis. Gastroenterology, 2022. Liselotte W Zwager et al.</li>



<li><a href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/32601463" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Tumour Budding and Its Clinical Implications in Gastrointestinal Cancers.</a> British Journal of Cancer. 2020.&nbsp;Zlobec I, Berger MD, Lugli A.</li>
</ol>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-como-citar-este-artigo"><strong>Como citar este artigo</strong></h2>



<p class="has-very-light-gray-to-cyan-bluish-gray-gradient-background has-background wp-block-paragraph">Nobre R, Chinem ESS. Ressequei uma lesão colorretal&#8230; e agora? Endoscopia Terapeutica 2026 Vol I. Disponível em: <a href="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/?p=21178" target="_blank" rel="noreferrer noopener">https://endoscopiaterapeutica.net/pt/assuntosgerais/ressequei-uma-lesao-colorretal-e-agora/</a></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph">Quer aprofundar a discussão sobre ressecção endoscópica colorretal? <a href="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/assuntosgerais/resseccoes-de-colon-com-invasao-acima-de-1000-micras-sm1-acometimento-linfovascular-pouco-diferenciadas-e-budding-de-alto-risco-tem-sempre-indicacao-cirurgica/" type="link" id="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/assuntosgerais/resseccoes-de-colon-com-invasao-acima-de-1000-micras-sm1-acometimento-linfovascular-pouco-diferenciadas-e-budding-de-alto-risco-tem-sempre-indicacao-cirurgica/">Acesse</a>!</p>
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		<title>Antibioticoprofilaxia em pacientes com obstrução biliar submetidos à CPRE</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Igor Mendonça Proença]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 14 Apr 2026 07:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos Comentados]]></category>
		<category><![CDATA[Assuntos Gerais]]></category>
		<category><![CDATA[antibioticoprofilaxia]]></category>
		<category><![CDATA[CPRE]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://endoscopiaterapeutica.net/pt/?p=21169</guid>

					<description><![CDATA[<p>Introdução O uso de antibióticos profiláticos de rotina em pacientes submetidos à Colangiopancreatografia Retrógrada&#8230;</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<h2 class="wp-block-heading" id="h-introducao"><strong>Introdução</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">O uso de <strong>antibióticos profiláticos</strong> de rotina em pacientes submetidos à <strong>Colangiopancreatografia Retrógrada Endoscópica (CPRE)</strong> não é recomendado pelas principais sociedade de endoscopia do mundo, incluindo a <em>American Society for Gastrointestinal Endoscopy</em> (ASGE) e <em>European Society of Gastrointestinal Endoscopy</em> (ESGE) (1,2). Embora exista consenso de que a antibioticoprofilaxia peri-procedimento reduz a incidência de bacteremia pós-CPRE, seu impacto na prevenção de colangite e sepse ainda permanece controverso. Análises de subgrupos de diferentes trabalhos identificaram populações que poderiam se beneficiar do uso profilático de antibióticos antes da CPRE – pacientes com <strong>alto risco de drenagem biliar difícil/incompleta</strong>, <strong>imunocomprometidos</strong> e submetidos à <strong>colangioscopia</strong> &#8211; limitando a indicação do uso de antibioticoprofilaxia apenas para esses grupos (1,2).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Uma metanálise publicada em 2022, com 10 ensaios clínicos randomizados (ECR) comparando o uso de antibioticoprofilaxia em pacientes submetidos à CPRE eletiva, incluiu 1757 pacientes e demonstrou redução da bacteremia no grupo antibiótico, porém não houve diferença em relação à colangite ou sepse (3).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Uma importante crítica em relação aos estudos utilizados para embasar as recomendações é a falta de seleção adequada de pacientes. Trabalhos mais antigos sugeriram possível benefício da antibioticoprofilaxia em pacientes com obstrução biliar (4,5). Nesse contexto, um grupo sul-coreano conduziu um ECR comparando o uso de antibioticoprofilaxia em pacientes com obstrução biliar submetidos à CPRE (6).</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-metodos"><strong>Métodos</strong></h2>



<h3 class="wp-block-heading" id="h-desenho-do-estudo">Desenho do estudo</h3>



<p class="wp-block-paragraph">Ensaio clínico randomizado 1:1, duplo-cego, realizado em centro terciário único.</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<h3 class="wp-block-heading" id="h-selecao-de-pacientes">Seleção de pacientes</h3>



<p class="wp-block-paragraph">Critérios de inclusão: adultos com obstrução biliar documentada por exame de imagem (tomografia ou ressonância magnética) submetidos à CPRE.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Critérios de exclusão: evidência de infecção (leucócitos &gt; 11.000 e/ou febre T&gt;= 38oC), uso de antibióticos nas últimas 72 horas, gravidez e alergia ao antibiótico.</p>



<h3 class="wp-block-heading" id="h-grupos-do-estudo">Grupos do estudo</h3>



<ul class="wp-block-list">
<li><span style="text-decoration: underline;">Intervenção </span>(antibiótico): Cefoxitina 1g IV em 10ml de SF0,9% 30min antes da CPRE.</li>



<li><span style="text-decoration: underline;">Controle</span> (placebo): 10ml de SF0,9% 30 min antes da CPRE. A escolha do antibiótico foi baseada no perfil microbiológico local, em conjunto com a equipe de infectologia do hospital.</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<h3 class="wp-block-heading" id="h-desfechos">Desfechos</h3>



<ul class="wp-block-list">
<li><span style="text-decoration: underline;">Primário</span>: incidência de <strong>complicação infecciosa pós-CPRE</strong> (bacteremia, colangite e colecistite).</li>



<li><span style="text-decoration: underline;">Secundário</span>: incidência de cada complicação infecciosa específica, demais complicações pós-CPRE (pancreatite e sangramento).</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<h3 class="wp-block-heading" id="h-calculo-amostral">Cálculo amostral</h3>



<p class="wp-block-paragraph">400 pacientes (considerando 10% de perda).</p>



<div style="height:26px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-resultados"><strong>Resultados</strong></h2>



<h3 class="wp-block-heading" id="h-populacao"><br>População</h3>



<ul class="wp-block-list">
<li>378 pacientes randomizados entre 2017–2021</li>



<li>189 em cada grupo</li>



<li>Análise final: 176 (antibiótico) vs. 173 (placebo)</li>
</ul>



<h3 class="wp-block-heading" id="h-desfecho-primario"><br>Desfecho primário</h3>



<p class="wp-block-paragraph" id="h-desfecho-primario">Houve <strong>redução significativa de complicações infecciosas</strong> no grupo antibiótico.</p>



<ul class="wp-block-list">
<li><span style="text-decoration: underline;">Antibiótico</span>: 2,8% (5/176)</li>



<li><span style="text-decoration: underline;">Placebo</span>: 9,8% (17/173)</li>



<li><span style="text-decoration: underline;">Risco Relativo (RR)</span>: 0,29; IC 95%, 0,11–0,74; <em>p=0.0073</em></li>
</ul>



<h3 class="wp-block-heading" id="h-desfechos-secundarios"><br>Desfechos secundários</h3>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Bacteremia</strong>: sem diferença estatisticamente significativa.</p>



<ul class="wp-block-list">
<li><span style="text-decoration: underline;">Antibiótico</span>: 2,3% (4/176)</li>



<li><span style="text-decoration: underline;">Placebo</span>: 6,4% (11/173)</li>



<li><span style="text-decoration: underline;">RR</span>: 0,36; 95% CI, 0,12–1,04; <em>p=0,0599</em><br></li>



<li>Dos 15 pacientes com bacteremia, <strong>10 evoluíram com sepse</strong>.</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Colangite:</strong> houve redução significativa.</p>



<ul class="wp-block-list">
<li><span style="text-decoration: underline;">Antibiótico</span>: 1,7% (3/176)</li>



<li><span style="text-decoration: underline;">Placebo</span>: 6,4% (11/173)</li>



<li><span style="text-decoration: underline;">RR</span>: 0,27; 95% CI, 0.08–0.87; <em>p=0,0267</em></li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Colecistite</strong>: ocorreu em apenas 1 paciente do grupo placebo.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Demais complicações (sangramento, pancreatite): </strong>sem diferença entre os grupos.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/?attachment_id=21170"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="317" src="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/04/tabela-1-desfecho-primario-1024x317.png" alt="Desfechos da antibioticoprofilaxia na CPRE" class="wp-image-21170" srcset="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/04/tabela-1-desfecho-primario-1024x317.png 1024w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/04/tabela-1-desfecho-primario-300x93.png 300w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/04/tabela-1-desfecho-primario-768x238.png 768w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/04/tabela-1-desfecho-primario-585x181.png 585w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/04/tabela-1-desfecho-primario.png 1139w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><br>Tabela 1: desfechos primários e secundários (<a href="https://journals.lww.com/ajg/fulltext/2024/01000/randomized_trial_of_prophylactic_antibiotics_for.26.aspx" type="link" id="https://journals.lww.com/ajg/fulltext/2024/01000/randomized_trial_of_prophylactic_antibiotics_for.26.aspx">original do artigo</a>)</figcaption></figure>



<h3 class="wp-block-heading" id="h-analise-de-subgrupos"><br>Análise de subgrupos</h3>



<h4 class="wp-block-heading" id="h-etiologia-maligna-vs-benigna"><strong>Etiologia maligna vs. benigna</strong></h4>



<p class="wp-block-paragraph">Houve maior incidência de complicações no grupo placebo em ambas as etiologias.<br>Entretanto, a diferença foi significativa apenas para colangite na etiologia benigna, com incidência de 3,1% no grupo antibiótico vs. 10,2% no grupo placebo (<em>p=0,0421</em>)</p>



<h4 class="wp-block-heading" id="h-drenagem-biliar-completa"><strong>Drenagem biliar completa</strong></h4>



<p class="wp-block-paragraph">Mesmo nos casos em que houve drenagem biliar completa, observou-se benefício do antibiótico profilático:</p>



<p class="wp-block-paragraph"><span style="text-decoration: underline;">Complicações infecciosas:</span> antibiótico 3,1% vs. placebo 10,6% (<em>p=0,0077</em>)<br><span style="text-decoration: underline;">Colangite:</span><strong> </strong>antibiótico 1,9% vs. placebo 6,9% (<em>p=0,0279</em>)</p>



<p class="wp-block-paragraph"><br>Fatores de risco relacionados ao procedimento, como <strong>CPRE prévia</strong>, <strong>retirada de cálculos</strong> e <strong>dilatação balonada</strong>, apresentaram tendência a maior risco de complicações infecciosas pós-CPRE no grupo placebo; contudo, não houve significância estatística (Figura 2).</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><a href="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/?attachment_id=21171"><img loading="lazy" decoding="async" width="731" height="439" src="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/04/tabela-2.png" alt="" class="wp-image-21171" srcset="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/04/tabela-2.png 731w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/04/tabela-2-300x180.png 300w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/04/tabela-2-585x351.png 585w" sizes="(max-width: 731px) 100vw, 731px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><br>Figura 2: risco relativo de complicação infecciosa pós-CPRE no grupo placebo, de acordo com procedimentos realizados (<a href="https://journals.lww.com/ajg/fulltext/2024/01000/randomized_trial_of_prophylactic_antibiotics_for.26.aspx" type="link" id="https://journals.lww.com/ajg/fulltext/2024/01000/randomized_trial_of_prophylactic_antibiotics_for.26.aspx">original do artigo</a>).</figcaption></figure>
</div>


<h2 class="wp-block-heading" id="h-discussao"><strong>Discussão</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Este ECR duplo-cego robusto demonstrou que o uso de <strong>antibiótico profilático pré-CPRE</strong>, em pacientes com obstrução biliar sem infecção manifesta, <strong>reduz a incidência de complicações infecciosas pós-procedimento</strong>, incluindo colangite, <strong>mesmo em pacientes nos quais houve drenagem biliar completa. </strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Esses achados contrastam com as recomendações atuais dos guidelines das principais sociedades de endoscopia do mundo (ASGE e ESGE), e podem representar uma possível <strong>mudança de paradigma</strong>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Embora a colangite tenha apresentado redução significativa, esse achado deve ser interpretado com cautela, pois se trata de desfecho secundário, o que significa que o estudo não foi dimensionado especificamente para avaliá-lo. Ainda assim, a magnitude do efeito observada sugere um possível benefício clínico real, que idealmente deve ser confirmado em estudos com cálculo amostral direcionado para esse desfecho.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Apesar dos benefícios demonstrados, os autores colocam que é importante estudar o impacto do aumento do uso de antibióticos profiláticos no perfil de resistência das bactérias, sendo importante uma avaliação conjunta com o serviço de infectologia de cada hospital para a escolha do antibiótico ideal.</p>



<p class="wp-block-paragraph">É importante ressaltar que o estudo <strong>não recomenda antibioticoprofilaxia de rotina para toda CPRE</strong>, mas sim apenas em pacientes com <strong>obstrução biliar manifesta. </strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Por fim, os autores sugerem que o benefício da antibioticoprofilaxia pode ser maior em pacientes com <strong>CPRE prévia</strong> e quando há maior manipulação da via biliar – como quando há <strong>dilatação balonada e retirada de cálculos.</strong></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-conclusao"><strong>Conclusão</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">O estudo traz evidência robusta de que a antibioticoprofilaxia em pacientes com obstrução biliar submetidos à CPRE reduz complicações infecciosas, incluindo a colangite — mesmo em casos de drenagem completa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Diante desses achados, é possível que as diretrizes passem por reavaliação nos próximos anos à luz de toda a literatura disponível. Enquanto isso, na prática clínica, vale considerar o uso de antibioticoprofilaxia em pacientes selecionados com obstrução biliar e indicação de CPRE, individualizando a decisão caso a caso.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-referencias"><strong>Referências</strong></h2>



<ol class="wp-block-list">
<li>ASGE Standards of Practice Committee, Khashab MA, Chithadi KV, et al. Antibiotic prophylaxis for GI endoscopy.&nbsp;<em>Gastrointest Endosc</em>. 2015;81(1):81-89. doi:10.1016/j.gie.2014.08.008</li>



<li>ASGE Standards of Practice Committee, Khashab MA, Chithadi KV, et al. Antibiotic prophylaxis for GI endoscopy.&nbsp;<em>Gastrointest Endosc</em>. 2015;81(1):81-89. doi:10.1016/j.gie.2014.08.008</li>



<li>Merchan MFS, de Moura DTH, de Oliveira GHP, et al. Antibiotic prophylaxis to prevent complications in endoscopic retrograde cholangiopancreatography: A systematic review and meta-analysis of randomized controlled trials.&nbsp;<em>World J Gastrointest Endosc</em>. 2022;14(11):718-730. doi:10.4253/wjge.v14.i11.718</li>



<li>Niederau C, Pohlmann U, L¨ubke H, et al. Prophylactic antibiotic treatment in therapeutic or complicated diagnostic ERCP: Results of a randomized controlled clinical study. Gastrointest Endosc 1994;40(5):533–7.</li>



<li>van den Hazel SJ, Speelman P, Dankert J, et al. Piperacillin to prevent cholangitis after endoscopic retrograde cholangiopancreatography. A randomized, controlled trial. Ann Intern Med 1996;125(6):442–7.</li>



<li>Leem G, Sung MJ, Park JH, et al. Randomized Trial of Prophylactic Antibiotics for Endoscopic Retrograde Cholangiopancreatography in Patients With Biliary Obstruction.&nbsp;<em>Am J Gastroenterol</em>. 2024;119(1):183-190. doi:10.14309/ajg.0000000000002495</li>
</ol>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-como-citar-este-artigo"><strong>Como citar este artigo</strong></h2>



<p class="has-very-light-gray-to-cyan-bluish-gray-gradient-background has-background wp-block-paragraph">Proença IM. Antibioticoprofilaxia em pacientes com obstrução biliar submetidos à CPRE. Endoscopia Terapeutica, 2026 Vol I. Disponível em: <a href="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/?p=21169" target="_blank" rel="noreferrer noopener">https://endoscopiaterapeutica.net/pt/assuntosgerais/antibioticoprofilaxia-em-pacientes-com-obstrucao-biliar-submetidos-a-cpre/</a></p>



<p class="wp-block-paragraph">Para saber mais sobre as clássicas indicações de antibioticoprofilaxia na CPRE, confira este material: <a href="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/quiz/quiz-profilaxia-antibiotica-em-cpre/?utm_source=chatgpt.com"><strong>Profilaxia antibiótica em CPRE</strong>.</a></p>
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