Hiperinsuflação espontânea de balão intragástrico
Paciente 35 anos, IMC 32, submetida a colocação de balão intragástrico há 6 semanas.
Procedimento de implante: SF 500 ml + 20 ml de azul de metileno.
Apresentou boa evolução após o procedimento, com progressão habitual da dieta e perda de 8 kg no período.
Há 1 semana iniciou quadro de dor em região lombar, sem relação com a posição ou movimentação, associada a náuseas, empachamento, desconforto abdominal e alguns episódios de vômitos.
Ao EF chamava atenção uma região endurecida à palpação de epigástrio/ HCE (Balão?).
Exames laboratoriais:
- Amilase: 356; Lipase:1330
- Na 142; K 3,7
- Hb 13,7; Leuco 10.500
- U 38; Cr 0,9
Solicitado RX de abdômen:
Realizada endoscopia digestiva alta com anestesia geral:

a) Balão impactado no corpo distal, rechaçando a incisura angularis; b) balão colonizado por fungos, dificultando a visualização do nível hidroaéreo em seu interior; c) balão mobilizado novamente para corpo proximal/fundo; d) idem b).
Presença de resíduos alimentares em pequena quantidade. BIG apresentava colonização fúngica em sua superfície, dificultando a visualização do nível hidroaéreo. Chamou atenção o volume relativamente normal do BIG. Esperava encontrar o balão bem volumoso, dificultando inclusive a passagem do aparelho para o antro, mas isso não aconteceu. A incisura estava achatada, comprimindo o antro, devido impactação no corpo distal. Era possível sua mobilização para o fundo, porém em poucos segundos ele retornava para sua posição habitual.
Realizada retirada do BIG sem intercorrências.
Evolução
Paciente permaneceu internada e repetiu exames laboratoriais no dia seguinte, apresentando normalização das enzimas pancreáticas. Bilirrubinas e enzimas hepáticas sem anormalidades. USG de abdomen apresentou microcálculos em vesícula biliar, sem dilatação do colédoco.
Apresentou melhora da dor, aceitando bem dieta leve e recebeu alta hospitalar.
Fisiopatologia
O mecanismo de hiperinsuflação espontânea do balão intragástrico ainda é desconhecido. Os dados na literatura são escassos e não permitem uma conclusão. Uma hipótese é que exista alguma relação com infecção por fungos ou bactérias anaeróbias. No entanto, não há uma explicação plausível para essa colonização:
- durante o procedimento de inserção do BIG (por contaminação do líquido)?
- defeito da válvula?
- porosidade do material?
- alguma condição intrínseca ao paciente?
A hiperamilasemia transitória provavelmente ocorre devido compressão do balão no corpo do pâncreas, especialmente no ponto em que este cruza com a coluna dorsal.
E você? Já teve algum caso semelhante? Como foi a evolução?
