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	<title>Henrique Lopardi Passos, Author at Endoscopia Terapeutica</title>
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	<description>O Jornal Endoscopia Terapêutica tem como objetivo compartilhar experiências da prática diária, além de prover atualizações e discussões sobre endoscopia digestiva.</description>
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	<title>Henrique Lopardi Passos, Author at Endoscopia Terapeutica</title>
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		<title>Injeção Endoscópica de Toxina Botulínica</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Henrique Lopardi Passos, Frederico Vilarinho Bernardes e Bruno Martins]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 20 Jun 2023 06:30:39 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Assuntos Gerais]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160;Introdução&#160; Esta revisão visa ilustrar a técnica de injeção endoscópica de toxina botulínica, assim&#8230;</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<h2 class="wp-block-heading"><strong>&nbsp;Introdução</strong>&nbsp;</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Esta revisão visa ilustrar a técnica de injeção endoscópica de toxina botulínica, assim como mostrar seus benefícios e limitações. Iniciaremos com o conceito de acalásia, para depois ilustrar a forma correta de aplicação da técnica citada. Serão também mostrados efeitos da intervenção e preditores de sucesso em longo prazo, além de eventuais complicações. </p>



<p class="wp-block-paragraph">O principal artigo para elaboração dessa revisão foi: <em>Chan Sup Shim, Endoscopic botulinum toxin injection: Benefit and limitation, Gastrointestinal Intervention, Volume 3, Issue 1,2014, Pages 19-23. https://doi.org/10.1016/j.gii.2014.03.001.&nbsp;</em></p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Acalásia</strong>&nbsp;</h2>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Conceito</strong>&nbsp;</h3>



<p class="wp-block-paragraph">É uma desordem motora esofágica que tem como principal sintoma a disfagia, ocorrendo de forma insidiosa. Caracteriza-se pela destruição ou ausência dos plexos nervosos intramurais do esôfago. Essa condição determina ausência de peristaltismo (aperistalse) no corpo do órgão, bem como o relaxamento incompleto do esfíncter inferior do esôfago (EIE) em resposta à deglutição. Consequentemente, há estase esofágica e incoordenação motora. De modo progressivo, ocorre dilatação do órgão e diminuição de sua capacidade de contração.&nbsp;</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Histologia</strong>&nbsp;</h3>



<ul class="wp-block-list">
<li>Histologicamente observa-se destruição do plexo nervoso mioentérico (Auerbach).&nbsp;</li>



<li>A degeneração inflamatória envolve preferencialmente os neurônios inibitórios, que liberam óxido nítrico e peptídeo vasoativo intestinal, afetando o relaxamento da musculatura lisa.&nbsp;</li>



<li>Os neurônios excitatórios estão relativamente poupados. Eles liberam acetilcolina e causam contração da musculatura lisa, contribuindo para o tônus do EIE.&nbsp;</li>



<li>A perda da inervação inibitória do esfíncter inferior do esôfago faz a pressão basal do EIE aumentar, de modo a impedir o relaxamento do mesmo.&nbsp;</li>



<li>No corpo esofágico, a destruição do plexo nervoso resulta em aperistalse.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</li>
</ul>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><a href="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2023/06/fig-1.jpg"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="435" height="250" src="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2023/06/fig-1.jpg" alt="" class="wp-image-16332" srcset="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2023/06/fig-1.jpg?v=1687136781 435w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2023/06/fig-1-300x172.jpg?v=1687136781 300w" sizes="(max-width: 435px) 100vw, 435px" /></a><figcaption class="wp-element-caption">Localização dos plexos nervosos na parede do trato gastrointestinal.</figcaption></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph">O tratamento usual consiste na dilatação com balão ou na miotomia do EIE. A injeção intraesfincteriana de toxina botulínica (botox) emergiu como uma alternativa à dilatação com balão, agindo através do bloqueio da liberação de acetilcolina nos terminais nervosos.&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2023/06/botox.png"><img decoding="async" width="1024" height="482" src="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2023/06/botox-1024x482.png" alt="" class="wp-image-16427" srcset="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2023/06/botox-1024x482.png 1024w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2023/06/botox-300x141.png 300w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2023/06/botox-768x361.png 768w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2023/06/botox-1536x723.png 1536w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2023/06/botox-1170x551.png 1170w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2023/06/botox-585x275.png 585w, https://endoscopiaterapeutica.net/pt/wp-content/uploads/2023/06/botox.png 1917w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><em>A toxina botulínica bloqueia a liberação de acetilcolina na junção neuromuscular, diminuindo a contração muscular. </em></figcaption></figure>



<div style="height:61px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Injeção Endoscópica de Toxina Botulínica</strong> </h2>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Técnica endoscópica de injeção de botox:</strong>&nbsp;</h3>



<ul class="wp-block-list">
<li>Consiste na injeção de 100 UI nos quatro quadrantes do EIE (25 UI em cada quadrante), utilizando agulha de escleroterapia. </li>



<li>A injeção deve ser feita 1 cm proximal à junção escamocolunar, de forma perpendicular à parede esofágica, na <strong>camada muscular</strong>. </li>



<li>Uma nova injeção de 100 UI após 1 mês pode aumentar a eficácia<sup>2</sup>.&nbsp;</li>
</ul>



<p class="has-very-light-gray-to-cyan-bluish-gray-gradient-background has-background wp-block-paragraph">Para aplicação de botox, é necessário diluir o mesmo com SF 0,9% e misturar suavemente, sem agitar a solução.&nbsp;&nbsp;</p>



<div style="position:relative;padding-top:56.25%;"><iframe id="panda-4007da4d-24e9-4a0a-b609-32d5b6c00b51" src="https://player-vz-a75e9d45-986.tv.pandavideo.com.br/embed/?v=4007da4d-24e9-4a0a-b609-32d5b6c00b51" style="border:none;position:absolute;top:0;left:0;" allow="accelerometer;gyroscope;autoplay;encrypted-media;picture-in-picture" allowfullscreen=true width="100%" height="100%" fetchpriority="high"></iframe></div>



<div style="height:62px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Efeitos da intervenção</strong>&nbsp;</h3>



<p class="wp-block-paragraph">Estudos demonstraram que a injeção de toxina botulínica (ITB) nos pacientes com acalásia proporciona uma melhora sintomática significativa comparativamente ao placebo.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A aplicação de 100 UI, seguida da repetição da dose em um mês demonstrou ser mais eficiente do que aplicações únicas de 50 ou 200 UI<sup>2</sup>. Contudo, uma redução na eficácia da toxina botulínica tem sido observada no seguimento destes pacientes, provavelmente relacionada à produção de anticorpos contra a sua molécula.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Estudos mostram que as taxas de resposta 1 mês após a administração são em média de 82% (69–90%). Aos 6 meses, a taxa de resposta clínica cai para 57% (33–77%) e, em 12 meses, para 48% (15–76%).&nbsp;</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Preditores de sucesso em longo prazo</strong>&nbsp;</h3>



<p class="wp-block-paragraph">A ITB, apesar de menos invasiva que a dilatação pneumática e miotomia, ainda apresenta piores resultados a longo prazo em relação a estes métodos. Fatores preditores de melhor resposta à toxina botulínica incluem:&nbsp;</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Acalásia vigorosa (tipo III);&nbsp;</li>



<li>Pacientes com pressão do esfíncter esofágico inferior não excedendo mais de 50% do limite superior da normalidade, em pacientes sem acalasia vigorosa&nbsp;</li>



<li>Idade maior que 50/55 anos, sendo a taxa de resposta nesse grupo etário próximo ao dobro da observada na população mais jovem e ainda mais evidente na acalásia clássica;&nbsp;</li>



<li>Forma do tratamento, com reaplicação em 4 semanas.&nbsp;</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph">Outros fatores como sexo, duração da doença, características radiográficas basais e gravidade dos sintomas iniciais não demonstraram ser preditores de resposta ao tratamento.&nbsp;</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Complicações</strong>&nbsp;</h3>



<p class="wp-block-paragraph">As complicações da administração da toxina botulínica incluem principalmente a dor torácica transitória e azia, sendo reportados casos isolados de bloqueio cardíaco, retenção urinária e pneumotórax.&nbsp;</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Benefícios e limitações</strong>&nbsp;</h3>



<p class="wp-block-paragraph">A ITB, apesar de apresentar menor eficácia terapêutica que os demais métodos, é comumente utilizada como terapia inicial pela sua facilidade técnica e baixa taxa de complicações, sendo preferencialmente reservada para pacientes com comorbidades importantes, em espera para tratamento cirúrgico ou que se recusam outros métodos de tratamento. Destaca-se, porém, o aumento da taxa de perfuração esofágica quando o paciente é submetido, posteriormente, à dilatação pneumática.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Após a aplicação da toxina botulínica, os pacientes com acalásia devem ser monitorados regularmente, pesquisando possíveis complicações, como dilatação esofágica maciça e carcinoma esofágico.&nbsp;&nbsp;</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Referências</strong></h2>



<ol class="wp-block-list">
<li>Chan Sup Shim, Endoscopic botulinum toxin injection: Benefit and limitation, Gastrointestinal Intervention, Volume 3, Issue 1,2014, Pages 19-23. <a href="https://doi.org/10.1016/j.gii.2014.03.001" target="_blank" rel="noreferrer noopener">https://doi.org/10.1016/j.gii.2014.03.001</a>.&nbsp;</li>



<li>V.&nbsp;Annese,&nbsp;G.&nbsp;Bassotti,&nbsp;G.&nbsp;Coccia,&nbsp;M.&nbsp;Dinelli,&nbsp;V.&nbsp;D&#8217;Onofrio,&nbsp;G.&nbsp;Gatto,&nbsp;<em>et al. </em>A multicentre randomised study of intrasphincteric botulinum toxin in patients with oesophageal achalasia. GISMAD Achalasia Study Group, Gut,&nbsp;46&nbsp;(2000), pp.&nbsp;597-600.</li>
</ol>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Como citar este artigo</strong></h2>



<p class="has-background wp-block-paragraph" style="background-color:#c8cad5">Passos HL, Bernardes FV, Martins BC. Injeção Endoscópica de Toxina Botulínica. Endoscopia Terapeutica 2023, vol 1. Disponivel em: <a href="https://endoscopiaterapeutica.net/pt/?p=16330" target="_blank" rel="noreferrer noopener">https://endoscopiaterapeutica.net/pt/injecao-endoscopica-de-toxina-botulinica/</a></p>
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