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	<title>julia gregorio, Author at Endoscopia Terapeutica</title>
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	<description>O Jornal Endoscopia Terapêutica tem como objetivo compartilhar experiências da prática diária, além de prover atualizações e discussões sobre endoscopia digestiva.</description>
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	<title>julia gregorio, Author at Endoscopia Terapeutica</title>
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		<title>Tumor de Krukenberg</title>
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		<dc:creator><![CDATA[julia gregorio]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 23 Nov 2021 06:00:26 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Assuntos Gerais]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O tumor de Krukenberg (TK) caracteriza-se por uma lesão metastática ovariana proveniente do adenocarcinoma&#8230;</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;">O tumor de Krukenberg (TK) caracteriza-se por uma lesão metastática ovariana proveniente do adenocarcinoma de células em anel de sinete rico em mucina. É uma patologia incomum responsável por 1% a 2% das neoplasias ovarianas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Foi descrito pela primeira vez em 1896 pelo ginecologista e patologista alemão Friedrich Ernst Krukenberg (1871-1946), que suspeitava ser essa lesão um novo tipo de neoplasia primária do ovário. A descoberta dessa como lesão metastática ovariana, de um tumor primário epitelial, só foi realizada em 1902.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os sítios primários podem ser provenientes de diversos locais:</span></p>
<ul>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">Estômago: sítio mais frequente, correspondendo a cerca de 70% dos casos, principalmente no piloro, representado pelo adenocarcinoma de células em anel de sinete ou difuso;</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">Cólon e reto (adenocarcinoma);</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">Mama (carcinoma lobular invasivo);</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">Outros (ex: vesícula biliar, apêndice e intestino delgado).</span></li>
</ul>
<p><span style="font-weight: 400;">Somando-se as incidências de metástases oriundas do estômago e da topografia colorretal, elas totalizam aproximadamente 90% dos sítios primários do TK. Portanto, em regiões que apresentem alto índice de câncer gástrico, como em países asiáticos, a incidência do TK também é elevada, podendo representar até 20% das neoplasias do ovário.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O perfil epidemiológico é representado por mulheres jovens, na fase pré-menopausa, com idade média de 40 a 45 anos, fato que difere o TK dos tumores primários de ovário, que apresentam maior incidência na sexta década de vida.</span></p>
<h2><b>Sintomas</b></h2>
<p><span style="font-weight: 400;">Os principais sintomas acarretados pelo TK surgem pelo efeito de massa ou devido ao desequilíbrio da produção hormonal.</span></p>
<ul>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">Grandes massas ovarianas: dor ou distensão abdominal, ascite, perda ponderal, dor pélvica e dispareunia;</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">Produção hormonal exacerbada: hirsutismo, irregularidade no ciclo menstrual ou sangramento naquelas pós-menopausa.</span></li>
</ul>
<p><span style="font-weight: 400;">Entretanto, o TK pode permanecer assintomático até em estágios avançados ou gerar sintomas inespecíficos.</span></p>
<h2><b>Diagnóstico</b></h2>
<p><span style="font-weight: 400;">Em 1973, Serov e Scully definiram critérios para auxiliar no diagnóstico do TK que posteriormente foram adotados pela OMS. São estes:</span></p>
<ul>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">Presença de neoplasia ovariana infiltrativa com células em anel de sinete preenchidas por mucina;</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">Presença do envolvimento estromal ou apenas a proliferação sarcomatoide do estroma ovariano.</span></li>
</ul>
<p><span style="font-weight: 400;">A imuno-histoquímica tem um papel fundamental no diagnóstico, sendo o CK7 e CK20 os antígenos mais utilizados. Se CK7 e CK20 positivos ou apenas o CK20 positivo, a lesão é sugestiva de uma metástase de TK, mas, se imunorreatividade positivo para CK7 e negativo para CK20, a lesão favorece um carcinoma de ovário primário.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Outro parâmetro útil é o antígeno carcinoembrionário (CEA). Se positivo juntamente à imunorreatividade negativa para CA 125, a lesão favorece origem metastática.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Tabela 1. Relação dos marcadores imuno-histoquímicos dos tumores ovarianos.</span></p>
<div class="pcrstb-wrap"><table>
<tbody>
<tr>
<td><b>TIPOS DE TUMORES</b></td>
<td><b>CK7</b></td>
<td><b>CK20</b></td>
<td><b>CEA</b></td>
<td><b>CA-125</b></td>
</tr>
<tr>
<td><span style="font-weight: 400;">TK gástrico e colorretal</span></td>
<td><span style="font-weight: 400;">&#8211;</span></td>
<td><span style="font-weight: 400;">+</span></td>
<td><span style="font-weight: 400;">+</span></td>
<td><span style="font-weight: 400;">&#8211;</span></td>
</tr>
<tr>
<td><span style="font-weight: 400;">Neoplasia ovariana 1ª</span></td>
<td><span style="font-weight: 400;">+</span></td>
<td><span style="font-weight: 400;">&#8211;</span></td>
<td><span style="font-weight: 400;">&#8211;</span></td>
<td><span style="font-weight: 400;">+</span></td>
</tr>
</tbody>
</table></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Com o diagnóstico de TK, é importante a investigação pormenorizada em busca dos focos primários, seja por meio de métodos endoscópicos ou radiológicos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Como o local da neoplasia primária frequentemente é o TGI, é de extrema importância a realização de endoscopia digestiva alta e colonoscopia. Devemos nos atentar aos pontos cegos do estômago, como a região da cárdia, entre as pregas da grande curvatura do corpo, e até mesmo valorizar os sinais discretos, como o espessamento das pregas ou diminuição da expansibilidade gástrica.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nos métodos de imagem radiológicos (como a ultrassonografia, tomografia computadorizada ou ressonância magnética), o TK apresenta-se como massas ovarianas assimétricas, complexas, sólidas (em menor frequência císticas), com proporções variáveis e bilaterais.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O fato da bilateralidade em 80% dos casos, ocasionado por sua natureza metastática, é de grande valia na realização do diagnóstico diferencial de outros tumores, como os carcinomas mucinosos ovarianos primários, tumores carcinoides mucinosos e tumores de células de Sertoli e Sertoli-Leydig.</span></p>
<h2><b>Vias de disseminação</b></h2>
<p><span style="font-weight: 400;">A via de disseminação mais aceita, se o sítio primário for no estômago, é a via linfática retrógrada:</span></p>
<ul>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">As células neoplásicas metastizam-se para os linfonodos perigástricos, formando êmbolos que bloqueiam o sistema linfático, e, pelo refluxo, alcançam a linfa paraórtica e pélvica;</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">Sendo os ovários tão bem vascularizados, eles têm preferência pelo depósito de tais células.</span></li>
</ul>
<p><span style="font-weight: 400;">Outras vias de disseminação são a direta (transperitoneal) e a hematogênica.</span></p>
<h2><b>Acompanhamento</b></h2>
<p><span style="font-weight: 400;">O marcador CA-125 pode ser um parâmetro útil tanto para o rastreio de metástases ovarianas (em pacientes com adenocarcinoma primário do TGI) como para monitorização de doença ativa, marcador para análise da ressecabilidade cirúrgica e avaliação do prognóstico.</span></p>
<h2><span style="font-weight: 400;"> </span><b>Prognóstico</b></h2>
<p><span style="font-weight: 400;">Mesmo com os avanços da medicina, o prognóstico do TK ainda permanece desfavorável, devido a seu caráter metastático e a sua evolução silenciosa (acaba sendo diagnosticado em estágios avançados).</span></p>
<ul>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">A taxa de sobrevida média após o diagnóstico é menor que 2 anos;</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">Atualmente, nenhum tratamento curativo está disponível;</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">Tratamento cirúrgico é indicado para pacientes jovens e hígidas com doença limitada;</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">Para pacientes sintomáticas, o tratamento paliativo cirúrgico pode ser considerado após discussão multidisciplinar.</span></li>
</ul>
<h2><b>Como citar este artigo</b></h2>
<p><span style="font-weight: 400;">Gregório JM. Tumor de Krukenberg. Endoscopia Terapêutica; 2021. Disponível em: https://endoscopiaterapeutica.net/pt/uncategorized/tumor-de-krukenberg/</span></p>
<h2><b>Referências</b></h2>
<ol>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">Aziz M, Kasi A. Krukenberg Tumor. 2021 Jul 25. In: StatPearls [Internet]. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing; 2021 Jan–. PMID: 29489206.</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">Kubeček O, Laco J, Špaček J, Petera J, Kopecký J, Kubečková A, Filip S. The pathogenesis, diagnosis, and management of metastatic tumors to the ovary: a comprehensive review. Clin Exp Metastasis. 2017 Jun;34(5):295-307. doi: 10.1007/s10585-017-9856-8. Epub 2017 Jul 20. PMID: 28730323; PMCID: PMC5561159.</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">Al-Agha OM, Nicastri AD. An in-depth look at Krukenberg tumor: an overview. Arch Pathol Lab Med. 2006 Nov;130(11):1725-30. doi: 10.5858/2006-130-1725-AILAKT. PMID: 17076540.</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">Lyngdoh BS, Dey B, Mishra J, Marbaniang E. Krukenberg tumor. Autops Case Rep. 2020 Apr 2;10(2):e2020163. doi: 10.4322/acr.2020.163. PMID: 33344281; PMCID: PMC7703453.</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">Agnes A, Biondi A, Ricci R, Gallotta V, D&#8217;Ugo D, Persiani R. Krukenberg tumors: Seed, route and soil. Surg Oncol. 2017 Dec;26(4):438-445. doi: 10.1016/j.suronc.2017.09.001. Epub 2017 Sep 12. PMID: 29113663.</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">Zulfiqar M, Koen J, Nougaret S, Bolan C, VanBuren W, McGettigan M, Menias C. Krukenberg Tumors: Update on Imaging and Clinical Features. AJR Am J Roentgenol. 2020 Oct;215(4):1020-1029. doi: 10.2214/AJR.19.22184. Epub 2020 Jul 13. PMID: 32755184.</span></li>
</ol>
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