{"id":10207,"date":"2021-10-15T06:00:35","date_gmt":"2021-10-15T06:00:35","guid":{"rendered":"https:\/\/endoscopiaterapeutica.net\/pt\/?p=10207"},"modified":"2021-11-25T21:00:12","modified_gmt":"2021-11-25T21:00:12","slug":"e-correta-a-indicacao-de-cpre-para-todos-os-pacientes-assintomaticos-portadores-de-coledocolitiase","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/endoscopiaterapeutica.net\/pt\/artigoscomentados\/e-correta-a-indicacao-de-cpre-para-todos-os-pacientes-assintomaticos-portadores-de-coledocolitiase\/","title":{"rendered":"\u00c9 correta a indica\u00e7\u00e3o de CPRE para todos os pacientes assintom\u00e1ticos portadores de coledocolit\u00edase?"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-weight: 400;\">Recentemente foi publicado, no World Journal of Gastroenterology, um artigo sobre manejo da coledocolit\u00edase assintom\u00e1tica intitulado <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Remaining issues of recommended management in current guidelines for asymptomatic common bile duct stones. <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">Os autores questionam sobre a indica\u00e7\u00e3o irrestrita de CPRE para esse grupo de pacientes.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Os <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">guidelines<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> atuais para tratamento da coledocolit\u00edase recomendam sua remo\u00e7\u00e3o por via endosc\u00f3pica como primeira escolha de tratamento. Ao decidir pela CPRE nesses pacientes assintom\u00e1ticos, o risco de complica\u00e7\u00f5es p\u00f3s-CPRE e o resultado da hist\u00f3ria natural desses pacientes devem ser comparados.<\/span><\/p>\n<h2><b>Introdu\u00e7\u00e3o<\/b><\/h2>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A CPRE \u00e9 amplamente aceita como primeira escolha no tratamento da coledocolit\u00edase. Para pacientes assintom\u00e1ticos, o tratamento endosc\u00f3pico para remo\u00e7\u00e3o desses c\u00e1lculos \u00e9 fortemente recomendado nos <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">guidelines<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> atuais pelo risco potencial de evolu\u00e7\u00e3o para icter\u00edcia obstrutiva, colangite aguda e pancreatite biliar.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Por\u00e9m, a CPRE \u00e9 um procedimento com alto risco de complica\u00e7\u00e3o, incluindo pancreatite, colangite, sangramento e perfura\u00e7\u00e3o em 4-15,9% dos pacientes. A mais comum delas, pancreatite p\u00f3s-CPRE, apresenta uma incid\u00eancia geral de 9,7%.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Alguns pesquisadores relataram recentemente o risco de complica\u00e7\u00f5es relacionadas \u00e0 CPRE com foco em portadores assintom\u00e1ticos de coledocolit\u00edase. A taxa de incid\u00eancia geral de complica\u00e7\u00f5es nesses pacientes foi relatada em aproximadamente 15-25%, com uma incid\u00eancia de pancreatite de 12-20%. Portanto, o risco de complica\u00e7\u00f5es nesse grupo, especialmente pancreatite p\u00f3s-CPRE, parece ser maior que o relatado previamente.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Ao determinar a indica\u00e7\u00e3o de CPRE nesses pacientes, o risco de complica\u00e7\u00f5es biliares na abordagem conservadora \u2013 <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">wait-and-see<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> \u2013 deve ser considerado. Estudos pr\u00e9vios sobre a hist\u00f3ria natural da coledocolit\u00edase relataram que a taxa de complica\u00e7\u00f5es biliares da abordagem <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">wait-and-see<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> para portadores assintom\u00e1ticos variou entre 0 e 25,3% durante um per\u00edodo de acompanhamento de 30 dias a 4,8 anos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Os autores esclarecem as quest\u00f5es remanescentes sobre as recomenda\u00e7\u00f5es atuais das diretrizes no manejo dos portadores de coledocolit\u00edase assintom\u00e1tica revisando as diretrizes atuais, os estudos anteriores sobre o risco de complica\u00e7\u00f5es p\u00f3s-CPRE e a hist\u00f3ria natural do portador assintom\u00e1tico.<\/span><\/p>\n<h2><b>Epidemiologia<\/b><\/h2>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A preval\u00eancia de coledocolit\u00edase em pacientes com colelit\u00edase sintom\u00e1tica \u00e9 estimada em 10-20%. Em pacientes com icter\u00edcia e dilata\u00e7\u00e3o do ducto biliar comum no US abdome, a preval\u00eancia durante a colecistectomia \u00e9 relatada em &lt;5%. Entretanto, n\u00e3o h\u00e1 estudos com foco na preval\u00eancia de coledocolit\u00edase em pacientes com colelit\u00edase assintom\u00e1tica, a maioria dos estudos \u00e9 baseada em colangiografia intraoperat\u00f3ria em pacientes submetidos \u00e0 colecistectomia. Embora a preval\u00eancia da coledocolit\u00edase deva aumentar devido ao envelhecimento da popula\u00e7\u00e3o mundial, ela permanece desconhecida.<\/span><\/p>\n<h2><b>M\u00e9todos diagn\u00f3sticos para coledocolit\u00edase<\/b><\/h2>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Os <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">guidelines<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> recentes recomendam o uso da ecoendoscopia ou da colangioRM para diagn\u00f3stico de coledocolit\u00edase em pacientes com suspeita. Uma meta-an\u00e1lise recente revelou que a sensibilidade para ecoendoscopia e colangioRM \u00e9 de 97% vs. 90% e a especificidade de 87% vs.<\/span> <span style=\"font-weight: 400;\">92%, respetivamente. Entretanto, o <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">odds ratio<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> da ecoendoscopia foi significativamente maior que o da colangioRM pela sua alta taxa de detec\u00e7\u00e3o de c\u00e1lculos pequenos quando comparada \u00e0 colangioRM, enquanto a especificidade n\u00e3o teve signific\u00e2ncia estat\u00edstica entre as duas modalidades.<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Embora a tomografia computadorizada seja um dos m\u00e9todos diagn\u00f3sticos para coledocolit\u00edase, TC de rotina n\u00e3o \u00e9 recomendada nos <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">guidelines<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> por diversas desvantagens, como exposi\u00e7\u00e3o \u00e0 radia\u00e7\u00e3o, efeitos colaterais do agente de contraste e baixa capacidade diagn\u00f3stica quando comparada com a eco e a colangioRM. V\u00e1rios estudos que avaliaram a capacidade diagn\u00f3stica da TC abdome mostraram que a TC convencional teve sensibilidade razo\u00e1vel (69-87%) e especificidade (68-96%) para o diagn\u00f3stico de coledocolit\u00edase.<\/span><\/p>\n<h2><b>Recomenda\u00e7\u00f5es dos guidelines atuais no manejo da coledocolit\u00edase assintom\u00e1tica<\/b><\/h2>\n<ul>\n<li><span style=\"font-weight: 400;\">ESGE (<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">European Society of Gastrointestinal Endoscopy<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">)<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">: extra\u00e7\u00e3o dos c\u00e1lculos em todos os pacientes com coledocolit\u00edase, independente se sintom\u00e1tico ou n\u00e3o, que est\u00e3o aptos suficiente para tolerar a interven\u00e7\u00e3o (recomenda\u00e7\u00e3o forte\/baixo n\u00edvel de evid\u00eancia).<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\"><span style=\"font-weight: 400;\">BSG (<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">The British Society of Gastroenterology<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">)<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">: a extra\u00e7\u00e3o dos c\u00e1lculos \u00e9 recomendada se poss\u00edvel. A evid\u00eancia do benef\u00edcio da remo\u00e7\u00e3o do c\u00e1lculo \u00e9 maior para pacientes sintom\u00e1ticos (recomenda\u00e7\u00e3o forte\/baixo n\u00edvel de evid\u00eancia).<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\"><span style=\"font-weight: 400;\">JSE (<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">The Japanese Society of Gastroenterology<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">): coledocolit\u00edase assintom\u00e1tica deve ser tratada pelo risco de desenvolver complica\u00e7\u00f5es biliares (n\u00edvel de evid\u00eancia A\/grau de recomenda\u00e7\u00e3o forte).<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\"><span style=\"font-weight: 400;\">ASGE (<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">American Society for Gastrointestinal Endoscopy<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">): coledocolit\u00edase deve ser tratada se detectada, independentemente da presen\u00e7a ou aus\u00eancia de circunst\u00e2ncias cl\u00ednicas atenuantes significativas (qualidade moderada).<\/span><\/li>\n<\/ul>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Embora o risco ao longo da vida da coledocolit\u00edase n\u00e3o tratada seja desconhecido, complica\u00e7\u00f5es, como dor, icter\u00edcia obstrutiva, colangite aguda, abscesso hep\u00e1tico, pancreatite biliar, cirrose biliar secund\u00e1ria e hipertens\u00e3o portal, s\u00e3o potencialmente fatais. As diretrizes dispon\u00edveis recomendam o tratamento para pacientes assintom\u00e1ticos, embora a qualidade de evid\u00eancia seja baixa. Uma abordagem conservadora pode ser considerada apenas em pacientes em que o risco de extra\u00e7\u00e3o dos c\u00e1lculos seja maior que o risco de permanecer com coledocolit\u00edase.<\/span><\/p>\n<h2><b>Risco de complica\u00e7\u00f5es p\u00f3s-CPRE para pacientes com coledocolit\u00edase assintom\u00e1tica<\/b><\/h2>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Recentemente, muitos estudos revelaram que o risco de complica\u00e7\u00e3o p\u00f3s-CPRE em pacientes com coledocolit\u00edase assintom\u00e1tica \u00e9 maior que em pacientes sintom\u00e1ticos. Um estudo retrospectivo multic\u00eantrico, incluindo 164 pacientes com coledocolit\u00edase assintom\u00e1ticos e 949 sintom\u00e1ticos, mostrou que a incid\u00eancia de complica\u00e7\u00e3o nos assintom\u00e1ticos foi de 19,5% e, nos sintom\u00e1ticos, de 6,2%. Em particular, a pancreatite p\u00f3s-CPRE foi significativamente maior nos pacientes sem sintomas do que nos sintom\u00e1ticos (20,8% vs<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">.<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> 6,9%, respectivamente). A poss\u00edvel explica\u00e7\u00e3o para isso \u00e9 a aus\u00eancia de altera\u00e7\u00e3o nas bilirrubinas e de dilata\u00e7\u00e3o do ducto biliar comum e dificuldade de canula\u00e7\u00e3o, que s\u00e3o fatores de risco relacionados \u00e0 pancreatite p\u00f3s-CPRE.<\/span><\/p>\n<h2><b>Hist\u00f3ria natural da coledocolit\u00edase assintom\u00e1tica<\/b><\/h2>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Cerca de 2 a 4% dos pacientes com colelit\u00edase assintom\u00e1tica tornam-se sintom\u00e1ticos com os anos. M\u00faltiplos c\u00e1lculos, resultados negativos na colecistografia e idade jovem s\u00e3o fatores de risco para transi\u00e7\u00e3o de assintom\u00e1ticos para sintom\u00e1ticos. O risco potencial de complica\u00e7\u00f5es intra e p\u00f3s-operat\u00f3rias relacionadas \u00e0 cirurgia explica por que os <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">guidelines<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> atuais s\u00e3o contra a colecistectomia laparosc\u00f3pica para pacientes com colelit\u00edase assintom\u00e1tica em uma ves\u00edcula normal.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Embora a hist\u00f3ria natural ao longo dos anos da coledocolit\u00edase seja menos compreendida que a da colelit\u00edase, muitos estudos avaliaram sua hist\u00f3ria natural de curto a m\u00e9dio prazo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Dados do estudo GallRiks, incluindo 594 pacientes com diagn\u00f3stico de coledocolit\u00edase incidental descoberta durante colangiografia intraoperat\u00f3ria e que n\u00e3o foram tratados, relatam que 25,3% (150\/594) evolu\u00edram para desfechos desfavor\u00e1veis definidos como clareamento incompleto da via biliar e\/ou complica\u00e7\u00f5es dentro de 30 dias do p\u00f3s-operat\u00f3rio da colecistectomia. Entre 3234 pacientes submetidos a qualquer procedimento para remo\u00e7\u00e3o dos c\u00e1lculos, incluindo CPRE p\u00f3s ou intra-operat\u00f3ria, coledocotomia laparosc\u00f3pica ou aberta ou extra\u00e7\u00e3o transc\u00edstica, 12,7% (411\/3234) desenvolveram desfechos desfavor\u00e1veis. Entretanto, existem v\u00e1rios aspectos que n\u00e3o foram elucidados nesse estudo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Um estudo recente de Hakuta <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">et al<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> relatou que, dos 114 pacientes com coledocolit\u00edase assintom\u00e1tica submetidos \u00e0 estrat\u00e9gia <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">wait-and-see<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, 18% desenvolveram complica\u00e7\u00f5es, entre elas, colangite em 16 pacientes (14%), colecistite em 1 paciente (0,9%) e colestase em 4 pacientes (3,5%), sem pancreatite biliar durante o per\u00edodo m\u00e9dio de acompanhamento de 3,2 anos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Em alguns pacientes, os c\u00e1lculos podem ser drenados para o duodeno espontaneamente sem necessidade de interven\u00e7\u00e3o. Collin <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">et al <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">demonstraram a passagem espont\u00e2nea de c\u00e1lculos pequenos sem complica\u00e7\u00f5es s\u00e9rias em 24 de 46 pacientes com falha de enchimento nas colangiografias intraoperat\u00f3rias durante a colecistectomia dentro de 6 semanas da cirurgia. A passagem espont\u00e2nea e assintom\u00e1tica de c\u00e1lculos pequenos com menos de 8 mm tamb\u00e9m foi vista em aproximadamente 20% dos pacientes no intervalo entre o diagn\u00f3stico na ecoendoscopia e a CPRE.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Novos estudos prospectivos s\u00e3o necess\u00e1rios.<\/span><\/p>\n<h2><b>Recorr\u00eancia de c\u00e1lculos no col\u00e9doco ap\u00f3s remo\u00e7\u00e3o endosc\u00f3pica<\/b><\/h2>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O estudo nacional coreano incluindo 46.181 pacientes com coledocolit\u00edase demonstrou que 5.228 (11,3%) tiveram uma primeira recorr\u00eancia em um seguimento m\u00e9dio de 4,3 anos. As taxas cumulativas de segunda e terceira recorr\u00eancia ap\u00f3s a inicial foram de 23,4% e 33,4%. Portanto, quanto maior a frequ\u00eancia de recorr\u00eancia de c\u00e1lculos, maior a taxa de recorr\u00eancia de c\u00e1lculos.<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Os fatores de risco para recorr\u00eancia \u00fanica foram o tamanho do ducto biliar comum, ves\u00edcula biliar deixada <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">in situ<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> com c\u00e1lculos biliares e aerobilia ap\u00f3s a CPRE, e o fator de risco para recorr\u00eancias m\u00faltiplas foi o n\u00famero de c\u00e1lculos na primeira recorr\u00eancia.<\/span><\/p>\n<h2><b>Problemas remanescentes nas diretrizes atuais<\/b><\/h2>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Ao indicar a CPRE para portadores de coledocolit\u00edase assintom\u00e1ticos, o risco de complica\u00e7\u00f5es precoces e tardias p\u00f3s-CPRE e a hist\u00f3ria natural da coledocolit\u00edase assintom\u00e1tica devem ser considerados.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Como relatado previamente, o risco de complica\u00e7\u00f5es precoces p\u00f3s-CPRE nesses pacientes \u00e9 de aproximadamente 15-25%, com incid\u00eancia de pancreatite p\u00f3s-CPRE de 12-20%. O risco de complica\u00e7\u00f5es tardias p\u00f3s-CPRE, incluindo recorr\u00eancia de c\u00e1lculos e colangite, pode ser estimado em aproximadamente 10%. O risco de complica\u00e7\u00f5es biliares na abordagem <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">wait-and-see<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> durante o per\u00edodo m\u00e9dio de acompanhamento de 30 dias a 4,9 anos foi estimado em aproximadamente 0-25%. Portanto, CPRE para portadores de coledocolit\u00edase assintom\u00e1tica pode ter resultados piores que a abordagem <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">wait-and-see<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O fato de n\u00e3o existirem estudos prospectivos randomizados para comparar o risco da CPRE vs. conduta conservadora nesses pacientes assintom\u00e1ticos \u00e9 um problema s\u00e9rio, pela import\u00e2ncia da quest\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Pela aus\u00eancia de estudos controlados e randomizados sobre essa quest\u00e3o, os pacientes devem ser informados que as diretrizes atuais que indicam CPRE para pacientes assintom\u00e1ticos baseiam-se nas evid\u00eancias dos pacientes sintom\u00e1ticos e na opini\u00e3o de especialistas.<\/span><\/p>\n<h2><b>Estrat\u00e9gias para reduzir complica\u00e7\u00f5es p\u00f3s-CPRE em pacientes com coledocolit\u00edase assintom\u00e1tica<\/b><\/h2>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Um estudo pr\u00e9vio relatou que o uso do pr\u00e9-corte, a dilata\u00e7\u00e3o do esf\u00edncter e o envolvimento de estagi\u00e1rios foram fatores de risco significativos para o desenvolvimento de <\/span><a href=\"https:\/\/endoscopiaterapeutica.net\/pt\/artigoscomentados\/10332\/\"><span style=\"font-weight: 400;\">pancreatite p\u00f3s-CPRE<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\"> em pacientes assintom\u00e1ticos. Um outro relatou que CPRE nesses casos realizada por endoscopistas experientes apresenta a mesma seguran\u00e7a que em pacientes sintom\u00e1ticos. CPRE, nos pacientes portadores de coledocolit\u00edase, deve, portanto, ser realizada por endoscopistas experientes. Profilaxia, como coloca\u00e7\u00e3o de pr\u00f3tese pancre\u00e1tica, deve ser considerada em pacientes assintom\u00e1ticos com fatores de risco, como pr\u00e9-corte e dilata\u00e7\u00e3o balonada do esf\u00edncter.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Um estudo retrospectivo revelou que procedimentos com canula\u00e7\u00e3o biliar maior que 15 minutos \u00e9 um fator de risco significativo para pancreatite p\u00f3s-CPRE. Uma alternativa seria tentar extrair o c\u00e1lculo em um segundo procedimento se o tempo de canula\u00e7\u00e3o ultrapassar 15 minutos.<\/span><\/p>\n<h2><b>Conclus\u00e3o<\/b><\/h2>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Embora as diretrizes atuais recomendem a CPRE para coledocolit\u00edase assintom\u00e1tica, h\u00e1 necessidade de uma mudan\u00e7a de perspectiva nessa indica\u00e7\u00e3o. At\u00e9 onde se sabe, n\u00e3o existem estudos randomizados sobre se a CPRE \u00e9 a melhor alternativa nesse grupo de pacientes que a abordagem conservadora. Por enquanto, o risco de induzir complica\u00e7\u00f5es precoces e tardias p\u00f3s-CPRE vs. risco de complica\u00e7\u00f5es relacionadas \u00e0 hist\u00f3ria natural da doen\u00e7a n\u00e3o podem ser comparados.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Portanto, por ora, continuaremos indicando CPRE na coledocolit\u00edase assintom\u00e1tica.<\/span><\/p>\n<h2><b>Como citar este artigo<\/b><\/h2>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Arraes L. \u00c9 correta a indica\u00e7\u00e3o de CPRE para todos os pacientes assintom\u00e1ticos portadores de coledocolit\u00edase?. Endoscopia Terap\u00eautica; 2021. Dispon\u00edvel em: <\/span><a href=\"https:\/\/endoscopiaterapeutica.net\/pt\/artigoscomentados\/e-correta-a-indicacao-de-cpre-para-todos-os-pacientes-assintomaticos-portadores-de-coledocolitiase\"><span style=\"font-weight: 400;\">https:\/\/endoscopiaterapeutica.net\/pt\/artigoscomentados\/e-correta-a-indicacao-de-cpre-para-todos-os-pacientes-assintomaticos-portadores-de-coledocolitiase<\/span><\/a><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Acesse o <\/span><a href=\"https:\/\/endoscopiaterapeutica.net\/pt\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"font-weight: 400;\">Endoscopia Terap\u00eautica<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\"> para tomar contato com mais <\/span><a href=\"https:\/\/endoscopiaterapeutica.net\/pt\/artigos-comentados\/\"><span style=\"font-weight: 400;\">artigos comentados<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">, <\/span><a href=\"https:\/\/endoscopiaterapeutica.net\/pt\/assuntos-gerais\/\"><span style=\"font-weight: 400;\">assuntos gerais<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">, <\/span><a href=\"https:\/\/endoscopiaterapeutica.net\/pt\/casos-clinicos\/\"><span style=\"font-weight: 400;\">casos cl\u00ednicos<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">, <\/span><a href=\"https:\/\/endoscopiaterapeutica.net\/pt\/quiz\/\"><span style=\"font-weight: 400;\">quizzes<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">, <\/span><a href=\"https:\/\/endoscopiaterapeutica.net\/pt\/classificacoes\/\"><span style=\"font-weight: 400;\">classifica\u00e7\u00f5es<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\"> e mais!<\/span><\/p>\n<p><b>Confira tamb\u00e9m: <a href=\"https:\/\/endoscopiaterapeutica.net\/pt\/artigoscomentados\/cpre-em-pacientes-com-gastrectomia-a-billroth-ii-previa-30-anos-de-experiencia\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">CPRE em pacientes com gastrectomia a Billroth II<\/a><\/b><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Recentemente foi publicado, no World Journal of Gastroenterology, um 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