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	<title>linfoma Archives &#8226; Endoscopia Terapeutica</title>
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	<description>O Jornal Endoscopia Terapêutica tem como objetivo compartilhar experiências da prática diária, além de prover atualizações e discussões sobre endoscopia digestiva.</description>
	<lastBuildDate>Wed, 10 Jun 2026 01:14:44 +0000</lastBuildDate>
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	<title>linfoma Archives &#8226; Endoscopia Terapeutica</title>
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	<item>
		<title>Nem toda erosão em íleo terminal é ileíte: quando pensar em linfoma</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Joel Fernandez de Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 09 Jun 2026 07:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Assuntos Gerais]]></category>
		<category><![CDATA[colonoscopia]]></category>
		<category><![CDATA[intestino delgado]]></category>
		<category><![CDATA[linfoma]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O íleo terminal é uma região em que o endoscopista costuma pensar primeiro em&#8230;</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">O íleo terminal é uma região em que o endoscopista costuma pensar primeiro em doença inflamatória intestinal, infecção, enteropatia por anti-inflamatórios ou ileíte inespecífica. Isso faz sentido. No entanto, o problema é que, ocasionalmente, o linfoma intestinal aparece incluído nesse cenário e pode ter apresentação surpreendentemente discreta. O trato gastrointestinal é o sítio extranodal mais frequente dos linfomas, embora o linfoma gastrointestinal represente apenas pequena fração das neoplasias digestivas. Ainda assim, o intestino delgado e a região íleo-cecal têm importância prática porque concentram tecido linfoide associado à mucosa e podem abrigar formas B e T com apresentação endoscópica muito variável.<sup>1,2,3</sup></p>



<p class="wp-block-paragraph">Do ponto de vista fisiopatológico, a doença é heterogênea. Predominam os linfomas B, especialmente o linfoma difuso de grandes células B (DLBCLd) e o linfoma MALT. Já os linfomas T intestinais são menos comuns, porém costumam ser mais agressivos. O MALT se relaciona, em alguns contextos, a estímulo antigênico crônico; no estômago, a associação com <em>H. pylori</em> é clássica, ao passo que no intestino delgado a biologia não é bem definida.<sup>1,2,3,7,8</sup></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-tipos-de-linfomas-intestinais-2"><strong>Tipos de Linfomas Intestinais<sup>2</sup><br></strong></h2>



<h3 class="wp-block-heading" id="h-a-linfoma-difuso-de-grandes-celulas-b-dlbcl">a) Linfoma difuso de grandes células B (DLBCL)</h3>



<ul class="wp-block-list">
<li>Tipo mais comum de linfoma do intestino delgado.</li>



<li>Mais frequente no íleo terminal.</li>



<li>Predomina em homens ao redor dos 50 anos.</li>
</ul>



<h3 class="wp-block-heading" id="h-b-linfoma-malt-intestinal-zona-marginal">b) Linfoma MALT intestinal (zona marginal)</h3>



<ul class="wp-block-list">
<li>Linfoma de células B associado ao tecido linfoide da mucosa.</li>



<li>Frequentemente causa má absorção e desnutrição.</li>



<li>Representa cerca de 5% dos casos.</li>



<li>Prognóstico pior que o MALT gástrico.</li>
</ul>



<h3 class="wp-block-heading" id="h-c-linfoma-folicular"><br>c) Linfoma folicular</h3>



<ul class="wp-block-list">
<li>Geralmente localizado no duodeno (segunda porção).</li>



<li>Curso clínico indolente.</li>



<li>Frequentemente restrito ao trato gastrointestinal.</li>



<li>Alta taxa de remissão após tratamento.</li>
</ul>



<h3 class="wp-block-heading" id="h-d-linfoma-de-celulas-do-manto"><br>d) Linfoma de células do manto</h3>



<ul class="wp-block-list">
<li>Tipo raro de linfoma gastrointestinal.</li>



<li>Sobrevida média de 3–5 anos.</li>



<li>Pode acometer extensamente o tubo digestivo.</li>
</ul>



<h3 class="wp-block-heading" id="h-e-linfoma-t-associado-a-enteropatia-eatl"><br>e) Linfoma T associado à enteropatia (EATL)</h3>



<ul class="wp-block-list">
<li>Fortemente associado à doença celíaca refratária.</li>



<li>Mais comum no jejuno.</li>



<li>Muito agressivo.</li>



<li>Prognóstico ruim, com baixa sobrevida.</li>
</ul>



<h3 class="wp-block-heading" id="h-f-linfoma-intestinal-epiteliotropico-monomorfico-meitl"><br>f) Linfoma intestinal epiteliotrópico monomórfico (MEITL)</h3>



<ul class="wp-block-list">
<li>Não associado à doença celíaca.</li>



<li>Mais comum em homens e na população asiática.</li>



<li>Atinge principalmente o jejuno.</li>



<li>Extremamente agressivo, com alta mortalidade.</li>
</ul>



<h3 class="wp-block-heading" id="h-g-doenca-linfoproliferativa-indolente-de-celulas-t-do-trato-gastrointestinal"><br>g) Doença linfoproliferativa indolente de células T do trato gastrointestinal</h3>



<ul class="wp-block-list">
<li>Variante rara e de crescimento lento.</li>



<li>Acomete principalmente intestino delgado e cólon.</li>



<li>Mucosa nodular, hiperemiada e lesões polipoides.</li>



<li>Baixa morbidade.</li>
</ul>



<h3 class="wp-block-heading" id="h-h-linfoma-intestinal-de-celulas-t-nao-especificado-nos"><br>h) Linfoma intestinal de células T não especificado (NOS)</h3>



<ul class="wp-block-list">
<li>Diagnóstico utilizado quando não se encaixa nos demais subtipos.</li>



<li>Mais comum na Ásia.</li>



<li>Comportamento agressivo.</li>



<li>Disseminação extraintestinal frequente.</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph"><br>Apesar do tema complexo, a mensagem é simples: nem todo íleo terminal com erosões superficiais é banal. Em alguns casos, esse pode ser o primeiro achado endoscópico de um linfoma. Esse ponto é particularmente importante porque a apresentação endoscópica do linfoma intestinal é muito mais diversa do que a maioria de nós tende a lembrar no dia a dia.<sup>4,5,6,8</sup></p>



<figure class="wp-block-image size-full"><a href="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/assuntosgerais/linfoma-intestinal-erosoes-ileo-terminal/attachment/imagem-1-linfoma-de-zona-marginal/"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="1448" height="1086" src="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/06/Imagem-1-linfoma-de-zona-marginal.png" alt="Linfoma intestinal- MALT em íleo terminal" class="wp-image-21477" srcset="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/06/Imagem-1-linfoma-de-zona-marginal.png 1448w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/06/Imagem-1-linfoma-de-zona-marginal-300x225.png 300w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/06/Imagem-1-linfoma-de-zona-marginal-1024x768.png 1024w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/06/Imagem-1-linfoma-de-zona-marginal-768x576.png 768w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/06/Imagem-1-linfoma-de-zona-marginal-1170x878.png 1170w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/06/Imagem-1-linfoma-de-zona-marginal-585x439.png 585w" sizes="(max-width: 1448px) 100vw, 1448px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><br>Imagem 1: linfoma de zona marginal (MALT) em íleo terminal. A: imagem a luz branca. B: imagem a cromoscopia óptica.</figcaption></figure>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/?attachment_id=21439"><img decoding="async" width="1024" height="455" src="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/06/imunohistoquimica-e-resultado-anatomopatolOgico-1024x455.jpg" alt="Linfoma de íleo terminal comprovado pela imunohistoquímica e anatomopatológico" class="wp-image-21439" srcset="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/06/imunohistoquimica-e-resultado-anatomopatolOgico-1024x455.jpg?v=1780714459 1024w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/06/imunohistoquimica-e-resultado-anatomopatolOgico-300x133.jpg?v=1780714459 300w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/06/imunohistoquimica-e-resultado-anatomopatolOgico-768x341.jpg?v=1780714459 768w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/06/imunohistoquimica-e-resultado-anatomopatolOgico-585x260.jpg?v=1780714459 585w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/06/imunohistoquimica-e-resultado-anatomopatolOgico.jpg?v=1780714459 1142w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><br>Imagem 2: imunohistoquímica e resultado anatomopatológico do caso acima.</figcaption></figure>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/assuntosgerais/linfoma-intestinal-erosoes-ileo-terminal/attachment/imagem-3-linfoma-folicular-em-duodeno/"><img decoding="async" width="1024" height="576" src="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/06/Imagem-3-Linfoma-folicular-em-duodeno-1024x576.png" alt="" class="wp-image-21479" srcset="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/06/Imagem-3-Linfoma-folicular-em-duodeno-1024x576.png 1024w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/06/Imagem-3-Linfoma-folicular-em-duodeno-300x169.png 300w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/06/Imagem-3-Linfoma-folicular-em-duodeno-768x432.png 768w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/06/Imagem-3-Linfoma-folicular-em-duodeno-1170x659.png 1170w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/06/Imagem-3-Linfoma-folicular-em-duodeno-585x329.png 585w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/06/Imagem-3-Linfoma-folicular-em-duodeno.png 1352w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a><figcaption class="wp-element-caption">Imagem 3. Linfoma folicular em duodeno. A: Imagem a luz branca. B: imagem a cromoscopia óptica. C: imagem após imunoterapia com diminuição de nodularidade porém sem remissão importante da doença. Cortesia da Dra Crislei Casamali.</figcaption></figure>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/assuntosgerais/linfoma-intestinal-erosoes-ileo-terminal/attachment/imagem-4-linfoma-de-celulas-de-manto-em-ceco/"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="682" src="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/06/Imagem-4-linfoma-de-celulas-de-manto-em-ceco-1024x682.png" alt="" class="wp-image-21480" srcset="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/06/Imagem-4-linfoma-de-celulas-de-manto-em-ceco-1024x682.png 1024w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/06/Imagem-4-linfoma-de-celulas-de-manto-em-ceco-300x200.png 300w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/06/Imagem-4-linfoma-de-celulas-de-manto-em-ceco-768x512.png 768w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/06/Imagem-4-linfoma-de-celulas-de-manto-em-ceco-1170x780.png 1170w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/06/Imagem-4-linfoma-de-celulas-de-manto-em-ceco-585x390.png 585w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/06/Imagem-4-linfoma-de-celulas-de-manto-em-ceco-263x175.png 263w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/06/Imagem-4-linfoma-de-celulas-de-manto-em-ceco.png 1352w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a><figcaption class="wp-element-caption">Imagem 4. linfoma de células de manto em ceco. A: imagem a luz branca. B: imagem a cromoscopia óptica. Cortesia de Dr Júlio César Caliman Berger.</figcaption></figure>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/assuntosgerais/linfoma-intestinal-erosoes-ileo-terminal/attachment/imagem-5-linfoma-difuso-de-grandes-celulas/"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="512" src="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/06/Imagem-5-Linfoma-difuso-de-grandes-celulas-1024x512.png" alt="" class="wp-image-21481" srcset="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/06/Imagem-5-Linfoma-difuso-de-grandes-celulas-1024x512.png 1024w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/06/Imagem-5-Linfoma-difuso-de-grandes-celulas-300x150.png 300w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/06/Imagem-5-Linfoma-difuso-de-grandes-celulas-768x384.png 768w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/06/Imagem-5-Linfoma-difuso-de-grandes-celulas-1170x585.png 1170w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/06/Imagem-5-Linfoma-difuso-de-grandes-celulas-585x293.png 585w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2026/06/Imagem-5-Linfoma-difuso-de-grandes-celulas.png 1350w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a><figcaption class="wp-element-caption">Imagem 5. Linfoma difuso de grandes células B em ceco. A: lesão inicial com biópsia inconclusiva. B lesão em exame após dois anos. C: aspecto após tratamento. Cortesia de Dr Júlio César Caliman Berger.</figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><br></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-que-o-endoscopista-deve-procurar"><strong>O que o endoscopista deve procurar</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">A primeira regra é não procurar apenas massa. O linfoma pode aparecer como lesão superficial, ulcerada, vegetante, infiltrativa, polipoide ou como combinação desses padrões. Em estudos multicêntricos e em séries focadas no intestino delgado, os padrões superficial e ulcerado foram muito frequentes no conjunto dos linfomas gastrointestinais, enquanto lesões vegetantes ou protrusas com ulceração chamaram mais atenção para histologias agressivas. No intestino delgado, o DLBCL se associou mais a acometimento ileal, espessamento de parede e úlceras profundas.<sup>5,6</sup></p>



<p class="wp-block-paragraph">Na prática, vale descrever melhor.<strong> Assim, em vez de concluir apenas “ileíte erosiva”, é mais útil descrever a profundidade das úlceras, regularidade das bordas, presença de friabilidade, nodularidade esbranquiçada, espessamento de pregas e eventual estreitamento luminal.</strong> A correlação com a clínica também muda o peso do achado: anemia, emagrecimento, febre, sintomas B, alteração radiológica do íleo terminal, elevação de LDH ou evolução rápida devem aumentar o grau de suspeita.<sup>1,4,5,6</sup></p>



<p class="wp-block-paragraph">Outro cuidado é lembrar que o linfoma gastrointestinal pode se assemelhar a diversas condições como Crohn, tuberculose intestinal, enteropatia por anti-inflamatórios, infecções e até adenocarcinoma. Portanto, quando a lesão parece desproporcional à hipótese clínica habitual, quando a biópsia inicial aponta apenas inflamação inespecífica apesar de um aspecto atípico, ou quando a tomografia mostra espessamento parietal importante, vale reabrir a hipótese de linfoma.<sup>4</sup></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-padroes-endoscopicos-por-subtipo"><br><strong>Padrões endoscópicos por subtipo</strong></h2>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong>DLBCL:</strong> pensar diante de úlcera profunda ou irregular, lesão ulcerada, vegetante ou ulceroinfiltrativa. Espessamento parietal e dilatação focal na tomografia reforçam a suspeita.<sup>5,6</sup></li>



<li><strong>MALT:</strong> apresentação muito variável. Pode ser superficial, erosiva, ulcerada ou discretamente polipoide. O ponto mais importante para o endoscopista é que o MALT de íleo terminal pode ter aparência pouco capciosa, com lesões superficiais lembrando inflamação benigna.<sup>8</sup></li>



<li><strong>Linfoma folicular:</strong> costuma mostrar nodularidade esbranquiçada e lesões polipoides ou nodulares brancas. É um padrão visual bastante útil quando as lesões são múltiplas.<sup>7</sup></li>



<li><strong>Linfoma de manto:</strong> o padrão clássico é a múltipla polipose linfomatosa. Assim, quando esse aspecto aparece, essa hipótese deve ser aventada de forma precoce.<sup>7</sup></li>



<li><strong>T-cell, EATL e MEITL:</strong> o alerta deve ser alto diante de padrão ulcerativo ou ulceroinfiltrativo, mucosa edemaciada, granular, com aspecto em mosaico, ulcerações circunferenciais, bem como estenoses ou mesmo perfuração.<sup>2,4,7</sup></li>
</ul>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-como-biopsiar-para-nao-perder-o-diagnostico"><br><strong>Como biopsiar para não perder o diagnóstico</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Aqui mora a parte mais prática. Em série recente de linfoma primário do intestino delgado avaliado por enteroscopia por duplo balão, parte importante dos casos não teve diagnóstico específico na biópsia endoscópica inicial e só foi confirmada depois, muitas vezes com material cirúrgico. Isso é coerente com o mundo real: amostra superficial demais, coleta fora da área representativa, lesão predominantemente submucosa e mucosa de superfície relativamente preservada pode gerar falso negativo.<sup>6</sup></p>



<p class="wp-block-paragraph">Por isso, quando a suspeita existe, a orientação deve ser objetiva: colher <strong>múltiplos fragmentos</strong>, em <strong>diferentes pontos</strong> e com <strong>profundidade adequada</strong> sempre que houver segurança técnica. Não existe um número mínimo de fragmentos universalmente aceito; no entanto, o que se repete nas séries disponíveis é a necessidade de amostragem generosa, priorizando áreas mais alteradas e, quando possível, incluindo bordas e centro de ulcerações.<sup>4,6</sup></p>



<p class="wp-block-paragraph">A comunicação com a patologia também faz diferença. Em vez de um pedido genérico, vale escrever algo como: <strong>“suspeita de doença linfoproliferativa/linfoma intestinal; correlacionar com imuno-histoquímica”</strong>. O painel final depende da morfologia, mas, em muitos cenários, entram marcadores como CD20, CD3, CD5, CD10, CD23, BCL2, BCL6, cyclin D1 e Ki-67, com ampliação conforme a hipótese de subtipo. Uma biópsia negativa não encerra o caso se o contexto clínico, endoscópico ou radiológico continua suspeito.<sup>1,4,6 e 7</sup></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-tratamento"><br><strong>Tratamento</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">O papel da endoscopia no linfoma de íleo terminal é principalmente diagnóstico, de mapeamento e, em situações selecionadas, de suporte. Não há papel estabelecido para tratamento endoscópico curativo de rotina no linfoma ileal. As situações em que a endoscopia terapêutica pode aparecer incluem dilatação por balão em estenoses selecionadas e controle temporário de sangramento tumoral. Fora do cenário típico do íleo terminal, existem relatos isolados de ressecção endoscópica em MALT extranodal muito localizado, mas essa experiência não deve ser automaticamente extrapolada para o íleo.<sup>2,7</sup></p>



<p class="wp-block-paragraph">Do ponto de vista sistêmico, o que mais importa para a definição terapêutica é o subtipo histológico e o estadiamento da doença. Em casos mais indolentes como o MALT e o folicular, muitas vezes é optada a estratégia de “watch and wait”, visto que muitos apresentam remissão espontânea ou doença estável. Outra opção utilizada nos linfomas foliculares localizados é o tratamento com rituximab em monoterapia.<sup>2</sup></p>



<p class="wp-block-paragraph">Nos linfomas B agressivos CD20+, o regime clássico é o R-CHOP (rituximabe, ciclofosfamida, doxorrubicina, vincristina e prednisona). Tomografia e PET-CT costumam fazer parte do estadiamento e da avaliação de resposta. A cirurgia entra principalmente diante de perfuração, obstrução, intussuscepção, sangramento importante ou dúvida diagnóstica persistente. A radioterapia pode ser empregada em casos selecionados de doença localizada, porém seu papel é limitado nos linfomas intestinais devido a mobilidade do intestino. Nos linfomas T intestinais, a doença tende a ser mais agressiva e exige integração precoce com a hematologia.<sup>1,2,9</sup></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-pontos-chave"><br><strong>Pontos-chave</strong></h2>



<ul class="wp-block-list">
<li>Linfoma de íleo terminal pode se apresentar com erosões ou ulcerações discretas; portanto, lesão sutil não exclui neoplasia linfoproliferativa.<sup>4,8</sup></li>



<li>DLBCL pede atenção para úlcera profunda, lesão ulcerada extensa, espessamento parietal e dilatação aneurismática.<sup>5,6</sup></li>



<li>Folicular e manto frequentemente entregam melhores pistas visuais: nodularidade branca/polipoide e múltipla polipose linfomatosa.<sup>7</sup></li>



<li>Em suspeita real, colher múltiplas biópsias profundas e informar explicitamente a hipótese de linfoma à patologia.<sup>4,6</sup></li>



<li>O tratamento principal é definido pela histologia e pela hematologia; a endoscopia tem importância no diagnóstico correto.<sup>1,2,9</sup></li>
</ul>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-referencias"><br><strong>Referências</strong></h2>



<ol class="wp-block-list">
<li>PANNEERSELVAM, K.; GOYAL, S.; THOMAS, A. S. <em>Ileo-colonic lymphoma: presentation, diagnosis, and management</em>. Current Opinion in Gastroenterology, 2021.</li>



<li>OKA, P.; SIDHU, R. <em>Small bowel lymphoma: clinical update and challenges for the gastroenterologist</em>. Current Opinion in Gastroenterology, 2022.</li>



<li>GHIMIRE, P.; WU, G. Y.; ZHU, L. <em>Primary gastrointestinal lymphoma</em>. World Journal of Gastroenterology, 2011.</li>



<li>SHIRWAIKAR THOMAS, A.; SCHWARTZ, M.; QUIGLEY, E. M. M. <em>Gastrointestinal lymphoma: the new mimic</em>. BMJ Open Gastroenterology, 2019.</li>



<li>TRAN, Q. T. et al. <em>Endoscopic and histopathological characteristics of gastrointestinal lymphoma: a multicentric study</em>. Diagnostics, 2023.</li>



<li>LI, L. et al. <em>Characterization of primary small intestinal lymphoma: a retrospective study based on double-balloon endoscopy</em>. BMC Gastroenterology, 2024.</li>



<li>VETRO, C. et al. <em>Rare gastrointestinal lymphomas: the endoscopic investigation</em>. World Journal of Gastrointestinal Endoscopy, 2015.</li>



<li>HUANG, Y. et al. <em>Mucosal healing of ileum-mucosa-associated lymphoid tissue lymphoma after Helicobacter pylori eradication: a case report and literature review</em>. Frontiers in Oncology, 2025.</li>



<li>NATIONAL CANCER INSTITUTE. <em>Aggressive B-cell lymphoma treatment (PDQ®) – health professional version</em>. 2026.</li>
</ol>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



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<h2 class="wp-block-heading" id="h-como-citar-este-artigo"><strong>Como citar este artigo</strong></h2>



<p class="has-very-light-gray-to-cyan-bluish-gray-gradient-background has-background wp-block-paragraph">Oliveira JF. Nem toda erosão em íleo terminal é ileíte: quando pensar em linfoma Endoscopia Terapeutica 2026 Vol I. Disponível em: <a href="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/?p=21436" target="_blank" rel="noreferrer noopener">https://endoscopiaterapeutica.net/pt/assuntosgerais/nem-toda-erosao-em-ileo-terminal-e-ileite-quando-pensar-em-linfoma/</a></p>



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		<title>Quiz!</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Crislei Casamali]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 27 May 2025 06:30:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Quiz]]></category>
		<category><![CDATA[duodeno]]></category>
		<category><![CDATA[endoscopia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Autores: Crislei Casamali e William Scheffer Chaves Caso Clínico: Paciente masculino, 52 anos, previamente&#8230;</p>
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<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">Autores: Crislei Casamali e William Scheffer Chaves</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph"><br>Caso Clínico: Paciente masculino, 52 anos, previamente hígido, com sintomas dispépticos leves. Nega perda ponderal, febre ou sudorese noturna. Ausência de massas abdominais, inguinais ou axilares ao exame físico. Realizou endoscopia digestiva alta com biópsias, com os seguintes achados no duodeno:<br><br></p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><a href="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/?attachment_id=19938"><img loading="lazy" decoding="async" width="419" height="312" src="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2025/04/FIGURA-1.jpg" alt="" class="wp-image-19938" srcset="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2025/04/FIGURA-1.jpg?v=1744834061 419w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2025/04/FIGURA-1-300x223.jpg?v=1744834061 300w" sizes="(max-width: 419px) 100vw, 419px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><br>Endoscopia digestiva alta: a) bulbo duodenal; b) papila duodenal maior; c) porção duodenal descendente (luz branca); d) porção duodenal descendente (NBI).</figcaption></figure>
</div>

<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><a href="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/?attachment_id=19940"><img loading="lazy" decoding="async" width="378" height="197" src="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2025/04/FIGURA-2-1.jpg" alt="" class="wp-image-19940" srcset="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2025/04/FIGURA-2-1.jpg?v=1744834443 378w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2025/04/FIGURA-2-1-300x156.jpg?v=1744834443 300w" sizes="(max-width: 378px) 100vw, 378px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><br>Patologia: a) colocação HE; b) IHQ CD20+.</figcaption></figure>
</div>




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